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Retrofuturismo, ou como a galera do passado achava que o futuro seria

Postado em 9 September 2012 Escrito por Izzy Nobre 41 Comentários

Ô, tu já ouviu falar em retrofuturismo?

Retrofuturismo era uma vertente artística pré-contemporânea que tentava imaginar como o futuro seria. Ou seja, desenhos de décadas passadas de como eles achavam que o mítico ANO DOIS MIL seria.

Essa arte não é exclusivamente específica ao ano 2000 “em ponto”, mas você sabe como temos um certo fetiche por anos redondinhos, né? Geralmente o ano 2000 era o alvo dos artistas. Ninguém imaginava como o ano 2003 seria.

Lá pelo finalzinho do século XIX/começo do século XX, uma cambada de artistas franceses produziu um monte de imagens desse estilo pra pôr em caixas de cigarros lá na terra deles. Olha como eles achavam que o ano 2000 seria:

A aviação começava a aparecer naquela época, e os malucos já achavam que em breve ela dominaria nossa vida. Eles acertaram e erraram ao mesmo tempo, porque 100 anos depois ainda não temos os tão sonhados carros voadores que eles já imaginavam.

(Nem policiais alados, mas talvez seja melhor assim)

Eu acho essas ilustrações foda pra caralho. Elas nos dão um pequeno insight sobre como a galera daquela época imaginava o rumo que a tecnologia tomaria — e é engraçado o quão errado eles estavam, ou quão presos aos paradigmas da época eles invariavelmente eram. Por exemplo, nos desenhos os bonequinhos SEMPRE usam a moda da época. Eles aparentemente não conseguiam imaginar outro tipo de vestuário!

Outro exemplo (as imagens todas estão aqui, caso vocês queiram debater nos comentários as que eu não linkei aqui):

DAT MEIÃO COBRINDO A CANELA TODA

Nessa ilustração, o artista visualizou um futuro em que você joga livros numa máquina, e ela transporta a informação pra cabeça da meninada através de uns headphones de operador de sonar. Ainda não chegamos lá.

Esta aqui eu achei curiosa porque o conceito não apenas é viável como é praticado atualmente:

Isso aí é uma casa de veraneio sobre rodas. O artista imagina que pessoas ricas teriam casas móveis que eles poderiam levar por aí pra viajar e tal. O que, como você evidentemente sabe, já existe (e nem é exatamente aquela coisa SUPERFUTURÍSTICA né?).

Lá pelos anos 40-50 o retrofuturismo bombou, alimentado por literatura e cinematografia de ficção científica. Esse período rendeu imagens como esta:

Tente identificar o que essa imagem tem em comum com esta aqui:

Ou esta aqui:

Notou o que há de comum nas três ilustrações? A presença de rodovias (particularmente suspensas) que os gringos chamam de highways ou freeways. E sabe por que usavam esse tipo de estrutura em imagens pra simbolizar o futuro?

Olha como é interessante. Lá por volta do meio do século XX, duas coisas aconteceram simultaneamente: carros começaram a se popularizar, e a população e os centros urbanos começaram a se expandir (em parte por causa da explosão de natalidade conhecida como baby boom). Durante essa época, cidades começaram a se expandir, gerando a cultura dos subúrbios.

Agora, é importante entender que SUBÚRBIO na gringa tem um contexto cultural 100% diferente do que a gente compreende como brasileiros. Aqui fora, o subúrbio são simplesmente áreas relativamente afastadas do centro da cidade, e que são mais apropriados pra habitação familiar. Não existe o contexto de pobreza que nós temos (aliás, é justamente o contrário; morar no típico subúrbio pacato é um símbolo americano de sucesso; faz parte do “american dream”).

Então. Com a explosão de população, os subúrbios começaram a pipocar ao redor das cidades, tornando-as maiores. E com cidades maiores, carros foram se popularizando. E com mais carros nas ruas, estradas com múltiplas faixas e limites de velocidades mais altos tornaram-se necessárias.

Quando o governo precisava vender pra população a necessidade de construir as tais highways, eles tentavam dar essa idéia que esse é o “futuro”. As cidades tão ficando grandes mesmo, o estilo de vida norte-americano está mudando, o negócio mesmo é ir pros subúrbios em mega-estradas! Essa era a idéia que eles vendiam pra população. Avanço = subúrbios = mais carros = maiores estradas. Tá sacando o negócio?

Vemos um pequeno exemplo disso em De Volta para o Futuro, aliás. Lembra quando o Marty volta pra 1955 e, meio desnorteado, tenta ir pro bairro dele? Ele encontra no lugar apenas um lote ainda em construção (ou seja, o subúrbio dele nem existia ainda; a cena reflete que esse conceito é relativamente recente mesmo).

E lembra do que a placa dizia?

O filme tá errado mas foda-se, a placa é a mesma

A placa diz “LIVE IN THE HOME OF TOMORROW, TODAY”.

Agora pare e pense um pouco em tudo que escrevi até agora nesta merda de site que sinceramente nem eu gosto. Esse slogan não é um simples trocadilho barato com o nome e o tema do filme, não. Essa placa serviu pra encapsular todo o zeitgeist da época.

O sentimento naquela década é que esse era realmente o “way of the future”; era assim inclusive que imobiliárias vendiam as não-atraentes casas nas áreas que viriam a se tornar os subúrbios 10 ou 20 anos mais tarde.

E digo “não-atraentes” porque, se você lembra dessa cena em BTTF, a parada era no meio do NADA.

A arte da placa, inclusive, reflete os elementos clássicos das pinturas do Norman Rockwell, que é considerado O artista desse período. Os temas das artes dele era a glorificação do estilo de vida norte-americano (especialmente o que era trivial e caracterítico da época, olhaí). Por isso, o estilo dele se tornou bastante característico de toda essa era. Quando alguém quer simular arte desse período, eles simplesmente tentam emular os traços e a cor do Rockwell.

É por causa disso tudo que aquelas duas imagens retrofuturística mostram as highways. Nessa época, as highways/freeways foram vendidas ao público como um sinal do progresso, do futuro. E a galera passou a imaginar que, se essas porras são um prenúncio do futuro, no ano 2000 essas porras vão estar por toda parte!

Nesse ponto eles meio que acertaram.

Sabe que outro filme que fala um pouco sobre esse esquema da expansão urbana? Parece zoeira, mas Uma Cilada pra Roger Rabbit. target=”_blank”>Nesta cena, o vilão (que é justamente o Doutor Brown!) revela que a motivação por trás de toda a parada é que ele queria construir freeways.

E a caracterização dele como vilão é justamente porque teve quem achasse que isso ia destruir os valores da época, acabar com empregos, e expandir as cidades de forma negativa.

Essa volta inteira foi pra explicar pra você por que a turma dos anos 40 e 50 viam essas rodovias imensas como um sinal de que o futuro estava chegando. Nesse aspecto, elas eram os smartphones com conexão à internet da época. Eram o artefato recém-chegado que faziam os entusiastas dizerem “nossa, que época maravilhosa essa que vivemos!”.

Reassista a cena e você verá que assim que o Judge Doom fala sobre freeways, o que ele começa a descrever logo em seguida? A visão dele pro futuro (que era, diga-se de passagem, humorísticamente e precisamente correta). Tá compreendendo melhor a parada?

Highways = futuro. Por isso elas eram presença constante em artes retrofuturistas. A propósito, o fato de que eu explico 3 vezes a mesma coisa é o motivo pelo qual eu só tirava nota baixa em redação na escola.

Por outro lado, a julgar por alguns comentários que recebo, às vezes penso que eu devia explicar a mesma coisa é DEZ vezes, porque alguns de vocês meio que precisam, ein.

Sabe o que isso tudo me faz pensar? Pegue as nossas atuais representações do futuro. Os filmes com interfaces holográficas, andróides, essas coisas. Será que daqui 100 anos essas ilustrações parecerão hilariamente datadas…?

(Sim, eu sou meio fissurado pelo “american way of life” dos anos 50, o espírito americana, Norman Rockwell, “white picket fence”, essas porras todas. Talvez eu escreva mais sobre isso no futuro, porque o folclore popular americano é muito rico — ao contrário do que nossos professores de história e geografia nos anos 90, tudo com inclinações meio marxistas, gostavam de dizer sobre os EUA)

[ Update ] Olha o que o broder Marcus Cabral me mandou no tuiter:

FODA.

Agora diz aí, quantos vocês acabaram de descobrir que aquele álbum clássico do Offspring não tinha título em português como vocês achavam inicialmente?

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comments

Categorias: Dossiê HBD

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

41 Comentários \o/

  1. Carlos Massa says:

    É verdade que aí não precisam de muros com caco de vidro e janelas com grades porque a polícia não é preguiçosa, incompetente ou corrupta?

    Sei que crimes também acontecem aí, mas é a baixa porcentagem que afeta o comportamento da população?

  2. Brunohe says:

    Legal é q ninguém do passado seguer conseguiu imaginar q a humanidade criaria um negócio tão maravilhoso chamado internerds.

    Texto legal Kid.

      • Brunohe says:

        Caralhinhos me arrombem

        • Gustavo says:

          O Arthur C. Clarke também: rel="nofollow">

          • vinicius melo says:

            Pelo que li sobre eles e pelo que li sobre redes de computadores acho que eles não “adivinharam” sobre a internet assim do nada por exemplo, Arthur C. Clarke desenvolveu o conceito de satélite geoestacionário como futura ferramenta para desenvolver as telecomunicações e o conceito de redes de computadores veio dos anos 40 e a em 1969, a Universidade da Califórnia em Los Angeles, SRI (em Stanford), a Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e a Universidade de Utah foram conectadas com o início da rede ARPANET usando circuitos de 50 kbits/s. Já se iniciava a interconexão de redes, eu não quero diminuir as contribuições deles só acho que eles já deveriam saber sobre isso e com a visão e imaginação extraordinária que eles tinham saberiam que essa tecnologia iria ser massificada. E voces o que acham?

  3. @GM_Bermeo says:

    Vale lembrar que o motivo da terra ser destruida no Guia do Mochileiro das Galáxias é pra construir uma highway/freeway, ou seja, uma sátira ainda maior com essa coisa de retrofuturismo de raças evoluidas xD
    Enfim, post bacana 🙂

  4. Carlos says:

    Muito legal. Eu também acho engraçado essas previsões erradas e tal, mas o que realmente me deixa impressionado são as previsões que acertam, ou chegam perto.

    O Monteiro Lobato, no livro “O Presidente Negro” (que é racista e polêmico pra caralho, mas não vem ao caso agora) praticamente previu a Internet, o trabalho a distância (Home-Office) entre outras coisas.

    Um filme da Philco, feito nos anos 60, previu, entre outras coisas, o comércio eletrônico e o email.

    rel="nofollow">

  5. caio says:

    em quase todos os filmes western americanos dos anos 40 e 50 o motivo dos tiroteios era que algum investidor queria construir rodoviais no meio do oeste.

  6. Art says:

    Post bacana.

    É engraçado como as pessoas preveem o futuro levando em conta o próprio contexto que vivem. São poucos que conseguem ver “fora da caixa”, antevendo tecnologias do futuro, que nem o cara que previu a internet nos dias de hoje.
    Quem há vinte anos imaginava que hoje teríamos smartphones, algo como um Iphone? Quem diria isso nos anos 60, 30, século XXI??? Se nós mesmos não somos capazes de prever uma tecnologia em um tempo tão próximo, como antever algo que ocorrerá daqui 100 anos? Chega a dar até uma agonia. Quantas tecnologias, hoje totalmente desconhecidas, a humanidade ainda haverá de inventar, e que hoje não fazemos a mínima idéia de como serão! É assustador! haha

  7. Nome (Obrigatório) says:

    Quide,se não me engano o Fallout 3 (Um jogo bom pra caralho,aliás)tem o estilo Norman Rockwell nas telas de loading e no jogo no geral.

  8. Paulo Penante says:

    Porra texto ficou muito bom, eu uma vez e outra via imagens desse tipo, e realmente é meio engraçado, como eles imaginavam que seria o futuro.
    Toda essa parada de highway começou mesmo como você deixou exposto, na gloriosa época dos EUA, “American Way Of Life”, em que muitas casa começaram a ser construidas nos subúrbios, já que na época os americanos cagavam dinheiro, pelo fato de os EUA estar vendendo muitos produtos para a rescontrução da Europa, que estava arrasada por causa da primeira guerra mundial, e os americanos estavam investindo muito na bolsa de valores, já que tudo que era produzido era vendido, e quase toda a população, se não toda, tinham bastante dinheiro.
    E isso explica também as casas com jardins na frente, tão veneradas pela maioria dos brasileiros, porque são bonitas. Eles começaram a construir essas casas, porque na época toda a população tinha dinheiro, tinha trabalho e um boa vida, então não supostamente não existiam ladrões, a vida era tranquila, em muito mais tranquila nos subúrbios.

    Como disse, excelente texto.

  9. Ian says:

    Esse texto foi bem escrito pra caralho hein (sem sarcasmo). Ficou divido em duas partes bem diferentes, mas no mesmo assunto, e vc ligou as duas metades benzão!

  10. Pedro Santiago says:

    Brasília foi construída sob essa ótica de “um futuro construído com carros e rodovias”. Eu pelo menos, odeio depender totalmente de um carro para ir à padaria, por exemplo.

  11. uhahuahuuhahua comentário mais recente no vídeo do Asimov prevendo a internet é do Izzy xingando um cara por usar ironia erroneamente, Izzy being Izzy

  12. Lucas says:

    Estou lendo o blog sim. O texto ficou maneiro. E as alt texts estão zoadas demais nesse texto 😛 -- os outros estavam melhores. hahaha

  13. cristiano says:

    Interessante mesmo essa tentativa de prever o futuro.
    Esses dias atrás eu estava lendo uma entrevista com um cara que participou da produção de Star Trek (TOS) e como as “previsões” deles se concretizaram bem. O interessante é que o cara diz que as previsões sempre acabam sendo contaminadas pelos paradigmas do presente. O motivo de Star Trek ter fugido do paradigma da época foi a falta de recursos. Painéis com design clean eram mais fáceis de se produzir. Notem que o conceito dos tablets já aparecia …

  14. Higor says:

    Olhem esse documentário sobre sobre como os automóveis se tornaram objeto de desejo, status e poder rel="nofollow">

  15. Bruno says:

    Muito bom esse vídeo -- Future by Design. Mas quando imagino o futuro penso nele menos físico e mais virtual. Basta ver a quantidade de pessoas que vivem imersas em seus computadores no trabalho, em casa, que não largam seus smartphones. Acho que a tecnologia caminha para tornar nossa interação com o mundo virtual cada vez mais viva (e a internet é so o caminho para isso, o que conecta as coisas, não é o mundo virtual em si). E assim ficarmos muito mais tempo online do que vivo.
    Se os carros voadores, comidas-pílula chegarão eu não sei, mas que um dia a bateria de nossos smartphones durarão uma semana, isso eu tenho certeza.

  16. Douglas Fernando says:

    Você usa o navegador Opera. Como que eu sei?

  17. Matheus T says:

    Achei bastante interessante os meninos com os fones de ouvido. Acho que a imagem é bem legal porque monstra, ao mesmo tempo, dois pontos que me chamaram bastante atenção. O primeiro foi realmente a visão “futurista” da pintura, as pessoas dos seculos passados já anceiavam por uma comodidade e praticidade nas coisas, como por exemplo, a maneira que eles imaginaram de colher conhecimento de uma maneira mais rápida. Transferir as informações dos livros pra sua cabeça é muita mais fácil do que ler o mesmo e, isso é muito legal porque , já se via vestigos do sedentarismo que existe hoje em nossa sociedade. O segundo ponto foi que eles acertaram parcialmente na pintura. Não podemos transferir informações dos livros de imediato pra nossa cabeça, mais já existe os Audiobook, que tem um conceito bem parecido. E fora que eu sou um amante de coisas que venham do seculo passado (como o nescau) e pra tudo isso é incrível.

  18. O Lucas eu não sei se lê, mas eu leio ahhahaha.
    PS: Tem 3 erros de concordãncia no texto, que se eu for parar pra citá-los vai demorar porque copiar, colar no formulário, citar, copiar dinovo e etc não é muito agradável tendo que ler o texto todo com um leitor de telas .

  19. adam's says:

    por favor, diz que eu não to loco e que tu já escreveu sobre isso

  20. Rafew says:

    Show de bola essas imagens. Mas me pergunto pq diabos a galera antigamente pensava que iríamos pescar pássaros ou fazer corrida de peixes?

  21. Matheus Amorim says:

    Ótmo texto, Izzy. Sei que você está gostando mais de fazer vlogs, mas não desista dos textos. Os assuntos que você escolhe são originais e interessantes.
    Sobre a parte final do post, em que voc~e fala sobre como nossos professores “de esquerda” (concordo plenamente, até porque sou apaixonado por História, e desde que era guri, esta inclinação marxista me irritava), te recomendo a leitura de dois livros excelentes: “Guia politicamente incorreto da História do Brasil” e “Guia politicamente incorreto da História da América Latina”, de Lenadro Narloch.
    Abraço!

  22. MH says:

    AMEI esse texto. Sou fascinado nessa visão de pessoal desde que joguei Fallout, lá em 2004… O jogo é totalmente baseado na visão futurista do pessoal da década de 40-50, só que ele se passa lá no ano 2084 (A guerra nuclear que destruiu o mundo em um dia) até 2220 ou alguma coisa assim, contando a história de uma geração que viveu nesse futuro semi-destruído.

    Outra coisa que isso me fez lembrar, agora, é que nas décadas após a segunda guerra houve uma grande depressão pós-guerra, e um grande medo de uma catástrofe atômica mundial, coisa que o pessoal que imaginava o futuro nunca levava em conta (Provavelmente pra não assustar ainda mais o povo, já que eles sempre vendem o melhor dos governos).

  23. Blackpsychotic says:

    Achei ótimo o post e o vídeo, me interesso muito por esse assunto também.
    A parte das cidades subaquáticas me lembrou o livo de Julio Verne, 20000 Leagues Under The Sea.

  24. Alexandre says:

    ” e é engraçado o quão errado eles estavam, ou quão presos aos paradigmas da época eles invariavelmente eram. Por exemplo, nos desenhos os bonequinhos SEMPRE usam a moda da época. Eles aparentemente não conseguiam imaginar outro tipo de vestuário!”

    Por isso que deus não existe: nunca um espírito, vidente, santo, etc, foi capaz de falar qualquer coisa sobre o futuro com um olhar verdadeiramente do futuro! Esses dias vi a propaganda de um livro espírita que se chamava “espritismo e sustentabilidade”, ou algo assim, psicografado por fulano de tal. Porra, por que esses caras não escreveram sobre isso há cem/vinte/dez anos atrás, quando isso não era moda?! WTF!!

  25. Juliano says:

    DMagic Highway
    rel="nofollow">

    Retrofuturismo direto da América

  26. Marcos says:

    Estradas? Para onde vamos não precisamos de estradas!

  27. Jorge says:

    Basicamente, na ficção, nas Artes e na Literatura, toda representação tecnológica do futuro em uma época diz respeito ao ápice tecnólogico em que nos encontrávamos em tal época. Por mais que tentemos demonstrar, com a tecnologia mais avançada que temos, como será o futuro, acabamos por assim dizer “estilizar” o próprio presente com a ideia e então o “futuro”, transforma-se apenas em um estilo, o Futurismo.

    Exemplos na ficção incluem, “2001” de Kubrick, que é basicamente um compêndio do do mais “aerodinâmico” e “futurista” que existia nos anos 1960, em termos estéticos e de design e novamente, nos anos 1980 algo semelhante ocorre com “Blade Runner” que hoje em dia nos parece um filme fortemente impregnado pela aura dos 80s e pelo conceito de futurismo que existia na época. Em outras palavras, um filme e principalmente um filme, a indústria cinematográfica, é como uma vitrine, serve para nos dizer mais ou menos onde é que estamos, em termos tecnológicos. Por exemplo, em filmes contemporâneos, para citar “Minority Report” ou “A Ilha”, o que vemos são tecnologias que já existem, mas que ainda não são tão acessíveis. Eu me lembro bem como era sensação e as pessoas comentavam da luva touchscreen, mostrada em Minority Report, numa época em que telas touchscreen ou Kinect pareciam coisas de 2019 (Blade Runner) e olhe lá…

    E isso tem haver com uma série de fatores, sobretudo econônimos e que seguem as leis fodidas do mercado e do Capitalismo. Com certeza tem a ver com um conceito muito difundido na adorável época do pós-guerra e do sonho americano, que é a da Obsolescência Programa, ou seja, os produtos são projetados tão logo não durem e as pessoas precisem substituí-los, criando a necessicidade de consumir constantemente. Isso também se aplica ao setor de tecnologia, onde mesmo que uma tecnologia exista e já esteja pronta para ser consumida e difundida, o mercado dá uma segurada, até que a tecnlogia anterior não renda mais tantos dividendos e eles estejam prontos para lançar the next big thing ao mercado. Ou do ponto de vista mais acadêmico, as tecnologias que já existem e os cientistas tem a certeza de que estarão aprimoradas no futuro, como a tecnologia holoráfica, que existe há tempos e está ainda em maior desenvolvimento. Um filme de ficção deste ano, que em minha opnião mostra bem o estágio em que nos encontramos, é “Prometheus”, também de Ridley Scott. Sempre imaginamos um filme de ficcção científica como algo de convincente à época, como certamente Blade Runner o era a 30 anos atrás; até que esses 30 anos se passam e o futuro se mostra bem mais “arrojado”… Mas acho que Prometheus segura bem a barra, acho que ele só mostra tecnologias que já temos e que estamos aprimorando, ou pelo menos nos diz do que somos capazes, num futuro mais ou menos próximo. Vale a pena assistir.

    Enfim, atualmente, e com a iminência da Singularidade Tecnológica, imaginar o estágio da tecnologia humana no futuro tona-se cada vez mais difícil. É só pensar que há nem 150 anos atrás não tínhamos energia elétrica e hoje temos tecnologia holográfica ou impressora 3D.

  28. Muito bom este post, o interessante é como nós imaginamos o futuro daqui a 100 ou 200 anos e como será a realidade que provavelmente será surpreendentemente diferente da nossa imaginação.

  29. Conrado says:

    Aproveita que tu gostou dos desenhos do Jacque Fresco (que é uma das pessoas mais importantes da atualidade) e assiste o documentário Zeitgeist: Moving Forward. Garanto que não vai se arrepender.

  30. […] hoje em dia você pode até ver retrofuturismo como o Izzy Nobre já contou no HBDia que é mais ou menos ver como era a “Futurologia” do século passado. E vocês vão […]

  31. Robert says:

    Outro fator na explosão dos subúrbios americanos foi simplesmente o racismo. Nos EUA há um fenômeno chamado de “white flight” -- a medida que os negros conseguiam mais lugar na sociedade e se mudavam pras cidades grandes para fazer a vida, o branco fugia da cidade (flight = fuga, não vôo nesse caso) para buscar uma vida mais “sossegada”, já que na prática ainda havia preconceito sobre vizanhanças negras, crime etc.

    Esta é uma das grandes raões pelas quais a imagem da “inner city” nos EUA é ligada a cultura negra e pq a palavra “urbana” é um eufemismo para negro.

  32. Putz, em plena Belle Epoque na França. Erraram feio, mas isso acontece geralmente com previsões futuristas.