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A hiper-sensibilidade internética

Postado em 12 June 2013 Escrito por Izzy Nobre 13 Comentários

Há muitos anos eu estava lendo a revista SuperInteressante (uma influência importantíssima na minha criação nerd) e vi uma matéria que falava sobre o real “formato” do corpo humano, se fosse proporcional às terminações nervosas que nos dão a capacidade tátil que torna possível você se masturbar aí solitariamente neste Dia dos Namorados:

corpo humano

Aliás, não, não tem nada a ver com terminações nervosas e sim com quanto “processamento” o cérebro dedica para a interpretação sensorial dessas partes do corpo. O nome dessa imagem é “homúnculo sensorial”, aliás.

Repare o tamanho das mãos e dos lábios. Em relação às outras partes do nosso corpo, eles são super-sensíveis, e o cérebro dedica muita energia pra interpretar os estímulos que eles recebem (E não, eu não sei porque a piroca ocupa um espaço tão relativamente pequeno).

Esse conceito me lembra também um bicho esquisito chamado “star-nose mole”, ou “topeira com nariz de estrela” numa tradução livre. Olha a foto dessa desgraça:

star nose

Essas 22 mini-piroquinhas que esse bicho tem na fuça servem pra dar à topeira, que é virtualmente cega, uma capacidade sensorial invejável. Esses tentáculos aí tem mais de 25 mil terminações nervosas, que é (de acordo com algumas fontes) 5 mil terminações nervosas a mais que as encontradas no pênis humano. A diferença é que o pênis humano convencional tem o tamanho dessa topeira aí, ou seja — nela, essas 20 mil terminações nervosas estão concentradíssimas num espaço minúsculo. Imagina o quão sensível esse membro da topeira é.

Por que estou mostrando isso pra você? Porque ultimamente estive pensando num fenômeno interessante que acontece na internet: a hiper-sensibilidade internética.

Você já notou que é muito fácil ofender pessoas na internet, né? Aliás, é fácil nós mesmos nos ofendermos na internet. Eu, por estar numa certa posição de visibilidade e ser consideravelmente filho da puta, me sinto ofendido diariamente quando alguém resolve me xingar na internet.

Eu acho a Internet, por promover tantos relacionamentos intangíveis (tenho inúmeros excelentes amigos que nem conheço pessoalmente, por exemplo — e inimigos, também), nos faz exagerar no lado emocionado da coisa. Um broder disse recentemente que tudo que você acha que sente na internet deveria ser dividido por 1000 — “se alguém diz que te AMA, no máximo te daria uma carona caso sua casa estivesse no caminho”, ele teorizou

E alguém que se comporta como te odiasse, os tais “haters” (alguns que chegam até mesmo a falar isso e/ou prometer ameaça física se um dia te visse por aí) no máximo sentem uma leve insatisfação com você, e nada mais.

É que no mundo real, regido por regras e interações mais tangíveis, esse tipo de coisa fica abaixo da superfície. Somos obrigados a agir como indivíduos adultos e razoáveis. Se alguém te incomodou um pouco você faz um comentário e segue com a vida. Seria estranho passar dias insistindo na sua insatisfação com alguém que mal sabe que você existe, né? Perpetuamente falando mal da pessoa, indo atrás de saber o que ela está fazendo, esse tipo de coisa seria vista no mundo real como obsessão quase criminosa.

Já na internet, a intangibilidade promove a hiper-sensibilidade. Uma desavença trivial e sem consequências faz com que alguns dediquem tempo e energia stalkeando um desafeto com quem ele simplesmente discordou numa rede social uma vez.

E você aí achando aquela topeira um bicho estranho. Estranhos somos nós.

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

13 Comentários \o/

  1. @dhn91 says:

    First! E mais, acredito que o texto tenha alguma relação com esse mal hábito do “first”, ou não.

  2. Julio B. says:

    Poxa! Terminou altamente filosófico… Aprendendo com o Raul, né?

    Quando conheci essa toupeirinha, estranhei muito ela ter esse lance no focinho, até porque só colocam essa foto dela aí (devem ter tirado antes dela escovar as gengivas) e já encontrei lugar que traduzem o nome como “Estrela do Nariz Mole”, o que aumenta 70% a estranheza do ser dela. Mas ela até que é bonitinha, curte: http://www.pbase.com/mwalker427/image/81869712/original
    Cogitei até ter uma em casa, mas acho que é meio impossível, se minha casa é acima da terra.

    Bonus: versões fofinhas da Star-Nosed Mole
    http://www.etsy.com/listing/83968878/star-nosed-mole-sculpture-ornament-hoshi
    http://rainbowsix.wikia.com/wiki/File:Star-nosed_mole.jpg

    • BrunoHe says:

      O nome desse bicho devia ser cara de buceta.

      Em relação ao texto, amg Izzy, entre em fóruns de videogames, ai o senhor verá o quão filhodaputamente fácil é deixar pessoas putas.

      • Anderson says:

        cara eu imagino o tanto de boceta feia que tu já viu pra falar uma coisa dessas, pq boceta normalmente é até um negócio bonito, mas as que vc viu pra achar parecidas com o focinho desse bicho.

  3. piovesan says:

    O negocio é por ai mesmo, principalmente no sentido dos haters, ainda porque a maioria é uma molecada que nem pelo no saco tem e se falasse com os outros na rua da forma que fala na internet ia tomar porrada até o cu fazer bico.

  4. mhgdocarmo@hotmail.com says:

    Vou passar a balangar minha piroca na rua pra perceber as coisas melhor 😀
    Concordo com essa parte da hiper-sensibilidade internética também. 🙂

    A internet promove anonimidade ou segurança em diferentes níveis e nesses diferentes níveis se observam diferentes tipos de comportamento, desde o pica-das-galáxias totalmente anônimo insultando o trabalho dos outros no youtube, passando pelos pastores e revolucionistas de facebook, até os lados escuros da internet onde o crime é disseminado sem o menor pingo de escrúpulo. No dia em que alguém puder tomar um soco via fibra óptica, não vamos ter mais trolls.

  5. ste says:

    Isso aí dá uma tese de mestrado!
    Dá pra se aprofundar e estudar muita coisa legal sobre esse tema!

  6. Vinícius Martarello says:

    É kid, as coisas na internet são levadas muito a sério.
    E deveria ser o contrário

  7. “E alguém que se comporta como te odiasse, os tais “haters” […] no máximo sentem uma leve insatisfação com você, e nada mais.” Sei lá Kid, acho que os caras que comentam os podcasts que têm sua participação te matariam mesmo.

  8. Ricardo says:

    E o novo livro Izzy, quando saí.

  9. Claudio Franchini says:

    Pra variar o Kid mandou bem pra caralho. Sem mais.

  10. Silveira says:

    Tudo isso aí está relacionado à frustração sexual e rejeição. Igual o final daquele filme do Kelven Schmidt.

  11. correiodroid says:

    Muito bacana o texto. Me fez repensar certas coisas, principalmente a relação que tenho com a internet.