Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 3 February 2006 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

[ Update ] Hospedar arquivos pra vocês em servidor free é foda. Em menos de três dias já estouraram o limite do site onde hospedaram o crack do Worms! HBDdotted, como diria o Knux.

Re-hospedei aqui. Vamos ver se dessa vez dura.


Taí a resenha, finalmente. Essa porcaria deveria ter sido concluída semana passada, mas com partidas de Worms acontecendo a cada segundo, ficou difícil terminar o texto em apenas três dias como é de costume.


Algumas vezes coisas boas acontecem comigo. E, em casos mais raros ainda, vocês acabam se beneficiando. Isso porque eu estou sendo presunçoso o bastante pra supor que uma nova resenha cinematográfica é uma grande benção divina pra vocês.Outro dia aí eu fui à Deja View, a loja local de DVDs semi-novos. Nas prateleiras, vi um filme sobre o qual sempre ouvi falar na minha infância, mas nunca tive a sorte (ou azar) de ver com meus próprios olhinhos. O preço do DVD não era alto, mas eu resolvi economizar a grana pra algo mais moralmente edificante, como uma caixa de massinha de modelar ou adesivos do Bob Esponja.

Qual não foi a minha surpresa quando, dois dias depois, meu pai visita a mesma loja e compra o DVD! Oh, a alegria de viver, meu amigo! Dei dois pulinhos para comemorar, sob o olhar suspeito do meu pai.


Tudo no DVD cheirava a uma excelente futura resenha. Porra, dois filmes em um DVD só? Você sabe que a qualidade dos filmes é excelente quando o estúdio decide que lançar ambos em um DVD individual para cada não valeria a pena.Ou seja: A Mosca é um filme que não vale o DVD em que foi gravado. Literalmente. Isso já fala horrores a respeito da beleza de filme que eu estava prestes a assistir.

Falando em valor, e esse precinho, então?


Nove pratas por dois filmes?! Sem nem abrir a caixa do DVD, já consegui sentir o cheiro de uma excelente produção cinematográfica. Tudo bem que o DVD é usado, mas porra. Filmes usados ficam na faixa de 20 dólares!A Mosca é um super clássico do tempo de Corujão ou Domingo Maior, aquelas programações cinematográficas da Globo que passavam quando a gurizada já estava ou dormindo, ou caindo de sono. Durante toda a minha infância tentei assistir essa maravilha, mas por causa de idiotices como regras familiares e escola, eu era impedido de desafiar o relógio biológico e absorver toda a supimpice que é esse filme.

O filme, rodado no finzinho dos anos 80, é um drama/romance/horror/ficção científica que conta a história de Seth Brundle, interpretado por Jeff Goldblum a.k.a. “o cara que interpreta o mesmo personagem em basicamente todos os seus filmes“. Assim como Will Farrel e Morgan Freeman, Jeff Goldblum só sabe atuar de acordo um único estereotipo e o fará até o dia de sua morte, fazendo assim com que todos seus papéis sejam cópias uns dos outros.

O filme começa numa misteriosa festa. Temos a impressão de que é algum tipo de evento de importância no mundo científico, mas os sensacionais autores do roteiro não gastaram sequer dois segundos pra nos explicar exatamente que porra de festa era aquela. Seth (o cientista que daqui a uma hora e meia será uma mosca gigante) está explicando pra Veronica (a repórter que daqui a meia hora ele estará comendo) que ele é um grande gênio e que sua última invenção provocará a maior revolução que a humanidade já viu desde a invenção das tatuagens temporárias que vinham junto com o chiclete Ploc.

A mulé decide o acompanhar de volta pra sua casa (casa dele. Maldita ambiguidade.) pra ver que porra de invenção sensacional é essa. Dentro do carro, Seth começa a agir como uma putinha nervosa. Ele explica que morre de medo de meios de transportes convencionais, o que o coloca automaticamente no primeiro lugar da lista de “pessoas mais medrosas do mundo”, destronando a minha irmã menor que quando tinha 7 anos tinha medo de pular. O medo imbecil e irracional dele, você perceberá em breve, foi a desculpa que o cara precisou pra conceber sua maravilhosa invenção.

E o que é essa invenção, meu deus do céu?!

Ao chegar no apartamento, que é basicamente uma sarjeta com paredes e mobília, Seth exibe orgulhoso sua grandíssima invenção: uma máquina de teletransporte! O sujeito então mostra pra ela um imenso armário equipado com um tecladinho e tela, e então tenta enganar-nos dizendo que aquilo é um computador. A mulher obviamente não acredita nas habilidades inventísticas do sujeito, a despeito do fato de que ela foi até a casa dele sob a crença de que ele era um cientista. Seth se propõe a mostrá-la que sua maquininha funciona de verdade, e então pede um objeto pessoal da mulé para fazer uma experiência.

Essa desgraçada então tira a sua meia 7/8 e entrega pro cientista, sem dúvida alguma tentando seduzir o coitado pra depois dizer que está com dor de cabeça ou que não esteve tomando anticoncepcionais recentemente. O cara põe a meia na sua máquina teleportadora e SURPRESA, a meia aparece na máquina ao lado.

A mulé, que é uma repórter, mela a calcinha só de imaginar a sensacional matéria que ela poderia escrever a respeito da experiência do sujeito. Sem que o cara perceba, essa destruidora de lares liga um gravador portátil do tamanho de um sofá (ahh, a tecnologia dos anos 80) e começa a gravar tudo que o sujeito fala a respeito da máquina. A repórter, satisfeita com a entrevista não-autorizada e provavelmente ilegal, vai embora mostrar a novidade pro editor da revista.

O editor, previsivelmente, não acredita na mulé. Seth então se encontra com a repórter e propõe uma parceria – você me dá a buceta, e em troca eu te dou uma super cobertura exclusiva do meu sensacional experimento. Uma proposta dessa é irrecusável, afinal de contas, você já viu o cabelo da mulé? O penteado dela alcança tranquilamente a sacada de um apartamento de terceiro andar. Arrumar alguém que a coma e DE QUEBRA conseguir uma matéria é uma proposta que só acontece uma vez a cada passagem do cometa Haley.

O que acontece é que os dois em breve começam a trepar com furor de causar inveja ao mais apaixonado dos casais, a despeito de terem se conhecido no dia anterior. Um monte de coisas sem muita importância para a trama da história acontecem, e no momento eu larguei o filme e fui jogar um pouco de Worms.

Pouco tempo após eu ter mandado algum oponente pra puta que pariu por meio de uma Granada Santa milimetricamente bem colocada, o filme começa a ficar interessante, atraindo minha atenção de volta. Parece que o cientista e a mulé do cabelo do caralho resolvem testar algum bicho infeliz antes de adentrar a máquina eles mesmos. Sem muitas explicações, os covardes arrumam um BABUÍNO (como se arrumar um animal dessa espécie nos Estados Unidos fosse algo bastante fácil) e enfiam-no na máquina. Seth aperta botões em seu armário-computador, luzes piscam intensamente e o macaco desaparece. Oh, deu tudo certo! Vamos verificar a outra cabine pra ver se…

…ao abrir a máquina, percebemos que o babuíno sumiu e em seu lugar vemos algo que parece o mesmo babuíno, porém após ter passado 15 minutos num liquidificador. Segundo Seth, a máquina VIROU O BABUÍNO PELO AVESSO, e após assistir esse filme eu posso seguramente afirmar que existe espaghetti dentro de um babuíno. A massa de fiapos sanguinolentos que há dois minutos era uma criatura viva dá seus últimos “suspiros”, ofegando e chacoalhando suas entranhas por todo lado.

Procurei desesperadamente na internet por uma imagem desta pitoresca cena, mas infelizmente não encontrei nada que fizesse jus ao terror que é um babuíno virado ao avesso. Por dois segundos pensei em pegar uma foto de um talharim no Google Imagens e colocar embaixo uma legenda nos moldes de “Isso é mais ou menos o que aconteceu no filme“, mas o que vocês fizeram pra merecer uma piada tão infame? Deixo a bela/terrível imagem a cargo da imaginação de vocês.

Após uma forçadíssima analogia que de científica não tinha absolutamente nada, Seth descobre que a máquina não “entende” a carne. Então, ele vai “ensinar” ao computador armário o que é a carne, porque maioria das pessoas prefere que seus animais teleportados não exponham suas entranhas.

Beleza, a máquina tá pronta pro uso. Devia haver uma liquidação de babuínos na cidade do cara, porque Seth tinha OUTRO macaco dando sopa pelo apartamento. Ele testa a máquina com o novo macaco, e tudo revela-se funcionar perfeitamente.

Mas aí, claro, algo inesperado acontece e fode os planos bonitinhos do casal. A mulé vai se encontrar com o ex-namorado, que é por sinal o próprio editor dela – o que deixa claro que Seth não foi o primeiro a quem ela abriu as pernas por causa de uma oportunidade de carreira. O cientista fica malucão de ciúmes, achando que a esta altura sua mulé está num traje de couro sendo sodomizada por cinco caras simultaneamente.

E então, muito revoltado, Seth se joga de corpo e alma na manguaça. Após equilibrar sua composição sanguínea com mais álcool do que seria necessário pra um Chevette 83 fazer o trecho Quixeramobim – Juazeiro do Norte, o cientista bêbado entra na máquina teleportadora. Mas, OH! Uma mosca entrou na máquina ao mesmo tempo. A máquina recombinou o DNA do Seth com o da mosca, o que revela que essa máquina é realmente miraculosa porque a teoria de teleporte não tem absolutamente nada a ver com código genético.

E a partir daí, o resto vira putaria. Seth em breve começa a sentir os primeiros sintomas da terrível transformação que ele sofrerá nos próximos 28 minutos. No começo tudo parece legal: o sujeito acorda um dia se sentindo mais forte, mais ágil, começa a andar nas paredes e/ou tetos… nada demais. Ou de mais.

Mas em breve o cara percebe que entrar na máquina enquanto mamado não foi a melhor idéia do mundo. Seu rosto começa a desenvolver repugnantes bolhas semi-cancerosas, dando à cara do sujeito uma textura similar a de merda fresca. A máquina também meio que fodeu com os miolos do cara, então ele pira o cabeção de decide que a mulezinha dele deveria ser teleportada também. A repórter, que dá pra qualquer um mas não é boba, percebe de cara que o cara tá pra lá de Bagdá (falaí, há quanto tempo você não via essa expressão?). A mulé dá o fora, e o cara-de-cocô resolve que não precisa dela e vai pra um bar.

No botequim, a pilha de bosta humana encontra um grupo de motorqueiros com caras de poucos amigos disputando uma animada partida de queda de braço. O pedaço de excrementos com pernas desafia os motoqueiros malvadões, e ainda arremata a aposta dizendo que, se ganhar, pode levar uma mulé pra casa – e aponta pra uma vadia qualquer, que devido ao contexto podemos concluir que era relacionada a algum dos motoqueiros. A mulher protesta revoltadamente que não é uma prostituta e que isso é um ultraje sem tamanho, mas fica pra assistir a disputa entre o homem/mosca/saco de estrume ambulante e o motoqueiro.

Mostrando que o teor verdadeiro do filme é sanguinolência desmedida, o bolo fecal em forma de gente – que se você ainda não entendeu, ganhou super-força após se fundir com a mosca – literalmente ARREBENTA o braço do pobre motoqueiro. A cena seguinte mostra o braço arrebentado do sujeito, com o osso exposto e uma mangueirinha escondida ejetando alguns litros de sangue falso por segundo. O tolete falante levanta-se satisfeito, pega a mulezinha pelo braço e trás pra casa, onde a fode violentamente.

Tudo legal, mas aí a repórte decide ir ver como o homem-fezes está. E aí ela acaba pegando o sujeito e a vadia no flagra, oh não. Nesse momento Verônica emite a famosa “tenha medo. tenha muito medo”, que eu não sabia ter sido originada neste filme. Aprendemos algo inútil todo dia.

O resto do filme mostra apenas a lenta degradação de Seth, que evolui de fétido saco de estrume podre pra saco de estrume podre com pus escorrendo pelos buraquinhos do dito saco. Em breve os dentes e unhas do cara começam a cair até, é uma beleza.

Neste meio tempo, descobre-se que Verônica está prenha. Aparentemente ninguém explicou pra mulher que sair dando indiscriminadamente pra diversos sujeitos que você nem conhece pode resultar em uma gravidez, porque ela parece muito surpresa. Tendo em vista que o pai da criança é (provavelmente) a massa de fezes pustulentas, ela decide abortar a criança. Mas o filme não deveria acabar assim, então o cientista – já quase totalmente irreconhecível em seu traje de cocô – sequestra a mulé da clínica clandestina lá e leva-a de volta ao seu apartamento. No fundo de seu cérebro surgiu a idéia de que, se ele jogar alguém dentro de uma das máquinas e se teleportar com ela, o cara vai ficar curado. Ok, ein.

O ex-namorado arruma uma arma magicamente e vai atrás dos dois. Ao chegar lá, é recepcionado pelo cientista mosca, que vomita uma substância ácida na mão do coitado e derrete-a toda. Não satisfeito, dá uma segunda vomitada no pobre ex-namorado, dessa vez no pé. O sujeito, que não tinha nada a ver com o negócio, se fode com maestria quase invejável.

Mais algumas bobagens acontecem e então Seth sofre a última transformação, a que troca o ator numa roupa pútrida por um marionete de mosca gigante. A manipulação deste é tão desastrada e mal feita que faz com que o teatrinho de fantoches com meias sujas que eu faço pra entreter o Kevin seja merecedor de algum tipo de prêmio.

Seguindo seu plano, a moscona empurra a mulher dentro de uma das máquinas e entra na outra. Na última hora, o ex-namorado maneta e perneta pega sua escopeta mágica surgida de lugar nenhum e dá um balaço no cabo que ligava uma máquina à outra. A mosca se desespera e tenta sair o negócio a tempo de esganar o aleijado, mas FODEU RAPAZ – a máquina se ativa quando a mosca gigante tá saindo do troço.

O resultado é que ele acaba se fundindo com partes metálicas da engenhoca, dando razão ao ditado popular que diz “sorria, as coisas ainda podem melhorar”. Metade homem, metade mosca e metade máquina, essa fração-aberração sai da máquina se arrastando em direção à mulher. Esta pega a arma do ex-namorado, mira na cabeça da monstruosidade e mete chumbo quente no que talvez fosse a testa dela.

Rolam os créditos. Até que não foi um filme tããão ruim, é apenas um filme medíocre dos anos 80. ~

Com esse pensamento, resolvi assistir A Mosca 2 logo em seguida. Lembra da evolução “de fétido saco de estrume podre pra saco de estrume podre com pus escorrendo pelos buraquinhos do dito saco”? Então, isso define a diferença entre o primeiro e o segundo filme. Enquanto o primeiro é apenas levemente ruim e pode ser apreciado se você não tem padrões altos, o segundo é praticamente a incompetência humana em forma física. A Mosca 2 deve ser evitado a todos os custos. Jamais assista, jamais compre, jamais esteja em um raio de menos de 15km de distância de uma cópia do filme.

Fique longe da continuação deste filme, ou os terroristas já venceram.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Cinema

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. Carol says:

    Caraio, odoro suas resenhas cinematográficas.