Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

[ Resenha Cinematográfica ] Wishmaster (1997)

Postado em 26 January 2014 Escrito por Izzy Nobre 5 Comentários

Como qualquer um que já tenha se aventurado pelos longos arquivos do HBD deve saber, este site é bastante antigo. Em sua versão “mais recente”, o HBD começou em fevereiro de 2004; No entanto, o site foi na verdade criado 2 anos antes. E nesses anos todos, há vários formatos de posts com os quais experimentei aqui.

E um post que eu adorava fazer anos atrás eram resenhas. Eu resenhava tudo: games, seriados, tech toys, e principalmente filmes. E como é um conteúdo que eu acredito que muitos de vocês gostariam mas nunca encontraram nos arquivos do site, resolvi repostar alguns deles. 

Esta resenha é do filme Wishmaster, e foi postada no HBD originalmente em 2005. Era da época em que eu usava a iconografia do Mario e tal, o que explica o grafico abaixo que ilustrava meus textos sobre cinema.

Eis o texto. Melhorei um pouco a redação, incluí imagens e vídeos do youtube pra ilustrar as cenas descritas — algo que eu não pude fazer na época, visto que o YouTube na época mal existia.


Esta é provavelmente a resenha cinematográfica mais longa que já escrevi. Isso se deve ao fato de que o filme aqui revisionado é tão ruim, mas tão ruim, que se torna fenomenal. Logo, há muito para se escrever sobre ele.

No último sábado, reuní-me com meus camaradas canadenses ruins em matemática para um “get together“, que são encontros semanais que temos por aqui. Por definição, get togethers consistem numa reunião de pessoas não em número suficiente para ser considerada uma festa, mas o bastante para constar como um evento social, como uma convenção de Star Trek ou uma suruba.

Acrescentando à agenda da noite (que já incluía uma sessão de Vampiro, um mini-campeonato de Halo 2 e a certeza de que eu seria humilhado neste último — sim, somos todos nerds felizes –, Adam trouxe à sala o DVD de Wishmaster, creio eu lançado no Brasil como “Mestre dos Desejos” ou algo similarmente óbvio.

Após eu ter levado uma formidável sova em Halo, por motivos que envolvem o fato de que a porra daquele controle me odeia, nosso anfitrão desligou o videogame (um tanto quanto para meu alívio) e meteu o filme no aparelho de DVD. Como meu sonho de salvar a Terra a base de tiros já havia sido destruído pela minha falta de habilidade em FPSs de console, restava a esperança de que assistiríamos a um bom filme.

Wishmaster começa preenchendo a tela com o pomposo anúncio de que foi escrito por ninguém menos que Wes Craven, cineasta responsável pela bem sucedida série de horror Pânico e por quatrocentos outros filmes não tão bem sucedidos. Chamar aquelas porcarias (que Craven deve ter filmado em 3 horas só pra pagar um aluguel atrasado) de “não bem sucedidas” é como dizer que o bombardeio de Hiroshima foi uma falta de educação da parte dos americanos. As outras películas são simplesmente vergonhosas, e me surpreende o fato de que Craven não mudou de nome ou faz uma cirurgia plástica para se desassociar à criação daquelas monstruosidades. Eu teria. Mas eu sou feio, então eu provavelmente faria uma plástica a despeito disso.

Mas então, Wishmaster.

wish

O filme começa ambientado no ano 238492742492 antes de Cristo, aparentemente na Pérsia ou em algum outro país do Oriente Médio que não existe mais. A câmera viaja até dentro de um palácio. Se você achava que os três segundos que a panorâmica demorou pra chegar ao palácio foram tediosos demais e não mostraram ninguém morrendo dramaticamente e que portanto este filme não é do Craven, se prepare pra surpresa!

 

Coincidentemente enquanto alguém passeava com uma câmera dentro do palácio, uma desgraça de proporções estratosférica está acontecendo — e que nos dá a chance de verificar que os 17 dólares usados na produção desse filme foram bem empregados em maquiagem e má atuação. Sem nenhum aviso do que diabos está acontecendo, pessoas correm pra todos os lados do palácio, sangrando pela boca, nariz e outros variados orifícios, com os rostos ou corpos deformados.

Há nas proximidades um homem cuja metade do corpo foi transformada numa cobra. Segundos mais tarde, numa das cenas com o uso mais óbvio de bonecos de borracha na história do cinema, um bicho demoníaco explode da barriga de um infeliz (cof cof ALIENS cof cof) e MORDE O BRAÇO DE UM CARA QUE PASSAVA POR PERTO ENQUANTO AINDA PENDURADO DA BARRIGA DO FUTURO DEFUNTO.

caralho

Caralho!

Em meio a este show de horrores, percebemos que a câmera é o ponto de vista de um carinha que corre desesperado em direção ao centro do palácio, tentando desviar das mutações da natureza em sua volta. A estupefação é visível na cara do corredor, que aparentemente não apreciou ver monstros pulando de barrigas.

Antes que eu continue a resenha, devo deixar claro: a cena mais memorável de todo o filme é a sequência em que um carinha cai, agonizando, e em seguida seu esqueleto rasga sua pele e pula pra fora, como que dizendo “querida, cheguei!”, e logo depois corre pra estrangular um outro infeliz que teve a infeliz infelicidade de estar infelizmente passando por perto no momento pouco feliz.

É TENSA

O cara que corria e desviava das aberrações, que até aí entendemos ser uma espécie de conselheiro do rei do palácio das maravilhas, chega à sala do trono. E, surpresa, lá está o Wishmaster, o satânico demônio que emprestou seu nome a esta porcaria de filme.

Ao contrário de gênios bonzinhos como Einstein e aquele do Alladin, este aqui tem como trabalho integral e vitalício foder os pedidos que seus mestres fazem. O conselheiro pede ao seu rei que pare de fazer pedidos, uma vez que o gênio satânico irá apenas pensar numa maneira de perverte-los. Nesse instante, compreendemos que o baile dos infernos de segundos atrás foi causado por um desejo esculhambado pelo gênio.

No melhor momento “Programa do Ratinho” do filme, o gênio e o conselheiro travam uma espécie de debate, enquanto o rei assiste a comoção com um olhar de peixe morto.

Mas o conselheiro aparentemente não tem paciência pra discutir com seres das trevas, e assim tira do bolso sua fantástica pedrinha PRENDE-GÊNIOS-2000. Ele aponta-a em direção do ser maligno e assim ele e toda sua malignidade são presos dentro da pedra. Neste exato momento você pensa “eu aposto minhas cuecas que algum imbecil pegará essa pedra e soltará o gênio“.

E é o que acontece. Cinquenta bilhões de anos depois, há um barco trazendo pros EUA um carregamento de artefatos antigos do Oriente Médio (veja que feliz coincidência). A câmera dá um zoom numa caixa, apenas pra que você saiba que a tal pedra PRENDE-GÊNIOS-2000 está, de alguma forma e sem sombra de dúvidas, lá dentro. Um guindaste apanha a caixa do navio e a trás pro chão do porto.

Acontece que o operador do guindaste, veja só que palerma, se atrapalha nos controles e derrama seu café neles. Mas o problema é que este não é um café Nestlé qualquer, é um super CAFÉ-QUEIMA-TUDO-3001. Como resultado, o painel de controle emite fumaça e explode, fazendo o guindaste soltar a caixa. E bem em cima de um pobre coitado que caminhava tranquilamente lá embaixo, que se explodiu como uma melancia. Provavelmente era mesmo uma melancia, já que eles gastaram todos os 17 dólares do orçamento nas cenas iniciais, e fruta são mais baratas que estúdios de efeitos especiais.

Mas então. A caixa cai, mata uma melancia e a estátua que estava dentro se quebra, revelando a PRENDE-GÊNIOS-2000 encrustada em um dos fragmentos. O operador do guindaste viu o negócio, pegou-a e levou pra uma lojinha qualquer, pra faturar uma grana. Uma coisa leva a outra e eis que aparece a protagonista do filme, a doutora Alguma Coisa, que trabalha na lojinha e é especialista em detectar se pedras capturadoras de gênios são reais ou forjadas. E, sem querer querendo, acaba liberando o gênio!

Craven, inseguro dos próprios talentos como escrevedor de coisas assustadoras, achou melhor pôr algum tipo de garantia no seu filme. Eis que, sem mais nem essa nem outra, Freddy Krueger (no caso, o ator Robert Englund) é trazido para a trama, como uma forma do diretor lembrar-nos de que isto ainda é um filme de terror, a despeito dos hilários bonecos de borracha e dos copos de café que destróem guindastes.

Infelizmente, o fato de que o ator que interpreta Freddy não é o icônico assassino sobrenatural e sim algum tipo de empresário engomadinho apenas aumenta o já constrangedor humor não-intencional do filme. Se você achar qualquer coisa nesse filme remotamente assustadora, você também deve achar borboletas e flores assustadoras.

Então, voltamos ao super laboratório onde estão testando a pedrinha vermelha. O gênio invariavelmente escapa, não sem causar uma explosão semi-inesperada. O técnico que estava no local é jogado pelo ar como uma meia velha, e se arrebenta todo na descida. O gênio (por algum motivo que desconheço, ignoro e simplesmente não me importo), aparece neste trecho como uma miniatura de si mesmo, um mini-gênio. O ser demoníaco das profundezas satânicas, por sua vez, pergunta ao técnico que agoniza se ele “deseja” que a dor pare. O coitado, previsivelmente, diz que sim. Oh, mas que burrinho! O gênio se aproveita do vacilo e mata o infeliz, embora pondo um fim a dor, não foi exatamente o que o cara queria.

Caso você não tenha nenhum problema neurológico que exija atenções especiais, neste momento você perceberá que toda essa enrolação anterior foi apenas para fazer o espectador pensar que isto tudo é um filme, quando na verdade é apenas um projeto paralelo de Craven, intitulado “formas violentas de matar pessoas que eu ainda não usei nos meus outros filmes“. A premissa do filme é simplesmente essa: pessoas fazendo desejos que o gênio dará um jeito de avacalhar. Daí em diante, a história se transforma num sensacional banho de sangue cinematográfico.

O gênio, não satisfeito em assassinar cruelmente um pobre técnico que foi burro o suficiente para aceitar um emprego onde as coisas explodem com tanta facilidade, sai à rua em busca de mais pessoas burras. A próxima cena mostra um mendigo tentando entrar numa farmácia e sendo logo em seguida impedido pelo dono dela, que o dispensa rudemente. O mendigo fica muito putinho, solta alguns palavrões aleatórios e continua andando. O gênio o aborda, e pergunta se ele gostaria de fazer alguma malvadeza com o farmacista mau-educado.

O bebum (não confundir com Bebum, comentador chato oficial do HBD) diz que queria que o dono da farmácia desenvolvesse algum câncer e morresse. O gênio assegura-o que o desejo será cumprido, ao mísero custo de 1 (uma) alma. Dele, claro.

A imagem volta para a farmácia. Dentro de poucos segundos, o desafeto do mendigo bêbado começa a ter espasmos violentos, como se alguém tivesse enfiado uma enguia elétrica em seu esfíncter. Como resultado do câncer mais estranho que já vi na vida, asquerosas e pustulentas brotoejas explodem na cara do infeliz. E ele, como você pode ter adivinhado, morre. 🙁

Por algum motivo, o gênio volta ao laboratório altamente inflamável. Ele decide a arrancar o rosto do técnico que ele matou previamente. Eis que de repente aparece um mané no local, que então demonstra sua incrível habilidade de se cagar de medo ao ver o gênio. Este, sadicamente, pergunta se o mané desejaria não ver mais aquela monstruosidade. Ignorando meus gritos desesperados de “Não, não deseje nada, porraaaaaa…“, o mané diz “sim”. E o gênio, mostrando falta de criatividade, arranca os olhos do coitado. Sacou? Ele não queria ver mais, então teve os olhos arrancados! Eu estava esperando algo mais elaborado, então me decepcionei com essa cena.

Ah, e o recém-cego morre também. 🙁

O gênio volta à atividade de confeccionar uma máscara com o rosto do primeiro defunto. Por motivos que, novamente, ignoro e/ou não me importo, o gênio aparece numa loja de roupas (já com a cara do carinha que ele matou antes), e está procurando por alguém. Ele é atendido por uma funcionária da loja. O gênio elogia a beleza desta, e então faz a pergunta que antecipávamos:

— Aê princesa, você deseja ser bonita para sempre?

A mulé, indubitavelmente achando aquele papo muito estranho, diz que sim — ou seja, ela se fodeu. Passei dois segundos pensando “mas porra, como o gênio achará uma forma de foder este desejo?”. Não me entenda mal, respeito profundamente a capacidade satânica do bicho de esculhambar até mesmo os desejos mais inocentes, mas eu não conseguia imaginar sangue saindo daquele desejo. Então o suspense acaba: o gênio a transforma num manequim!

Sem mais nem essa, o manequim revira os olhos, algo que meus anos assistindo Plantão Médico indicaram prontamente como um sinal clínico de que a mulher se fodeu.

A esta altura do campeonato, eu tenho certeza que havia alguma trama boboca envolvendo aquela doutora Alguma Coisa capturar o gênio novamente, ou talvez ETs e algo assim. Isso era extremamente irrelevante a este ponto. Um filme com pessoas explodindo como melancias, esqueletos saindo de corpos e esgoelando pessoas e FREDDY KRUEGER não necessita de uma trama para ser um sucesso trash. Assim, economizarei linhas nesse post, que já tá grande pra caralho, e omitirei detalhes sobre a tal trama.

Sim, prosseguindo com o banho de sangue, o gênio vai então pra uma delegacia. Após um animado bate papo com um sargento/capitão/alguma coisa no DP, o gênio pergunta se há algo que seu interlocutor deseja. O policial aponta para um meliante que está sentado atrás deles, esperando ser levado pro xadrez. O policial então fala que sabe que o cara é um assassino, mas não pode provar e que portanto, o cara provavelmente não seria preso. Em seguida, ele diz que gostaria de poder provar que o cara é, de fato, um criminoso.

É a deixa. Impulsionado pelos poderes malignos do gênio, o carinha dá um pulo pra frente, agarra a arma de um dos policiais que está custodiando e a delegacia se transforma num stand de tiro. Após muitas pessoas pegarem tiros com a cabeça (incluindo, previsivelmente, o policial que fez o desejo), o assassino vira a arma pra própria cabeça e vai se encontrar com Lúcifer.

Mais tarde, um cara (se não me engano, o chefe da doutora Alguma Coisa) pede ao gênio um milhão de dólares. O gênio apenas sorri. Eu estava esperando que um saco com um milhão de dólares em moedas de um centavo cairia sobre o carinha e esmagaria sua cabeça, mas ao invés disso, vemos apenas o sorriso malicioso do terrível gênio. A cena corta para o saguão de um aeroporto, onde uma idosa assina uma apólice de seguro no valor de, adivinhe, UM MILHÃO DE DÓLARES, e coloca como beneficiado seu filho. Adivinhem só quem é o filho da véia.

A cena corta e mostra um avião decolando. Sem o menor aviso prévio, o avião explode em pleno ar, segundos após ter saído do chão.

Há mais algumas mortes sensacionais, mas porra, esse texto tá grande demais. Conforme falei no comecinho do texto, esse filme é tão ruim, e tão horrendamente mal feito, que assisti-lo se torna de alguma forma uma atividade consideravelmente divertida.

Recomendo com força.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Cinema

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

5 Comentários \o/

  1. Vinicius Martarello says:

    Ainda não tinha lido essa, curti!
    Você prometeu uma resenha de “As Branquelas” a um bom tempo e não fez até hoje ein

  2. BrunoHe says:

    Hahaha 10/10 vou até baixar no torrent.

    Continue postando esses textos antigos de 10 anos atrás Kid, assim vc não precisa escrever a galera ainda pega textos grandes =)

  3. Saulo Benigno says:

    Qual título nacional deste filme?

  4. Daiani says:

    “corre pra estrangular um outro infeliz que teve a infeliz infelicidade de estar infelizmente passando por perto no momento pouco feliz.” Esse foi o ápice do texto hahahaha =D

  5. Gabriel says:

    Eu (in)felizmente assisti Mestre dos Desejos 2. E pelo jeito o estilo do filme se manteve. De tão bizarro chega a ser engraçado.
    Destaque para a cena do advogado: rel="nofollow">