Esse é o meu HP 210 mini (ou HP Mini 210, não lembro. Fiz aviãozinhos de papel com o manual e queimei a caixa do computador), meu netbook de estimação. Ganhei-o da gerência quando minha loja foi assaltada e os meliantes subtrairam meu netbook mais antigo – essencialmente, eu LUCREI com o roubo.
Uso-o pra atualizar o HBD, assistir vídeos engraçados, jogar uma miríade de emuladores e abandonwares, e fazer trabalhos do meu curso. 99% do tempo, faço tudo isso aqui, na loja onde trabalho.
Bons tempos. A partir de semana que vem, não poderei mais usa-lo aqui na loja. E tudo por causa duma funcionária folgada que, a bem da verdade, deveria ter sido demitida há muito tempo.
Há aqui uma garota chamada K, pra manter a tradição de nomear colegas de trabalho apenas pela inicial. A K foi contratada mais ou menos uma semana depois de mim, o que em teoria deveria significar que ela tem o mesmo nível de domínio das funções aqui da loja.
Ledo engano. A menina é obscenamente incompetente – costumeiramente causa prejuízo por dar troco errado, já tomou bronca séria por mentir sobre ter executado uma tarefa, recebeu inúmeras reclamações de clientes por mau tino social, já levou muita mijada por não limpar o espaço em que guarda o almoço, e frequentemente comete o pecado cardinal de não arrumar a loja antes de passar o expediente pra gente, a galera do turno corujão madruguístico.
Pra você ter uma idéia, nas ocasiões em que a chefia viaja e precisa deixar alguém com as chaves do escritório, eles dão a chave a mim. Teoricamente, eles deveriam dar a chave pra turma do turno da tarde, que é o horário de mais movimento e que acaba gerando situações que requerem uma ida ao escritório (papelada de inventório – ou é inventário? -, trocar cédulas grandes, etc).
O turno da madrugada é deserto, mas eles preferem deixar a chave comigo, do que com os mongóis do turno vespertino – dentre os quais, a K é a mais experiente. Daí tu tira o nível do resto da galera.
Pois bem. A K tem a má fama de ser muito desleixada, frequentemente comentendo o supracitado vacilo de deixar a loja uma bagunça foda antes de ir embora. Este vacilo é crítico porque ele é notado por (e provoca irritação em) MIM, justamente alguém que tem mais moral com a gerência do que ela.
E quando a direção das reclamações é funcionário considerado -> funcionário vagabundo, é fácil concluir que partido a gerência tomará.
Nos últimos dias, como expliquei, estou treinando meu substituto pros turnos da madrugada, o Piloto Chato. Minha ida pro turno da tarde, eu fiquei sabendo ontem, alegra a gerência justamente pelo fato de que eles estão esperando que eu vigie e esculache a folgada da K conforme necessário, algo que eu prefiro não ter que fazer porque geraria inevitavelmente um clima desagradável, mas eu divago.
A K aparentemente tem tomado vantagem do fato de que temos um trainee pra ser mais desleixada do que de costume. No sábado ela não retornou às prateleiras NENHUM filme que havia sido devolvido naquele dia, deixando uma pilha de mais de 60 DVDs em cima do balcão com a justificativa de que “dessa forma o Piloto aprende a retornar os filmes!”
Tudo em que não é algo que nos custe horas de trabalho extra, mas é uma questão de princípio. É sacanagem deixar seu trabalho pros outros, e ainda por cima ser tão cara de pau em relação a isso. Mas eu deixei passar.
Vacilo. No domingo, aparentemente encorajada pela minha falta de atitude com a vagabundagem do dia anterior, ela chutou o pau da barraca. A loja estava em completa desordem – tinha caixa de DVD no CHÃO até, algo inadmissível quando a política de fim de expediente é justamente organizar toda a loja pra passa-la pra turma do turno seguinte.
Não bastasse isso, ela foi embora assim que eu cheguei na loja, 25 minutos antes do real final do expediente dela (eu tenho o costume de chegar bem cedo pros meus turnos. Por que você acha que sou queridinho da chefia?). E pra piorar, domingo é caracteristicamente nosso dia mais devagar pra negócios. Ela não tinha nem a desculpa de que alta frequência de clientes não a permitiu deixar a loja em melhores condições.
Ou seja, num dia de pouquíssimo movimento ela deixa a loja em completa bagunça e ainda por cima sai mais cedo. Já é o suficiente pra levar uma mijada foda da gerência caso eles tivessem lavrado o flagrante ao invés de mim. E o realmente pior vem agora.
Quando eu cheguei na loja, ela estava sentada ao balcão assistindo Reservoir Dogs num DVD player portátil. Porra, se a loja tá vazia, seu turno nem acabou ainda e você tem tempo de ficar sentada assistindo filme, qual é a desculpa pra condição em que você deixou a loja?!
Agora, eu SEI que alguns de vocês devem estar pensando “mas Quide seu hipócrita dos infernos, você passa o expediente inteiro no iPad/iPhone/netbook!”. Sim, é verdade. E eu faço isso no período de “downtime”, ou seja, quando TODAS as tarefas na loja foram executadas e não há mais absolutamente NADA pra fazer.
Aliás, meu expediente termina às 7 e eu raramente saio daqui antes de 7:10; uso esses últimos dez minutos pra fazer uma super-inspeção pra me assegurar de que a loja está no melhor estado possível. Minha filosofia de trabalho é “nunca dê um motivo sequer pra alguém reclamar de você”.
Então, eu fiquei puto com a cara de pau da menina, e o Piloto ficou MAIS AINDA. Afinal, eu tou saindo desse expediente em breve, é ELE que terá que lidar com a folgadice dela.
Por isso, eu estava disposto a ficar calado. Afinal, trabalhando durante a tarde eu terei alguns turnos com ela, e seria um climão foda se eu caguetar a menina e tiver que trabalhar com ela logo em seguida. E como em breve a folgadice dela não me causará mais tanta chateação (assim espero), eu ia deixar passar.
O Piloto, por outro lado, tava furioso e xisnoveou a menina assim que a gerência apareceu, às 7 horas, no final do nosso turno. Eu tava no meio da minha última inspeção da loja e ouvi o cara caguetando a menina. Meu sentido aranha disparou. “Isso vai dar merda”.
Como eu tenho mais conceito que o novato, a gerente se virou pra mim e falou “Izzy, confere isso aí?”. Eu não podia fazer o companheiro pagar por mentiroso pra encobrir o vacilo da vagabunda, então tive que confirmar tudo. E pensando “VAI DAR, INDUBITAVELMENTE, UMA BELA MERDA”.
A gerente ficou nitidamente puta com mais essa reclamação da K e anotou um memorando rápido com os detalhes do nosso relato (a menina assistindo filme, caixa de DVD caída no chão, etc), faxeou pro outro gerente, e falou que resolveria isso sem falta.
E fui pra casa, pensando “NÃO HÁ NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA RESULTANTE DOS EVENTOS QUE ACABARAM DE ACONTECER QUE NÃO PRODUZA RETUMBANTE MERDA”.
A essa altura eu havia me arrependido de ter feito qualquer comentário sobre a K com o Piloto, porque eu já começava a sentir que era minha culpa ele ter se incomodado tanto com a situação.
Na manhã seguinte havia uma mensagem da gerente na minha caixa postal. Liguei de volta e ela explicou que iria falar com a K que ela não teria mais permissão de usar nenhum eletrônico na loja (um privilégio que os funcionários aqui conquistam aos poucos), que ela seria demitida sumariamente se mais uma vez saísse da loja antes do final do turno dela, e que eu seria o supervisor direto dela a partir da semana que vem.
Até aí tudo bem. Aí veio a bomba.
A gerente me pediu (com um tom que deixou claro que ela não exatamente queria ter que dar esta ordem) que eu evitasse usar meu computador quando trabalhasse com ela, pra 1) liderar por exemplo e 2) não gerar antipatia ou sentimentos de favoritismo.
Engoli em seco e fui obrigado a falar “ok, sem problema” por dois motivos: sendo o uso do computador um privilégio e não um direito, eu não podia exatamente chiar muito ou pegaria mal, e nenhuma gerência não gosta de funcionário reclamão e que fica fazendo muitas exigências. Em certas ocasiões é preciso acatar a decisão dos manda-chuva, e creio eu ser esta uma delas. Não é boa idéia provocar atrito contra as pessoas que têm o poder de remove-lo.
Eu percebi que a minha chefe tava um tanto insatisfeita de ter que me punir junto com a funcionária folgada. Sem que eu pedisse qualquer tipo de corolário à nova regra, ela esclareceu que eu continuo podendo usar o computador sem problema caso esteja fazendo algo relevante ao meu curso, ou nos dias em que trabalharei sozinho. Só na frente da vadia é que eu devo evitar o lazer eletrônico.
Agradecei a concessão e desliguei o telefone. Só que aí veio a dúvida – todos os meus livros e revistas em quadrinho – materiais liberados pra apreciação durante o trampo aqui – estão no iPad (que é, tecnicamente, um computador). E agora?
Tive que quebrar meu próprio protocolo. Liguei de volta pra patroa e expliquei a situação do iPad. Ela falou que não havia problema com o tablet, e ela ainda adicionou que iria deixar claro pra K que ELA estava sendo punida, e não o resto da loja.
E aí estou. Apesar da gerência ter deixado implícito que farão vista grossa pra mim, eu sou que nem o Robocop com suas diretrizes – não dar motivos pra reclamação é uma doutrina muito forte pra mim. Calculo que, pra evitar qualquer coisa, é melhor limitar ao mínimo possível o uso do computador e do celular no trabalho daqui em diante, o que é uma merda porque são justamente esses pequenos privilégios que fazem meu expediente parecer bem mais rápido do que realmente é.
Aliás, por que vocês acham que eu tenho mais de 110 mil tweets?
Agora é esperar que essa menina acabe sendo demitida por incompetência, ao ponto em que eu presumivelmente recuperarei meus privilégios perdidos.
Que merda. Pior que eu sei que teria o poder de influenciar a gerência pra demitir a menina, agora que trabalharei com ela e estarei ciente de demais cagadas que ela faz por aqui, mas tenho pena da coitada.





vc disse que a menina seria demitida na primeira saida foda da hora. deda logo e corre pro abraço!
Relaxa Kid, peixe morre pela boca, se ela fez isso e já vem levando fumo, logo logo solta outra e pronto, tudo volta a “normalidade”.
E meu chefe me proibiu de ouvir música porque o estagiário estava ouvindo muito alto.
Comofas~/
Como o @Bixu_Lezadu disse lá em cima, ela deve ter de 1 a 3 três meses.. Você nem precisa mexer os pauzinho ou se preocupar com seus queridos fãs, essa dona K ainda vai nos render boas historias… hehehe ^^
[...] não é que eu acabei me desvencilhando daquela funcionária folgada? Trabalhei um dia com ela em que a desgraçada delegou a mim uma tarefa que demoraria o dia inteiro [...]
essa é provavelmente a maior loja de artigos adultos de todo o país de calgary, quissá do continente norte-canadense, btw agora que vc é gerente de mais de 20 funcionários … junte dinheiro e abra uma rede de fast-porn … abs