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#Kony2012 e a prisão do seu idealizador: por que isso é SIM prova do mal caráter da Invisible Children

Postado em 20 March 2012 Escrito por Izzy Nobre 4 Comentários

A essa altura todos os cidadãos da internet (com exceção deste que vos escreve) já assistiram o vídeo Kony 2012 e estão ciente da campanha — e da resposta negativa que resultou.

E não, dizer que eu não assisti o vídeo não é uma tentativa reacionária de pagar de MALVADAÇO DESCOLADÃO. Não vi o vídeo ainda por causa disto aqui:

 

Eu simplesmente não tenho o foco necessário pra assistir um vídeo de youtube que dure mais que 2 minutos. Eu sou daqueles que quando abre um vídeo de acidente incrível de carro ou algo assim, lamento o fato de que nada acontece nos 10 segundos iniciais.

De certa forma, acho que sou meio reacionário contra o vídeo, sim. Como moro no Canadá, tenho contato em primeira mão com a chamada “white guilt“. Trocando em miúdos, white guilt é o sentimento que o branco norte-americano suburbano em geral sente em relação a minorias e injustiças sociais ao redor do mundo. Eles tem uma tendência de pregar arduamente sobre esse tipo de causa (no Facebook, isso é) enquanto não fazem absolutamente nada no mundo real pra alavancar o movimento.

E esse Kony2012 liberou uma onda de white guilt de proporções nunca atingidas antes. O tipo de gente repostando o link do vídeo no meu Facebook é a qualidade de indivíduo que gastam 200 dólares numa calça da Diesel mas diz coisas como “nossa gente alguém tem que fazer algo sobre isso, como pode o mundo assistir tal crueldade com impassividade!” enquanto jamais contribuiu dinheiro ou tempo pra nenhum gesto de caridade.

Então. Como vocês sabem, o vídeo foi um dos maiores acontecimentos virais do ano até agora, e gerou uma tempestade de resposta negativa sobre a organização Invisible Children. Eu fiz uma leitura muito por cima sobre o assunto, e pelo que entendi há questões sobre como as doações dadas à organização são gerenciadas, e sobre os salários milionários dos fundadores do negócio.

Enfim, isso também não me interessou muito. Mas o que realmente tornou a situação lollerífica foi a recente prisão de Jason Russell, o co-fundador da organização responsável pelo vídeo. O que este beato das causas humanitárias fez pra ser preso, você talvez esteja se perguntando?

Bem, ele ficou doidaço com alguma substância psicotrópica possivelmente ilegal e saiu na rua em San Diego, peladíssimo como veio a este mundo, berrando insanidades e fazendo gestos sexualmente sugestivos. Se bem que quando o cara está pelado na sua frente, não há existe “sugestividade”.

Não posso embedar o vídeo aqui no HBD, mas se você quiser assistir a putaria, target=”-blank”>clique aí.

As redes sociais se dividiram rapidamente em dois campos. A turma do EU JÁ SABIA celebrou a presepada do Russell como uma confirmação de suas teorias de que o tal viral era uma safadeza sem limites; o outro lado argumentou — corretamente — que não se pode desmerecer todo o trabalho e a mensagem de uma instituição porque uma pessoa envolvida nela (por mais que seja de alto rank) aprontou uma papagaiada dela.

E como sempre, as reações iniciais que vocês exibiem praticamente como um reflexo estão erradas. Sabe qual é o detalhe dessa história toda que deveria realmente chamar atenção? Isto aqui.

 

Esta é a declaração de Ben Keesey, o CEO do Invisible Children, sobre a porralouquice do outro maluco lá.

Vamos ignorar a obviamente desconfortável realidade de que organizações de caridade tem CEOs agora. Pode até ser uma prática comum, mas quando o contexto é uma organização que levanta suspeitas de ser na realidade uma empresa “for profit” disfarçada em pele de cordeiro, fica estranho pra caralho.

Mas tudo bem, deixemos passar. Vamos focar na mensagem.

Nela, Keesey explica que o Jason Russell foi hospitalizado por “exaustão, desidratação, e subnutrição”. Aparentemente, ele passou mal porque foi xingado muito no tuíter ou algo assim.

É isso que eles querem que nós acreditemos. Nenhuma menção sobre o cara ficar pelado na rua, vandalizar carros, ou ser preso. Foi uma nota mais ou menos no estilo que a Apple soltava pra avisar que o Steve Jobs tava meio mal e ia descer da presidência da empresa.

E isso me causa uma sensação de que há algo muito errado, a proverbial “pulga atrás da orelha”. Não há nenhuma admissão de culpa, nenhum reconhecimento de responsabilidade pessoal, nenhum “o sr Russell lamenta e se arrepende do acontecido e contará com ajuda profissional para que isso jamais se repita”.

Pra completar o doublespeak eles ainda jogaram a culpa nos críticos, como se os “xingamentos no tuíter” tivessem se manifestado psicossomaticamente na embriaguez do maluco e da evaporação instantânea de suas roupas. Ele não teve culpa de nada.

Quando esse tipo de “explicação” vem de uma organização que já está sendo acusada de falta de transparência, a coisa realmente pende pro lado negativo. Eles estão na cara dura fazendo de conta que o cara apenas foi visitar o hospital por passar mal quando nós VIMOS o vídeo do maluco pelado, bêbado/drogado e berrando no meio da rua.

Imagine que o vídeo das estripulias do cara não existisse. Como será que eles narrariam o acontecimento nesse caso? Do mesmo jeito — escondendo completamente a realidade da situação. “Ele passou mal e foi pro hospital, só isso”.

E aí está o real problema do Russellgate. Se você narra o evento A e B da mesma maneira, e A e B são dramaticamente diferentes (ir pro hospital por “exaustão” versus ser levado lá pela polícia porque você estava tocando o puteiro no meio da rua), você é um mentiroso do caralho e eu não posso confiar no que você fala. Especialmente quando você me conta uma história na expectativa de que eu te dê dinheiro.

E sinceramente, eu não sei você, eu não quero me informar sobre situações internacionais através dos filtros orwellianos desse tipo de gente.

E digo mais: Kony para presidente.

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comments

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

4 Comentários \o/

  1. Caroline says:

    Em alguns dos seus textos eu não consigo visualizar as imagens, esse é um caso. Tentei abrir em outra janela e continua a não funcionar, ainda bem que você explica a imagem…

  2. Jmz says:

    ‘Kony pra presidente’ foi sincero ou eu que não peguei a trollagem?

  3. Gabô says:

    Estava lendo o segundo ou terceiro paragrafo e pensando exatamente nessa referência ao 1984…Minha cabeça explodiu quando vi o izzy usando logo abaixo, pqp! hahahaha

  4. Kaique says:

    “Eu simplesmente não tenho o foco necessário pra assistir um vídeo de youtube que dure mais que 2 minutos.”

    Julgando você.