Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 13 May 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário


Se tem um filme ridículo nesse mundo, é Independence Day.

Eu me lembro como se fosse ontem. Era 1996, se não me engano. Eu estava combinando de ir ao cinema com meus amiguinhos da escola (algo que NUNCA dava certo) e o grande filme do momento era Twister. Esse sim era um filme bacana.Ligo pro pessoal, mas os féla-da-puta foram unânimes: todos queriam assistir Independece Day! Como eu sou um cara muito feliz – e por mais divertido que ver a Terra sendo destruída seja -, não tava no clima de ver bilhões de pessoas virando fumaça. Ok, Twister não é exatamente um filme alegre, mas… Não me interrompam e vão tomar no cu.

Não tive outra escolha: fui ao cinema assistir o tal filme-catástrofe. E tome babaquice!

Meu Deus, a palavra “exagero” faz algum sentido para os excelentíssimos senhores roteiristas de ID4? Naves do tamanho de CIDADES? Porra! Não sou nenhum PhD em física, mas sei que existe uma coisinha interessante chamada Lei da Ação e Reação. Pra uma nave enorme como aquela se sustentar no ar, seria necessário um empuxo IMORAL. Esse empuxo seria criado com jatos de ar, ou fogo, ou peidos, ou o cacete, não me interrompa de novo. E essa força seria arrasadora para a vida aqui embaixo. Ou seja, quando a nave sobrevoasse uma cidade – e tão baixo como mostra o filme -, os prédios seriam reduzidos a ruínas. E nós, a purê de batatas.

Uma cena que me incomoda muito é a em que os ETs destroem o Empire States Building. Em primeiro lugar, o prédio é legal e não tava fazendo nada com ninguém, porra! Mas o pior não é isso. Foda-se a porra do prédio. O negócio é que, quando o prédio vira confete, o fogo se espalha pela cidade como se alguém tivesse liberado vapor de gasolina entre os prédios.

Tenho raiva de filme exagerado. A implicância é tanta que chego a me sentir incomodado na cadeira no cinema. Não tem como evitar de virar para a pessoa que está ao lado e dizer “ei, isso não é possível!“, ainda que a pessoa seja uma desconhecida. A vontade que tenho é de espancar o roteirista com um livro de física do primeiro grau.

Mas esse é só o começo da putaria. Os ETs se comunicam por telepatia.


É, telepatia. Tenho certeza que você não lembrava.E me digam, por favor me digam, como diabos um ser humano conseguiria pilotar uma nave alienígena? Os produtores também se viram diante essa terrível dúvida. Mas aí alguém muito inteligente, que provavelmente estava pagando por metade da produção do filme e portanto não poderia ser contrariado, veio com a solução:

– Ei, que tal se a gente colocasse um papelzinho em cima dos controles da nave e dissesse pro público que tudo que é necessário para pilotar um artefato alienígena de tecnologia inimaginável é seguir as indicações das setinhas?

(silêncio na sala)

– Vai ser isso e pronto. Caralho, eu sou inteligente.

Bill Pulman como presidente dos EUA?! Bill Pulman?! Porra, se era pra aloprar de vez, colocassem o Star Wars Kid na Casa Branca! Ou o Macáuli Calquin, seja lá como se escreve seu nome. Qualquer coisa, menos Bill Pulman. Aí já é pegar pesado.

Os produtores pensaram que talvez nós fôssemos um pouco mais idiotas, e foram adiante:

– Os ETs são ultra poderosos, estão em vantagem numérica, se comunicam por telepatia e estão prontos para chutar nossas bundas. Todo nosso poderio militar não faz nada além de cócegas nas sua naves gigantescas. Mas somos americanos e Deus nos deu o poder de chutar a bunda de quem quer que seja, precisamos de uma solução para essa porra.

– Já sei, já sei! – diz um estagiário da Universal Studios, ansioso por dar sua contribuição à cinematografia – Os heróis poderiam bolar UM VÍRUS QUE INFECTASSE O SISTEMA OPERACIONAL QUE CONTROLA A SUPER NAVE MÃE DO CARALHO. Talvez alguma coisa nos moldes do w32.Blaster, aquele filho da puta que nem o Norton pega. Assim, os HDs dos ETs iriam pro saco, as naves iriam cair, os verdinhos morreriam e o dia seria salvo.

– Ok, tive uma idéia – diz o produtor – Façam com que um personagem AMERICANO crie um vírus que foda com o sistema operacional dos ETs. Aí coloque esse cara numa nave alienígena pilotada por alguém da Força Aérea AMERICANA (!!). Eles voarão até a nave-mãe e, de alguma forma, não me pergunte como, eles inserem o vírus no HD dos alienígenas. Aí a nave deles explode, os ETs se fodem e tudo o mais. Mas verifique se a cena da explosão vai caber no nosso orçamento. Se não, a gente vai pelo plano B.

– P-plano B? – diz o estagiário, cabisbaixo.

– Isso, plano B. Se a cena do Empire States tiver detonado os últimos centavos do orçamento, a solução será desafiar os ETs para um jogo de basquete.

– Hum… – diz um segundo produtor, anotando alguma coisa em um palmtop – ETs, jogo de basquete… É uma idéia interessante.

– Quero royalties, seu filho da puta. Ah, não esqueçam de mostrar cenas de povos do mundo inteiro pulando de felicidade diante às naves derrubadas. Tentem encaixar o Hino Americano em algum lugar, também. E agora eu vou pro meu trailler. Não me interrompam, porque estarei ocupado pensando como colocarei mais dinheiro na minha conta bancária.

E meu pai, 4 ou 5 anos depois, vai e compra o DVD do filme.

Pelo amor de Deus.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Cinema

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. dfewfe efefe says:

    nerd revoltado =p