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Ter filhos? EU?!

Postado em 11 fevereiro 2011 Escrito por Izzy Nobre 58 Comentários

Tou com 26 anos e minha mulher, 22. Meu pai, que aparentemente teve sua predileção por moleques de colo reacendida com o nascimento do meu meio-irmão, encasquetou de perguntar pra gente quando é que vamos dar um sobrinho ao Kevin.

Este é o Kevin, o meu meio-irmão. No caso, meio cearense, meio maranhense, e meio canadense

Quase sempre que vou visita-los, invariavalmente o assunto acaba virando “e aí, quando é que tu vai embuchar essa menina?”

O negócio é que eu não tenho a menor pretensão de ter filhos, pelo menos não dentro dos próximos 3 ou 4 anos. Eu tenho essa idéia maluca de que só quero pôr moleque no mundo quando estiver 100% estabelecido em minha carreira (que ainda nem começou ainda), e tiver grana o suficiente pra dar pro pivete tudo que eu não tive quando criança.

O que será muito difícil, pois eu só tive brinquedo foda.

Minha mulher parece prontinha pra ter filhos, o que é um negócio que me preocupa um pouco. Afinal de contas, a única coisa impedindo que eu prencha meus formulários de imposto de renda riscando a caixinha que pergunta se eu tenho filhos é a menina lembrar de tomar o seu anticoncepcional todo dia, no mesmo horário. Vai que ela “esquece” essa parada…?

Sei não. Outra coisa que me preocupa é que não há nada mais chato do que novos pais. Tou na idade em que meus amigos próximos tão tudo casando e tendo filhos (na maioria das vezes em ordem inversa, essa cambada de fornicadores sem Jesus no coração…), e eu presencio de camarote a mudança que um bebê causa na vida do indivíduo.

Tenho amigos que não falam de mais NADA a não ser a criança. Uma amiga minha teve seu segundo filho há quase 2 anos e TUDO que ela posta no Facebook é relacionado ao moleque — o que ele comeu no almoço, as palavras que ele tá aprendendo a falar, os brinquedinhos que ele prefere, a frequência que ele caga (sério). E isso são só exemplos da semana passada.

É uma obsessão doentia chatíssima que faz a pessoa parecer que não tem mais NADA na vida a não ser o recém nascido. No caso dessa menina, a Stephanie, é parcialmente — senão totalmente — verdade: a mulé não tem nenhum amigo (eu mesmo não me consideraria “amigo” dela, minha patroa que é), não tem trabalho fixo há uns 3 anos e só não mora embaixo de uma ponte porque deu sorte de conhecer um sujeito que aparentemente não se incomodou com o fato de que ela é gorda, feia, burra, e já tinha um filho quando eles se conheceram.

E falando sobre os empregos dela, ela arrumou um ou outro nos últimos anos, e era sempre demitida dentro de poucas semanas. Previsivelmente, ela sempre dava uma desculpa diferente pra cada demissão; sempre alguma justificativa que a redimia de qualquer culpa.

Sério, essa coitada é muito patética. Há muito tempo não interajo com ela fora do Facebook, mas o que mais me lembro da menina é que ela é totalmente INDESEJÁVEL. É mó burralda, feia, pesa o dobro que eu apesar de ser mais baixa, e conseguiu a proeza de ser engravidada por um traficantezim de merda que acabou sumindo depois.

Esse foi o primeiro filho da menina; o segundo foi esse cara que ela conheceu mais recentemente. Um cara gente boa, com pinta de bonitão, e cheio da grana. O que diabos o maluco vê nela, jamais saberei. Mas é óbvio que o cara é o príncipe encantado dela.

Ela me passa a impressão de que como esse filho foi mais “planejado” do que o primeiro — e nasceu em situações relativamente melhores –, é o “bebê perfeito” dela. Por isso, penso eu, ela faz questão de encher o saco de todo mundo narrando as aventuras do pivete.

E taí outra coisa que eu jamais conseguiria fazer — me ajuntar com alguém que já tivesse filho. Reconheço que estou sendo meio babaca pois conheço pessoalmente casais em que um ou o outro cônjuge já tinham filhos antes de se conhecerem, mas é uma parada que eu pessoalmente não conseguiria fazer. Criar menino já é uma tarefa ingrata, imagina então criar menino dos outros.

Até porque nas minhas aulas de Family Law eu descobri uma parada perturbadora — se você namora alguém e mora junto com essa pessoa por 6 meses, e a pessoa tinha um filho, você se torna diante da criança uma “father figure” e a partir daí você é obrigado a pagar pensão pro moleque que não é seu filho. Eu achei isso um absurdo tão inacreditável que discuti com a professora no meio da aula.

Já pensou você pagar pensão pra um moleque que não é seu filho? Só porque você cometeu a asneira de morar junto com a mãe do moleque por alguns meses? Quando eu fiquei sabendo disso, pensei IMEDIATAMENTE na Stephanie e no tal príncipe dela. E tive uma certa pena do rapaz, até o momento em que ele embuchou a menina.

Se o cara não tem pena de si mesmo e faz uma merda dessa, não sou eu quem terá.

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Categorias: Vida maldita

58 Comentários \o/

  1. Z3hr0_C00l disse:

    Eu não quero nem casar sem estar estabelecido, imagina ter filho!

    Use coito interrompido… melhor que depender da memoria dela.

  2. @mosblenarufa disse:

    Se você tiver um filho(ou filha) você não poderá andar de cuecas é casas que é uma das poucas vantagens que vejo em ter uma casa propria…
    Se bem que andar de cuecas no inverno canadense não é uma vantagem…

  3. Pedro Gafanhoto disse:

    Kid, se tu continuar com essa idéia maluca, tu nunca vai ter filhos seu lactobacilo!

    Essa coisa de “carreira 100%”, nunca chega a 100% por que sempre falta alguma coisa bem idiota.

    O negócio vai da vontade, não da vida 100% estável de semi-rico e tal.

    Porra Kid, dá um Xbox 360 e um iPad pro moleque que ele vai ser mais feliz que qualquer amiguinho da escola!

    • @andropovbr disse:

      Endosso a opinião do amigo. Eu fui pai em condições bem desfavoráveis, adminito que fui imbecil em ter trepado sem camisinha e sem ela ter tomado anticoncepcional aos 24 anos, quando eu ainda era estagiário e ela só ajudava a mãe dela numa mercearia. Quando nossa filha nasceu, eu tinha 25 anos e estava desempregado.

      Claro, tive ajuda dos meus pais e da sogra, conseguimos concluir a nossa casa e hoje estou numa situação boa, se comparar a média em nosso país. Nossa filha frequenta escola particular, tem conforto em casa etc. Acho legal o Kid planejar, mas reveja esse “estar 100% na carreira”, pois dificilmente estarás lá. Sempre vai ter algo a mais para fazer.

  4. Ladislau Neto disse:

    curte a idéia de adotar não, kiddo?
    alguém falou aí q o mundo já conta com o peso de 6 BILHÕES de pessoas.
    Mas é certeza q já passa dos 7 bilhões. Milhões de crianças sem pais. Inúmeras em situação miserável.

  5. Lana disse:

    Também sou adepta da sua idéia. Só boto filho no mundo quando estiver com a carreira estabelecida. Afinal, contratar uma babá em tempo integral custa caro.

  6. madinha disse:

    Provavelmente em algum momento sua noiva vai te colocar na parede, pode ser esse mês ou daqui a 10 anos, e você vai ter que escolher entre ter um filho ou perder a mulher.

    Bom, tenho um bebe em casa, e vou avisando, esqueça as saidas noturnas, esqueça gadgets, se desapegue de qualquer coleção que você tenha( ele vai quebrar,rasgar, rabiscar… aceite isso), por muito , muito tempo você vai deixar de ser uma pessoa, você será um anexo dele, e sim, o seu unico assunto será o bebe.

    É assim, foi assim e sempre será assim ( a não der que você seja um pai FDP ausente) pelo simples motivo que têm que ser assim.A sua vez já terá acabado, será então a vez dele.

  7. Alex disse:

    “É assim, foi assim e sempre será assim ( a não der que você seja um pai FDP ausente) pelo simples motivo que têm que ser assim. A sua vez já terá acabado, será então a vez dele.”
    Perfeito. É o ciclo da vida, não tem como escapar dele. As tentativas sempre resultam em algo horroroso. Esse pessoal que reclama e só põe defeitos deve achar que vai ficar na casa dos 20 anos pelo resto da vida.
    Claro que filhos é algo que tem que ser pensado e, se possível, planejado, mas como já disseram ali atrás: esperar esse negócio de carreira 100% é ilusão, sempre haverão coisas novas pra procurar na carreira. Abraço!