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Calcinhas, cuecas e confusão

Postado em 31 julho 2009 Escrito por Izzy Nobre 204 Comentários

Tudo começou com tanta inocência que você nem acreditaria.

Mimimi twitter não serve pra nada, né?

E você não imagina a confusão resultante. É o tipo de coisa que só podia acontecer mesmo num país sexualmente confuso como o nosso Brasilzão, onde imagens de mulheres rebolando sem calcinha em via pública sendo transmitido em rede nacional é completamente normal e parte da nossa cultura, mas meninas flagradas em momentos de intimidade com o namorado são vagabundas que não se dão o respeito e merecem ser hostilizada em seus perfis no orkut.

Com intenção de ironizar as campanhas de mobilização que pipocam literalmente todo dia no Twitter, o meu chegado Gratavaí Merengue bolou a imagem acima e a idéia por trás dela. Eu e o Morróida pulamos na idéia logo de imediato e promovemos o negócio com alegria, porque era uma forma engraçada de ironizar esse bando de ativista de sofá que acha que pode mudar o mundo adicionando um # na frente da termo que define seu ideal.

O que eu quero e preciso que você entenda é que desde o começo a idéia foi tratada por nós como galhofagem e sinceramente eu não esperava que ninguém embarcasse no movimento. Note que a imagem de “divulgação” do movimento não trás uma data nem nada – simplesmente não havia a priori a intenção de realmente organizar a massa a se despir sincronizadamente. Era uma palhaçada, e definitivamente não havia intenção de ofender ninguém.

Aliás, eu já estava antecipando as dúzias de mensagens do tipo “ihhh, miou aquele #lanjeridei de vocês ein, ninguém participou, mano!” e me perguntando se valeria a pena explicar que não era uma iniciativa séria, ou se suspirar com impaciência e apenas ignorar esses comentários seria menos cansativo.

Entretanto, teve uma turminha que levou o negócio muito a sério – as feministas militantes, carinhosamente apelidadas de “feminazis” pela sua postura agressiva e thirdreichmente inflexível. As acusações começaram a pipocar de vários lados: os promovedores do tal #lingerieday são todos filhos de putas que têm como missão “objetificar” a tuiteiras, estabelecer o fim do sufrágio, suspender a carteira nacional de habilitação de todas as mulheres e essencialmente peidar na cara de todas as realizações do front feminino nos últimos 100 anos.

Quando surgiu a primeira acusação de machismo, eu fiquei encarando a tela do meu computador embasbacado, sem saber sequer como responder. Foi como se tivessem enchido uma meia suada com vômito e em seguida rodopiado-a no ar e me dado um tabefe na cara com ela. Fiquei sem resposta imediata, olhando pra página aberta no meu navegador, tentando digerir o conteúdo do chilique e submete-lo aos filtros da lógica.

Primeiro, como já expliquei, eu não esperava que alguém levasse a brincadeira a sério, ou muito menos que escrevessem várias teses de doutorado a respeito de como o movimento era a maior infração dos direitos civis femininos desde o dia em que Adão apontou pra parceira com cara de desentendido e falou “aê Chefia, nem olhe pra mim, foi essa biscate aí que você me deu de presente”.

Em segundo lugar, há um problema primordial com o termo “machismo”, e as feminazis acentuaram tal problema com sua retórica obviamente tendenciosa (sim, sim, todo mundo tem retórica tendenciosa, mas isso não deveria acontecer se você está pregando igualdade).

Eis o problema: preconceito sexual é essencialmente o mesmo que preconceito racial – é uma via de mão dupla. Assim como homens agem com preconceito, mulheres também.

Chamar preconceito contra mulheres de “machismo” é atribuir esse tipo específico de comportamento a todos os membros o gênero masculino, ou sugerir que é uma condição inerente (e exclusiva) dos machos. Seria como chamar racismo de branquismo ou pretismo – na melhor das hipóteses é ridículo, e na pior é tão preconceituoso e ofensivo quanto as manifestação que a pessoa tenta criticar.

Experimente chamar alguém de estar sendo “pretista” e me diga qual foi o resultado. Me diz aí, por que mulheres podem jogar o termo “machista” pra lá e pra cá com impunidade?

E isso me leva à impressão de que “machismo” e “feminismo” são a mesma coisa – forças iguais mas em direções contrárias conforme descrevia Newton; ambas escolas de pensamento igualmente preconceituosas. Se “machismo” há de ser algo ruim, por que “feminismo” deveria ser bom? É apenas o mesmo preconceito em outro vetor, nem que seja apenas etimologicamente. Se querem continuar com o discurdo de igualdade, vão ter que arrumar outra insígnia.

Prefiro o uso do termo “sexismo”, derivado do inglês “sexism”. Despido da especificação de gênero, o termo se torna bem mais neutro e honesto. Afinal, “esse cara é machista!” é a defesa curinga de qualquer feminista exagerada, mas como nós homens podemos acusa-la de agir com o mesmo preconceito sexual do qual ela nos acusa? Não dá pra chama-la de “feminista” porque ela baterá no peito e falará “sou mesmo, com orgulho!” sem sequer entender que acabamos de acusa-la da mesma atitude preconceituosa.

Essencialmente idéia de “manifesto social” das feministas é agir com a arrogância caricata de comediantes negros americanos cujo ato humorístico reduz-se a desfiar as mil e uma formas nas quais sua gente é superior à branquelada. Igualdade, ou revanche sem qualquer substância? Chris Rock pode me fazer rir mas ele não é nem nunca será nenhum Martin Luther King Jr.

Enfim. As feminazis chilicaram e chilicaram. O argumento da vez é que estamos “objetificando” a mulherada. Não entendi a explicação delas, porque… bem, porque não houve uma. Elas apenas fizeram o salto “esses sujeitos gostam de ver mulheres seminuas, portanto pra eles mulheres nada mais são que objetos sexuais prontas a submeter-se a qualquer desejo carnal que passar por suas cabeças em qualquer momento”. E pronto, vaticinou-se nossa absoluto desprezo pelo valor da mulher.

Deixa eu te fazer uma pergunta. Se eu vejo um criminoso negro (opa, afro-brasileiro) e o descrevo como tal, alguém pode honestamente dizer que eu vejo TODO negro como criminoso, ou que aquele sujeito é APENAS um criminoso e absolutamente nada mais?

Obviamente não, isso seria uma apelação. Similarmente, dizer que uma mulher é gostosa ou apreciar a sensualidade não significa que estou limitando a mulher a uma figura sexual. É a constatação do fato de que além de todas as suas outras características, sejam positivas ou negativas, a pessoa também é atraente. E só isso.

Não posso falar de todos os homens do twitter, mas posso falar sim dos que eu conheço com intimidade (ui!), que são o Gravz e o Morróida. O Gravz é um intelectual como poucos, e o Morróida é um empresário bem sucedido que se veste de um personagem arrogante na internet pra divertir milhares de nerds. Posso garantir que nenhum deles faz pouco da figura feminina, e se apreciamos suas formas é simplesmente porque somos animais heterossexuais programados biologicamente pra ver tal figura como desejável.

Dizer sem qualquer embasamento que essa é a ÚNICA coisa que vemos é um golpe retórico baixo, e demonstra discurso ineficiente, ou simplesmente o resultado de anos de comodismo em simplesmente apontar homens como inerentemente sexistas sem necessidade de maiores explicações. Feministas estão mal acostumadas, essa é a questão – também pudera, qualquer um que ouse opo-las será automaticamente tachado de “machista”, e assim o nível do debate nunca se eleva. Sem (auto-)crítica, não há como crescer.

As feministas até tentaram esboçar argumentos melhores. Disseram que se realmente vemos a brincadeira com tanta inocência, por que não convidar nossas namoradas a participarem? Parecia um bom argumento, exceto pelo fato de que dúzias de garotas comprometidas (incluindo a minha) participaram.

E agora, José? Como fica a minha imagem de macho alfa controlador e opressivo, que mantém a mulher como minha propriedade particular? Complicou, né?

Sem recurso, as feminazis mudaram de marcha e passaram a hostilizar abertamente as garotas que participaram do #lingerieday. Elas seriam burras, ingênuas, incapazes de ver que estavam sendo manipuladas. As mais exaltadas nem perderam tempo com táticas diplomáticas e partiram pro ataque verbal descarado.

TUDO PUTA E VIADO OK

Vá ao twitter e pesquise qualquer combinação dos termos “#lingerieday”, “vagabunda”, “biscate”, “puta”. A maioria esmagadora de comentários inflamatório veio, pasmem, de outras mulheres. Das mesmas que acusam, ironicamente, os promovedores do evento de serem machistas.

Estranho. O argumento era que reduzir uma pessoa a uma imagem pejorativa dessa forma era preconceito exclusivo aos machos…? Não deveriam as feministas serem as PRIMEIRAS a se opor contra esse tipo de ataque?

Aí está a grande hipocrisia das feminazis. Ao mesmo tempo que elas nos criticam por SUGERIR que a mulherada mostre os dotes (afirmando que isso reduz a participante a um objeto de gratificação sexual), elas nem pensam duas vezes antes de partir pra ataques que reduzem as participantes a um objeto de gratificação sexual. Mostrou o bumbum? É UMA PROSTITUTA, cabou. Não quero saber se você é advogada, cientista, jornalista ou pesquisadora no ramo da cura do câncer. PUTA. Cabou-se.

Não é deliciosamente irônico? Não é contra esse tipo de atitude preconceituosa contra as mulheres que elas deveriam lutar? Imagino que tipo de opinião elas têm de modelos profissionais, ou de qualquer mulher do mundo que veste um bikini pra ir à praia e é vista por centenas de homens. Um bando de vagabundas, né?

Fica bem óbvio que feminazis como essas que chilicaram contra o #lingerieday não pregam nem querem igualdade porra nenhuma, visto que elas não têm problema algum em atacar ferozmente as outras companheiras em sua fúria anti-macho. Se exibir o corpo é “objetificar” e isso é algo inerentemente ruim, por que todas sugeriram que nós homens nos despissemos nos avatares? Com ingenuidade concordamos com a proposta, achando que isso aplacaria a fúria histérica delas, mas foi totalmente em vão. Como já falei, não é igualdade o que elas querem, porque se fosse a birrinha tinha morrido aí mesmo.

O que elas querem é uma carte blanche pra justificar seu próprio preconceito sexual, o que ficou muitíssimo evidente durante essa confusão toda.

Minha carta aberta às feministas é que parem e pensem um pouco nas merdas que vocês estão propagando na interwebs. Se você alega que uma garota é uma vagabunda simplesmente porque se exibe com sensualidade, você não é nem um pouco melhor que os milhares de homens preconceituosos que hostilizam mulheres ao redor do mundo pelos mesmos motivos. E se você abre a boca ou bate no teclado pra dizer que a apreciação pelo corpo feminino é pejorativa, culpe Darwin e não nós.

Claro que as feministas vão chilicar mais uma vez e desfiar sua ladainha de novo, tentando convencer aquelas que já concordam com elas. Opiniões dissonantes à parte, uma coisa ficou confirmada acima de qualquer dúvida – enquanto nós homens vemos a semi-nudez feminina com admiração, vocês se aborrecem com ela, a vêem como detrimental ao valor da mulher, e usam como justificativa pra altíssimo desrespeito. Quem está REALMENTE sendo sexista, amiguinhas?

E, ó? Uma trepadinha de vez em quando faz um bem danado pro humor. Toda essa aversão a sensualidade humana me faz pensar que vocês tão precisando desesperadamente de uma boa pirocada, pra reorganizar as prioridades.

E não me refiro exclusivamente às feminista raivosas. O conselho vale pra qualquer ranzinza.

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204 Comentários \o/

  1. Carol disse:

    Mandou bem :)
    Acho que quem critica (todos, sem exceção) tem muita vontade de brincar mas falta é coragem.

  2. ciberdek disse:

    Muita discussão pra pouco assunto. Nunca achei que o lingerieday iria criar nenhuma celeuma, pois não é nenhum movimento opressor ou coisa que o valha. Ninguém é obrigado pa participar. O pessoal não abe se divertir sem criar caso mesmo.

    Prefiro ignorar as feminazis Ee toda polêmica e simplesmente olhar as gostosas aqui:

    http://reticenciasdigitais.blogspot.com/2011/07/lingerieday.html

  3. aline rivieri disse:

    Otimo texto…acho que essas pessoas que reclamam são as que morrem de inveja das meninas, por não ter o corpo ou a coragem…

  4. KaH disse:

    Eu participo por estar de bem com o meu corpo.

    Cadê o país que se ufana por aceitar as diferenças? Por não ter preconceitos?

    Participa quem quer. Quem não quer, fica na sua e pronto. Não precisa aceitar, basta respeitar as escolhas de cada um.
    Quem critica de forma ofensiva, acaba por passar a impressão de #recalque e #inveja.

    Quem quiser ver meu avatar é: @karine_leandro

  5. Raiko disse:

    Voce diz que era só brincadeira pq ñ fez sucesso ou nao agradou a muitos. Nao eh a primeira vez que faz isso.

    Normal de blogueiros que querem “hypar” as coisas, mas nao admitem insucessos e nem criticas contrarias.

  6. Maura Corrêa disse:

    Hoje o @bqeg (Marcel) falou umas coisas bem inteligentes, no Twitter, sobre bafafas em relação ao #LingerieDay: “Não vejo diferença entre um homofóbico e alguém que chama outra de puta pq tirou foto de calcinha. Ou mesmo entre um homofóbico e aquele que chama de feia/gorda quem não quis participar da brincadeira.”

    Resumiu tudo.

  7. Anapads disse:

    Concordo com alguns argumentos do texto. O problema é esse ódio ao feminismo. Acaba gerando uma confusão (só ler nos comentários aqui mesmo) e rolando um ataque tenso ao feminismo que, na boa, não é essa coisa má que tão achando. Feminismo é bom. O feminismo defende que vc tem o controle do seu corpo. Que vc pode fazer o que quiser com ele e que ninguém pode te encher o saco com isso. O feminismo defende a liberdade. Então é simples: eu tenho a liberdade de botar foto de lingerie no meu avatar e vc não tem nada a ver com isso. Ou ainda, tenho a liberdade de não botar lingerie no meu avatar e vc tb não tem nada a ver com isso.
    No fim das contas, acho que tá faltando essa liberdade.

    Enfim, discordo do último parágrafo apenas pq né, argumento mais batido que esse só falar que “é inveja”.

    • Kid disse:

      O texto é de 2 anos atrás. Se eu tivesse escrito-o hoje, não teria feito aquele parágrafo.

      Se bem que, em minha defesa, o conselho de “trepe mais” é direcionado a qualquer tipo de gente ranzina, não exclusivamente a feministas.

      BTW: Não há ódio algum contra o feminismo. Há ódio contra hipocrisia.

  8. Anapads disse:

    Em tempo: esse ano vi mais homem sendo sexista do que mulher. Tenho até print de uma bela discussão no facebook, de um cara falando que hj na verdade é “mulherotáriaday. E uns outros falando que é tudo coisa de puta/attentionwhore/biscate, entre outros.

  9. Rodox disse:

    Apoiado até o talo camrada! Nem tenho o que acrescentar! Excelente texto!

  10. Feministas em sua maioria são umas frustradas,por isso atacam tão ferozmente mulheres que não seguem e não concordam com suas crenças.

    • Anapads disse:

      “Feministas em sua maioria são umas frustradas”. Era disso que eu tava falando, Izzy. O “ódio” ao feminismo tá nos comentários aqui, nem é no seu texto não. Essa generalização que é foda. Uma mulher se diz feminista, fala um bando de merda por aí e pronto, começam a usar aquilo pra definir todas as feministas. Uma pena.

  11. Luan disse:

    Eu gostei do texto, tirando a parte sobre o feminismo. O termo “feminazi”, na minha opinião, é ofensivo pra caralho e só vem da boca de alguém que não entende absolutamente nada sobre o feminismo.

    Mas quanto ao mimimi sobre o lingerieday: totalmente infundado. O corpo é da mulher e ela tem o direito de fazer o que quiser com ele. Claro que mostrando sua calcinha no avatar você vai atrair comentários machistas, mas não é contra esses comentários que nós deveriamos nos preocupar?

    Julgar essas mulheres que colocaram as fotos de lingerie não é ir contra os argumentos das Marchas das Vadias?

  12. Cristine disse:

    Acho que o único problema em tudo isso é que a maioria das garotas que participaram disso são garotas menores de idade.

  13. niopis disse:

    Vejam o que diz Laura Buu do Pink Vader:

    “Ah! E vamos combinar? No final toda esse lance de #LingerieDay não passa de uma forma de um monte de gente lucrar e ganhar pageviews usando a força motriz de centenas de milhares de pessoas que gostam de sexo — ou seja: praticamente toda a população do planeta Terra. No final, além de ser uma forma da sociedade passar o seus valores (ou a falta deles) a diante, também é uma grande armação para meia dúzia de pessoas ficarem mais ricas no fim do dia.”

    http://pinkvader.com/2010/07/lingerieday/

    Me pergunto pra que todo esse recalque? Logo ela uma gordinha nerd que eu aposto que muita gente adoraria ver participando do lingerieday. Ela acha o máximo twittar suas viagens pra evento nerd nos EUA pra parecer a superdescolada e me vem com uma critica cega e irracional como essa. Laura Buu perdeu o meu respeito, sinceramente.

  14. Tiago Tessari disse:

    Parabéns pelo texto. Um dos melhores, sobre o tema, que eu já li! Pena que muitas pessoas que deveriam ler esse texto vão parar de ler no inicio dele. Eu divulguei! Parabéns aos autores!

  15. [...] seus devidos elogios (e muitas vezes ofensas), e as feministas mais violentas (a.k.a. “feminazis“) ficaram ali, arrancando os [...]

  16. Milena disse:

    Calma lá, calma lá!
    Defender os direitos da mulher é importante; defender a própria opinião, também.
    Não é do meu perfil sair por aí de sutiã – nem quando tinha o corpinho em dia – mas cada um com seus “pobrema”.
    Defendendo a minha opinião, acho radicalismo burrice.
    Embora muito engraçado e útil, a constatação do texto foi bem agressiva, não!? hahahaha.
    Nem toda feminista é preconceituosa e nem todo homem só dá valor a bunda. Tá combinado?
    A puta, a santa, a gostosa a nerd.Burrice isso de segregar!Em tempos de BRICs, alianças e poder de mercado, Muitas – nem todas – mulheres, deviam pensar mais em se unir.