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A Gorda Neurótica

Postado em 20 dezembro 2009 Escrito por Izzy Nobre 107 Comentários

Até semana passada eu trabalhava com uma senhora de mais ou menos 40 anos que, por motivos éticos (leia-se “pra proteger a infeliz dos stalkers mais sinistros”), chamarei apenas de “B”, que é a inicial da senhora.

Tirando a estranheza inicial de trabalhar numa loja de artigos eróticos com uma mulher com idade pra ser minha mãe – e confiem, foi difícil se acostumar -, era tranquilo trabalhar com a B.

Até o dia em que ela começou a mostrar sua verdadeira personalidade.

Um pouco de backstory da B: ela é mãe divorciada, não tem nenhuma educação formal, vive passando perrengues financeiros, e é dona de um Honda Civic da década de 90, ultra fodidão. Manja aqueles carros que ficam estacionados eternamente no cantinho de uma retifica qualquer, sem calotas, coberto por durepoxi, com o capô de uma cor e a porta de outra? Com os estofados tudo rasgado, e o painel cheio de buracos e poeira?

Então, esse era o carro da infeliz. Eu sentia que tinha pego tétano cada vez que olhava praquele calhambeque fodido.

E como o título do texto adiciona, ela era bem gorda. Como a véia era alta (tinha quase 2m, a desgraçada), a banha não ficava muito aparente. Não muito, veja bem, mas a adiposidade da mulher era perfeitamente visível.

E pelo pouco que ela me contou da história dela (ou melhor, ela contou bastante até, “o pouco que eu prestei atenção” seria mais honesto), ela já foi alcólatra, viciada em crack, e morou por 2 anos na rua, pulando de abrigo pra abrigo.

E pra melhorar tudo, ela tem algum problema mental qualquer que requer anti-psicóticos. Uma vez a gorda esqueceu os remédios dela em casa e ela tava aqui inquieta e irritadiça, mandei ela ir pra casa que eu tomava conta da loja sozinho de boa. Fiquei aliviado quando ela foi embora.

Então. Como a B gostava muito de ler (literalmente toda noite ela tava aqui lendo um livro diferente durante o expediente), ela era relativamente inteligente, e tinha um vocabulário decente também.

Só que rapidinho eu notei que essa (pouca) cultura aparentemente dava a mulher motivos pra ser bem arrogante. Ela tinha muito despeito de pessoas com mais dinheiro, por motivos óbvios – ela vivia criticando gente que compra um carro novo a cada cinco anos, gente que compra celulares “da moda”, gente que gasta dinheiro com televisão de LCD ou roupas de marca, esse tipo de coisa.

Era um despeito ácido mesmo, a mulher destilava o veneno dela criticando essa gente sempre que tinha a oportunidade. Sei que responder qualquer crítica que seja sugerindo inveja é um lugar comum lamentável, mas dá pra entender perfeitamente por que uma mulher que mal conseguia pagar as contas todo mês tinha inveja de gente que tem dinheiro de sobra pra supérfluos.

Pra você ter uma idéia da fudidice desta maldita, ela tava usando o tempo livre dela aqui no trampo ultimamente confeccionando traquitanas hippie-style (colar, pulseira, essas coisas) pra dar pros parentes como presente de Natal. Imagina o desgosto do pobre filho da mulher ao receber um graveto adornado de miçangas de Natal enquanto os amigos ganham Xbox 360 e iPods.

E a mulher reclamava de TUDO. Ela jamais executava qualquer função aqui na loja sem antes reclamar por uns 10 minutos a respeito dela, sem resmungar que é “trabalho desnecessário”.

Obviamente eu já tava de saco cheio de trabalhar com essa véia. O que aconteceu em seguida foi muita sorte minha.

Num dia qualquer aí estávamos eu e a B no finzinho do nosso expediente, ela lendo seus livros e eu trollando o tuíter, quando nossa gerente chega aqui. Conversa vai conversa vem, chegamos no assunto de inverno e temperaturas.

A gorda falou uma merda qualquer sobre a superioridade do Farenheit sobre Celsius, e eu obviamente tive que interjeitar. Falei que Celsius faz mais sentido porque usa base decimal, e é adotado pelo mundo inteiro e tal.

Acreditem se puder, isso fez a mulher ESTOURAR.

Aos berros, a B falava que tava de saco cheio de eu nunca concordar com ela, e que eu também nunca prestava atenção nos problemas dela (sério, ela realmente fez essa reclamação quase maternal). Ela tava realmente berrando, eu e minha gerente apenas observávamos de olhos arregalados o completo chilique da véia.

Aí ela começou a inventar que eu era preguiçoso na loja.

Eu tava deixando passar o escândalo dela e apenas dizendo “Ok B, me desculpe, não está mais aqui quem falou, você tem razão” porque felizmente, a gerente havia presenciado a coisa do começo. Por causa disso eu não precisava nem argumentar com a louca, tava muito óbvio quem é que estava dando uma de louco.

Eu só precisava deixar a mulher esgotar a choradeira, e depois perguntar à gerente quando é que finalmente demitiriam a velha.

Mas quando ela criticou minha ética no trabalho, aí eu me revoltei. A garantia de estabilidade financeira só acontece se você leva seu trabalho a sério, e por isso eu tomo bastante cuidado pra fazer tudo direitinho aqui.

Que é um cuidado que a mulher NÃO tinha. Eu mesmo conhecia inúmeras falhas dela, que eu escondia da gerência por consideração com a velha. Ou seja, péssima estratégia a dela de direcionar a discussão pro rumo “performance no trabalho”.

Então quando ela falou aquilo eu tive que ligar o modo TROLL EXTREME 9000.

“Peraê, peraê, você tá falando do que exatamente?” a crítica dela havia sido uma vaga indireta, e eu suspeitava que ela não tinha preparado uma boa mentira pra acompanhar a calúnia. Era apenas uma questão de pressionar pra ver ela se atrapalhar pra manter a lorota.

Indisposta a responder, ela começou a berrar ainda mais alto. “TÁ VENDO ELE NUNCA ME DEIXA FALAR, CALE A BOCA IZZY, EU ESTOU FALANDO OK”

Típica saída pela tangente. Convencido de que a mulher domina retórica como uma porta, me senti mais encorajado a trola-la.

“Eu sei que você está falando B, e eu estou te dando uma chance pra falar mais ainda. Por favor, elabore essa sua acusação de que eu sou ‘preguiçoso’ aqui na loja. Certeza que a S (essa é a gerente) vai querer saber de tudo que você tem a falar”. Dito isto, fechei a tampa do laptop, cruzei os braços e encarei-a com semblante não-confrontacional, como se estivesse realmente curioso.

Não adiantou. A agulha da mulher prendeu no “EU TOU FALANDO OK SEU MAL EDUCADO, EU ESTOU FALANDO, PARE DE TENTAR FALAR NA MINHA FRENTE”.

“Por acaso sou eu que reclamo de todas as tarefas aqui da loja, ou às vezes simplesmente nem as faço, como você? Sou eu quem chega atrasado praticamente todo dia, a despeito de ter um carro? Sou eu quem costumeiramente avacalha o cashflow e obrigo meu colega de trabalho a consertar a situação? Sou eu quem varre a sujeira do chão pra baixo do tapete, ou pra áreas das prateleiras que não são facilmente vistas? Fui eu quem pegou o aspirador de pó da loja emprestado e demorou um mês pra traze-lo de volta, ou que pego dinheiro “emprestado” do caixa sem jamais consultar a gerência? É do meu mau humor que clientes volta e meia reclamam? Por favor, explique aí o que eu tou fazendo errado.”

Deu pra notar o súbito interesse da gerente no rumo que a conversa tava tomando, e ao mesmo tempo o desespero da B ao notar que ela não deveria ter emputecido quem conhece tantos podres dela.

E ela voltou a berrar, reclamando que eu não deixava ela falar. Respondi de novo que queria TANTO que ela falasse, que havia feito várias perguntas e que me manteria em silêncio até que ela as respondesse.

Quanto mais ela se descontrolava, mais dominante da situação eu me sentia. A cara da gerente não deixava dúvidas – assim como eu, ela sabia que a B havia criado um conflito sem qualquer necessidade.

A essa altura a mulher tava gritando mais alto ainda, me acusando de novo de nunca prestar atenção nos problemas dela e de sempre corrigir a grafia dela (??). Claro que a gerente estava pouco se lixando pra esse naipe de reclamação imbecil, e esse berreiro dentro da loja pegava muito mal. A S intercedeu:

“Ok B, você parece estar bem chateada, então é melhor você ir pra casa”.

A velha se descontrolou mais ainda, xingou a gerente, me xingou, e saiu. Eu olhei pra S, dei com os ombros e falei “vai ver ela não tomou os remédios dela hoje, sei lá”.

A velha ligou pra cá minutos mais tarde, pra tentar fazer minha caveira com a gerente. Não adiantou. Ter suas sujeiras expostas, somado à reclamações dos clientes e o fato de que ela xingou a gerente na cara dura acabaram falando mais alto.

Só pude ouvir um lado da conversa, mas deu pra notar que ela estava tentando me incriminar, e a S não estava engolindo. Depois de ser xingada pela velha por simplesmente tentar mediar a situação, é óbvio que ela estava do meu lado.

No dia seguinte a mulher não trabalhava mais aqui. Apesar de isso significa que eu tenho muito mais trabalho (tarefas que antes eram divididas entre os dois ficam apenas sob minha responsabilidade agora), não ter aquela velha coroca amarga e metida a intelectual é um alívio.

Por exemplo, não preciso mais ir ao banheiro pra soltar um daqueles peidos que saem rasgando a cueca.

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107 Comentários \o/

  1. Amanda disse:

    Fala a verdade kid, vc ta vindo pro Brasil pra fugir dela ne? xP

  2. xiska disse:

    um ataque desses não é tão incomum num meio de pessoas que tem um gosto abundante por anfetaminas variadas. até me pareceu normal hahaha

  3. carol animaker disse:

    Eu cheguei a ficar com dó da mulher.

    Quanta gentileza. Segurar um peido que rasga a cueca na frente de uma gorda neorótica é uma atitude digna de um lord.

  4. Caio Felipe disse:

    Não sei oque é pior, ter um emprego estranho desse, ou aturar uma segunda sogra hahahhahaha

    Veja pelo lado positivo, podem por uma gostosa para trabalhar no lugar dela .)

  5. Heduard disse:

    Gooostei do finaal, só isso xD

  6. Cesar disse:

    Noss q veia doida kkkkkkkkkk
    Bom q abriu uma vaga ai se eu não tivesse indo
    pra otro pais eu ia pro canada kkkkkk

  7. Luiz SF disse:

    Essa B, é a mesma que ajudou você a perseguir o crackhead ladrão de vibradores?