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Postado em 16 October 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário



Comprei o DVD de Tróia na semana passada, quando voltava de Toronto (conheci lá dois leitores do HBD, o que foi bastante formidável). O DVD custou apenas 12 dólares, o que me deixou intrigado: seria uma cópia pirata? Acontece que DVD tinha uma caixa com acabamento impecável, o disco tinha a imagem do poster, e colado na capa estava um selinho holográfico. De duas, uma: ou aqui no Canadá se pratica uma SUPER pirataria, ou eu estou longe do Brasil a tempo suficiente para me tornar desfamiliarizado com técnicas avançadas de safadeza.Anyways.

Fui alertado que bundas masculinas abundavam nesse filme, com o perdão do trocadilho fraco que não será repetido nunca mais. Um tanto quanto consternado diante à possibilidade de ter minha preferência sexual ofendida por um close shot da bunda do Brad Pitt, chamei a patroa para assistir comigo, para ter a certeza de que ao menos um de nós ia gostar do filme e saber que não gastei 12 dólares num hipotético DVD pirateado.

Felizmente, não se vêem tantas nádegas desnudas na película. Ou pelo menos não me lembro de tantas assim, provavelmente porque eu estava ocupado me agarrando com a namorada no sofá. De qualquer forma, não vi bundas masculinas peladas, e isso é bom.

A história é familiar para qualquer um que tenha um pouco de cultura e leu mais na escola além dos livrinhos paradidáticos sem graça que os professores passavam pra gente. De forma resumida:

A mulé de um grego (um ator gordão feio que sempre faz papel de gordão feio) foge pra ficar com um troiano (o Legolas), logo após uma espécie de reunião entre os reis das duas localidades. O grego, putíssimo, quer pegar a vadia à força e encher-lhe de porradas. Seu rei, safadíssimo, vê nisso um pretexto para invadir Tróia e ficar com tudo. E lá vão eles em seus barquinhos, levando junto o Aquiles, que é uma espécie de super homem, mas não alejado e ainda vivo.

Mas eles não contavam com a astúcia do povo de Tróia: os muros da cidade são ininvadíveis. A partir daí começa um falatório que não prestei atenção. Adiante, mas falatório sem graça. Numa estratégia para chamar a atenção do expectador, o diretor manda umas cenas de nudez. Mas a cena não durou muito, então logo minha atenção foi desviada mais uma vez. Começa uma cena de batalha sanguinolenta. Alguém leva uma flechada na bunda, e possivelmente morre. Não sei se a bunda é um ponto vital.

Então os gregos têm uma idéia fenomenal: eles usam seus barcos para construir um cavalo gigante. Nesse ponto, se você não é um inculto, já está sabendo que o cavalinho está recheado de guerreiros gregos. E se você era, acabei de estragar a grande surpresa do filme.

Quando os troianos acham a imensa construção, pensam em leva-la para dentro da cidade. Obviamente nesse ponto um único personagem sensato (no caso, o Legolas) tem a idéia de queimar o cavalinho e, sem querer querendo, fazer um belo churrasco de cavalo à parmegiana com recheio grego.

Mas, como em todo filme, a decisão da maioria burra prevalece, e os troianos levam o cavalo pra dentro da cidade. Lá pras duas e quinze da manhã, a galera dumau sai do cavalo, abre as portas da cidade para que o exército grego invada e a espada come de esmola.

Claro que estou pulando muitas partes, como a morte do irmão do Legolas e tal. Claro que não fará diferença porque todos vocês já assistiram esse filme. E se eu contasse isso, ia estragar a surpresa praqueles que não assistiram.

Voltando à historinha: então o Aquiles entra na cidade com seus comparsas e toca fogo em tudo. Muito filho da puta esse povinho: tomam a cidade da galera, mas tocam fogo na parada inteira. Bradaquiles é morto por uma flechada no calcanhar (O CALCANHAR DE AQUILES, OH!). Sua namoradinha mata o rei grego, que por sua vez acabou de matar o rei de Tróia, que em sua juventudade com certeza matou mais gente também.

Como vocês podem ver, esse filme contém mais matanças e desgraças familiares que cinquenta tiragens do jornal popular aí da sua cidade.

Achei interessante como eles reciclaram o personagem que Orlando Bloom interpretou em Senhor dos Anéis. Lá pela metade do filme, quando por um passe de mágica o príncipe covarde se torna um habilidoso arqueiro e começa a disparar cinquenta flechas por segundo em alvos móveis e matando todos, você entenderá porque eu o chamei de Legolas e não de Paris, seu nome real no filme. Até porque Paris não é nome de homem.

Enfim, é um filme razoável, por diversos motivos. Primeiro, porque custou apenas doze pilas e temos que ter boa vontade para com coisas não-caras. Segundo, porque tem sangue à beça. Fontes não confirmadas garantem que o Wolfgang Petersen comprou uma empresa de ketchup para poder filmar Tróia. Acho que é mentira, porque nem três dariam conta de simular a abundante sanguinolência que esse filme exibe.

Neguinho leva espadada NO OLHO. Já pensou pegar um golpe de espada no globo ocular? Não pense, assista Tróia.

[ Update ] Reclamaram que tem spoilers no post, e que eu devia avisar isso pros incautos que não ainda não assistiram o filme. Então aí vai: não leia, tem spoilers.

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Categorias: Cinema

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. Paulo David says:

    Acho ridícula essa mania de os metidos a machões ficarem expondo o quanto se ofendem com a nudez masculina. Acho que no fundo os homens que agem assim estão tentando fugir a tentação. Afinal, as mulheres, que são muito bem resolvidas, não precisam ficar dizendo que se ofendem com a nudez feminina. Se tem uma razão pela qual esse filme é uma bosta é justamente pelo fato de não ter a “abundância” de bundas masculinas(desculpe também pelo trocadilho). Afinal, os homens são muito ridículos, mas são muito gostosos também.