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Postado em 17 January 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários



Essa porcaria foi a melhor imagem que achei

Embora eu não ponha muita fé em filmes de super heróis, acabei indo ao cinema ver a conclusão (queria eu que fosse mesmo a conclusão) da “série” Blade. Digo “série” porque, se eu não usasse esse termo, você não conseguiria perceber que os filmes da franquia Blade são realmente partes de uma série, ao invés de uma repetição de atores e histórias, com uma leve mudança nos cenários.Então, prestando mais um dos serviços públicos pelos quais o HBD é tão amado pelas crianças asiáticas vítimas do tsunami, aí vai um breve resumo de Blade Trinity. Anote e estude, um dia um produtor da Fox poderá contratá-lo para escrever o roteiro de Blade vai ao Brasil:

Ato 1: A apresentação.

Alguns vampiros estão curtindo a vida adoidado, numa boa, quando Blade chega do nada e começa a chutar suas bagaças com violência. Vale lembrar que os vampiros são tão ameaçadores quanto um pirulito de uva, totalmente aleatórios, e que não significam absolutamente nada na trama. Sério. Poderiam substituir os vampiros por flanelinhas malabaristas, e a mensagem seria a mesma. Aliás, para um maior divertimento no cinema, aconselho a vocês que façam essa substituição mentalmente.
Ato 2: O desenvolvimento.

Após a chacina de criaturas luciferinas (ou de vampiros, se você optou por não fazer a substituição mental), Blade descobre – de formas mágicas – uma trama vampírica para acabar com o mundo como o conhecemos. O plano é terrível, maligno, demoníaco, infalível, bolado por vampiros ainda mais terríveis, malignos e demoníacos, entretanto requerirá menos de uma hora e meia para ser fodido. Seus criadores serão detonados por tabela, porque afinal de contas o Blade não perdoa ninguém.
Ato 3: A reviravolta.

Em sua melhor jogada – a única que o terrível Blade os permitirá fazer – os vampirinhos capturam o seu maior inimigo. Caso o negão não esteja disponível para ser tomado como refém, os vampiros malacos sequestrarão alguém que o Blade não odeie tanto (porque na verdade mesmo ele não gosta de ninguém).Mais-do-que-obviamente, Blade se libertará de seus captores. Caso o prisioneiro seja um quase-amigo do Daywalker, Blade ignorará o fato de que a base vampírica é o lugar mais seguro do mundo e se materializará cabalisticamente dentro dela, para resgatar a vítima – alguém que ele não necessariamente gosta, afinal, tenhamos em mente que Blade é mau.

Ato 4: A conclusão.

A partir daí, o resto do filme é mais previsível que a cena inicial onde Blade chuta a bunda de vários vampirinhos figurantes. Você poderia então bater a cabeça no teclado e o resto do roteiro já estaria pronto; se duvidar seria até melhor que os filmes pré-existentes da série. Digo, “série”.No desfecho da película, Blade está frente a frente com o terrível plano de destruição total da humanidade. Para reforçar sua malignidade, ele mata uns 400 vampiros-guardas que nao servem nem de bucha de canhao. Em seguida, luta contra algum supervampiro lendário que está na verdade só perdendo seu tempo. O suspense causa apuros intestinais nos espectadores. Para surpresa de todos, Blade ganha! Rolam os creditos, mas não sem antes explicitarem o mote para o próximo filme. Você levanta da cadeira e se arrepende de ter gasto X reais pra assistir um filme repetido.

No começo da análise, eu estava falando de Blade 1. No meio, me atrapalhei com as memórias e comecei a narrar Blade 2. No finalzinho, eu queria escrever algo sobre Blade 3, mas lembrei que dormi no meio do filme. Então completei com um misto do primeiro e do segundo. Por incrível que pareça esta resenha híbrida descreve não apenas blade Trinity, mas também os dois filmes anteriores, assim como os próximos a serem lançados.

Mas tenho que dar um crédito pela originalidade dos idealizadores do personagem: Blade é o único herói que é pelo menos quarenta vezes mais malvado que os vilões que ele tenta derrotar. Como se a ruindade do caçador de vampiros não fosse óbvia o bastante, os roteiristas tentam deixá-la bastante evidente. Eu seria capaz de apostar que deram ao Wesley Snipes uma cueca quatro números menores, para garantir que ele jamais daria um sorriso ao longo do filme inteiro. Tenho a impressão que Blade na Caatinga (uma possível continuação da série, em que Blade luta contra o terrível Saci Pererê, que bolou um plano para cortar as pernas esquerdas de toda a humanidade) conterá uma cena em que Blade rasga um coelhinho no meio e usa o sangue para grudar o selo numa uma carta-bomba endereçada à sede da Cruz Vermelha.

Marketing no cinema é uma técnica velha, mas nenhum filme foi mais eficientemente prostituído que Blade Trinity – nem mesmo Eu, Robô, com suas cinco propagandas nos dez primeiros minutos de filme. Lá pelas tantas, a turminha matadora de vampiros está se preparando para ir chutar mais algumas bundas. A garota matadora de vampiros está no banco de trás do carro, com um laptop e um iPod no colo.

– Que porra é essa? – pergunta o terrível Blade, que não é antenado nas novidades do mercado fonográfico.

– Ah, é o iPod dela. Ela gosta de ouvir mp3 durante as caçadas.

Um close na tela do computador revela o iTunes, e as músicas que – VEJA QUE COINCIDÊNCIA – são as mesmas da trilha sonora do filme.

Outro detalhe que merece uma citação é o fato de que Blade é a única série em que vampiros são mais fáceis de matar que seres humanos, o que praticamente aniquila qualquer vantagem de se tornar um filho das trevas. Em Blade Trinity (ou seria em Blade 2? Esqueci agora) um dos personagens humanos é praticamente empalado por um vampirão qualquer, e continua vivo. No começo de Blade 2 – dessa vez tenho certeza -, aquele velhote diz ter sido transformado em saco de porrada de vampiros por meses, e continua numa boa. Já os vampirinhos passam dessa pra melhor com míseros fachos de umas porcarias de lanterninhas high tech, e balas de prata (que ninguém lembrou de corrigir, mas são letais contra LOBISOMENS, e não vampiros. Acho que além de frangotes, os vampiros de Blade são também hipocondríacos).

Não perca tempo indo à parada de ônibus pra assistir esse filme no cinema. Ao invés disso, ande até a locadora e alugue Blade 2, dá no mesmo. Basta fingir que aquele velhote amigo do Blade morre no final, e aí ficará idêntico ao Trinity.

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Categorias: Cinema

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)