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Você tem um amigo que age como idiota nas redes sociais? Eis como lidar

Postado em 24 August 2013 Escrito por Izzy Nobre 26 Comentários

Uma das dicotomias mais fascinantes sobre a internet é que ela tem simultaneamente um imenso potencial pra unir e separar pessoas.

Pare e pense aí: pra cada pessoa gente boa que você conheceu por causa da sua conexão com a internet, facilmente vem à mente uma pessoa escrota com quem você interagiu na web. Dependendo de quem você seja, a proporção pode chegar perto de 1:1 — pra cada amizade, um desafeto.

Há duas explicações pra isso, e eu não sei qual eu acho mais provável.

A primeira é que a internet realça nossas piores características. Meio como no mundo real, por mais infrequentes que sejam, seus piores hábitos serão mais prontamente lembrados do que suas boas ações. Num exercício curioso de confirmation bias, cada vez que alguém te vê cometendo um ato reprovável (por mais que você seja um cara super gente boa 99% do tempo), a impressão que ele terá é “tá vendo, olha esse cara sendo um filho da puta escroto de novo!

A outra teoria é que a internet como uma entidade praticamente nos incentiva a agir da forma mais escrota possível. A intangibilidade da internet (você não pode ser “demitido” ou levar um soco da internet, que são exemplos de duas coisas que moderam nossas interações sociais no mundo real) e a relativa anonimidade — algo que praticamente morreu com os fóruns e chats, mas ainda perdura de alguma forma — nos elicita a agir de acordo com que a escola Freudiana define como “id”, ou seja, permitindo que nossos impulsos animalísticos mais primais tomem a direção da sua persona virtual.

greaterdickwad

Um fenômeno que já foi inclusive documentado, aliás.

Em outras palavras: enquanto na vida real a gente engole sapos em prol da diplomacia/necessidade de manter um emprego duradouro, o seu “eu” digital é uma criança emocionalmente imatura que reage exatamente como ela quer em qualquer situação, já que represálias são estatisticamente improváveis. Na internet não existem filtros impedindo que tudo que você pense seja verbalizado.

Por que estou falando disso? Porque eu sou uma das pessoas que se sente como se pra cada pessoa que gosta de mim, há outra que me odeia e usa meu nome como xingamento (eu já vi nego fazendo isso diversas vezes). “Mano você tá izzynobreando“, ao que o interlocutor responde “porra mano não exagera também né“.

Meu nome se tornou uma ofensa que faz o alvo pedir moderação, e a culpa é inteiramente minha.

Embora eu goste de pensar que sou uma vítima do tal confirmation bias da primeira teoria, e que o que muitos identificam em mim como um padrão perene de filhadaputice são apenas momentos isolados de hostilidade intercalados por longos períodos de civilidade, é infinitamente mais provável que eu me encaixe mais na segunda hipótese.

Aliás, eu sou auto-consciente (serve isso como tradução de “self-aware”?) o bastante pra reconhecer que sim, eu adoro mimar a criança virtual id dando-a pleno controle de algumas interações minhas. E por isso eu frequentemente me comporto como um completo babaca.

Eu compreendo que o que alguns acham engraçado — e alguns certamente acham; se ninguém tivesse o mesmo senso de humor que eu, eu não teria 48 mil followers –, muitos acharão reprovável. E como opinião é um negócio complemente subjetivo, eu não posso sequer dizer que eles estão “errados”.

O que acontece é o seguinte — outro dia um broder internético meu de longa data (não vou mencionar o nome porque tenho certeza que alguns ” fãs” mais ardorosos vão querer tomar satisfação) chamou atenção ao fato de que eu frequentemente sou muito chato.

Pro id, um comentário como esse é uma afronta, é um tapa na cara. O primeiro impulso é devolver “na mesma moeda”; o problema é que enquanto a pessoa que fez o comentário não teve intenção de ofender, pra quem a recebe a crítica é pior que xingar a mãe. E devolver na “mesma moeda” inerentemente significará uma reação desproporcional à provocação que na verdade nem era provocação.

E é por isso que presenciamos constantemente o fenômeno do sujeito que “chilicou por pouca coisa”. Pro sujeito que recebeu a crítica, ela não foi “pouca coisa”, e a reação não foi chilique: foi uma resposta à altura do esculacho.

Voltando o ponto: consegui curvar o ímpeto do id de retorquir o cara com truculência — afinal de contas, a internet não é tão intangível assim; o cara é um broder e eu não quero queimar pontes tão prontamente por motivo trivial — e respondi o cara no que penso ser a forma mais neutra: essa é a forma que eu gosto de usar o tuíter e não acho que isso mudará.

E o comentário deste colega me fez pensar que uma das coisas mais frequentes no tuíter (e em qualquer rede social) é que broders constantemente encherão seu saco.

Eu presencio isso todo dia. Às vezes é um chegado forçando um meme cuja insistência provoca rejeição; outras é um amigo se metendo numa confusão e agindo de forma que faz você por a mão no rosto e suspirar, e por aí vai.

E eu percebi que isso nada mais é que um microcosmo da chamada “condição humana”. Entre outras coisas, uma constante da nossa existência é que pessoas que gostamos vão nos encher o saco.

Sua esposa/namorada te enche o saco, seu marido/namorado te enche o saco, seus irmãos te enchem o saco, seus pais te enchem o saco, seus amigos te enchem o saco, e aquele imigrante cearense que você segue no tuíter porque ele tem um site interessante vai te encher o saco. É imutável, é inevitável, e dependendo da proporção da coisa, isso acaba erodindo seu relacionamento com a pessoa.

Mas aí que tá: como agir nesse caso? Na vida real, o jeito como falei é aturar as chatices. Já o facebook tem uma solução interessante — você pode esconder as postagens de um mala sem que ele tome conhecimento disso.

ocultar

Já no tuíter… não há uma solução “oficial”. Clientes de tuíter têm uma opção semelhante à do Facebook, mas enquanto a feature não for parte da experiência “central” do tuíter — ou seja, enquanto não for adotada pelo próprio Twitter e incorporada no site –, pra maioria das pessoas o unfollow será serventia da casa.

Isso é foda. Tem gente que eu considero muito, mas cujos tweets eu literalmente não suporto mais. Quando uso o tuíter no celular, tenho essas pessoas no mute do echofon, e portanto não as vejo. Elas fazem tão pouca falta na minha timeline que, quando acesso o tuíter pelo site, suas babaquices subitamente visíveis são um rude lembrete de que sim, eu ainda os sigo.

Eu optei há muito tempo pelo mute porque eu tenho consideração por tais pessoas, quero permitir que elas me mandem DM quando necessário, e não quero ter que explicar pra eles o motivo de dar unfollow (DR virtual é 10 vezes pior do que a DR real, porque nem chance de rolar sexo no final existe pra compensar).

E eu não quero dizer “porra maluco mas tu é muito chato, puta que pariu” porque o id da pessoa o colocará no modo defensivo automaticamente e a confusão resultante será desgastante pra ambos.

Mas é como eu falei — isso não é um mal da internet, ou do túiter, na verdade. É parte da condição humana. É um fenômeno que se repetirá em todas as esferas da sua existência — trabalho, faculdade, família, grupo de amigos, etc. Nós seres humanos somos todos pecinhas de LEGO com encaixes incompatíveis tentando ser constantemente conectadas.

É curioso o quão rápido esquecemos disso quando apontamos pra algum internauta como o supra-sumo sacerdote da escrotidade.

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Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: A internet é foda

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

26 Comentários \o/

  1. Gustavo B says:

    Cara, isso ficou quase como um artigo informal sobre a Sociologia Virtual, haha muito bom.

  2. Antonio E says:

    Realmente, não tem como aturar alguns amigos meus no facebook haha.
    Eles são legais pessoalmente, mas parece que na internet, enfim, as notificações de praticamente todos os meus amigos estão desabilitadas, depois disso minha timeline ficou bem mais clean ;P

  3. Pedro Gonfinetti says:

    Olha, o Jurandir ta famoso em ? Sendo citado tanto no Daily Vlog quanto aqui. Mas falando sobre o assunto do texto, acho que isso também pode variar, tem tempos que eu prefiro nem abrir o Twiiter se for pra ler algo do Izzy, mas na maioria das vezes eu leio e até concordo.

  4. Dan Medeiros says:

    Pessoas chatas tem em todos os lugares. Ouso dizer que TODOS somos chatos dependendo da situação. Essa situação se agravou de verdade com o avanço da internet como você citou no post.

    A falta de um trabalho fora da internet (se tratando de blogueiros e vlogueiros) faz com que a pessoas se tornem extremamente chatas e percam totalmente o medo de represália, represália essa que através da internet não te dá nenhum dano físico, por isso o indivíduo faz suas chatices e não tem medo de levar um soco no meio das fuças…

    Estou pra fazer uma limpa no meu facebook a um tempão, deixa somente as pessoas que eu mais interajo, engraçado que pensei em dar um aviso prévio mas nem isso vou fazer mais, até porque não tenho que dar satisfações a ninguém. Meu twitter é bem tranquilo pois não sigo tanta gente e quase nao tenho seguidores rsrsrs.

    Vou parar por aqui… falei pra cacete já e depois o chato com certeza serei eu! HAHAHAHAHA

  5. Vinícius Martarello says:

    Muito bom o texto, só uma dúvida, esse texto é repostagem?? Porque vc diz que tem 24k de followers, mas vc tem 45k+

  6. No Twitter eu sempre deixo de seguir os “chatos”, mesmo que eles me sigam de volta :p
    Agora, no Facebook o negócio é meio diferente. Tem gente que me adicionou e eu não faço nem ideia de quem seja, mas tenho dó de excluir.

  7. lolerson says:

    Confesso, Izzy. Eu adoro os seus textos no hbdia, mas te dei unfollow no twitter e muitas vezes eu pulo metade dos seus vídeos porque acho que tu enrola demais. Mas eu te amo mesmo assim, não chiliqueie.

  8. BrunoHe says:

    Izzy, vc não me ensinou como lidar, só disse para aturar e…

    … oh, saquei.

  9. já conhecia essa dica do facebook e sou usuário ativo dela, porque pqp mano, antes de saber dela eu pensei sinceramente em bloquear/remover amizade de gente porque não aguentava mais powerpoint na timeline.

    O lance do twitter (e do G+ também, por menos gente que o use), é que não existe obrigatoriedade de seguir ninguém… esse lance de seguir por cordialidade até existe mas se o cara começa a abusar eu deixo de seguir mesmo. felizmente ninguém nunca veio tirar satisfação sobre um unfollow, mas se viesse, eu dava uma resposta qualquer aí do tipo “ah, tava fazendo uma limpa porque não tava conseguindo acompanhar a timeline mais” ou “resolvi focar só em mensagens mais informativos ou algo que vala”.

    Se o cara ficasse com raiva por causa disso, fazê o que né? se o valor da amizade vale apenas um seguidor no twitter, é melhor deixar pra lá mesmo.

  10. Felippe says:

    Obrigado pela dica do Echofon, e de certa maneira, me desculpa, pois, vou te dar um “mute” por lá. É dificil ter você pelo celular, é muito tweet! Prefiro lhe ter somente pelo computador. Enfim, espero que você entenda e trate isso com neutralidade. Paz.

  11. Gustavo C. says:

    Foda é quando a pessoa mistura publicações legais com fotos da janta ou dizendo o humor que está no momento. Se ocultar, perde a parte boa.. o jeito é mesmo aturar as partes “diário de adolescente”..

  12. Danilo Lion says:

    Sobre o “self-Aware” ….fica mais natural só se colocar “estou consciente de/que/Schrubbles….” …não precisa de uma auto-referência … (apesar qeu fica perfieot como tá…)

  13. Ahoy says:

    Num mundo ideal, sem hipocrisia, daríamos unfollow sem rodeios porque tal sujeito é chato.
    Aliás… num mundo ideal a gente falaria na cara, mesmo na vida offline.

  14. Bruno Guedes says:

    Conforme comentaram aí, se for fazer repostagem, de repente é uma boa atualizar dados numéricos e tals nos textos. 😉

    E falando em atualizações, desde então o Facebook finalmente implementou um netgócio que eu queria há muito tempo: a opção de “mutar” postagens por origem. Assim dá pra limpar a timeline de postagens de “Humor Engraçado” e “Mensagem Motivacional Sobre Imagem Não-Relacionada” sem ter que fazer uma limpeza étnica na lista de amigos. Porque venhamos e convenhamos, se eu adicionei a pessoa é porque eu ao menos quero ter notícia dela de vez em quando. 🙂

  15. Maria says:

    Mas tu é chato mesmo Izzy, fica quase um mês falando do mesmo assunto no twitter huahauah

  16. Gaius Baltar says:

    Se esse texto foi repostagem então a polêmica que o Izzy falou não foi a discussão sobre PvZ 2 que ele teve com o Caio Corraini (sei lá se é assim que se escreve o nome do maluco). Se for esse papo, desculpa Izzy, mas vc estava certo e o cara é que foi extremamente babaca. Desculpa se ele for teu broder, mas esse sujeito é arrogante pra caramba, e não tem essa bala na gulha toda para se achar o sabe-tudo dos jogos. Antes da E3 2013 eu acompanhei uma conversa dele com o Affonso Solano em que o Solano dizia que estava mais inclinado para o PS4 por causa dos rumores acerca das barreiras que a Microsoft iria impor no Xbox One. Um seguidor do Solano falou que a Sony já tinha garantido que tal não iria ocorrer. O tal Corriani zombou dessa informação e ainda falou que o cara estava sendo manipulado. Ainda deu uma esnobada dizendo que estava indo pegar o vôo para Los Angeles! Que cara besta. Vc tem broders bacanas Izzy, esse não faz falta.

    • Izzy Nobre says:

      Cara, momentos babacas TODOS temos, eu sou o último que pode apontar pra alguém pra criticar em relação a isso.

    • Amigo Gaius, tudo bem?

      Fico feliz por você gostar tanto do Izzy a ponto de tentar afastá-lo de companhias que porventura não sejam positivas. Muito bonito, mesmo.

      Todavia, eu discordo “um pouco” de ti em alguns pontos e me sinto no direito de intrometer, já que o assunto de seu comentário sou eu 😀

      1 -- Na discussão com o Izzy sobre PvsZ2, ele defendia um lado, eu outro. A questão toda é que eles são contrários, mas isto não os impede de coexistir. Sendo assim, depois de ver que não estávamos indo a lugar algum, dei fim no bate boca e seguimos nossa vida normalmente como dois adultos.

      2 -- Sobre os “rumores” de antes da E3. Meu ponto era “se a empresa não deu uma opinião oficial sobre o assunto, você NÃO PODE ter certeza ao afirmar tal coisa”.

      É bem simples, inclusive. Antes da E3, da Sony subir em seu palco e declarar tudo o que declarou, NINGUÉM podia afirmar com certeza absoluta nada do que podia ou não acontecer. É apenas trabalhar com fatos, não “achismos”. Este é um princípio básico do jornalismo, então só estava elucidando isto.

      Mas como o rapaz em questão tinha TANTA CERTEZA, eu resolvi deixar pra lá. Se ele é feliz assim, tudo bem. E veja só, ELE TINHA RAZÃO. Viva \o/

      De qualquer maneira, desculpe se pareci arrogante em alguma das situações. Não era a intenção.

      Abs.

      • Gaius Baltar says:

        Caro Caio,

        Pois é, o Izzy é um cara chato, ranzinza e por vezes ofensivo, mas tem carisma, bom coração e é franco. Ele tem muito conteúdo a oferecer e os seguidores dele agradecem.
        Relativamente a você discordar do que eu comentei, está em seu direito, mas:
        1) Na discussão do PvZ 2 o Izzy estava discutindo o ponto de vista dele baseado em argumentos, com a veemência que lhe é peculiar, mas sem ser ofensivo ou partir para a personalização da discussão, algo que você fez. Ele levou na boa, ponto para ele, mas não foi legal da sua parte.
        2) Sobre a posição do presidente da Sony antes da E3 (sinto muito se você não estava informado sobre o assunto) era bem clara: Não haveria barreiras para jogos usados. Mesmo que o cara visado na questão tenha posto panos quentes a verdade é que você esnobou a informação do sujeito. É um direito que você tem, mas dá margens para acharmos que é uma atitude arrogante.
        É possível tal impressão não corresponda à realidade, mas talvez o conselho que deste ao Izzy na altura aplique-se a ti: “é por isso que as pessoas se afastam de você”.
        Peço desculpas se minhas palavras iniciais foram duras ou ofensivas, não foi a intenção.
        Abs

    • Alessandro Galvão says:

      Olha, eu não fui citado diretamente, mas fui comigo que se passou essa história do PS4, então sinto-me no direito de opinar também. :-). Na altura eu me meti em uma conversa entre o Affonso e ao Caio, e citei um tweet do Shuhei Yoshida, no qual ele falava da inexistência de barreiras para jogos usados na PS4. O Caio não foi nem arrogante nem mal educado na resposta, apenas respondeu no estilo “beleza, vc acha isso eu acho aquilo e não tenho tempo pra discutir”. Pelo o que eu pude notar ele estava com pressa porque ia justamente para a E3! Eu levei na boa, pois o cara sabe bem mais da indústria que eu, e inclusive desejei boa viagem a ele e tudo. Assim não entendo a inclusão dessa história no seu comentário. Relativamente à outra treta eu não acompanhei, então não posso opinar. Mas fica a dica: Creio que o Izzy já é bem grandinho para saber quem deve ou não ser amigo dele, não acha? 😉

  17. Adriano says:

    O foda é quando, no facebook, o cara não para de te marcar em postagens, de fazer comentários em vídeos e clichês te marcando para ver, mas como o é chegado, a gente releva pelo bem da amizade né.

  18. […] Pessoas vão nos chatear. É a condição humana; como já falei uma vez no HBD, somos todos tão diferentes, tão cheios de nuances e jeitinhos e formas diferentes de lidar com as situações, que metaforicamente é como se fôssemos pecinhas incompatíveis de LEGO tentando constantemente se encaixar. […]