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E no aftermath dos protestos na nossa nação, os reacionários saem do woodwork (refutando o texto do Flavio Morgenstern)

Postado em 18 June 2013 Escrito por Izzy Nobre 37 Comentários

brasilia sitiada

Usei dois termos em inglês no título porque sou babaca mesmo. E também porque não consigo pensar em termos equivalentes na nossa língua brasileira.

Então, né. Vocês que estão aí perto da coisa estão acompanhando muito melhor que eu. O povo saiu às ruas de uma forma generalizada que eu não lembro de ter visto em memória recente. Falta uma direção clara nos protestos (essa é de fato minha única insatisfação com o movimento), e nessa ausência de liderança clara e de objetivo tangível os protestos começam a ser cooptado por certos partidos políticos — ao claro contragosto da maioria dos manifestantes.

E a galera do contra começa a “sair do woodwork”, também. Woodwork nada mais é que um elemento da construção civil que não existe no Brasil por sermos abençoados por um clima decente, ao contrário da galera aqui de cima. As casas aqui são sanduíches de madeira, gesso (dry wall é o termo exato) e espuma, que ajuda a isolar a casa termicamente.

E o tal “woodwork”, ou seja, as estruturas de madeira que dão suporte às paredes, ficam escondidas. Dizer que algo está “saindo do woodwork” (“coming out of the woodwork”) significa que algo está aparecendo do nada, surgindo de surpresa. Entenderam?

Então. A galera reacionária começou desde cedo a opinar sobre a situação, e evidentemente chamam a atenção à “trivialidade” dos 20 centavos de aumento da passagem de ônibus, que foi o catalizador da insatisfação.

Um dos textos que li sobre o assunto foi um post no Facebook do ilustre Flavio Morgenstern. Conheço pouco sobre o cara, mas os textos que já li dele mostram que no mínimo o cara manja pra caralho da comunicação escrita. Eis o texto que ele escreveu sobre o que está acontecendo — e nele, penso que ele sintetizou o que boa parte da galera que é contra as manifestações pensa, a julgar pelo número de compartilhamentos e joinhas no post.

Foi a gota d’água na garganta do brasileiro! Agora que o foco é qualquer coisa, “o gigante acordou”!
A verdade é que eu nem pisco pra 50 mil homicídios por ano, quando a caracterização de guerra civil é em 10 mil. Eu tolero R$ 1,5 trilhão em impostos também por ano ano, o que nos deixa mais ou menos com 30 fodendo MILHÕES de reais para evitar CADA homicídio nesse país.
Eu tolero mensalão, PEC 37, transformar o STF em escritório de advocacia do PT (Toffoli, Lewandowski, Rosa Weber e Barroso lá nem fazem diferença, mesmo). Eu tolero o salariozinho de merda até de deputado que não é corrupto.
Eu agüento no rabo impávido e colosso que tudo o que custa US$ 10 na América aqui saia pela bagatela de 80 mangos, mas é tudo para proteger os pobres e fazer distribuição de renda com impostos, porque certamente estamos diminuindo muito a desigualdade social fazendo com que só rico possa ter carro importado, enquanto o pobre tem de usar ônibus cartelizado pelas únicas empresas cupinchas da prefeitura (ou seja, do prefeito), financiando ainda mais os bolsos do Estado.
Aliás, também tô cagando e andando um torosso federal pro preço da gasolina, mais cara da América Latrina e uma das mais caras do planeta. Isso tudo porque eu amo a Petrobras e engulo ao invés de cuspir a litania de que ela é “do povo”, ainda mais pra dar uma rouanetada e projetar a “cultura”, porque gente é o que inspira a gente (mas só quem se favorece é grande “artista” – o petróleo não é nosso, é do Tico Santa Cruz e da Maria Bethânia), mesmo que, quando eu vá no posto, dizer que o petróleo é meu só faz o frentista me mandar alargar meu anel rugoso.
E meu hímen complacente também agüenta fundo que esfarelem qualquer proteção que o indivíduo tenha contra o governo, que aceitem cortes internacionais aumentando o poder com uns vizinhos maravilhosamente democráticos como os nossos, porque sei que o comunismo já era, e assim que caiu o Muro, 100% dos que acreditam em Marx no mundo se convenceram de que aumentar o poder do Estado não vale a pena da noite para o dia.
Sobretudo, eu suporto no cangote sem chiar que nossa cultura não mereça senão as duas primeiras letras, que sejamos o único país no planeta em que a literatura não espelhe em nada a realidade atual, que tudo o que se diga seja sobre a ditadura militar, que os estadunidenses malvados estão nos manipulando e tudo se resolverá com mais educação, mesmo que eu não saiba o que cazzo se ensina numa faculdade de pedagogia.
E eu não movo uma palha contra gente concentrando o poder e me obrigando a trabalhar até maio todo ano para financiar suas mordomias e têm passagens semanais pagas porque ninguém agüenta viver na soviética Brasília, enquanto uma viagem de avião custa o preço de um rim em aeroportos que só não causam mais acidentes por milagres, e mesmo quando matam centenas de pessoas de uma vez enquanto jornais governistas dizem para mim no dia seguinte que a pista estava em ótimas condições, eu só vejo nisso um motivo para falar “chupa, Jornal Nacional!”
E o que são 60 mil mortes no trânsito por ano, senão acidentes de percurso? O que é a inflação, senão um fato da vida, que um governante nunca, sob nenhuma hipótese, iria causar para financiar seus gastos luxuosos sem precisar aumentar impostos, e depois pedir voto dizendo que a inflação tá difícil de controlar, mas vamos vencer esse mal terrível fazendo o dinheiro do pobre valer menos que papel higiênico usado? Eu nem sei que o preço do tomate aumentou 150% em um mês, porque minha consciência política é de poder popular de Vila Madalena, e nunca fiz feira uma única vez na vida.
E estou me lixando para termos uma maioridade penal cabível talvez no Paraíso muçulmano enquanto assassinam 3 pessoas incendiadas porque elas não tinham dinheiro o suficiente e ainda compro uma verborréia mela-cueca de que a culpa dos assaltos é dos assaltados, invertendo sempre sujeito e objeto e culpando a classe média e outras generalidades da qual eu mesmo faço parte. Isso dá para suportar numa boa, afinal, querer mudar isso é coisa de fascista extremista.
Mas aí aumentam o preço da passagem de ônibus em R$ 0,20 e o PSTU organiza um protesto, toma um spray da PM depois de explodir uma bomba no metrô e vandalizar a cidade inteira e agora está todo mundo contra tudo isso que está aí.
Aí não deu para agüentar. Foi a gota d’água. O gigante agora acordou e vou protestar exatamente quando o PSTU me mandar, porque minha consciência política vai mudar o mundo e os governantes vão finalmente me temer.
Agora é muito mais do que R$ 0,20 centavos e serei completamente apartidário, porque sei colocar a importância das coisas em perspectiva. Foi a gota d’água.

Eu achei que a essa altura todos estariam perfeitamente educados sobre o movimento pra não mandar mais a falácia do “mas tudo isso por 20 centavos, mimimi, que bobagem!”, e aparentemente estou errado porque esse post do Flávio foi de ontem.

A questão realmente não é nem essa; o problema que eu tenho com esse texto é que o argumento central é “se vocês não fizeram nada por causa das injustiças X, Y e Z, não podem fazer mais nada de agora em diante”. Soa como birra, como capricho de criança — ahhh vocês não aderiram às causas que EU acho mais importantes? Não importa que essa revolta também reinvindique por muito daquilo que eu espero do governo. Agora eu não quero mais. Ou tinha que ser quando eu queria, ou então nada. Me dá a bola e eu voltarei pra casa.

É uma pena que o catalizador da revolta tenha sido o tal aumento de passagem porque evidentemente alguns (muitos?) vão desmerecer toda a mobilização só por causa disso.

Como se o aumento de 20 centavos por passagem, multiplicado por 2 (a ida e a volta), vezes 5 dias por semana, vezes o número de familiares cujo transporte o pai trabalhador precisa custear fosse mixaria. Queria saber se as pessoas que julgam esse aumento trivial estariam dispostos a doar, todo ano, mais ou menos trezentos reais para uma família aleatória (com hipotéticas 3 pessoas que dependem do transporte público) cuja renda foi afetada com o aumento. Enquanto não há melhoria alguma no tal transporte.

Meu problema real com a manifestação é mesmo a falta de liderança, de reinvindicações claras. Há muito ruído e pouca mensagem. Querem o que, “acabar com corrupção”? Isso todos queremos (embora seja literalmente impossível). Sem um objetivo claro, como poderá haver mudanças…? Sem contar que a falta de foco permite que organizações se apossem do movimento.

Já tenho visto por exemplo montagens da bandeira nacional com versículos bíblicos, batendo na tecla do envolvimento de religião com política que historicamente só dá merda.

Mais importante que o impeachment da Dilma, que vi muitos pedindo — o Brasil ficou uma beleza quando chutamos o Collor? Acho que não, viu –, é estabelecer no Brasil a cultura de que não deixaremos esculhambações passarem em branco. Isso sim é uma mensagem um pouco mais poderosa e direta. Por exemplo: imagine se víssemos manifestações iguais ou em maior escala sempre que um político corrupto é absolvido pelos amiguinhos de rabo preso. Ou quando estes mesmos tentam aumentar o próprio salário.

Talvez, com alguma sorte, estabeleceria-se a impressão política de que é melhor não fazer essas coisas porque o povo vai tocar o puteiro. De repente eles pensariam duas vezes antes de fazer certas coisas.

E no final das contas, isso talvez seja o melhor resultado dessa confusão toda. Por mais que a turma reacionária se oponha e bata o pé, diga que é apenas por causa de 2 moedinhas de 10 centavos, se isso servir pra acabar com a nossa histórica apatia política foram vinte centavos riquíssimos.

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Categorias: Essa internerd...

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

37 Comentários \o/

  1. Acho esse argumento simplesmente babaca. É meio que alguém dizendo “ah, não vou arrumar a cama porque o quintal está sujo”. Começamos a lutar por alguma coisa, eu achei satisfatório.

  2. The Bat says:

    Sou ‘reacionário’ e a crítica não tem nada a ver com isso. E sim com o seguinte ponto

    A manifestação é contra tudo, tudo mesmo, e isso fez com que ela obtivesse adesão de todos com mais facilidade, afinal todo brasileiro está insatisfeito com o Brasil em algum ponto. MAS… é uma manifestação de esquerda, com liderança de esquerda, com bandeiras LGBT, PSTU, UNE, PCO, PC do B e da Juventude do PT e outras juventudes esquerdistas, e por isso no mínimo estranha, afinal a esquerda está no poder.

    Isso pra mim até agora se mostrou a velha estratégia da “falsa oposição” muito conhecida de quem estuda estratégias comunistas e tão desconhecida pelos brasileiros, que frente ao conhecimento gritam em coro “isso é teoria da conspiração seu reacionário!”

    A Dilma e o Dirceu se mostraram apoiantes dos protestos (procure no google). No site vermelho.org (mais comunistas que Lênin) já mostraram os sindicatos que apoiam também. Veja também os nomes dos líderes, muitos são militantes e associados ao governo em Brasília.

    • Thais Martins says:

      Discordo completamente. Este movimento não é de esquerda, ano passado participei de protestos contra o aumento da passagem e o fora Marconi e estes sim eram bastante enviesados, tanto que me retirei dos movimentos. Quem participou dos diferentes movimentos percebe uma diferença nítida. Aqui em Brasília não teve nenhum carro de som com anel, pstu, mper e afins falando. Quando qualquer esquerda tentava manipular a fala da galera no ecos, era vaiada em massa. Vi muitos esquerdistas inclusive criticando o movimento, falando que é movimento de pelego, de burguês, de gente alienada que não participava das outras lutas e todo tipo de mimimi. Este é um movimento do povo brasileiro, que não se fecha em nenhuma ideologia e sabe que esquerda não é solução.

      • André says:

        Pena que o povo está tão idiotizado à ponto de achar que pedir “bolsa transporte” não seja uma medida de esquerda.

        Mas pelo menos estão com tanto nojo dos políticos que reclamam de qualquer partido que queira aparecer nas manifestações.

        Solução seria livre mercado, qualquer pessoa poder comprar um ônibus e oferecer seus serviços. Competição gera preços baixos, vide eletrônicos, cada vez mais baratos e potentes.

    • Thais Martins says:

      Discordo completamente. Este movimento não é de esquerda, ano passado participei de protestos contra o aumento da passagem e o fora Marconi e estes sim eram bastante enviesados, tanto que me retirei dos movimentos. Quem participou dos diferentes movimentos percebe uma diferença nítida. Aqui em Brasília não teve nenhum carro de som com anel, pstu, mper e afins falando. Quando qualquer esquerda tentava manipular a fala da galera no ecos, era vaiada em massa. Vi muitos esquerdistas inclusive criticando o movimento, falando que é movimento de pelego, de burguês, de gente alienada que não participava das outras lutas e todo tipo de mimimi. Este é um movimento do povo brasileiro, que não se fecha em nenhuma ideologia e sabe que esquerda não é solução.

    • Então estou assistindo o Youtube errado, pois no meu estou vendo pessoas mandarem bandeiras abaixo por não quererem associações partidárias com o movimento.

      Inclusive na organização do protesto de Recife esse é um dos pontos defendidos.

    • Lucas Silva says:

      Acho que você deve estar com algum problema de visão, por não ver que essas manifestações não tem nenhuma afiliação a nenhum partido.

      Os poucos que tentaram inserir tais bandeiras em meio as pessoas, foi prontamente alertado que a causa não tem nada a ver com partidos políticos específicos, e sim com a corrupção, e com os absurdos que o brasileiro tem que enfrentar diariamente.

      Esse posicionamento de vocês reacionários, como o próprio Izzy falou, não passa de uma birrinha de criança, muito provavelmente tentando chamar a atenção pra uma coisa que nem existe, só pra estragar esse protesto, que FINALMENTE, o Brasil está vivenciando, pense melhor antes de falar besteira.

    • Angelo says:

      Então ontem quando xingamos o pstu e eu vi gente arrancando as badeiras dos mastros e jogando no chão foi só ilusão minha? Caramba batman, quanta safadeza.

    • Dianna says:

      Dilma e Dirceu se mostraram apoiantes? Feliciano também. Isso se chama oportunismo. O movimento se pauta como apartidário precisamente porque, neste momento, as pessoas estão começando a perceber que NENHUM PARTIDO REALMENTE REPRESENTA O POVO BRASILEIRO. E já estava na hora, viu?

      E alguém me explica porque LGBT -- que é um movimento de pessoas, não necessariamente de partidos -- é imediatamente taxado como “fora de foco com a manifestação” quando a gente se vive uma situação em que TODO MUNDO está manifestando insatisfação contra TUDO?

  3. Caesura says:

    “mais ou menos com 30 fodendo MILHÕES de reais”

    Olha aquele ‘fodendo’ ali… Tá usando chanspeak(br), já dá pra saber de onde esse cara vem. 😉

  4. Murdock says:

    O texto do cara é ideologicamente e factualmente errado já que ele coloca informações falsas. Só porque não concordam com o que ele pensa, supõe que todos estejam errados.

  5. Fellipe says:

    Nos EUA a gota da água foi o chá. E todo mundo acha lindo o pessoal vestido de índo jogando as caixas no mar.

    Será que o pessoal ficou de #mimimi Inglaterra não permite representatividade, mandam e desmandam nessa porra e vocês preocupados com taxinha do chá?

    Como ouvi por ai, é a “Arnaldo Jaborização” das opiniões: Ficam de fora, bem longe, achando defeito em tudo e em todos. C’est la vie

  6. Daninean says:

    Izzy, gostei do texto de hoje, penso assim:

    Algo tem que acontecer, seja qual o motivo, precisamos reagir, quem sabe teremos um resultado

  7. Ma says:

    Inpeachment da Dilma pra quem ficar no lugar? Temer…Gente babaca q não pensa!

  8. @mos_axz says:

    Conheço parte do traalho do Flávio, principalmente no Implicante.org (Site cujo o @Gravz é fundador)e posso dizer que por mais que eu discorde dele em algumas coisas, o cara é inteligente pra caralho.

    Entendo o que ele quis dizer, quanto ao povo estar sendo manipulado pelo pessoal da extrema esquerda e acho que isso ocorreu sim num primeiro momento. Todo mundo deve lembrar da invasão da USP ano passado, assim como na marcha da maconha, onde a esquerda arranja briga e quando a PM compra chamam o governo de “facista e reacionário”.

    Por outro lado, acho que esses protestos que ocorreram nos ultimos dias (principalmente os de ontem) foram diferentes. Talvez o primeiro protesto em SP tivesse sido feito pela esquerda (a ideia de pedir passe gratuito mostra a ideologia), por outro lado, a minha visão da situação é que saiu tudo do controle deles.

    Nem todo protesto é de esquerda. Os protestos reuniram desde gente que queria sim destruir as coisas (a ALERJ é prova disso), como pessoas que só queriam gritar algo que estava em sua garganta à muitos anos.

    Discordo dele por isso, não importa quem começou com os protestos. Essa rebeldia contra o sistema se tornou apartidária. Admito, no começo, fui contra aos protestos, mas depois vi que o protesto não tem dono, ele só foi um sentimento que todo mundo sentia, independente de classe social, ideal ou qualquer coisa.

    O protesto reuniu gente de ideal socialista, ideal libertário, anarcocapitalistas, conservadores, religiosos e todos pacíficos (e quem não é pacífico, é excluido aos poucos). No futuro, cada grupo desses vai fazer seus pedidos, vão divergir e se tornar verdadeiramente uma democracia.

    Um estado democrático de direito é quando 1000 pessoas tem 1000 opiniões diferentes, gerando 1000 discussões, onde o resultado é uma solução que se melhorar o pessoal que disse vai se gabar, se piorar o pessoal que não quis isso vai criticar e mostrar ideias melhores. Mas ainda assim todos os mil podem conviver sem virar guerra civil.

  9. Diego matias says:

    Me parece que a falta de líderes e propostas não seja um defeito, Izzy, mas uma própria característica das manifestações atuais.

    Escolher UM objetivo talvez significasse abrir mão dos demais.

    Excelente conclusão do seu texto.

  10. Melina says:

    Não foi o aumento, foi a repressão da policia ao protesto contra o aumento. A passagem aumenta toda hora, mas aquela repressão brutal do nada e até imprensa apanhando deliberadamente é que foi a gota d’agua. Foi mais um “ah, é? não pode manifestar não? vamos ver então.”
    Mas ao menos ta servindo pra mostrar que o povo não é passivo nem tem essa “memoria curta” como dizem

  11. Heron says:

    Concordo com o Kid: O maior problema das manifestações é a falta de um objetivo claro. Talvez devêssemos nos focar no problema da mobilidade urbana neste momento e, a partir de agora e com a mensagem dada aos poderosos (“aê seus FDPs, a gente pode se manifestar de vez em quando”), começar a organizar manifestações e movimentos focados em outros problemas (altos salários de políticos, PEC 37, movimento LGBT, etc.)

  12. BrunoHe says:

    Izzy, assim como vc, tbm não sei qual o objetivo da luta, digamos q sei lá, a Dilma apareça e diga “Fmz, o q vcs caras querem?” ngm ali daria uma resposta objetiva.

    Mas é bom ver um barulho sendo feito, após tanto tempo de calmaria.

  13. Daniel says:

    Indignação seletiva é fácil. A manifestação só presta se defende o que eu defendo e se sou eu quem criou. Se partiu de outros não é válido.

    Os próprios ” reacionários ” que ficam achando que é tudo culpa do PSTU, não se dignam a ver a justiça da causa. Vinte centavos individualmente realmente faz pouca diferença , o que não faz pouca diferença é a degradação constante do transporte público, que apesar dos aumentos constantes parece cada vez pior. É esta situação que travou o transito de São Paulo. Não adianta falar para o cidadão deixar o carro em casa se é mais caro, mais demorado, mais desconfortável e mais inseguro ir de transporte público.

    A conquista pode até ser pequena a curto prazo, mas quero ouvir quem diz que é injusta.

  14. Davi says:

    Eu ACHO que o ponto do Flavio foi outro.

    Pelos outros textos que li dele, ACHO que ele quis tocar no ponto de que não adianta fazer tudo isto por causa do aumento de R$ 0,20 e no mês que vem, quando os políticos estiverem votando seus “merecidos” aumentos, o povo ficar esperando qual vai ser a tirada do zorra total a respeito.

    A respeito do comentário de que “os reacionários saem do woodwork”: os reacionários estamos criticando este governo “dizquerda” e a ausência de uma oposição desde, no mínimo, 2003. Então não são comentários surgindo do nada. São constatações de que “nós avisamos”.

    Eu realmente espero que as manifestações não parem aí e que virem protestos. Mas não estou muito confiante.

  15. André says:

    Essas manifestações tão sendo mal aproveitadas. Tá parecendo aquele povo dos EUA que ficou em frente ao Wall Street… Não tinha objetivo, terminou que não deu em nada, hoje ninguem mais lembra.

    Tá random demais. Daqui o pouco o povo vai enjoar, os protestos vão acabar, ninguem vai ter conseguido nada e a Dilma vai rir.

    Uns protestos desses + greve gereal e nacional de professores, por exemplo, poderia garantir educação melhor ou coisa do tipo. Podia sair varios combos desses; isso é o que os europeus sempre fazem.

  16. @markeenho says:

    foi bem demais Izzy!

  17. Bam Bam says:

    Por mais que eu concorde com os protestos o que me preocupa é que está todo mundo falando que do jeito que está não está bom (e não está mesmo) mas até agora ninguém surgiu com boas idéias para melhorar, só estão apontando as falhas e não contribuindo com soluções.

  18. Lucas Lopes says:

    Acho que no fim das contas o movimento tem um “objetivo subjetivo”:
    -- O que vocês querem?
    -- Queremos que as coisas melhorem.

    Montamos um grupo de discussão sobre isso no facebook com gente formada em letras, psicologia, história, ciências sociais e publicidade. Quem se interessar, contribua: https://www.facebook.com/edson.pereiraneto/posts/654246907936663?comment_id=112270450&ref=notif&notif_t=like

  19. Aleluia says:

    Não basta terem rasgado bandeiras políticas (o que é uma coisa ditatorial diga-se de passagem) todos querem politizar as manifestações.
    Esse cara falou que é obra do PSTU, mas a verdade é que o problema do brasil não é partidário, mas sim estrutural. Tem de ter reforma política.

  20. André says:

    Malditos reacionários, sempre preocupados em prender os políticos corruptos e criminosos
    de todos os tipos. O mais importante de tudo é o passe livre!

    http://www.obviorelativo.com/2013/06/reacoes-de-esquerdistas.html

    É só aumentar os impostos que todos os problemas desaparecerão!
    Como em Cuba, que tem 100% de impostos!

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1629

    Vai governo, aumenta o imposto que eu quero é passe livre!!!
    E se os governantes não administrarem direitinho o dinheiro arrecadado
    em impostos vamos protestar que resolve!
    Isso sempre funcionou!!!

    Pra que pagar direto pra empresas de ônibus em um mercado livre onde qualquer
    empresário poderia comprar um ônibus e contratar um motoris de modo que haja
    competição quando podemos pagar impostos pro governos para eles escolherem
    umas poucas empresas que poderão prestar esse serviço de forma cartelizada?

  21. Vinicius says:

    “sair do woodwork” não pode ser traduzido para “sair do armário”? Inicialmente a expressão era usada para gays que passavam a se assumir, mas hoje em dia se usa pra qualquer grupo ou pessoa que passa a assumir uma postura, a se revelar, etc.

  22. crowll says:

    Impressão minha ou esse blog é esquerdista mas não tem coragem de assumir?

  23. […] Num texto recente, confundi os inúmeros leitores que sempre me julgaram um playboyzinho reacionário de direita ao dizer que não apenas apóio a onda de manifestações que está acontecendo no Brasil, como acho que mais importante que os objetivos imediatos dos revoltosos é o efeito dominó que, quem sabe, instile em nosso povo um sentimento de obrigação cívica. O brasileiro é há muito tempo criticado por sua inércia; finalmente, nos emputecemos o suficiente pra tocar a revolta pública que há muito tempo cobrávamos de nós mesmos. […]

  24. Lucho says:

    Esses blogueiros políticos. Tsc, tsc…

  25. Mulholland says:

    O Brasil é o único país do mundo onde o povo esquerdista protesta contra o governo esquerdista e culpa a direita.

  26. Leandro says:

    Cadê os protestos? Viu como era tudo galhofa mesmo. Era só pra colocar foto no Facebook! Eu vi as concentrações antes das manifestações aqui no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Pareciam um monte de gente empolgada antes de sua banda preferida entrar no palco.