Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 30 September 2004 Escrito por Izzy Nobre 3 Comentários


Outro dia eu fui fazer uma pesquisa qualquer no Google e, clicando daqui e dali, caí numa página de fãs de 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Pra você ver como essa internet é non-sense. Tou procurando um joguinho qualquer e acho uma homepage (já perceberam que houve em dia não existem mais “homepages”?) de paga-paus de um filme que foi lançado há uns trinta anos, cujo diretor morreu há uns cinco e o autor é considerado, ao lado de Asimov, o criador da ficção científica como a conhecemos.

Filme chato dos infernos

Se você teve a felicidade de não sofrer a tortura chinesa que é assistir esse filme, eu resumo pra vocês: o filme começa com uma cena longuíssima mostrando nada além de umas porras de macacos doidos. Cai um misterioso tijolão preto do céu. Os macacos aprendem algumas coisas úteis como usar ferramentas matar seus semelhantes. Cinquenta bilhões de anos depois, cientistas punheteiros encontram outro tijolão misterioso na lua, que talvez era o mesmo, eu não lembro. Corta pra 18 meses depois, com uma nave que parece um vibrador. Ela tá indo pra Júpiter, talvez por que não tinha nada pra fazer por estas bandas. O computador da nave pira o cabeção e mata um dos astronautas. O outro tenta desligá-lo. O computador pede pinico, implorado para não ser desativado. Então, sem o menor aviso, o infeliz espectador é bombardeado por 20 minutos com animações que devem ter sido produzidas sob efeito de LSD, ou que têm a finalidade de simular os tais. Aí o astronauta que ainda tá vivo aparece um quarto com decoração vitoriana, e ninguém sabe como ele foi parar lá. Ele envelhece rapidamente. Aparece um bebê do nada, mas a essa altura você já desistiu de entender o que está acontecendo. Pela graça de Nossa Senhora, acaba o filme.Obviamente, não consigo lembrar de muita coisa. Não é culpa minha; eu tenho um defeito que é não conseguir prestar atenção quando estou dormindo.

Mas em uma coisa vocês podem confiar: o filme é um lixo. Poucos filmes na história da sétima arte conseguem ser ruins o bastante para provocar dor física, e 2001 é um dos que podem subir nesse pódio. Assisti-lo é um desafio à sanidade. Primeiro, porque até hoje não conseguiram achar um significado claro praquela porcaria. Lá pelo meio do filme você tem a esperança de que haverá uma explicação para certos detalhes na película, como aquele tijolão e os macacos malucos no começo. Sobem os créditos no final e não há qualquer explicação para a porra dos macacos, ou mais importante ainda, porque diabos o Kubrick fez uma cena com três horas de duração para eles.

Aí você me fala “mas Quide, seu burraldaço, tudo depende de interpretação! Os macacos significam blá blá blá blá” e eu te digo “foda-se sua interpretação, ela não passa de uma hipótese e não é necessariamente o que o diretor quis mesmo dizer. Então cale a boca“. Não considero um filme bom se precisam passar trinta anos tentando entender o que o diretor não soube explicar.

Há, numa contagem otimista, umas cinco ou seis linhas de diálogo em todo o filme. Isso deve dar mais ou menos uns 20 minutos de conversação, num filme de cento e sessenta minutos. Você poderia imaginar que imagens vale mais que mil palavras, mas isso não se aplica para esse filme. Eu trocaria todas aquelas imagens, em especial a cena de 20 minutos com as alucinações lisérgicas, por uma única frase que explicasse do que diabos se trata essa bagaça. Mas isso se deve a um outro defeito grave que tenho: se vou assistir um filme, fico muito satisfeito quando ele faz algum sentido. Caso contrário, eu tenho vontade de jogar ácido nos olhos.

Entretanto, desafiando toda a lógica – ou bom gosto -, essa bomba é considerada um grande clássico. Não consigo aceitar que um filme que ninguém entendeu – ou gostou – quando foi lançado possa ter se tornado um ícone pop. Segundo os sites que li, todos os críticos avacalharam o filme assim que chegou aos cinemas. E isso era no tempo que críticos cinematográficos não eram baitolas que criticam todos os filmes que a gente gosta.

Algum tempo depois, os críticos mudaram de idéia inexplicavelmente e passaram a elogiar o filme, chegando ao exagero absurdo e descarado de chama-lo de “esplêndido“.

(Além de um esplêndido desperdício de tempo e de um esplêndido instrumento de tortura, não vejo em que sentido da palavra esse filme se encaixa.)

Que tipo de gente acha um filme “esplêndido“? Quando li isso, imaginei um jornalista boiola com pantufas roxas e um poodle a tiracolo. “Ai menina, esse filme novo do Kubrick, você viu? Esplêndido! Tem uns macaquinhos fashion no começo, um luxo!

Eu tenho uma teoria para essa virada de casaca dos críticos. Acho que todos eles dormiram na sala de exibição no lançamento. Sem saber exatamente o que escrever, eles criticaram – como fazem sempre que não sabem o que falar de um filme. Algum tempo depois, ao ver que todo mundo tinha ODIADO a porcaria, eles pensaram “Opa, se ninguém gostou, é porque foi bom!” e então mudaram os publicações.

Ou isso, ou então o Kubrick deu o roscóvis para os críticos do New York Times. O número de críticas que o filme recebeu deve ser diretamente proporcional ao diâmetro do ânus do diretor – que por sua vez é inversamente proporcional à qualidade dos filmes. Perceba que no português eu sou fraco, mas na matemática eu çou fera.

Antes de escrever o texto, procurei algumas críticas na internet, para ter uma noção do teor de devoção cega que algumas pessoas têm por esse filme. Uma das críticas que achei na internet:

“2001: A Space Odyssey is an absolutely magnificent film. Though I realize that many find it dull or boring, I can only say this: try again, and bring yourself to the movie. It’s not a film that ladles up its ideas for your consumption. It is there to ignite your imagination and curiosity… to inspire you to dig for insights. Even if it were absolutely devoid of content, it is deservedly at or near the apex in the pantheon of visualized narratives.

Olha só a tradução das partes grifadas:
“Eu sei que muitos acharão o filme BOBOQUINHA ou CHATO PRA CARALHO

E, o pior:
“Mesmo que fosse completamente vazio de conteúdo, ele merece estar no topo do panteão de narrativas visualizadas”

Mas ein? O cara tem a completa consciência de que o filme tem potencial para ser considerado chato ou sem graça. Jogando no lixo qualquer resquício de bom senso, ele ainda diz que, mesmo que o filme não tivesse significado nenhum, merece ser chamado de “foda”.

Por mil e quinhentos caranguejos, por que diabos o filme mereceria ser chamado de foda se não tivesse nenhum sentido (coisa que ele realmente não tem)? Dá vontade de espancar o cara que falou isso com uma torradeira, pra ver se assim os miolos dele pegam no tranco.

Continuando a crítica, leio:

“I want to make one thing perfectly clear… this film cannot be definitively explained.”

Ora, pelo amor dos santos. Vá tomar no cu, meu amigo, que tá passando da hora. Se eu quiser passar quase três horas vendo algo que não dá pra entender, eu ligo a TV num canal que esteja fora do ar e assisto o chuvisco. Pelo menos não tem viadinho metido a entendedor-dos-mistérios-por-trás-dos-filmes idolatrando esse chuvisco.

Essa crítica boioloa solidifica minha última hipótese: houve uma completa lavagem cerebral nos críticos que desceram o pau (em mais de um sentido) no pobre Stanley. Prenderam as pálpebras dos caras com pinças e os fizeram assistir três sessões de Uma Odisséia no Espaço, num método semelhante ao visto em Laranja Mecânica. Que, por sua vez, também é do Kubrick. E que também é considerado um grande clássico, apesar de não fazer lá tanto sentido e ter sido criticado no lançamento.

Perceberam o padrão? Isso comprova que o hábito do Kubrick de mudar a opinião de críticos com seu ânus não foi um fato isolado.

Tou afim de ler o livro, deve ser uma beleza. Mas o filme não vale o disco em que está gravado. A experiência de assistir 2001 é tão divertida quanto ver a mãe sendo devorada por tigres.

Torne o mundo um planeta melhor: compre o DVD de 2001 – Uma Odisséia no Espaço e frite-o no microondas.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Cinema

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

3 Comentários \o/

  1. Ralf says:

    take a look at this, my friend…
    http://www.kubrick2001.com/

  2. Ralf says:

    ow..i forgot..
    if it is possible, watch “2010: the year we made contact”..
    maybe it will explain why the critics changed their minds

  3. Zeus.EX says:

    Cara,
    lendo seu blog hoje indiquei-o a minha prima e peguei essa postagem CLÁSSICA para mostrá-la.

    Quero que saiba que sou seu fã e espero um dia escrever um blog como você. Desde esse post (que saiu no UEBA senão me engano) eu leio sempre seu blog.

    Abraços e parabéns pela qualidade deste blog.

    Ps:
    Concordo com TUDO que escreveu no post. Esse filme é uma merda. Não tem lógica nenhuma e eu ODEIO a pagação de pau em cima dele… afff

    rs