
Um dos piores aspectos do trabalho com “customer service” (ou seja, servir algum tipo de freguesia – restaurante, loja de roupas, parque de diversões, prostíbulo) é o próprio freguês. E a culpa disso, obviamente, é a máxima ”o cliente tem sempre razão” .
Quando inventaram essa expressão, tenho certeza que não imaginavam o sofrimento que seguiria.
Pra surpresa de muitos, “o cliente tem sempre razão” não é na verdade uma frase literal. Muitos de nós que trabalhamos nessa área conhecem isso em primeira mão, aliás.
A verdade é que o cliente quase nunca tem razão, e olha lá se algum dia teve. Seja lá qual o motivo pelo qual ele quer um desconto, uma refeição grátis ou uma explicação a respeito de certas políticas da loja, não importa – ele está errado.
Sempre. Por default. O teste pra definir o certo ou errado numa loja é o seguinte – você está do lado de fora do balcão? Sim? Você está errado então.
Ao contrário do que o cliente pensa, o ditado popular não significa exatamente o que ele diz. A verdade está nas entrelinhas – a frase é apenas um guia pra nós atrás do balcão, uma mensagem em código que significa “não discuta com o freguês, arrume uma solução mutuamente satisfatória. É melhor do que você ownar o desgraçado, e em seguida receber uma bronca do chefe porque alguém reclamou do seu comportamento”.
E acredite, seu chefe SABE que o cliente tá errado. Mas diante uma reclamação formal a respeito de um empregado, suas mãos estão atadas. Ele tem que dar a razão pro cliente, porque senão o superior dele acabará descobrindo.
Mas como o chefe do seu chefe ficará sabendo, você me pergunta? É simples – fregueses putinhos não têm muito o que fazer nem valorizam seu tempo, já vi casos de nego ficar em espera por quase uma hora no telefone com o departamento regional de um fast food qualquer só pra reclamar que colocaram 3 cubos de gelo no refrigerante dele ao invés de 4.
E aí dá merda pra você E pro seu gerente. E adivinha quem vai ser punido de forma mais severa?
Já trampei no tipo de área que requer que você ouça reclamações imbecis de clientes (quem não, né?), e eu tinha receio que aqui a coisa seria similar.
Nope. Não sei exatamente por que, mas a política aqui em relação ao tratamento do cliente vai contra a maré convencional.
Não é que a gente se esforce pra ser escroto, não é isso – a questão é que quando o freguês está errado sobre uma das nossas políticas, não há reza nem choro que nos faça reconsiderar a posição. E no momento que o cliente esboça insatisfação por meio de comportamento rude, é pé na bunda imediatamente.
E a política que causa mais consternação é a de devoluções. Ou melhor, a falta dela.
Por motivos completamente óbvios pra qualquer pessoa com mais de 3 neurônios, nenhum objeto vendido em uma sexshop (com a exceção de DVDs) está coberto por uma garantia de devolução. Apesar disso, quase diariamente alguém aparece pra reclamar que um vibrador quebrou após algumas semanas, ou o lubrificante com sabor de morango tinha cheiro de banana, cor de uva e gosto de tamarindo.
Ontem um senhor baixinho e meio mal-encarado entrou aqui na loja com uma sacola preta na mão. Em todas as ocasiões que alguém volta à loja com uma das nossas sacolas, eu já sei que o infeliz quer trocar ou devolver algo. E me preparo pro diálogo ensaiado.
“Olhe isso aqui” diz o homem, puxando um vibrador do saco. Antes mesmo que ele termine de sacar o consolo da sacola, eu o impeço.
“Opa, isso é um vibrador? Você comprou aqui? Pode deixar na sacola mesmo. Qual o problema?” eu pergunto na curiosidade. A maioria dos outros funcionários já vai falando que não aceitamos devoluções pra tornar a conversa mais curta.
“Não, mas eu quero que você veja qual foi o problema, olha aqui na parte de baix…” o homem coloca o vibrador em cima do balcão, pro meu horror.
A paciência começa a se exaurir lentamente, tal qual o efeito da estrela em Super Mario World.
“Camarada, no dia que eu for no seu trabalho e colocar uma cueca suja na tua mesa, você entenderá porque estou te pedindo pra colocar seu vibrador de volta no saco” falei sorrindo, que é pra não ficar parecendo que era confronto direto. Soou mais como piada.
O cara suspira e joga o consolo de volta no saco. Ele mete a mão lá dentro, remexe e produz uma peça plástica.
“Tá vendo isso aí, é a pecinha que segura as pilhas. Eu fui atarrachar o negócio e ele quebrou!” justificou o homem, segurando entre o dedo indicador e o polegar a peça que eu não faria a menor questão de inspecionar.
“Tô vendo” eu não estava “eu entendo o problema, mas o negócio é que – como o senhor deve entender -, não aceitamos produtos de volta”.
Atrás de mim a K, a novata, tomava notas mentais do que eu estava fazendo. Creio que ela ainda não teve que lidar com um cliente desse tipo.
Ao ver que seu pedido pela substituição do vibrador danificado foi prontamente recusado, o cara começou a se estressar. Com as duas mãos no balcão, ele vociferou:
“COMO ASSIM NÃO POSSO?! Isso é um absurdo! Eu comprei isso aqui não faz nem uma semana, e a porcaria da pecinha de baixo quebrou. Vou fazer o que, passar durex nessa porra?”
Ele estava falando alto e gesticulando com animosidade, o que era exatamente o que eu queria. Mesmo que ele conseguisse convencer a gerência de que havia sido mal-tratado sem motivo (o que eles não acreditariam, especialmente porque eu tenho a maior fama de gente boa aqui), as câmeras de segurança da loja corroborariam minha versão dos fatos. Olhei o saco por cima, com teatral desinteresse.
“É uma boa idéia” eu disse, com tom monótono e distraído e pra fechar o insulto, “tem que ver que esses modelos baratinhos não são lá essas coisas todas, né”
“COMO ASSIM BARATINHO? ISSO AQUI CUSTOU 30 DÓLARES RAPAZ.”
“Então, esse é o ‘budget model’” eu disse com desdém. ”Budget model” seria algo como “versão baratinha pra fodidos com orçamento limitado”.
Aí o cara se espevitou. Eu havia obviamente tocado num nervo.
“Tou pouco me lixando pro preço, cara. Tenho mais de 10 mil dólares na minha conta! Isso aqui é uma questão de… de princpípio. De princípio! Vocês me venderam o negócio quebrado e agora…”
“Mas você falou que quebrou quando foi atarrachar a tampinha”. Whoops. O cara gaguejou. Antes mesmo que ele pudesse se recuperar da rasteira, tive uma idéia brilhante.
“Xeu ver o recibo aí.”
O cara fez um movimento como se estivesse rasgando um papel invisível. “Eu sempre rasgo esses recibos, cara. Ninguém guarda isso!”
Xeque-mate. “Bom, como é que eu vou saber que você sequer comprou isso aqui?”
O chegado encrespou de vez.
“Tá me chamando de mentiroso cara?”
“Eu? Eu não” falei. “Tou apenas te explicando que não aceitamos devoluções, e adicionando que mesmo que aceitássemos, como poderíamos fazer isso sem um recibo?”
O cara perdeu as estribeiras.
“Olhaqui moleque” o dedo indicador subiu, apontado pra mim “Você tá de palhaçada comigo. Quando eu compro uma furadeira no Home Depot, se esssa porra estiver quebrada, eu volto lá e eles me dão uma nova. Isso se chama ‘bom serviço ao consumidor’, tá bom?!”
Ahhhhhhh, senti o gostinho da vitória na boca. Quando descobrem que não fazemos qualquer tipo de devolução, os clientes mais burrinhos traçam paralelos entre a nossa loja e qualquer outro estabelecimento onde eles fizeram devoluções bem sucedidas.
A jumentice inerente a este pseudo-argumento, pelo que me parece, escapa a maioria das pessoa. É nessa hora que posso dar o golpe de misericórdia.
“Veja bem, meu amigo. Faz um tempo que eu não vou no Home Depot, mas eu lembro que nenhum produto vendido lá é comum ou voluntariamente inserido nos orifícios dos fregueses. Essa é a diferença básica entre a nossa loja e a deles, o que os permite o luxo de pegar produtos de volta”.
O cara parou de chilicar por um segundo, procurando um contra-argumento. Não achou. Pela sua cara, notava-se que a ficha havia acabado de cair e ele finalmente entendeu o motivo por trás da política de não-devolução.
Não querendo ceder, ele pediu o número e o nome da minha gerente, que eu dei de bom grado. Minha gerente odeia clientes burros e abusados mais do que qualquer outra coisa, eu sabia que no dia seguinte ouviria uma boa anedota sobre o cara.
E não deu outra. Ela me contou que o sujeitinho ligou e falou que eu havia sido muito mal educado e que não quis ajuda-lo. Aparentemente ele usou a lógica da furadeira pra cima dela também.
Ela respondeu sem titubear que da próxima vez que quisesse enfiar algo no cu, voltasse à Home Depot. E desligou na cara dele.
Eu adoro meu emprego.






Com alguns golpes em pontos estratégicos você conseguiu detonar todos os argumentos dele.
Mandou muito bem!!!!
Concordo com o Cristiano nessa ai.
killclients, não seja tão frustrado com a própria vida. Tente não descontar nos seus clientes se teu cérebro defeituoso não te deu oportunidade de fazer algo que vc goste mais. Isso pode ajudar a reverter a tragédia que deve ser sua capacidade como vendedor. Desse jeito vc acaba morrendo na mesma atividade desprazerosa que faz agora. Não vê que essa sua raivinha só faz mal pra vc? Que formar clientela é diferente de fazer venda? Como vc acha que as franquias mais bem sucedidas do mundo se estabeleceram? Como vc acha que seu chefe se estabeleceu?
E pode deixar, o Kid não morre quando alguém discorda dele. Quem tem um mínimo de segurança nas próprias idéias não se ofende tanto por causa de um ponto de vista diferente. Ainda mais se esse ponto de vista veio de alguém que valoriza a opinião do cara a ponto de postar aqui. (como eu)
OBS: Favor me desconsiderar se vc tem 14 anos.
OBS2: Fluoxetina é ótimo pra tratar transtornos de agressividade (inclusive TPM). Converse seu ginecologista.
O Raph4 é tão retardado que baseia todo o argumento dele na premissa de que no BRASIL há uma lei que defenda consumidores, esquecendo do fato óbvio de que eu não moro aí. Duh.
A política da loja é – não fazemos devoluções. Ponto final. Nem que eu QUISESSE ajudar o cara, poderia – estaria indo contra a política da loja.
Essa política é muito pública, aliás – ela está estampada em vários locais da loja, (na porta, no balcão, e nas prateleiras) e impressa no recibo. Não gosta dessa política? Vá em outra sex shop. Oh wait – essa política se aplica a todas elas. Por motivos que qualquer pessoa com um grama de massa cinzenta, objetos de uso íntimo não podem ser devolvido. Se você duvida, por favor, vá à uma farmácia aí no seu bairro com uma camisinha usada dentro de um saco de papel e explique que exige que te dêem uma nova porque você a danificou durante o uso.
Ah, tem este outro detalhe – se o produto saiu da loja danificado (impossível, pois fazemos inspeção de cada produto justamente pra não justificar uma devolução), aí sim, o cliente teria razão. Entretanto, por admissão própria, o cara quebrou a porra do vibrador.
Comparar devolver um MacBook com devolver um vibrador é, de longe, o maior disparate do “argumento”. Sim, são obviamente aparelhos equivalentes e sujeitos à mesma política de devolução. Te garanto que se eu chegasse na Best Buy com o MacBook faltando teclas ou com a tela quebrada, a conversa seria bem diferente.
A qualquer outro imbecil que faça a analogia com o MacBook – devolvi o computador (que NÃO É UM APARELHO DE USO ÍNTIMO) dentro do período da política de devolução da loja, e em perfeitas condições, dentro da caixa, mediante a apresentação do recibo). O sujeito trouxe um vibrador usado, quebrado, sem caixa, sem recibo (ou seja, ele sequer pode provar que comprou na minha loja), sendo que não há política de devoluções pra objetos de uso sexual.
Se você acha que os casos são equivalentes, você é uma anta.
Aliás, a ignorância com a qual você tece seus pressupostos (como se estivesse coberto de propriedade) é hilária. Como assim “bastava checar os registros da loja”? Você acha mesmo que eu, olhando um vibrador usado fora da caixa e sem o recibo, seria capaz de achar a transação no sistema…?
E EU não entendo de gestão? Apenas lulzleio perante sua ignorância.
POR DEUS! POR DEUS! APRESENTEM ESSE VÍDEO AO IZZY. ELE SABE COMO NINGUÉM OPINIAR SOBRE BLOGOSFERA NA ESFERA DOS DIREITOS DE EXPRESSAO. JURO QUE TIVE MEDO DO MEU PAÍS QUANDO VI ESSE A-B-S-U-R-D-O. PRISÃO PRA ESSE APRESENTADORRR CRIMINOSO QUE AMEAÇA, DENIGRE E CALUNIA UM BLOGUEIRO NO AR!!http://www.youtube.com/watch?v=vW8SCq_F2lc
Nunca mais compro nada em formato fálico no Home Depot. ¦-]
Izzy vc já pode ser advogado e sua gerente é foda! Parabéns
Amigo Izzy, será que essa furadeira eles vão trocar no Home Depot?
Segue o vídeo para download:
http://www.megaupload.com/?d=YEXGWU10
Contos da Porn Shop sempre é aventura ou Pwnage, por isso são excelentes
Pode-se sugerir pro cliente insastisfeito de ele mandar vir um dos ovos de Páscoa da Garoto desse ano. Mais especificamente o Baton: http://www.youtube.com/watch?v=UGbi9loKEDo
=D
Kid viado, vai morrer com o vibrador usado do cliente socado no meio do cu.
Preza. Fazemos o mesmo por aqui.
Porra, nem precisa ir muito longe, qualquer loja de roupas aqui do Brasil como Renner, C&A e etc, não permitem a troca de roupas íntimas como cuecas, calcinhas….
No provador está sempre escrito “não é permitido provar peças intimas” e no balcão “nao aceitamos trocas de roupas íntimas”
Imagina trocar um Vibrador então? Pqp…
Po, devolver uma coisa que você comprou quebrada, eu acho válido, mas não um vibrador, que não é o tipo de produto que dá pra esterelizar, colocar de volta na embalagem e vender de novo. E que colasse com durex mesmo, não é como se a parada fosse parar de funcionar só pq quebrou a capinha da bateria.
Tinha uma cliente 01 acessando em minha lan house a impressora da lan é ligada em rede, a cliente 01 mando uma impressão, fico a impressão dela na impressora, veio uma cliente 02 manda imprimir tb, a impressão da cliente 02 fico em cima da impressão da cliente 01, ai a cliente 02 saiu primeiro pego a impressão e junto levo tb a impressão da cliente 01 sem ver.
Ai meu filho a cliente 01 quando termino se manifesto quando não viu a impressão dela e tome a esculhambar, dentro da lan. Queria saber se ela tem direito de fazer isso e qual os meus direitos. Fico grato a quem mim responter.
Mano, eu atendo no PROCON. Sei exatamente quão obtuso é o consumidor médio.
Sou lojista e sei como é aturar os malas que acham que podem tudo. Não é a toa que somos um pais de terceiro mundo e sempre ficaremos assim. Direitos sao iguais para todos, mas aqui no Brasil so o cliente tem razao. Não conseguem perceber que pagam mais caro por uma ignorancia dessas. Isso é a mesma coisa que pagar meia entrada no cinema. Eu que não sou estudante sou obrigado a pagar mais caro por esses idiotas. Lamentavel
“Camarada, no dia que eu for no seu trabalho e colocar uma cueca suja na tua mesa, você entenderá porque estou te pedindo pra colocar seu vibrador de volta no saco” GÊNIO!!
“Ela respondeu sem titubear que da próxima vez que quisesse enfiar algo no cu, voltasse à Home Depot. E desligou na cara dele.
Eu adoro meu emprego.”
HAAHAHAHAH Adorei, Kid!
Ganhei meu dia!
valeu, macho!