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Sobrevivi a mais um vôo ao Brasil!

Postado em 27 March 2012 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Ói nóis aqui traveis. Vossas macumbas são fracas.

Ontem às 3 da tarde eu embarquei em Calgary com destino a Chicago. O clima de Calgary estava assim:


Ou seja, não é uma situação metereológica propícia pra desafiar a natureza com esse negócio de vôo humano tripulado. Mas fazer o que? Engoli o medinho e segui em direção à fila de embarque.

O vôo pra Chicago, que é apenas a primeira parte dessa longa e cansativa viagem em direção ao hemisfério sul, foi bastante tranqüila. Passei a maior parte do tempo assistindo filmes no iPad e lembrando de 300 outros filmes que eu preferia assistir mas não lembrei de baixar antes da viagem.


Como falei, o percurso foi mega tranquilo. Algumas breves turbulências daquelas que fazem você rever mentalmente o saldo completo da própria vida, mas nada de tão alarmante.

Cheguei em O’Hare, o aeroporto de Chicago que eu acidentalmente digitei como “O’Harem” e me fez imaginar um universo paralelo em que viagens aéreas são muito mais prazerosas.


Como apenas e exclusivamente me fodo, eu tinha apenas uma hora de conexão entre os dois vôos, e um dos portões ficava na entrada do aeroporto, enquanto o outro ficava a aproximadamente 200km de distância.

Achei esse mapinha que me indicava a distância entre os dois portões e já começou a bater meu desespero patenteado. Desembarquei no F14, tinha que pegar o próximo avião em menos de uma hora no C18.


Achei o caminho, mas não sem antes me perder temporariamente e cogitar abandonar a viagem ao Brasil e viver como um mendigo nas dependências do aeroporto, como naquele filme do Tom Hanks “O Náufrago”.

Finalmente avisto o meu portão de embarque.


Chego lá no portão e encontro a brasileirada. Eu tinha menos de 40 minutos pro embarque, então localizei uma lanchonete fast food nas proximidades e praticamente INALEI um cheeseburger, tamanha foi a pressa e eficiência em transportar aquele lanche diretamente à minha corrente sangüínea. Consigo sentir os carboidratos passeando pelos meus capilares.

Uma vez dentro do avião, tive a chance de praticar mais uma vez um de meus favoritos passatempos: observar brasileiros em seu hábitat natural (ou seja, excursões pros EUA).

Como liguei pra mulher logo antes de embarcar — e após quase 10 anos no Canadá, meu sotaque é bastante próximo de um nativo –, tenho a impressão de que a turma lá achou que eu era gringo mesmo.

 

Sendo protegido por este modo stealth (ou seja, sendo alguém que não podia entende-los), observei seu comportamento tal qual um cinegrafista do Discovery Channel — ou seja, documentar porém jamais interferir.

Empreguei essa Prime Directive até quando o casal sentado ao meu lado pedia, exasperadamente, uma Coca Zero mas a aeromoça da United Airlines insistia em entender “vodca”, sabe-se lá como. Senti-me tentado a falar “trás uma Coke zero pra esses coitados logo pelo amor de deus”, mas aí lembrei daquele ditado de que não se deve dar um peixe ao homem, e sim ensina-lo a pescar. Como não se pesca coca zero ficou tudo por isso mesmo.

Alguns momentos mais tarde, quando serviram o jantar, atentei para mais uma desvantagem de viajar sozinho. Acontece que eu sou bem fresco pra comer, e minha mulher sempre me dá encarecidamente seu pãozinho ou qualquer outra porção menos asquerosa daquele jantar nojento de avião. Ficando assim com dois (o meu e o dela), dá pra forrar o bucho apesar de detestar aquele polímero de látex que apenas crianças de colo acreditariam tratar-se de frango.

A ausência de minha companheira feriu então não apenas meu coração apaixonado, mas também meu estômago. Resignado, empurrei o frango” pro lado e mordisquei o pãozinho enquanto bebericava minha Sprite, pensativo. Não estava pensando em nada, na verdade, mas gosto de parecer pensativo.

Enfim, cheguei em Guarulhos muitas horas mais tarde. Desde que meu pai teve sua mala do laptop roubada lá, eu ando por ali como se as próprias paredes fossem empurrar um revolver na minha cara e exigir minha carteira. Você precisa ver como eu ando por aquele aeroporto, desconfiado da própria sombra.


Na área de embarque, aquele amontoado de cearenses (calma, leitor paraquedista — não há xenofobia aqui, sou cearense também) fazendo fila no portão muito antes do embarque começar.

Àquela altura, o estômago que havia agüentado uma viagem de mais de 10 horas à base de um mísero pãozinho protestava revoltadamente. Adquiri uma coxinha (de sabor duvidoso) e um guaraná Kuat (com sabor duvidoso também, pra combinar), mas o embarque começou logo em seguida. Praguejei silenciosamente, abocanhei o máximo da coxinha que pude e joguei o resto fora. O embarque era feito através daqueles ônibus, e ele estava lotadaço e eu já tava sofrendo tendo que carregar duas mochilas e o suéter. Preferi desperdiçar 50% de coxinha do que fazer esse malabarismo num ônibus lotado.

Entrei no TERCEIRO avião, dessa vez com destino a Fortaleza. Mais alguns filminhos mais tarde, aterrisso na capital da urbanização e desenvolvimento deste país.

Já saí com alguns amigos e encontrei-me com a cúpula de organização do Desencontro no hotel que sediará o evento. Até aqui, tudo bem!

Eu sempre esqueço o quão úmido o ar aqui é. As colchas de cama aqui no Brasil tem um cheiro bem característico por causa disso, aliás. Minha mulher estranhou pra caramba na primeira vez que veio aqui.

Sempre me surpreendo como tantas trivialidades da experiência de vida brasileira (algo que vivi por boa parte da minha existência) me parece não-familiar hoje em dia.

Imagino como será estranho visitar o Brasil daqui 10 anos, quando a parcela canadense da minha vida for MAIOR que a brasileira.

Isso me dá um nó sinistro na cachola, confesso. Ser brasileiro é um pedaço imenso do meu senso de auto-identificação; o que acontecerá quando eu for mais canadense que brasileiro…? E com isso entenda-se “quando minha parcela de vida canadense for maior que a de vida brasileira”. Vivi 19 anos no Brasil, e até o presente momento, 9 no Canadá.

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Categorias: Brasil 2012

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)