Quando o Napster atraiu a atenção e a fúria do mercado fonográfico, não demorou pra que os manda-chuvas taxassem a mera idéia de download como uma contravenção imperdoável. Tentou-se de tudo pra esmagar o movimento P2P – lançaram um violento ataque legal contra os serviços de compartilhamento, e tentaram tornar download de música um crime em muitos países por meio de lobbys políticos. Até mesmo perseguir os usuários eles tentaram (arruinando muitas vidas no processo, aliás).
Aí chegou a iTunes Music Store, que viabilizou a idéia de que download de música não significa necessariamente a morte da indústria fonográfica – muitíssimo pelo contrário. Com o advento e popularização de mp3 players, muitos legítimos consumidores de música (ou seja, a turma que realmente paga por música) preferiam infinitamente comprar música já prontinha pra ir pros seus aparelhos de mp3, do que comprar o CD, passar pela inconveniente tarefa de ripar o áudio, e em seguida ficar com um CD virtualmente inútil na sua gaveta. Isso pra não mencionar que o sujeito poderia comprar suas músicas à la carte, ou seja, ele poderia comprar apenas as músicas que o agradam e não o disco inteiro.
A iTunes Store não apenas deu certo – ela deu TÃO certo, que ela já é atualmente o maior vendedor de música nos Estados Unidos. Isso é a prova cabal de que, dada aos internautas uma alternativa legal e viável de consumir aquilo que eles baixam gratuitamente, muitos irão aderir à iniciativa. Pra você ter uma idéia, a iTunes Store já vendeu mais de 6 bilhões de músicas. É como se quase todos os habitantes do planeta tivessem cada um comprado uma musiquinha no serviço.
Eu mesmo, que moro num país em que baixar músicas é completamente legal, me pego comprando músicas no iTunes (tanto pelo computador, quanto pelo celular), só pela conveniência oferecida pelo serviço.
Então parece que os dias de preocupação da indústria fonográfica com a proteção dos direitos autorais das músicas acabou, né?
Nope.

Como você deve ter percebido, milhares de usuários no youtube costumam produzir vídeo-montagens com musiquinhas de fundo. Apesar do fato de que ninguém está deixando de consumir aquela música só porque ela foi associada a um determinado vídeo, a indústria fonográfica (mais uma vez, COMPLETAMENTE SEM VISÃO e aparentemente agindo na base do impulso) resolveu se manifestar contra a prática. O resultado é que o youtube saiu removendo todas as músicas com copyright protegido.
No caso das ações contra o download de mp3, ao menos havia a crença de que o sujeito que baixava música não queria ou não iria aderir aos meios legais de obter a canção, e isso resultaria em vendas perdidas. Mas no caso de vídeos de youtube com músicas de fundo, o que exatamente está sendo perdido? Não consigo imaginar como isso lesa os artistas ou as gravadoras.
Mas lógica nunca foi um obstáculo pra um grupo que defende seus interesses raivosamente, sem antes parar pra pensar que a aparente ameaça pode acabar se tornando uma nova forma de lucro. Aconteceu com o iTunes, mas aprender com os próprios erros não é o forte da indústria fonográfica.
Entra a Apple de novo. Falem mal dos computadores e dos usuários chatos o quanto quiserem; não há como negar a genialidade da empresa no que diz respeito a merchandising. Eles SABEM como vender.

Você já deve ter notado que alguns desses vídeos que trazem música de fundo agora exibem uma propaganda informando o nome da canção, o artista que a gravou, e o mais importante, um botão pra compra imediata da música no iTunes. Quando vi esse negócio pela primeira vez, fiquei embasbacado com a elegância e simplicidade da solução pra esse “problema”.
É muito frequente ver nos comentários de um vídeo no youtube a mesma pergunta sendo repetida mil vezes: “que música é essa no fundo?” Essa propagandazinha não apenas tira a dúvida do espectador, como o oferece uma maneira legal e excepcionalmente prática de se tornar possuidor da faixa.
Ou seja, o que era um “problema” pras gravadoras se tornou uma forma completamente gratuita de propaganda. Ao invés de sair caçando genta que usa música do Roxette nos seus vídeos de casamento, a gravadora deveria sim é abraçar esse tipo de iniciativa. Afinal, na prática ela não está perdendo nada; pelo contrário.
iTunes e Youtube são de consumo do povão. A grandíssima maioria do público consumidor de música é completamente alheio a torrents e limewire e p2p e o caralho. Ao ver uma forma fácil e conveniente de obter a música que ele gostou por míseros 99 centavos, e de te-la adicionada à sua playlist e transferida com facilidade pro seu iPod, o que você acha que esse indivíduo fará? Tenha em mente que a intercessão entre “usuários de youtube” e “gente que compra música no iTunes regularmente” é provavelmente muito grande.
O que vai matar a indústria do entretenimento não é a nossa aparente falta de vontade de pagar pelo conteúdo. É essa completa inabilidade de se adaptar aos novos meios de distribuição.





Na França, o problema é o tipo de pena pra quem faz download “ilegal”: Cortam o acesso a internet do sujeito.
Penalidade que eu acho digna de países como China e Coréia do Norte, mas sem cabimento nenhum na França.
Só falta colocarem esta lei em prática aí para o seu lado.
Se bem que deve afetar só a região de Quebec. Sorte sua.
Honestamente ainda não vejo porque comprar música e não acho que o Itunes teria como se expandir pra, por exemplo, paises como o Brasil.
Só agora li esse post, haha, pulei-o sem querer, que leso.
Acho muito boa a iniciativa da Apple de disponibilizar meios legais para downloads de músicas. Mesmo assim, ainda acho utópico que todos “comprem suas musiquinhas preferidinhas e coloquem-as em seus respectivos iPodzinhos”, ainda mais aqui no Brasil, onde as pessoas sempre querem levar vantagem em tudo.
Acho que ainda vai demorar até que tais downloads cessem. Até lá, vou baixar o máximo que puder e guardar tudo pra não precisar pagar por nada depois =P
Kid viado, vai morrer de tanta musica baixada legalmente no cu.
Mas, não sei se foi comentado por que não li TODOS os comentários, mas tenho QUASE certeza de que esse corte de músicas com direitos autorais no Youtube é EXCLUSIVAMENTE pra WMG. Isso tem a ver com uma briga entre “os homi” do Youtube e a WMG, se não me engano. Não afirmo com certeza absoluta, mas..
E eu sou louco pra ter uma iTunes Store no Brasil. pra não ter q ficar minerando as redes P2P atrás de musica. e o lance de baixar do iPhone/iPod Touch deve ser 10.
e quando falam que “falta o contato com a mídia física” algumas gravadoras já foram espertas e tão lançando vinil. que eu acho uma mídia muito mais arte do que o CD. fora que o acrilico barato daquelas desgraças quebra facil q nem porcelana barata!
Acontece que tendo o audio, extrai-se um mp3 facilmente, daí se pode vender pirata no camelô. Não que eu concorde com as gravadoras, a questao é que não é tão absurdo assim. Só um pouco. #esclarecendo