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As aventuras de um picolezeiro cearense no Canadá

Postado em 29 July 2013 Escrito por Izzy Nobre 34 Comentários

Como todo imigrante que chega no exterior sem dinheiro e sem domínio pleno do inglês, eu também tive uma pequena coleção de empregos, digamos, fodidos. Longe de mim querer desmerecer qualquer trabalho honesto; acontece que não há como glamurizar o tipo de coisa que eu fiz nos meus primeiros anos no Canadá. Lavei prato, tirei neve de calçada, vesti-me de macaco pra trabalhar numa espécie de casa mal assombrada no Halloween (sério) e vendi picolés.

Sim, vendi picolés. Pra CANADENSES, o que é quase equivalente a vender gelo pra esquimó. Que demônio de vida maluca é essa que eu vivo, mano.

Pois bem. Como tudo mais que me acontece, meu breve emprego de vendedor de picolés rendeu um post no HBD.

O texto a seguir foi originalmente publicado no meu site há mais de 7 anos. Como de lá pra cá meus leitores aumentaram uns 15000%, achei justo republicar esta lamentável história.

******

5 de maio de 2006

Oshawa, nos arredores de Toronto, Canadá

Rapaz, a temporada mal começou e já tou cheio de causos consideravelmente verídicos pra contar. Se o ritmo de aventuras se manter estável, aguardem um post em que eu relatarei ter assistido um atropelamento ao vivo ou coisa parecida — isso se o atropelado não tiver sido eu mesmo.



Desde a minha chegada ao país canadense popularmente conhecido como “quintal da América” ou “Estados Unidos Júnior”, acumulei debaixo do meu cinto uma porção média de fritas de experiências pouco satisfatórias com a gurizada gringa.

Entre o hilário porém traumatizante emprego de Halloween, o cansativo trabalho de sorveteiro do ano passado (que repito este ano), e por último mas não menos importante, a constante convivência com Dana, minha “cunhadinha” de 7 ou 8 anos, eu desisti de ter filhos.

Não sei quanto tempo demorará pra que eu ao menos considere remotamente a idéia do conceito da possibilidade de que eu mesmo, um dia, por motivos talvez contrários à minha vontade, seja o responsável pela existência de uma criatura infernal dessas.



Conheça Dana, a irmã da namorada.

Se você ainda não sente vontade de arrancar a cabeça desta menina com um abridor de envelopes, uma de duas possibilidades está acontecendo aqui – ou você é uma pessoa infinitamente melhor que eu, ou sua internet está provavelmente com defeito.

Ao longo do tempo desenvolvi um sofisticado sentimento de puro ódio por qualquer ser humano com idade escrita com menos de dois dígitos. Esses abortos ambulantes, que não têm o menor senso de responsabilidade ou respeito por alguém que está apenas tentando fazer seu trabalho, são um verdadeiro desperdício de órgãos. Se algum dia um político de verdade subir ao poder em algum país obscuro do continente africano ou do leste europeu, teremos a felicidade de ver no jornal uma manchete como “Extra – Primeiro Ministro do Turcomenistão aprova hoje lei que torna obrigatória a remoção de fígados de todas as crianças acima de 4 anos. O programa de transplate involuntário, já considerado um sucesso pelos cientistas políticos internacionais, beneficiará centenas ou até milhares de alcóolatras e restaurantes de baixa qualidade no interior do país.”

A mera presença da criançada catarrenta ao meu redor já é suficiente pra me desejar que seus pais sofram um ataque cardíaco fulminante e cada um dos pivetes fique preso dentro de casa, sofrendo de inanição fatal e convivendo ao redor de seus próprios excrementos, tendo que lutar contra ratos pra garantir suas fezes como sua única forma de alimentação.

Sim, eu estou um pouco chateado. O motivo pelo qual não me importaria se todas as crianças do mundo entrassem em ignição espontânea é que anteontem algo bastante curioso aconteceu. Tenho que te contar, nada jamais me deu tanta vontade de realinhar a configuração facial de alguém com um martelo de açougue como os eventos de quarta feira.

O dia começou tranquilo. Lá estava eu na minha bicicletinha, desfrutando a presença de ninguém além das moléculas de gás carbônico que eu exalava após cada fungada, quando de repente fui abordado por um desses demônios em forma de gente, que segurava uma nota de cinco dólares na mão. Atraídos pela musiquinha da bicicleta, seus pequenos companheiros das profundezas infernais saíram correndos de suas respectivas casas terrenas, sacodindo cédulas na mão e derrubando moedinhas no chão. Me vi cercado de moleques endinheirados, e por um momento pensei “fenomenal, farei uma nota preta aqui. Que diz feliz e agradável

Quão enganado eu estava. É como ir pra casa todo feliz achando que descobriu a festa surpresa que a família e os amigos estão preparando pra você, mas ao chegar no seu domicílio você descobre que ao invés de preparar uma festa, todos os seus familiares e conhecidos cometeram um ritualístico suicídio coletivo deixando provas suficientes pra convencer a polícia de que você os matou.

Os moleques começaram a rodear a bicicleta, todos pedindo seus sorvetes simultaneamente porque afinal de contas qual é a melhor forma de ser atendido por alguém senão gritar seus pedidos ao mesmo tempo que outras vinte crianças fazem o mesmo?

Alguns decidiram que isso não me irritaria/desorientaria o bastante, então um deles aproximou-se por trás de mim e injetou um berro de quatrocentos decibéis diretamente dentro do meu canal auricular. Sou um cara que sabe levar as coisas com esportividade, então relevei a animação da pivetada e pensei nas milhares de vendas que faria. Eu precisaria apenas 1) pegar a grana dos infelizes, 2) entregar as guloseimas, 3) dar o fora, 4) arrumar uma forma de esfregar tais picolés em meus testículos entre a primeira e segunda etapas.

Rapidinho eu estaria longe dos moleques, é melhor ficar calmo.

O problema é que naquele dia, a molecada decidiu que não descansaria enquanto não me tirasse do sério. Acho que eles se reuniram todos no pátio da escola no dia anterior e formaram uma assembléia pra debater formas de irritar o próximo sorveteiro que se atrevesse a tentar trabalhar na rua deles. Foi de fato o que aconteceu.

Contrariando minhas maiores esperanças, os moleques não saíram do meu redor após adquirir seus sorvetes e terem 10% de seu troco surrupiado por alguém que entende um pouco mais de matemática que eles. Eles ficaram lá, plantados ao redor da bicicleta, coletivamente devorando seus picolés e tagarelando animadamente sobre qualquer coisa certificadamente insignificante que esse tipo de criança costuma conversar. Pelos dois minutos que eles demoraram pra devorar os picolés e ao mesmo tempo sujar a cara toda no processo, tive considerável paz. Eu poderia ter ido embora naquele momento, mas achei que poderia arrumar mais algumas vendas se ficasse na rua dos moleques mais um tempinho.

Grande, grande erro.

Terminado os picolés, a gurizada voltou à animação de antes. Um deles quebrou a última barreira de autoridade que eu poderia ter e desafiou minha presença sentando na bicicleta. Foi a deixa – como movidos por molas, a pivetada saltou de onde estava e SUBIRAM NA BICICLETA. Um ficou em pé em cima do parachoque da frente, outros dois sentaram em cima da caixa frigorífica, um outro sentou no quadro do da bicicleta. Um último pivete cuja presença eu não tinha notado até então pôs-se a empurrar a bicicleta, na intenção de levar a molecada a um passeio pela rua.

Imagina a cena. Simplesmente levaram meu instrumento de trabalho embora.

Nos dois segundos que a situação acima demorou pra se estabelecer, consegui apenas assistir perplexo. Esses moleques sequestraram minha bicicleta na minha frente? Apressei-me e alcancei aquela putaria sobre rodas, e tentei convencer a gurizada a sair de cima da bicicleta. Chamem-me de imbecil por achar que os demônios me ouviriam, mas foi o que erroneamente pensei. Ao notar que os pivetes não estavam dispostos a colaborar a menos que eu começasse a distribuir pequenos presentinhos de violência corporal, abandonei a diplomacia e tentei manualmente remover as crianças de cima da bicicleta. Estendi os braços, agarrei o moleque mais próximo – o único que estava sentado no local corredo da bicicleta, o assento — e ergui-o de lá.

Não parei pra pensar isso no momento, mas esta inocente manobra magicamente transformou minha bicicleta numa gangorra. E pior ainda, uma gangorra desequilibrada. De um lado da bicicleta estava a caixa frigorífica repleta de sorvetes E crianças, do outro, um assento vazio. A bicicleta inclinou-se pra frente assim que o contrapeso em forma de pivete foi removido do assento. Larguei o moleque e joguei a mão na bicicleta, tentando impedir que ela tomasse pra frente. Com o movimento, a criançada saiu de cima da caixa.

Minhas tribulações não haviam acabado. Pensar em manifestar-se violentamente estava fora de cogitação. Tendo o dobro do tamanho e peso daquela criançada, qualquer gesto de auto-defesa seria compreendido como ato sádico de violência contra os pequeninos canadenses que representam o futuro da nação; um futuro que eu sinceramente espero não viver o bastante pra ver.

Agora a molecada meteu na cabeça que não me deixariam em paz se eu não desse sorvete de graça pra eles. Não adiantava tentar explicar que eu não daria sorvete de graça pra eles nem que alguém tivesse sequestrado toda a minha família e pedissem sorvete de resgate — os pivetes não entendem lógica. Eles não entendem a questão de que eu trabalho em função de vendas e que se desse sorvete de graça, teria que pagar o prejuízo. Eles não compreendem coisa alguma. Pra eles, sou apenas um humano lutando contra suas investidas e impedindo o acesso ao sorvete.

De repente, não mais que de repente, um dos moleques me aparece com uma bola de basquete e sem a menor cerimônia, atira-a em cima do guarda-sol da bicicleta. O resto da pivetada aproveita a distração pra abrir a caixa frigorífica e meter a mão dentro. Apenas um dos guris foi mais ágil e conseguiu alcançar um sorvete antes que eu pudesse os afastar da bicicleta. Corri em volta da caixa, agarrei o moleque pelo braço e tomei o picolé da mão dele, ignorando suas ameaças de processo por ter tocado em seu braço. Quando penso em dar uma resposta, sou interrompido pela música da bicicleta.

Olho pra trás e vejo que o mesmo moleque que havia arremessado a bola contra a bicicleta estava agora montado nela, tentando alcançar os pedais e brincando com o aparelho de música da bicicleta. Tento tirar o menino de lá, e ele começa a gritar.

Desligo a música e viro-me pra pivetada pra inventar alguma ameaça tipo “nunca mais venderei sorvete pra vocês, ein!” e antes mesmo que eu pudesse fazer isso, outro moleque enfia a mão na caixinha que guarda o aparelho de música e liga aquela porra de novo. Seus companheiros berram em êxtase.

Fiquei de saco cheio. Dei a volta na bicicleta, peguei minha mochila (que eu havia deixado na calçada por causa de uma desconfortável irritação nos ombros) e, quando eu preparava-me pra subir na bicicleta, um moleque vem correndo, levanta a tampinha da caixa que guardava o aparelho musical e liga aquela desgraça pela milésima vez. Tento tirar a mão do pivete do botão, mas ele está irredutível.

Chega. Foda-se.

Sem pensar duas vezes, cerro o punho e bato com força na tampa da caixa, prendendo a mão do moleque. A criançada berra em êxtase, e o moleque — por algum motivo que nem Satanás entenderia — apenas riu. Soltei a mão dele e me preparei pra abandonar aquela rua maldita.

Eis que nesse momento uma menina chega por trás de mim e me manda um belo chute no meio da batata da perna. “Isso é por não ter me dado sorveteeeee“, argumenta ela.

Ahhhh, que se foda mesmo.

Ignorando a (i)legalidade da ação, pus a mão no ombro dela com firmeza e dei um safanão na menina, fazendo com que o centro de gravidade dela se deslocasse pra uma cidade próxima e ela caísse de bunda no chão. A menina preparou a patenteada Cara de Choro®, mas antes que os amigos pudessem dar apoio moral, abri o meu próprio berreiro.

Com frases decididas, expliquei pra eles que da próxima vez que eu aparecer naquela rua (se eu algum dia perder minha sanidade e concordar pôr os pés naquela rua mais uma vez), ao invés de uma calculadora, estarei trazendo um lança chamas. Completei a ameaça abusando de gentis palavrões e apontando pra cada um dos moleques com um olhar assassino na cara. Aí fui em direção ao moleque da bola e meti um chute por baixo do braço dele, o que fez a bola projetar-se no ar como a conclusão da minha explosão furiosa.

Por uns dois ou três segundos a gurizada apenas olhou pra mim estupefata. Estava esperando alguma resposta, mas nenhuma veio — logo em seguida cada um deles deu meita volta, apanhou seu skate/gameboy/bicicleta e voltou pras suas casas.

Todo mundo caladinho.

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Categorias: Artigos clássicos

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

34 Comentários \o/

  1. BrunoHe says:

    Hahaha ri o cu fora.

    Crianças são realmente um bagulho do demonio cara, mal consigo lidar com uma imagina com um grupo.

    Não sei como tem nego q quer ser professor de jardim de infância ou até mesmo de colegial.

    Enfim, vc deveria publicar mais textos antigos q se perderam com o tempo.

  2. @mos_axz says:

    É izzy. O karma é muito filha da puta. Essa história foi porque você fez um moleque se mijar no Halloween e por não aceitar negociar um picolé por um tênis.

    (não lembro a ordem cronológica das histórias, mas aposto que você fez alguma filha da putice para merecer isso.)

  3. Exxxx says:

    Sinto falto desse seu estilo de escrever, acompanhando desde o início e relendo essa história deu pra notar o quanto o seu estilo mudou nos últimos anos

  4. dankas says:

    Hahahahah, devia ter chamado um urso para devora-los 😉

  5. Jefté says:

    HAHAHAHA!
    Isso aí daria, sem dúvidas, um ótimo curta-metragem.
    O rage com o moleque que teve o dedo ferrado com a tampa da buzina foi o melhor.

  6. Murilo says:

    Izzy Nobre metido a Sweet Tooth.
    uhahuuha

    Mas essa do Lança Chamas é uma boa alternativa para professores de escolas primarias =P

  7. Renato says:

    Sabe que se fosse hoje em dia as crianças teriam gravado de 50 angulos diferentes e você já estaria levando um belo de um processo mesmo estando certo, né?

  8. Gustavo says:

    Ahahahahah foda! Eu não teria coragem de fazer o que tu fez.

  9. Maciel Gonçalves says:

    PQP!!!!! Huahuahuahauhauaha, imaginar essa cena com o Izzy ainda magricelo, tentando afastar os diabinhos, não tem preço!

  10. victor says:

    eis o exu_can.exe falando mais alto… (vou guardar esse texto e mandar a todos que perguntarem quando vou ter filhos.)

  11. ToshiBR says:

    CLÁAAAAAASSICO do estilo de escrita do Izzy!

  12. Lucas Grabauskas says:

    Recordar é viver! Sensacional o texto, kid, acho que realmente vale a pena republicar textos antigos de vez em quando. Tem muita pérola enterrada nos arquivos e não é todo mundo que resolve cavocar por ali, infelizmente

    • Aleluia says:

      Pensei a mesma coisa…
      Izzy… cria uma nova categoria de publicação aqui, ao estilo vale a pena ver (ou ler) de novo, pra gnt saber as velhas estórias

  13. Izzy Nobre na sua melhor forma literária. Sensacional!

  14. huehuehehuehehuehueuehueuheuueueuhehuuheuheuheuhe
    nunca ri tanto!

  15. Kojiro says:

    Caramba, me lembro quando você postou esse texto pela primeria vez, e como eu morri de rir com esses texto, é definitivamente o meu texto favorito.

    Esse texto me lembra bons momentos.

  16. Bruno Melo says:

    Foto atual da Dana, por favor.

  17. Filipe Galdino says:

    Aproveita quando terminar a faculdade e procura a área de pediatria, Izzi. Hahahaha

  18. Vicente gabriel says:

    Voce tem muita paciencia izzy. No meio da historia eu já teria derrubado agressivamente metade desses pivetes (ou mais), pegado a bicicleta e ameaçado atropelar o resto

  19. Bruno Farias says:

    HBDRoots, HBD moleque e de raiz uashduashdad dá pra perceber o exulismo Izzy Nobrístico em cada sílaba do texto.
    Como leitor “novato”, peço um favor: poste mais desses textos 😀 acompanho o blog há mais de dois anos, mas como isso é só 20% do tempo de vida dele, tenho certeza que perdi muita coisa

  20. Lena says:

    Alguém aí lembrou do sorveteiro do “Hey! Arnold” (desenho animado) lendo esse texto? Agora eu entendo aquele personagem, HAHAHAHA.

  21. ramone says:

    Saudades de quando você postava essas merdas e não ficava fazendo videozinho…

    • Jotazêr says:

      Concordo plenamente. O destaque do hbd pra mim era justamente o de ter textos, coisa rara hj em dia, e que foi perdida por aqui também.

      Entendo que o Kid cresceu, tem que trabalhar, tem menos tempo, etc. Mas se dedicasse o tempo de 10 vídeos pra um texto, pra mim valeria mais a pena.

  22. Some1 says:

    OMG, agora eu lembro por que eu visitava este blog e visito até hoje, apesar de tudo.
    Saudades de quando quem escrevia era o Kid, e não o Izzy Nobre.

  23. João L. says:

    LOL
    Lidar diretamente com clientes SEMPRE é muito ruim. Lidar com esses miniclientes ai deve ser algo pra perder a fé na raça humana.

  24. Daniel Plácido says:

    hahaha isso são demônios miríns

  25. Carolina says:

    Jurei que você de hoje apareceria no final do texto dizendo que a Bebba está grávida.rs

  26. leitor vouyer says:

    fico meio triste pela sua “evolução” pros vlogs, espero que o tal do livro (em mobi) traga de volta este estilo de escrita novamente.

  27. Luccas Mateus says:

    Parafraseando o House, crianças são como mentiras, inconvenientes, mas o futuro depende delas

  28. Newton says:

    Caralho, faça mais disso, foi demais imaginar as cenas haha

  29. Maria says:

    Hahaha CARALHO. Eu acho que teria metido a voadora em todo mundo, odeio crianças.