Fui e voltei, amigos!
Nesta minha segunda passagem pela pátria mãe fiquei por apenas duas semanas, mas me sinto como se tivesse aproveitado mais do que da outra vez (em que fiquei aí por quase um mês).
Visitei uma cidade em que eu não pisava desde que era moleque, conheci pela primeira vez gente que eu conhecia há anos – esse paradoxo em particular só a internet permite -, reencontrei familiares que não via há décadas (muitos dos quais aparentemente lêem meu blog), sussurrei “I’m On a Boat” a bordo de um barco de verdade, e pintei o banheiro de um avião da Air Canada com vômito.
Essa viagem pro Brasil (a segunda desde que imigrei pro Canadá, em 2003) veio como fruto das milhares de mudanças que minha vida sofreu no ano de 2009. Eu não esperava voltar assim tão cedo após a primeira ida, mas finquei o pé no chão na decisão de que não perderia o casamento da minha prima, e o resto do ano me ajudou a atingir o objetivo.
Dessa vez, decidi encaixar no roteiro algo que não deu pra conciliar com o último itinerário – uma passagem por São Paulo, ainda que breve, pra conhecer alguns grandes nomes da internet brasileira. Essa turma aí abaixo (entre outros que não aparecem na fotografia):

Com exceção do @cheapo (o rapaz da direita, de camisa vermelha, que junto com sua esposa havia nos visitado aqui em Calgary em dezembro), antes da ida ao Brasil eu jamais havia conhecido ninguém nessa foto pessoalmente. O que soa estranho, quando eu paro e penso em quanto tempo os conheço virtualmente.
O plano é que eu ficaria hospedado na casa do Ian Black. Cheguei no aeroporto de Guarulhos e, desesperado por não conseguir me conectar a uma rede wifi e entrar em contato com os companheiros paulistas, cometi logo de cara a pior gafe possível – liguei pro meu anfitrião A COBRAR.
O Ian estava no Rio a trabalho, o que significava que eu estava ilhado no aeroporto, mas o problema já havia sido circunventeado – meu parceiro Morróida já se encontrava no aeroporto nos esperando. Eu e minha mulher saímos pro saguão do aeroporto e fomos recepcionados pelo Cheapo, sua mulher Aline, Goiabaman – um usuário do antigo FórumHBD – e sua namorada, a Camila.
Aliás, vale mencionar este detalhe: quando o Goiabaman me mandou um email – após meses sem contato – pedindo informações sobre o encontro em São Paulo, tive um certo receio: quando abandonei o FHBD, o ar lá não estava dos melhores, e por um momento a idéia de que os foristas estavam planejando algum tipo de desforra cruzou minha mente. Falei “fuck it” e dei as coordenadas ao rapaz de qualquer forma.
Meu irmão (que estava indo direto pra Fortaleza) se despediu da pequena comitiva que nos recebeu no aeroporto, e nos pusemos em nosso rumo. O Morróida jogou nossas bagagens no porta-malas do carro que ele alugou especialmente para esta ocasião (leia-se “pra escapar do rodízio”) e partimos em direção à casa do Borbs.
Quando o Morróida avistou o Borbs na esquina e parou o carro, minha patroa saltou do veículo e deu um abraço no gordinho. Borbs pulou no carro e o próximo destino seria a Paulista Grill, uma churrascaria rodízio muito foda. Essa nossa primeira parada em São Paulo não era por acaso – na minha outra passagem pelo Brazil, cometi o quase imperdoável crime de não apresentar minha patroa às churrascarias rodízio.
No carro, gravei este pequeno registro do encontro inesquecível dessas três personalidades internéticas (o Fábio, o Borbs e a Bebba):
Duas horas mais tarde (vocês não estavam exagerando quando se lamentam do trânsito paulista, ein?!) chegamos na churrascaria. Lá encontramos o célebre Vinícius Kmax, provavelmente um dos meus amigos internéticos mais antigos, que divertiu a todos com sua loucura contagiante e modo porra-louca de ser. Registramos o momento pra posteridade:
Passamos o almoço todo conversando sobre, o que mais poderia ser, a internet. As briguinhas, as trolagens épicas, as personalidades que amamos e odiamos, essas merdas. Estar rodeado dessa galera foi, de longe, um dos highlights da viagem. E ia traduzindo tudo pra patroa, pra ela entender as presepadas que unem essa galera.
Após o almoço nos dirigimos à casa do Ian, onde nosso anfitrião nos esperava. O blogueiro e sua esposa arrumaram um quarto de hóspedes para nós, com atenção redobrada aos detalhes – nos dedicaram uma mesa de trabalho, computador, livros, e escreveram num quadro uma mensagem de boas vindas com informações relevantes sobre o local (endereço, telefone, senha do roteador, etc).
Eu me senti até constrangido com a imensa hospitalidade deles, foi o tipo de tratamento que você dedica a familiares próximos. Mais tarde jogamos umas sessões de Rock Band, batemos mais papo sobre fenômenos da internet, e fomos a um barzinho cujo nome esqueci. Lá encontramos o famoso Gravataí Merengue, o advogado-blogueiro que eu acompanho há ANOS, mas só recentemente me tornei amigo próximo. A Alê Felix se juntou a nós em seguida.
Conversamos sobre (o que mais?) internet. Parece uma nerdice lamentável, mas a web é obviamente um ponto de interesse em comum entre todas as pessoas nas fotografias acima, então o assunto era inevitável. Ah, conversamos bastante sobre sexo, também – o Gravata, a Alê e a Aline expuseram teorias interessantes sobre comportamento sexual.
Mais tarde nos dirigimos ao Alley, uma boate onde a Marina estaria DJzando. O Gravataí e o Morróida tentaram me convencer a prolongar a noitada etílica, mas eu havia prometido que prestigiaria a Marina. Fomos pra boate onde dancei desajeitadamente com minha patroa a noite toda; lá pras 2 da manhã puxamos o carro.
Na manhã seguinte o Sr e Sra Black nos levaram pra almoçar num restaurante cujo nome esqueci (qual era, Ian?). Na saída, levaram minha mulher pra uma lojinha de artigos japoneses – ela enlouqueceu, se amarra demais nesses negócios.
Voltamos pra casa pra arrumar nossas malas, pois o vôo pra Fortaleza seria dali a algumas horas. Arrumamos nossas tralhas, nos despedidos da Marina (ela ficaria em casa) e pulamos no carro com o Ian. Foi apertado chegar em Guarulhos a tempo, por muito pouco não perdemos o vôo.
Na hora de me despedir do Ian ali no estacionamento do aeroporto, me senti com um estranho aperto no coração, uma melancolia que não fazia sentido. Analisando de forma fria, eu conheci o Ian Black (e todos os outros internautas que vi em Sampa) por menos de 48 horas. Por que me senti como se estivesse dando adeus a um amigo de infância, incerto de quando o veria novamente?
Apesar de conhece-los no mundo real apenas brevemente, eu conversava com alguns daqueles caras há muitos anos, desde 2006 se a memória me serve. Ao longo desses anos uma amizade real se desenvolveu, a despeito da distância ou falta de contato real. Poucas coisas são tão satisfatórias quanto conhecer um grupo que gosta e se informa de tudo aquilo que você também gosta e se informa, e é o caso com esse pessoal.
Enquanto estive entre aquela turma, me senti extremamente bem recebido. Os assuntos eram todos exatamente aquilo que eu curto, a turma tem mais ou menos o mesmo senso de humor, a mesma forma de ver o mundo, e acima de tudo, a mesma predisposição pra não levar nada a sério.
É a MINHA turma. Não há no meu círculo de amizades canadense gente com quem eu tenha me identificado mais do que nesses dois breves dias em SP.
Dei adeus àquele pessoal com plena convicção de que, da próxima vez que passar pelo Brasil, uma estadia na capital paulista é obrigatória.
Com umnó na garganta mas a certeza de que os verei outra vez, parti pra minha cidade natal. É lá que este texto continua.









Foi bacana o depoimento.
Isso leva o meme “Internet Serious Business” pra outro nível, não é?
continuação ainda a caminho ? ou largou mão jah ?
Cara muito bom o post. Sinto o mesmo por meus companheiros de net. A internet é um universo muito paradoxal.
Caralho.
Parece, feliz.
Kid Viado, vai morrer com a cabeçona gigante do morroida enfiada no teu cu
Se você voltar em 2012 pra cá eu finalmente estarei com 18 anos e vou poder ir pra onde eu quiser xD
VAI TOMAR NO CU, N LEIO MAIS PORRA NENHUMA Q ESSE GORDO DESPEJAR. SO TEM TARUGO DE MERDA. VAI SE FODER!!! OBESO!
Kid viado, de tanto vômito no cú, morrer você vai.
Muito legal cara…
Há certos tipos de problemas na vida que nem todo o dinheiro do mundo consegue nos ajudar a resolvê-los, e muitas vezes bons amigos são capazes de resolvê-los por nós(sério mesmo, sem demagogia e sem querer me assemelhar àqueles cartõezinhos ridiculos sobre amizade, embora neste momento isso aconteça). Daí a importância de termos bons amigos, fora a parte de compartilhar os mesmos interesses e tal, que vc já mencionou no texto.
Kid viado, vai morrer com um estranho aperto no cu.
Belo post Izzy, cheguei aki pelo MRG e to gostando do blog… Agora, caraca, dock de ipod no avião!? Isso é primeiro mundo! Abraços.