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O dia em que o HBD parou

Postado em 1 December 2011 Escrito por Izzy Nobre 4 Comentários

Puta que pariu.

Se você tentou entrar no HBD esses últimos dois dias, há grandes chances de que você não conseguiu na primeira tentativa. Ou na segunda. Ou na terceira.

Você deve ter sido um dos milhares que encarou uma página de erro ou uma página carregando eternamente. E o motivo foi isso aqui:

Caraio!

Esse arranha-céu imenso no gráfico de acessos do HBD representa o dobro do meu recorde anterior de hits únicos, quando o Felipe Neto linkou aquele texto em que eu caguei no tapete do banheiro. Esse texto é o primeiro resultado da busca “caguei tapete” no google aliás, então tenho um monopólio no SEO de defecar em adereços domésticos.

Como vocês devem estar cientes, aquele texto sobre as putarias contemporâneas que assolam o Facebook se tornou um pouco popular demais pro próprio bem do site. Eu nunca escrevi algo que tivesse tanta repercussão. Olha essa merda aí:

Oito mil likes no Facebook, mais de 500 RTs no tuícster. Em uma deliciosa ironia, o texto que criticava o super-compartilhamento se espalhou pela internet como um vírus.

Durante boa parte do dia ontem (pelo menos 7 horas) havia entre 700 e 800 usuários online no HBD — com um pico de 1000 leitores simultâneos. Pra vocês terem uma idéia da proporção que isso representa pro site: o HBD geralmente tem, quando escrevo texto novo, um salto de míseros 300 usuários online — e isso se mantém apenas pelos 5 ou 6 minutos que demora pra essa turma o texto novo.

Ontem, um número três vezes maior passou horas no HBD.

Parecia que a internet em peso concordou com o que eu escrevi, e queria deixar claro pra todos ao seu círculo social. O site tava pedindo água com a surra de acessos, aí isso aqui aconteceu:

Vocês vivem reclamando dessa banda; eu pelo menos agora tenho motivo

O vocalista dessa banda Fresno (ele é o vocalista? Só sei da banda através dos chiliques de vocês no twitter) tomou conhecimento do link e compartilhou pra seus quase 600 mil seguidores. Resultado: naquele exato momento a infraestrutura do site, que já tava tomando uma surra, levou uma piroca rígida no meio da cara e caiu para trás.

E por isso o site passou tanto tempo indisponível. Se não fosse a galera da StarHosting correndo feito loucos nos bastidores pra normalizar a situação, o site estaria ainda fora do ar.

A quantidade de pessoas acessando o site era tão absurda que o site voltava rapidamente pro ar e, sem que eu avisasse no tuíter ou nada do tipo, IMEDIATAMENTE entravam as mil pessoas de novo e o site caia. Era um fenômeno bizarro de testemunhar, fiquei com a imagem mental de milhares de pessoas apertando F5 no texto simultaneamente.

Não estou exatamente reclamando do acontecido; afinal de contas, eu creio que todo mundo que começa blog o faz com o desejo velado de ficar “famoso”, de ser reconhecido, de ver o contador de visitas explodindo. Isso é especialmente verdade para mim, que sou parte da “velha guarda blogueira” (o HBD nasceu em 2001 e continua até hoje), uma época em que se gabar de acessos na casa dos milhares era a única satisfação que alguém poderia extrair da internet.

Por isso, ver algo que eu escrevi correndo pela internet e praticamente ganhando uma vida própria (afinal, milhares das pessoas que entraram aqui ontem não sabem quem é Izzy Nobre, mas leram o texto, apreciaram-no, e compartilharam) é extremamente lisonjeiro.

Dessa vez, mais do que nunca na história do HBD, meu material (posso chamar escrita de “arte”? Espero que sim, porque sempre quis ser um artista mas não sei pintar nada) alcançou gente que não é o “público alvo” do tipo de humor que eu faço. O demográfico do HBD — que eu achava conhecer intimamente — agora tá todo bagunçado. Tem gente de toda espécie lendo isso aqui, e espero que alguns retornem.

E ao contrário da época do Weblogger, dessa vez notoriedade vem com compensação financeira — recebi diversas propostas comerciais através daquele texto do Facebook.

E eu aprendi algumas coisas, também:

1) Nem todo mundo concorda comigo

Naquele furor inicial de compartilhamento do texto, literalmente TODO o feedback que eu recebi era positivo. O link era repassado com um adendo que geralmente lia mais ou menos como “wow esse cara falou TUDO, leiam!” ou “assino embaixo 100%”. Isso me causou a impressão de que eu havia falado alguma verdade universal inegável que ninguém em mente sã refutaria.

Que inocência. Rapidim os detratores começaram a pintar de todo canto, com os mais variados argumentos:

Eu sou um elitista filho da puta que odeia brasileiros (apesar do fato de que em momento algum atribuí aquele comportamento a brasileiros);

Eu sou um burro que podia simplesmente esconder os status dos chatos (igualmente, você pode também blindar seu carro pra evitar ser vítima de bala perdida, isso não desmerece uma crítica sobre a segurança pública)

Sou a reencarnação de Hitler. Sério, usaram esse argumento. Clique pra ver maior:

Criticar uso de uma rede social = genocídio

Disseram que eu devia calar a boca e parar de reclamar na internet (enquanto reclamam na internet, sobre meu texto)

E muito mais. Boa parte dos quase 300 comentários me esculachando usam algum tipo de falácia imbecil que faz parecer que é difícil elaborar uma crítica válida pros pontos que levantei no texto.

2) Eu preciso encarar esse site mais como um negócio do que como um hobby

Quando comecei este site em 2001 — na época, hospedado no insalubre Weblogger –, a idéia de ganhar dinheiro com um diarinho virtual era tão absurda quanto, sei lá, qualquer outra coisa igualmente absurda. Esses sanduíches de geléia com manteiga de amendoim que os gringos adoram, por exemplo, é uma idéia apenas 50% tão absurda quando a de lucrar com um blog naquela época.

A direção editorial do HBD mudou relativamente pouco nos últimos 10 anos — isso aqui continua sendo um blog-diarinho como nos moldes de outrora, em que eu sou o personagem principal de uma novelinha virtual eterna em que eu tento transformar acontecimentos triviais num passatempo diário pra vocês que me lêem.

Eu lembro quando atingi a meta dos 500 pageviews por dia. Não lembro quem inventou esse achievement arbitrário, mas na época áurea dos blogs se falava bastante nos “quinhentos pageviews por dia!“. Eu achei que era o ápice da minha “carreira” blogueira, e que de lá pra frente seria tudo decadência.

Hoje meu site atinge mais ou menos vinte vezes o que eu achava ser a métrica definitiva do sucesso blogueiro. E com isso, vieram as oportunidades de capitalizar em cima da audiência.

E pra isso eu preciso dedicar mais tempo e atenção ao site. O que significa na prática que passar mais de 24 horas sem atualizar o HBD está fora de cogitação daqui pra frente.

3) Eu amo vocês

Como contei no prólogo do meu livro, desde moleque eu sonhava em ser escritor. Eu sempre ouço essas histórias de gente muito bem sucedida numa determinada área (“desde pequeno eu já sonhava em fazer X!”) e minha natureza hipercrítica rejeitava automaticamente como historinha inspiracional. Acontece que comigo é assim mesmo — desde pequeno eu gostava de escrever.

E eu idolatrava os meus autores favoritos, também. Esse domínio do português que alguns de vocês tanto elogiam foi passado a mim por Monteiro Lobato (cês acham que a citação dele lá naquele post foi coincidência?), e pelas obras traduzidas de Michael Crichton, Robin Cook e Tom Clancy. E eu sonhava em um dia, assim como meus ídolos, ser conhecido por algo que eu crio num teclado.

E vocês tornaram isso possível. Toda essa turma que acessa o HBD diariamente, que repassa meus textos pros amigos e compartilha no Facebook, tornaram possível que um imigrante cearense sem ensino superior se tornasse conhecido e lido por milhares de pessoas ao redor do país.

Não é nem que o que eu escreva tenha tanta qualidade assim — qualidade e sucesso são, muitas vezes, conceitos mutuamente exclusivos –, é que vocês classificaram meu conteúdo como “esse aqui vale a pena” e me prestigiam entrando aqui neste site, me seguindo no tuíter e me fazendo aparentar relevante.

Muito do que eu conquistei neste ano foi consequência direta disso. E eu quero que vocês saibam que sim, eu reconheço plenamente que um dia eu era um blogueiro chato com 80 visitas por dia que precisava implorar pra amigos que entrassem na minha página e deixassem comentários.

E é isso aí. O site tá de volta, eu tenho uma claridade maior em relação ao propósito do HBD, e acho que veremos (tanto vocês quanto eu) coisas interessantes daqui pra frente.

Obrigado a todo mundo que linkou e visitou o HBD nestes últimos três dias.

E parem de dar F5 sem parar nesse site, caralho. Tem uma pilha de louça pra lavar aí não?!

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Categorias: A internet é foda

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

4 Comentários \o/

  1. Oi, Izzy! Eu acho que tô meio atrasada com relação a esse post (Você o postou a, exatamente, 6 meses atrás, mas quero te parabenizar por todo o sucesso.

    Encontrei seu blog por acaso, através de outro blog, mas já gostei do conteúdo e me transformei em leitora diária (Bom, comecei ontem!).

    Continue com seus textos, que pra mim acabam sendo didáticos em algumas vezes, e volte com os Contos da Porn Shop, porque são muito bons!

  2. melhor blog ever, ja sou praticamente leitora assidua! parabens izzy

  3. João Carlos says:

    Olá Izzy, tudo bom?.. Cara, Eu tenho um canal no youtube, faze videos, mas comecei a pouco tempo. gostaria de te perguntar se quando você começou, já foi tendo muitas visualizações? teve dificuldades? ou vontade de desistir?… Você acha que não consigo ter muitas visualizações porque sou negro? =/

  4. Robert (@h4wrt) says:

    As imagens sumiram cara!