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><channel><title>Hoje é um Bom Dia &#187; Essa internerd&#8230;</title> <atom:link href="http://hbdia.com/essa-internerd/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://hbdia.com</link> <description></description> <lastBuildDate>Wed, 23 May 2012 14:19:12 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator> <item><title>Reddit e os &quot;reddit meetups&quot;</title><link>http://hbdia.com/essa-internerd/reddit-e-os-reddit-meetups/</link> <comments>http://hbdia.com/essa-internerd/reddit-e-os-reddit-meetups/#comments</comments> <pubDate>Tue, 13 Mar 2012 00:00:00 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Essa internerd...]]></category><guid
isPermaLink="false">http://tambotech.com.br/hbdia/?p=5276</guid> <description><![CDATA[Um negócio que tem me chateado há algum tempo é o fato de que eu me distanciei pra caralho dos meus amigos daqui de Calgary. Quando cheguei aqui em 2007, arrumei um empreguinho qualquer num Wendy&#8217;s. Este aqui, aliás: Um fenômeno curioso aconteceu: apesar do fato que o emprego era uma bela bosta, eu só<a
href="http://hbdia.com/wordpress/essa-internerd/reddit-e-os-reddit-meetups/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Um negócio que tem me chateado há algum tempo é o fato de que eu me distanciei pra caralho dos meus amigos daqui de Calgary.</p><p>Quando cheguei aqui em 2007, arrumei um empreguinho qualquer num Wendy&#8217;s. Este aqui, aliás:</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2012/03/wendys.jpg" class="broken_link"><img
class="aligncenter  wp-image-5328" style="border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid;" title="Mas que foto bem enquadrada, ein?" src="http://img.hbdia.com/2012/03/wendys.jpg" alt="" width="480" height="360" /></a></p><p>Um fenômeno curioso aconteceu: apesar do fato que o emprego era uma bela bosta, eu só consigo lembrar daqueles tempos com nostalgia. Eu fiz muitos amigos lá, e as constantes presepadas com os amigos no trabalho faziam as horas virando hamburgers passarem mais rapidamente e com menos danos à minha psique e auto-estima. Tinha um broder meu lá, por exemplo, que encenava um stand up INTEIRO do Dave Chappelle (fazendo a voz do comediante e tudo), era muito excelente.</p><p>Olha o tipo de palhaçada que a gente fazia lá:</p><p
style="text-align: center;"><span
class="vvqbox vvqyoutube" style="width:425px;height:344px;"><span
id="vvq-5276-youtube-1"><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=7soq-N0mTwU" class="broken_link"><img
src="http://img.youtube.com/vi/7soq-N0mTwU/0.jpg" alt="YouTube Preview Image" /></a></span></span></p><p>(Sim, eu filmei esse vídeo. E o cara que dá o tapa nas batatas fritas é meu irmão)</p><p>E tem esse aqui também, inspirado na série &#8220;Speed Cooking&#8221; que você pode encontrar no seu youtube mais próximo:</p><p
style="text-align: center;"><span
class="vvqbox vvqyoutube" style="width:425px;height:344px;"><span
id="vvq-5276-youtube-2"><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=QNYie7mZeME"><img
src="http://img.youtube.com/vi/QNYie7mZeME/0.jpg" alt="YouTube Preview Image" /></a></span></span></p><p>Meu irmão (que encena novamente esta produção; é ele que aparece deslizando de barriga num dos carrinhos usado pra transportar materiais) veio a se tornar o gerente da porra do restaurante. Calcule.</p><p>Enfim, minha euforia por ter encontrado um grupo de amigos tão bacana me levou inclusive a fazer esse videozinho aqui:</p><p
style="text-align: center;"><span
class="vvqbox vvqyoutube" style="width:425px;height:344px;"><span
id="vvq-5276-youtube-3"><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=a5OBLYlP6lk"><img
src="http://img.youtube.com/vi/a5OBLYlP6lk/0.jpg" alt="YouTube Preview Image" /></a></span></span></p><p>Só que uma coisa curiosa aconteceu nos 4 anos após a produção desse vídeo: praticamente TODOS os broders se distanciaram. Todos arrumaram outros empregos, foram pra faculdade, desenvolveram outros círculos sociais e, em situações mais tristes, alguns passaram a se odiar abertamente. Tem uns 2 ou 3 nesses vídeos acima que não vão com a minha cara de jeito nenhum &#8212; e a recíproca é verdadeira aliás.</p><p>Reassistir esse vídeo sabendo disso me dá uma tristeza desgraçada, aliás, porque no final das contas esse tom meio melancólico do vídeo se torna praticamente profético.</p><p>E isso é foda porque a partir de uma certa idade é bastante difícil fazer novos amigos. Mas a internet, como sempre, veio ao meu resgate.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2012/03/redditguy.jpg" class="broken_link"><img
class="aligncenter  wp-image-5327" title="O alienígena do Reddit" src="http://img.hbdia.com/2012/03/redditguy.jpg" alt="" width="237" height="325" /></a></p><p>Pra quem não conhece, o <a
href="http://www.reddit.com/" target="-blank">Reddit</a> é um dos maiores sites colaborativos do mundo. É a fonte de <strong>TUDO</strong> que você vê no 9gag e, por extensão, do que você vê nos blogs brasileiros de humor.</p><p>Fiquei sabendo recentemente que o Reddit tem áreas (chamadas de &#8220;subreddits&#8221;) dedicadas a cidades. Encontrei o subreddit de Calgary e comecei a bater papo com o pessoal lá. Essa turma se encontra de vez em quando, então resolvi ir lá encontrar com eles.</p><p>E foi uma das melhores decisões que fiz. Imagina conhecer uma cambada de nerds que tem mais ou menos os mesmos interesses, o mesmo senso de humor, o mesmo vício pela internet e pela cultura paralela internética (rage faces, etc)?</p><p>Essa turma tem encontros praticamente <strong>TODO DIA</strong> (hoje mesmo tem um, ao qual infelizmente não posso comparecer porque trabalho hoje, e amanhã tem outro também). Olhaí as fotos da última festa que fui deles:</p><p><iframe
src="http://imgur.com/a/IT1bx/embed" frameborder="0" width="100%" height="550"></iframe></p><p>Esses são os nerds mais gente boa que já conheci. Eu e a patroa, que somos totais novatos, fomos recepcionados de braços abertos. Mal cheguei e já perguntaram meu nome, me deram aquelas etiquetinhas de identificação pra colar na camiseta, me ofereceram comida e birita e foram me apresentando aos outros broders.</p><p>Numa sala rolava um campeonato de Mario Kart 64, em outro jogavam um drinking game baseado em pokemon, no porão tinha um maluco fazendo as vezes de DJ e fazendo as paredes da casa vibrar com ajuda de Skrillex e DeadMau5. Na cozinha tinha uma galera se desafiando a bolar as combinações mais esdrúxulas de bebidas alcólicas.</p><p>Neste fim de semana é o Saint Patrick&#8217;s Day, e vão fazer um kegger (que é um evento que o Urban Dictionary descreve como &#8220;A party at which an immense amount of beer is available&#8221;.) Essencialmente um maluco compra vários BARRIS de cerveja e a parada fica disponível a todos os convivas no estilo self-service. Nem <strong>JESUS CRISTO</strong> ofereceu tanto álcool numa festa e olha que ele podia transformar qualquer copo dágua numa birita!</p><p>Como sempre, aguardem fotos.</p><div
class="linkwithin-hook" id="http://hbdia.com/wordpress/essa-internerd/reddit-e-os-reddit-meetups/"></div><p><script type="text/javascript">
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isPermaLink="false">http://tambotech.com.br/hbdia/?p=4788</guid> <description><![CDATA[Se você está na internet, você já deve ter visto algum conhecido choramingando nas redes sociais sobre os comentários de Carlos Nascimento, um jornalista que até onde eu lembro trabalhava na Globo. Vou facilitar pra você, clicaí: Meio revoltado com a atenção absurda que o recente Estuprogate do Big Brother e da história do &#8220;menos<a
href="http://hbdia.com/wordpress/essa-internerd/o-real-problema-com-a-declaracao-do-carlos-nascimento/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Se você está na internet, você já deve ter visto algum conhecido choramingando nas redes sociais sobre os comentários de Carlos Nascimento, um jornalista que até onde eu lembro trabalhava na Globo. Vou facilitar pra você, clicaí:</p><p
style="text-align: center;"><span
class="vvqbox vvqyoutube" style="width:425px;height:344px;"><span
id="vvq-4788-youtube-1"><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=t9O45Pfl3wc" class="broken_link"><img
src="http://img.youtube.com/vi/t9O45Pfl3wc/0.jpg" alt="YouTube Preview Image" /></a></span></span></p><p>Meio revoltado com a atenção absurda que o recente Estuprogate do Big Brother e da história do &#8220;menos Luíza, que está no Canadá&#8221; receberam pelo país de modo geral, Carlos satiriza a frase-bordão e em seguida editorializa que o Brasil &#8220;já foi mais inteligente&#8221;.</p><p>Evidentemente, o brasileiro (<em>you know</em>, aquele povo bem humorado que leva tudo na esportiva) se ofendeu sobremaneira.</p><p>E sabe duma coisa? Eu discordo do repórter.</p><p>O Brasil é um país que elege o Tiririca e o Collor (este último DUAS VEZES), que permite um sujeito como MC Créu a ter uma carreira de &#8220;artista&#8221;, que catapultou uma garota como a Geisy Arruda à fama nacional por hostilizar sua escolha de vestuário tal qual uma turba insandecida durante a Idade Média, que preenche &#8220;ensino médio completo&#8221; num formulário que pergunta onde se formaram, que reclama das artimanhas de Brasília mas não pensa duas vezes antes de tirar vantagem de alguém, que põe o Sarney na Academia Brasileira de Letras. Eu poderia continuar, mas você entendeu meu ponto.</p><p>O erro do Carlos Nascimento foi nos dar crédito demais ao achar que a Luizamania foi o ponto mais baixo do nosso quoeficiente intelectual coletivo.</p><p>Vocês deviam é agradecer o sujeito, porque na real ele nos elogiou.</p><p><strong>A PROPÓSITO</strong>: o Carlos Nascimento está surpreso e decepcionado porque vê milhões de brasileiros repetindo papagaiamente um bordão sem graça? Imagino que ele não deve ter morado no Brasil na época do &#8220;não é brinquedo não!&#8221; ou &#8220;Ó COITADO!&#8221; ou &#8220;Isso é haram&#8221; ou qualquer outro meme babaca produzido por programa de TV/novela.</p><p>Como falei no começo: se ele julga como sinal de inteligência prévia o fato de que papagaiar bordões jamais aconteceu antes, calcula-se então que nunca houve tal inteligência prévia.</p><div
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isPermaLink="false">http://tambotech.com.br/hbdia/?p=4742</guid> <description><![CDATA[Vão ler um livro.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a
href="http://img.hbdia.com/2012/01/20120115-193855.jpg" class="broken_link"><img
class="size-full aligncenter" src="http://img.hbdia.com/2012/01/20120115-193855.jpg" alt="20120115-193855.jpg" /></a></p><p>Vão ler um livro.</p><div
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isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=3933</guid> <description><![CDATA[Oi macadada! É o seguinte: como os senhores já devem saber eu me casarei ano que vem. E casamento é uma desgraça incrível que eu não desejaria nem ao meu pior inimAhhh que frase nada a ver. Nenhum castigo seria suficiente pro meu pior inimigo. O desgraçado podia colocar as bolas na dobra da porta,...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Oi macadada! É o seguinte: como os senhores já devem saber eu me casarei ano que vem. E casamento é uma desgraça incrível que eu não desejaria nem ao meu pior inimAhhh que frase nada a ver. Nenhum castigo seria suficiente pro meu pior inimigo. O desgraçado podia colocar as bolas na dobra da porta, e em seguida eu fechar a porta com toda a violência berrando estilo Bruce Lee, e ainda não seria o bastante.</p><p>Qual era o assunto mermo? Ah é, casamento.</p><p><a
href="http://img.hbdia.com/2011/09/game-over.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-3934" title="game over" src="http://img.hbdia.com/2011/09/game-over.jpg" alt="" width="240" height="240" /></a></p><p>Toda vez que vejo minha mulher planejando os preparativos do casório e vejo as cifras que ela tá torrando em coisas que pelo amor de deus, seriam as últimas coisas na minha vida nas quais eu gastaria dinheiro (Flores? Arranjos de mesa? VESTIDO DAS DAMAS DE HONRA?! Meu Jesus Cristo, me salve), me dá uma profunda agonia.</p><p>Aí eu descobri uma parada que pode ser uma mão na roda foda para minha pessoa cearense.</p><p>Veja só: Há um site aí nas internerds, o <a
href="http://www.fiverr.com" target="_blank">Fiverr</a>, que consiste em malucos aleatórios oferecendo serviços esdrúxulos pra outros estranhos internéticos pela módica cifra de 5 dólares &#8212; quantia que mal paga um lanche no McDonalds, ou seja, tu tem que fazer dois trampos desse se quiser almoçar. A parada é mendiguística mesmo!</p><p>Tem literalmente de TUDO sendo oferecido lá &#8212; exceto favores sexuais, por enquanto. Dê uma olhada no site, é uma idéia interessante.</p><p>Pensei com meus botões &#8220;nossa, como seria interessante se eu tivesse algum tipo de talento pra oferecer meus serviços por estes cinco dólares aí&#8221;.</p><p>Tipo que cinco dólares é uma mixaria lamentável, mas porra, milhares de vagabundos acessam este blog diariamente. Já pensou se UM POR CENTO deles me dessem cinco dólares? Não tenho a disposição pra abrir a calculadora do Windows mas eu chutarei aqui que seriam 895 dólares.</p><p>Foi aí que me toquei que sim, tenho um talento: eu tenho a atenção de milhares de internautas vagabundos! 22.253 internautas vagabundos, pra ser exato.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2011/09/twitter.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-3935" style="border: 1px solid black;" title="Será possível que esse negócio de ser famoso na internet FINALMENTE servirá pra alguma coisa?!" src="http://img.hbdia.com/2011/09/twitter.jpg" alt="" width="413" height="269" /></a></p><p>Então eu comecei a pensar. Decerto você aí, um estudante e/ou estagiário desocupado, o futuro desta nação brasileira, um dia fantasiou ser famoso na internet e ouvido por <strong>MILHARES</strong> de indivíduos.</p><p>Já pensou? Qualquer merda que der na sua cabeça pode ser exteriorizada no tuíter e vinte mil pessoas são praticamente OBRIGADAS a lerem aquilo, clicarem no seu link, verem sua foto, assistirem seu vlog, lerem seu roteiro de uma novela estrelando Regina Casé e Megan Fox, seja lá o que for.</p><p>Pois bem. <a
href="http://fiverr.com/izzynobre/promote-anything-you-want-to-a-very-large-audience" target="_blank">Eu posso realizar este seu sonho pela ridícula mixaria de 5 dólares</a>.</p><p>O esquema é mais simples que tabuada do 10. Você compra meu &#8220;serviço&#8221; e me diz o que quer que eu tuite. Vou lá, tuito sua parada (ou dou RT em algo que você quiser, tanto faz amigo, a satisfação do cliente é a única coisa que importa) e pronto &#8212; eu estou cinco dólares mais rico e você acaba de expor seja lá o que você quer expor na cara de mais de vinte mil pessoas.</p><p>O pagamento é feito via paypal, que vocês como imagino serem fidalgos já usam. Precisa criar conta no site, mas isso demora precisamente 20 segundos (é só por username, senha e email). E aí pronto: você tem o poder de divulgar qualquer coisa que você quiser por singelos 5 dólares.</p><p>Sério, quem manja de social media sabe que alguém com meu número de seguidores cobraria tipo dez ou vinte vezes esse valor por um tweet pago. Entretanto a idéia de democratizar a parada pra um segmento bem maior de potenciais clientes aderindo a um preço mais barato me soa tamanha maluquice que não consigo resistir. Fico imaginando aqui o tipo de coisa que nego me pedirá pra divulgar sendo o preço tão baixo.</p><p>É isso aí. Decadência? Não há dúvida. Mas imagina que foda quando no meu casamento eu poder dizer &#8220;manja aquela orquídea ali? Quem pagou foi um maluco que queria que eu tuitasse &#8216;SOU VIADO E ADORO PIROMBAS&#8217; quatro vezes durante horários de pico na internet!&#8221;</p><p>Vamo lá meu filho. Quer divulgar sua banda, seu conto de ficção científica, tua home page de Pokemon, ou simplesmente me usar como porta-voz pra mandar sua ex-namorada tomar no cu&#8230;? <strong><a
href="http://fiverr.com/izzynobre/promote-anything-you-want-to-a-very-large-audience" target="_blank">Você tem pode fazer isso pra 22 mil internautas por apenas ridículos cinco obamas!</a></strong></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/essa-internerd/estou-me-prostituindo-e-voce-sera-meu-primeiro-cliente/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>76</slash:comments> </item> <item><title>Esta juventude de hoje está completa e irremediavelmente fodida e acho que sei porque</title><link>http://hbdia.com/essa-internerd/esta-juventude-de-hoje-esta-completa-e-irremediavelmente-fodida-e-acho-que-sei-porque/</link> <comments>http://hbdia.com/essa-internerd/esta-juventude-de-hoje-esta-completa-e-irremediavelmente-fodida-e-acho-que-sei-porque/#comments</comments> <pubDate>Tue, 23 Aug 2011 17:50:22 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Essa internerd...]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=3793</guid> <description><![CDATA[Estava eu um dia desses qualquer espalhando alegria pelo tuíter quando um jovem rapaz juvenil me manda a seguinte missiva: Não é a primeira vez que vejo no tuíter um garoto que deveria estar treinando pokemons lamentando-se do fato de que embuchou a namoradinha. Cocei a barba, pensativo, porque esse é um dos grandes motivos...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Estava eu um dia desses qualquer espalhando alegria pelo tuíter quando um jovem rapaz juvenil me manda a seguinte missiva:</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2011/08/teen.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-3794" style="border: 1px solid black;" title="Essa juventude está fodida" src="http://img.hbdia.com/2011/08/teen.jpg" alt="" width="608" height="242" /></a></p><p>Não é a primeira vez que vejo no tuíter um garoto que deveria estar treinando pokemons lamentando-se do fato de que embuchou a namoradinha. Cocei a barba, pensativo, porque esse é um dos grandes motivos pra se manter uma barba. Nunca desperdiço uma oportunidade de ponderar alguma questão enquanto acaricio a barba.</p><p>Óbvio que no meu tempo também havia gravidez indesejada de adolescentes vacilões, mas não no volume que parece acontecer hoje. A MTV até bolou um programa que glorifica essa merda, o <em><a
href="http://en.wikipedia.org/wiki/16_and_Pregnant" target="_blank">16 and Pregnant</a></em>.</p><p>Eu estava confabulando sobre o fenômeno com colegas da minha faixa etária e creio que descobrimos o motivo pelo qual as gravidez adolescentes estão em alta: de acordo com meus comparsas, não existe mais &#8220;aula&#8221; de educação sexual nos colégios.</p><p>Digo &#8220;aula&#8221; com as famosas aspas sarcásticas porque na real aquilo não era aula. A moçada mais velha deve lembrar da atividade.</p><p>A coordenadora reunia toda a galera do ensino médio (ou seja, os mais prováveis fornicadores) no auditório e nos informava que daria início a uma sessão de educação sexual. Quando a turma parava de rir, começava um verdadeiro show de horrores em formato de slides.</p><p>&#8220;<em>Isso aqui é cancro mole</em>&#8220;, dizia a coordenadora enquanto exibia um slide de uma piroca toda arrebentada. A molecada gemia em uníssono, sem dúvida imaginando aquela estrovenga moribunda como a sua própria. &#8220;Já pensou, cara? Puta que pariu!&#8221;</p><p>A mulher então esperava que o horror daquela imagem se queimasse permanentemente nas nossas retinas e continuava, <em>&#8220;e este aqui é a gonorréia&#8221;</em>. O dedo clicava no controle remoto e o projetor exibia outra imagem de um piru completamente estourado. A molecada até berrava de terror nesse momento.</p><p>Sentindo-se satisfeita, a mulher clicava o projetor mais uma vez. Uma traumatizante vagina escancarada e cheia de pus e perebas na tela. <em>&#8220;Isso é o resultado de herpes. Tem que tomar cuidado, sexo é perigoso!&#8221;. </em>Certeza que muitos voltaram pra casa naquele dia decididos à dedicar a vida ao celibato punhetístico.</p><p>E isso pra não mencionar a pior DST de todas: gravidez.</p><p>No meu caso, eu fui criado em lar evangélico. Sexo era visto como tabu total pela comunidade cristã (só se podia fazer amor com intuito explícito de procriação, e completamente vestidos, no escuro, utilizando um lençol com um buraco no meio, e sem olhar um pro outro), então desde moleque eu já tinha um certo medo da coisa. Eu achava que Lúcifer em pessoa viria a este plano de existência roubar minha alma se eu sequer pensasse em coabitar premaritalmente.</p><p>Lembro quando uma das primeiras namoradinhas começou a planejar nossa ida a um motel para finalmente consumar o ato físico do amor (ou seja, fodelância pecaminosa), eu estava com um pé atrás. Ou seja, quando moleque eu já fui programado para temer interações sexuais por medo de perder minha alma; imagina então quando me dizem na escola que minha piroca pode explodir como resultado de uma inocente trepadinha.</p><p>É, amigos. Por causa dessas terríveis fobias só fui perder a virgindade muitos anos após as primeiras oportunidades aparecerem. Por um lado me arrependo de ter recusado tanta menininha atiçada; por outro, me sinto aliviado de não ter pego perebas e/ou colocado meninos nesse mundo maldito.</p><p>Um grande amigo meu encontra-se naquele terror clássico da menstruação atrasada da periguete que ele andava amassando. Sim, &#8220;amassando&#8221;. Tenho muita classe.</p><p>Esse meu broder chega no MSN desesperado, relatando que a menstruação da garota atrasou quase um mês já. Obviamente o rapaz me contava a história esperando que eu dissesse algo como &#8220;calma cara, pode não ser nada ainda, vai que ela nem está grávida&#8230;&#8221;. Queria que o amigo contasse pra ele exatamente o que ele queria ouvir.</p><p>E evidentemente não fiz esse favor. Acredito na honestidade brutal. Quando o cara me perguntou o que eu achava da situação, falei apenas:</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2011/08/positivi.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-3796" style="border: 1px solid black;" title="Ou DAILEON" src="http://img.hbdia.com/2011/08/positivi.jpg" alt="" width="306" height="78" /></a></p><p>Obviamente meu colega se chateou do meu prognóstico da situação, mas fazer o que? Ele deveria ter prestado atenção naqueles slides lá.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/essa-internerd/esta-juventude-de-hoje-esta-completa-e-irremediavelmente-fodida-e-acho-que-sei-porque/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>65</slash:comments> </item> <item><title>O blog criminoso de ontem e o fail do sofativismo</title><link>http://hbdia.com/essa-internerd/o-blog-criminoso-de-ontem-e-o-fail-do-sofativismo/</link> <comments>http://hbdia.com/essa-internerd/o-blog-criminoso-de-ontem-e-o-fail-do-sofativismo/#comments</comments> <pubDate>Mon, 27 Jun 2011 17:28:51 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Essa internerd...]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=3412</guid> <description><![CDATA[Sofativismo é a aportuguesação do termo gringo &#8220;slacktivism&#8221; &#8212; que é por sua vez um portmanteau das palavras &#8220;slacker&#8221; (&#8220;preguiçoso&#8221;, &#8220;vagabundo&#8221;, &#8220;sem ambição&#8221; &#8212; era o termo que o diretor do McFly usava pra descrever o moleque, lembra?) e &#8220;activism&#8221;, que dispensa tradução. O sofativismo é o hábito de abraçar causas mas apenas na extensão de...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Sofativismo é a aportuguesação do termo gringo &#8220;slacktivism&#8221; &#8212; que é por sua vez um <em>portmanteau</em> das palavras &#8220;slacker&#8221; (&#8220;preguiçoso&#8221;, &#8220;vagabundo&#8221;, &#8220;sem ambição&#8221; &#8212; era o termo que o diretor do McFly <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=3ndJNXCkNxg" target="_blank">usava pra descrever o moleque</a>, lembra?) e &#8220;activism&#8221;, que dispensa tradução. O sofativismo é o hábito de abraçar causas mas apenas na extensão de dar alguns cliques ou mudar o avatar no Facebook. Em outras palavras, ativismo de sofá.</p><p>A prática é criticada pela sua falta de eficácia e pelo falso sentimento de participação em causa nobre que os &#8220;ativistas&#8221; trajam como uma medalha de honra. Pelo menos, no geral, sofativismo é inofensivo. Não leva a causa à frente de uma forma tangível mas também não a causa dano; não fede nem cheira.</p><p>Obviamente, há sempre uma exceção à regra.</p><p>Como os sites de notícia já devem ter reportado a essa altura, ontem à noite explodiu no tuíter um site com fotos e vídeos de atos sexuais envolvendo crianças. Não sei exatamente o que o site portava porque não acessei essa desgraça, eu nem estava na internet quando a coisa polemizou e dominou as timelines; eu estava estudando química pro meu próximo &#8220;vestibular&#8221; lá.</p><p>(A propósito, passei com 86% no de biologia!)</p><p>Então, alguém soltou o link do blog no tuíter. Nasceu do éter o inexplicável sentimento de &#8220;temos que mostrar isso pra o máximo número de pessoas possível, porque isso ajuda a situação&#8221; e uma cambada de maluco começou a mandar o link pras suas celebridades tuitísticas favoritas, sabendo que um tweet de alguém com dezenas de milhares de seguidores daria à causa o impulso que ela precisava.</p><p>E a causa, presumo, seria denunciar o site às autoridades competentes. Saiu até um trending topic da coisa: #pedofilianao.</p><p>Não sei exatamente quem foi o primeiro famosão que divulgou o link; fiquei sabendo de alguns que fizeram isso mas, em virtude do que explicarei a seguir, prefiro nem mencionar nomes pra não ser processado.</p><p>Explicarei em três quesitos por quê a mera idéia de divulgar o link no intuito de denunciar o site é uma noção completamente imbecil da qual você deveria se envergonhar:</p><p><strong>1) É ilegal.</strong></p><p>Talvez isso choque a muitos, mas divulgar material pedófilo é legalmente equivalente a produzi-lo. <a
href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.764.htm#art4" target="_blank">Atente à lei</a>:</p><blockquote><p>Art. 3o O art. 240 da Lei no 8.069, de 1990, passa a vigorar com a seguinte redação:</p><p>&#8220;Art. 240. Produzir ou dirigir representação teatral, televisiva, cinematográfica, atividade fotográfica ou de qualquer outro meio visual, utilizando-se de criança ou adolescente em cena pornográfica, de sexo explícito ou vexatória:</p><p>Pena &#8211; reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.</p><p
style="text-align: center;">&#8212;</p><p>Art. 4o O art. 241 da Lei no 8.069, de 1990, passa a vigorar com a seguinte redação:</p><p>&#8220;Art. 241. Apresentar, produzir, vender, fornecer, <strong>divulgar</strong> ou publicar, <strong>por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet</strong>, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente:</p><p>Pena &#8211; reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.</p></blockquote><p>Poisé. Mesma pena e, presumivelmente, mesma multa. O crime é equivalente. A lei não faz exceção praqueles que linkaram com boas intenções.</p><p>Não é nem necessário conhecer a lei pra chegar à conclusão de que repassar impetuosamente um link como esse é, na melhor das hipóteses, legalmente duvidoso (e alegar desconhecimento da lei não alivia pra ninguém, também. <a
href="http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103258/lei-de-introducao-ao-codigo-civil-decreto-lei-4657-42" target="_blank">Leia o artigo 3o</a>).</p><p>Todos vocês que passaram o link adiante estão, perante a lei, no mesmo patamar daqueles que produziram as imagens e uploadearam pra internet. Divulgar o tal site é legalmente idêntico a xerocar imagens de pornografia com crianças e espalhar pela cidade.</p><p>Os juristas talvez argumentem que &#8220;mas não houve dolo&#8221;; embora estejam tecnicamente corretos, divulgar pedofilia é algo que não quero no meu currículo, mesmo que apenas culposamente.</p><p><strong>2) É contra-produtivo.</strong></p><p>No momento em que você entende o simples fato de que a finalidade dos criminosos em disponibilizar o tal site é justamente expo-lo e torna-lo disponível ao maior número de pessoas possível, você chegará à inescapável conclusão de que ao retuitar o link com tom alarmista e chamando atenção máxima a ele, você essencialmente trabalhou em prol do objetivo dos pedófilos.</p><p>Em outras palavras, a galera que tinha como objetivo (presumivelmente) combater a disseminação da pornografia infantil fez exatamente o contrário. Parece um prognóstico assustador, mas é uma certeza probabilística de que há entre o nosso meio virtual gente (talvez conhecidos) que curtem esse tipo de perversão. Vocês entregaram a parada a domicílio pra eles.</p><p>E pra piorar tudo, ao inflar o número de visitas que o site recebeu, vocês destruiram uma das poucas ferramentas que as autoridades tem pra ir atrás dos criminosos &#8212; o log de visitas do site. Supondo que o google liberasse tal informação (o site era hospedado no Blogspot, que pertence à gigante de busca), seria agora impossível diferenciar os reais pervertidos, da galera que clicou com curiosidade. Vocês jogaram um palheiro ao redor das agulhas.</p><p>Isso pra não entrar no assunto de que seria virtualmente impossível provar pra um juiz que você acessou um site com referência a pornografia infantil na URL (não me arrisco nem a citar o endereço aqui, por via das dúvidas) <em>acidentalmente.</em></p><p><strong>3) É uma premissa completamente idiota</strong></p><p>Vamos parar pra pensar no <strong>POR QUE</strong> de divulgar febrilmente tal link seria algo positivo. O que li no twitter e no Facebook é que &#8220;quanto mais gente denunciar, melhor&#8221;.</p><p>Tal premissa é tão inocente quanto é retardada. Estamos falando de um site explicitamente ilegal. O próprio endereço da página deixava bastante clara a natureza do conteúdo. Não são necessárias 50 mil denúncias pra que as autoridades competentes levem a coisa a sério. O Google tem um bom histórico de remover prontamente material ofensivo ou ilegal; tente uploadear um trecho de um filme pornográfico pro youtube e veja quanto tempo demora pra apagarem o vídeo e banirem sua conta.</p><p>O fiasco de ontem é sem dúvida o reflexo da personalidade coletiva de uma comunidade obcecada por emplacar trending topics. O método &#8220;paredão do Big Brother&#8221; &#8212; quanto mais gente votando, melhor &#8212; não é a melhor forma de resolver problemas reais; como falei no começo, as vezes faz é piorar a situação.</p><p>Me parece absurdo ter que explicar que não, sair divulgando link pra site de pornografia infantil não é algo que uma pessoa que detem suas capacidades mentais devam fazer (e a lei não discerne pretextos, como já mostrei) mas essa é a internet maluca em que vivemos.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/essa-internerd/o-blog-criminoso-de-ontem-e-o-fail-do-sofativismo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>106</slash:comments> </item> <item><title>Alguém no UOL lê o HBD&#8230;</title><link>http://hbdia.com/essa-internerd/alguem-no-uol-le-o-hbd/</link> <comments>http://hbdia.com/essa-internerd/alguem-no-uol-le-o-hbd/#comments</comments> <pubDate>Thu, 02 Jun 2011 13:00:52 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Essa internerd...]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=3360</guid> <description><![CDATA[Eu já havia mencionando antes aqui no HBD que há um pequeno representativo de leitores do HBD espalhados pelas redações de sites jornalísticos. Por causa disso já fui convidado pelo Estadão pra falar sobre minha experiência com trolls, apareci no Gizmodo dando minha opinião sobre o caso do &#8220;ataque&#8221; ao Legendas.tv, e, mais bizarramente de...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Eu já havia <a
href="http://hbdia.com/wordpress/grandes-malandros/a-gafe-da-nasa" target="_blank">mencionando antes aqui no HBD</a> que há um pequeno representativo de leitores do HBD espalhados pelas redações de sites jornalísticos. Por causa disso já fui convidado pelo Estadão pra falar sobre <a
href="http://blogs.estadao.com.br/link/fui-um-troll/" target="_blank">minha experiência com trolls</a>, apareci no Gizmodo dando minha opinião sobre <a
href="http://www.gizmodo.com.br/conteudo/legendastv-fora-do-ar-acao-do-governo-dos-eua-ou-cracker/" target="_blank">o caso do &#8220;ataque&#8221; ao Legendas.tv</a>, e, mais bizarramente de todos, apareci no Terra (citado como um reles &#8220;tuiteiro&#8221;, hahaha, que merda!) <a
href="http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4824180-EI238,00-Diretora+da+Nasa+se+estao+decepcionados+sinto+muito.html" target="_blank">criticando aquele estardalhaço que a NASA deu sobre bactérias que usam arsênio invés de fósforo no DNA</a>.</p><p>E isso é bacana. Nada tão massageador ao nossos frágeis egos do que a validação de ser citado por um suposto bastião jornalístico de integridade e verdade como algum tipo de tuiteiro especialista (ainda que ser mencionado como &#8220;tuiteiro&#8221; essencialmente confirme que eu não fiz nada de útil nos meus 26 anos de existência, e quando paro pra pensar isso não é nada lisongeiro, é deprimente, isso sim).</p><p>Então. Fui contatado (contactado? Ainda se usa essa forma da palavra? Já que estamos falando nisso, é ótica ou óptica?) pelo UOL Tecnologia nesta semana; aparentemente alguém viu meu texto explicando <a
href="http://hbdia.com/wordpress/tech-toys/ipad-2-porque-nao-comprarei" target="_blank">porque não comprarei o iPad 2</a>, e era bastante relevante à matéria sobre o gadget que eles estavam prestes a fazer.</p><p>Então, filmei um videozim aqui, e eles colocaram na reportagem que fizeram em que apresentam o iPad a donas de casa, taxistas e o que parece ser um torcedor do Corinthians. <a
href="http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/multi/?hashId=uol-tecnologia-leva-ipad-2-s-ruas-ser-que-agrada-a-todos-0402CC9C3160D4B11326&amp;mediaId=11650193" target="_blank">Clica aí pra ver</a>.</p><p>Caso você esteja curioso, <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=vvYaVaAOs0Y" target="_blank">esta é a versão completa que eu filmei pra parada</a>.</p><p>E agora deixa eu terminar a conclusão da epopéia da &#8220;suspensão&#8221;.</p><p>&nbsp;</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/essa-internerd/alguem-no-uol-le-o-hbd/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>42</slash:comments> </item> <item><title>Brasileiros não sabem usar o Facebook</title><link>http://hbdia.com/essa-internerd/brasileiros-nao-sabem-usar-o-facebook/</link> <comments>http://hbdia.com/essa-internerd/brasileiros-nao-sabem-usar-o-facebook/#comments</comments> <pubDate>Thu, 26 May 2011 19:10:19 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Essa internerd...]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=3334</guid> <description><![CDATA[Este é o tipo de texto que eu não gosto de escrever porque consigo antecipar as reações de alguns leitores nos comentários. Mimimimi esse babaca se acha porque mora no Canadá mimimimi. É especialmente cansativo ouvir essa reclamação-curinga porque na maioria das vezes a minha crítica não é comparativa ao Canadá, o que torna o...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Este é o tipo de texto que eu não gosto de escrever porque consigo antecipar as reações de alguns leitores nos comentários. Mimimimi esse babaca se acha porque mora no Canadá mimimimi.</p><p>É especialmente cansativo ouvir essa reclamação-curinga porque na maioria das vezes a minha crítica não é comparativa ao Canadá, o que torna o mimimi imbecil e, mais importante que isso, característica de complexo de inferioridade. Se todos os meus textos seguissem o modelo &#8220;o Brasil sucks por causa de X, aqui no Canadá é Y&#8221;, vá lá &#8212; haveria mais substância no argumento de que eu comparo o Brasil ao Canadá pra me auto-afirmar.</p><p>Esse tipo de deslumbre (que é mais comum ao imigrante recém-chegado) realmente é irritante e eu não vou dizer que nunca fiz esse tipo de comparação.</p><p>Mas a questão é que nego não pode ler uma crítica sequer sobre o Brasil vinda de um emigrante que imediatamente interpretam com esse coitadismo.</p><p>Não precisa nem ser crítica, aliás. Semana passada fui convidado pelo youpix pra escrever <a
href="http://youpix.com.br/colunistas/ctrl-c-ctrl-v-de-um-grande-polemica/" target="_blank">essa coluna sobre plágio na internet</a>. Note você o <strong>TOTAL CHILIQUE</strong> que fizeram nos comentários só porque eu, supondo que o público do youpix é totalmente diferente do meu público, me apresentei citando onde moro.</p><p>Me dá muita pena imaginar que tem gente  cujo esfíncter se contorce todo de dor e agonia simplesmente por saber que alguém mora no exterior. Tomar no rabo, né, porra.</p><p>Então, a partir de hoje, me façam este favor: quando vocês lerem qualquer crítica minha em relação ao Brasil ou brasileiros, finja que eu moro no Azerbaijão. Você notará que a crítica ainda faz sentido, independente de onde eu moro. Ou apenas lembre das ocasiões em que <strong>VOCÊ MESMO</strong> criticou o Brasil ou brasileiros.</p><p>Enfim, o facebook.</p><div
id="attachment_3335" class="wp-caption aligncenter" style="width: 463px"><a
href="http://img.hbdia.com/2011/05/FACEBOOK.jpg"><img
class="size-full wp-image-3335" style="border: 1px solid #000000;" title="FACEBOOK" src="http://img.hbdia.com/2011/05/FACEBOOK.jpg" alt="" width="453" height="421" /></a><p
class="wp-caption-text">Eu tenho certeza plena de que sequer conheço 288 pessoas, que dirá tenho 288 amigos</p></div><p>Brasileiros tem um histórico em relação a mal comportamento em redes sociais. Nos primórdios do orkut, nossos conterrâneos &#8220;invadiam&#8221; comunidades de língua inglesa e tocavam a conversar em português entre si, pra desgosto dos participantes gringos. Nossa participação em MMOs resultam em tirinhas como <a
href="http://e621.net/data/99/cb/99cb9e882c32b64306dca3384a92fdb7.png" target="_blank">esta</a>.</p><p>No facebook, usamos eventos pra mandar mensagens. Olha essa desgraça:</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2011/05/desgraça3.jpg" class="broken_link"><img
class="aligncenter size-full wp-image-3336" style="border: 1px solid #000000;" title="desgraça" src="http://img.hbdia.com/2011/05/desgraça3.jpg" alt="" width="600" height="298" /></a></p><p>E além disso, temos (note o uso da primeira pessoa, quem sabe os coitadistas param de encher o saco) o hábito de sair adicionando todo mundo como &#8220;amigo&#8221;. O raciocínio que leva alguém a me adicionar no facebook é literalmente este:</p><blockquote><p>&#8220;Gosto do site desse cara, sou amigo dele!&#8221;</p></blockquote><p>E existem diversos problemas dessa prática de estender sua esfera de &#8220;amigos&#8221; pra diversos desconhecidos na internet.</p><p>Isso talvez pareça contraditório vindo de um cara que expõe tanto a vida pessoal como eu, mas isso é porque vocês não sabem que no meu twitter, twitpic, HBD e etc, eu <em>escolho e filtro exatamente que partes da minha vida vocês conhecem</em>.  Eu tenho pleno e total controle sobre a pequena fração da minha vida que vocês conhecem. Já notaram que eu não divulgo nomes de colegas de trabalho, nem o nome da loja onde eu trabalho, ou sobrenomes de amigos?</p><p>Muitos de vocês talvez nem saibam que eu tenho uma irmã, né? E minha mãe? Vocês provavelmente nunca me viram falar dela por aqui.</p><p>E há um motivo simples pra isso. Mesmo nesse nosso mundo hiperconectado de twitpics instantâneos do que eu estou comendo e checkins no 4square, ainda é saudável e prudente omitir alguns detalhes da sua vida pessoal. O que tem de stalker sinistro na internet é de dar medo.</p><p>E é por isso que eu não aceito no Facebook pessoas que eu não conheço pessoalmente. Enquanto no meu twitter eu tenho controle total da pequena janela através da qual você vê minha vida, o mesmo não acontece no Facebook &#8212; um amigo retardado ou um colega de trabalho sem noção pode chegar e soltar algo (ou por minha tag numa foto, por exemplo) que entre amigos passa, mas que eu não gostaria que fosse exposto pra meio mundo. <strong></strong></p><p><strong>ESSA </strong>é a diferença. E é por isso que no meu Facebook só adiciono amigos.</p><p>O problema é que é impossível explicar isso pra brasileiros. Nós somos grandes adeptos do social networking (vide a forma como o orkut explodiu no Brasil, e era usado até mesmo como substituto pra email. &#8220;Apaga esse depô quando ler!!!!&#8221;), e portanto é incompreensível que algumas pessoas prefiram não aceitar entre seu meio social completos desconhecidos.</p><p>Outro lance é que eu não tenho lá tanto interesse assim de ler status ou ver fotos de gente que eu não faço a menor idéia quem seja. Houve uma época que eu saí adicionando leitores do HBD no Facebook e a parada perdeu totalmente o sentido de ser. Eu acessava aquela merda pra ver o que os amigos andam fazendo, e invés disso apareciam milhões de posts e fotos de nego que eu nunca sequer vi na vida. What&#8217;s the point?</p><p>Meu litmus test pra adicionar alguém no Facebook é &#8220;eu já sentei pra falar bobagem com este sujeito alguma vez na minha vida?&#8221;. Caso a resposta seja &#8220;não&#8221;, não vejo motivo pra adicionar o sujeito.</p><p>Não é estrelismo, é uma questão de usos diferentes da plataforma. Não uso aquele negócio pra bater papo com leitores (pra isso existe twitter, email, comentários, mil outras formas). Facebook pra mim é uma parada pra manter contato com amigos.</p><p>Até porque, como eu realmente só tenho amigo &#8220;real&#8221; gringo, todos os meus status updates são em inglês, e vocês vão achar que eu tou falando inglês pra me exibir porque moro no Canadá.</p><p><strong>A PROPÓSITO!</strong> Já que já estou cagando regra mesmo, bora parar de chamar essa porra de FÊICE? Sério, isso é um atestado absoluto de sebosidade espiritual. Face, note(book), isso é lamentável e asqueroso. Nem no tuíter isso é perdoável, e olha que lá tem limite de caracteres.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/essa-internerd/brasileiros-nao-sabem-usar-o-facebook/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>162</slash:comments> </item> <item><title>A suposta &quot;farsa&quot; da imigração canadense</title><link>http://hbdia.com/essa-internerd/a-suposta-farsa-da-imigracao-canadense/</link> <comments>http://hbdia.com/essa-internerd/a-suposta-farsa-da-imigracao-canadense/#comments</comments> <pubDate>Mon, 16 May 2011 16:26:37 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Essa internerd...]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=3240</guid> <description><![CDATA[Já já eu posto a continuação do texto sobre a minha suspensão (tal quais os grandes mestres das continuações cinematográficas, escrevi ambos textos simultaneamente; o segundo &#8220;capítulo&#8221; já tá prontinho). Antes que possamos voltar à história, no entanto, queria chamar a atenção de vocês pra um negócio que me diz respeito. Se eu sou um...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Já já eu posto a continuação do texto sobre a minha suspensão (tal quais os grandes mestres das continuações cinematográficas, escrevi ambos textos simultaneamente; o segundo &#8220;capítulo&#8221; já tá prontinho). Antes que possamos voltar à história, no entanto, queria chamar a atenção de vocês pra um negócio que me diz respeito.</p><p>Se eu sou um &#8220;personagem&#8221; nesta imensa internet, há algumas características icônicas que me definem: minha adoção da iconografia clássica do Mario, meu espírito nostálgico, minha preferência por aparelhos portáteis da Apple, e o fato de que eu moro no Canadá.</p><p>O que acaba acontecendo é que sempre que rola uma notícia na internet relevante a uma dessas características, eu a recebo de 500 fontes diferentes. Qualquer coisa relacionada a Mario, nostalgia, iPhone ou Canadá chega na minha caixa de mensagens ou nas mentions do tuíter em velocidade recorde. O pessoal sempre faz associação entre essas coisas e eu, conclui que seria do meu interesse ter conhecimento disso, e manda pra mim.</p><p
style="text-align: left;"><div
id="attachment_3242" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a
href="http://img.hbdia.com/2011/05/mario-cake.jpg"><img
class="size-full wp-image-3242 " title="mario cake" src="http://img.hbdia.com/2011/05/mario-cake.jpg" alt="" width="400" height="535" /></a><p
class="wp-caption-text">Sempre que alguém decide fazer um bolo temático sobre o Mario, tirar uma foto e pôr na internet, eu recebo essa foto 800 mil vezes por MSN, tuíter e email</p></div><p
style="text-align: left;">Quando os (agora defuntos) sites notcanada.com e notcanada.net surgiram e causaram uma considerável polêmica nas comunidades de imigrantes no orkut, eu não prestei muita atenção. Vi, por alto, que se tratava de um apanhado de relatos de imigrantes que se deram mal aqui, e agora fazem tudo o que podem pra alertar os demais interessados em imigrar para o Canadá.</p><p
style="text-align: left;">Como não é uma situação com a qual eu me identifique e os textos eram muito longos e desinteressantes, abandonei a empreitada de entender do que se tratavam os sites. Por mais que eu recebesse email e comentários quase diários no HBD perguntando sobre minha opinião a respeito dos sites &#8212; o que atestava que eles haviam adquirido considerável alcance &#8211;, eu continuava desinteressado.</p><p
style="text-align: left;">Isso é, até ontem.</p><p
style="text-align: left;">Não lembro quem, mas um dos meus seguidores no tuíter me mandou o <a
href="http://imigracaocanadense.blogspot.com/2009/06/o-programa-de-imigracao-canadense-e-uma.html" target="_blank">seguinte texto</a> e perguntou minha opinião. O autor (que não parece ser o responsável pelos notcanadas originais mas promove-os e usa-os como base pra alguns argumentos) alega ser brasileiro naturalizado canadense que, após um número não determinado de anos vivendo no Canadá, desistiu de tudo e voltou correndo com o rabo entre as pernas para o Brasil-sil-sil.</p><p
style="text-align: left;">Como eu estava com um tempinho de sobra ontem, resolvi ler o texto pra entender os argumentos do cara.</p><p
style="text-align: left;">E se você clicou no link e tentou ler o post, você deve ter chegado à mesma conclusão que eu &#8212; não há nenhum argumento na verdade. O cara sequer explica de forma coerente e compreensível a sua história no Canadá. Ele enrola bastante (alguns trechos em particular parecem redigidos pelo <a
href="http://www.lerolero.com/" target="_blank">Gerador de Lero Lero</a>) e cita dados sem fonte alguma &#8212; e os que eu me dei ao trabalho de pesquisar provaram-se errados, aliás.</p><p
style="text-align: left;">No geral, todo aquele post passa uma fortíssima sensação de história mal contada. Resolvi explorar o texto a fundo. Eu tava com bastante tempo livre.</p><p
style="text-align: left;">Logo de cara, o texto abre com uma característica que viraria lugar comum no discurso do tal imigrante anônimo: ele exalta os Estados Unidos e esculacha o Canadá, que na opinião dele &#8220;vive na sombra da grande fama conquistada pelo irmão rico, a importância do reflexo de pertencer a América do Norte.&#8221;</p><p
style="text-align: left;">A frase não faz nenhum sentido prático. O que exatamente significa &#8220;viver na sombra da grande fama conquistada pelo irmão rico&#8221;, no contexto de países&#8230;? A segunda parte da frase, &#8220;a importância do reflexo de pertencer a América do Norte&#8221;, é pura encheção de linguiça.</p><p
style="text-align: left;">Essa frase por si só é uma bela amostra do texto: argumentos incompreensíveis e enrolação. Vamos adiante.</p><p
style="text-align: left;">Em seguida ele arrisca uma comparação entre Estados Unidos/Canadá com uma alegoria entre Búzios/Cubatão (novamente deixando claro nas entrelinhas que os EUA era onde ele realmente queria morar).</p><p
style="text-align: left;">Você pode desconsiderar toda a analogia do sujeito levando em consideração que ele alega que Cubatão tem praia &#8212; solidificando a impressão de que o cara não faz idéia do que está falando.</p><div
id="attachment_3243" class="wp-caption aligncenter" style="width: 348px"><a
href="http://img.hbdia.com/2011/05/praia.jpg"><img
class="size-full wp-image-3243 " style="border: 1px solid #000000;" title="praia" src="http://img.hbdia.com/2011/05/praia.jpg" alt="" width="338" height="311" /></a><p
class="wp-caption-text">A bela orla marítima de Cubatão</p></div><p
style="text-align: left;">Provando que nada é impossível àqueles cujo raciocínio não é limitado pela lógica, até comparação com o nazismo o cara mete no meio da analogia. Vamos adiante.</p><p
style="text-align: left;">Aliás, é difícil resenhar o texto do cara de forma objetiva. Tente ler por si próprio: não há uma grande coerência por trás do discurso do cara. Ele vocifera &#8220;fatos&#8221; e <a
href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Evidência_anedótica" target="_blank">evidências anedóticas</a> negativas sobre o Canadá sem jamais citar fonte alguma; o cara jamais explica em detalhes qual foi o grande mal que o Canadá lhe causou.</p><p
style="text-align: left;">Os argumentos dele essencialmente são:</p><ul><li
style="text-align: left;">Não há empregos no Canadá (não recebi esse memorando, porque eu tenho um emprego, e todos os meus amigos também);</li><li
style="text-align: left;">O Canadá é muito frio (pera, o cara quer imigrar pro país e só descobriu que aqui faz frio quando chegou aqui?);</li><li
style="text-align: left;">Canadenses são muito preconceituosos (Notou a inerente ironia dessa generalização?);</li><li
style="text-align: left;">A criminalidade no Canadá é de nível absurdo (dispensa comentários);</li></ul><p
style="text-align: left;">Como mencionei, não há fonte apresentada pra nenhuma afirmação que o sujeito faz, e as que eu pesquisei mostrararam-se erradas (por ignorância ou malícia, impossível saber). O cara alegou que há uma potente forma de maconha chamada &#8220;BC Bud&#8221; que &#8220;canadenses cultivam, comercializam e consomem por lá&#8221;.</p><p
style="text-align: left;">Maconha não é legal no Canadá, e eu não faço idéia de onde ele concluiu o contrário. Somente alguém que passou muito pouco tempo no Canadá &#8212; ou está mentindo descaradamente &#8212; diria isso.</p><p
style="text-align: left;">O sujeito fala também que o desemprego no Canadá ultrapassa o dos Estados Unidos, o país que ele vê como a Terra Prometida. Bem, não é o caso &#8212; compare o as taxas de desemprego <a
href="http://www.tradingeconomics.com/canada/unemployment-rate" target="_blank">canadense</a> com o dos <a
href="http://www.tradingeconomics.com/united-states/unemployment-rate" target="_blank">EUA</a>.</p><p
style="text-align: left;">Ele soltou no meio do texto que o Canadá é o líder mundial de suicídios per capita, o que <a
href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_suicide_rate" target="_blank">também não é verdade</a>.</p><p
style="text-align: left;">Ele falou que a saúde canadense é muito pior que a americana, o que é um patente disparate &#8212; não sei aí no Brasil, mas aqui na América do Norte é de conhecimento público que o sistema de saúde americano é um absurdo, beneficiando completamente as empresas de planos de saúde e fodendo a turma que precisa. Michael Moore <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=8BJyyyRYbSk" target="_blank">fez um filme a respeito disso</a>, aliás.</p><p
style="text-align: left;">Ser diagnosticado com alguma doença séria nos EUA significa entrar em falência. No Canadá, por outro lado, o sistema de saúde é público. Tenho um caso recente que ilustra bem a diferença entre sistema de saúde canadense e americano: minha mulher teve que fazer uma tomografia semana passada. Foi na clínica, foi examinada pelo médico (de graça), e foi marcada a tomografia pra semana seguinte. Levei-a no hospital, esperamos mais ou menos 10 minutos. A tomografia em si é super rápida, não demorou nem cinco minutos. Custo final: $0.</p><p
style="text-align: left;">Nos EUA, tomografias custam <a
href="http://www.comparecatscancost.com/" target="_blank">entre $600 e $3000 dólares</a> (sem contar que o médico que te examina e receita a tomografia também cobra a consulta). E isso é apenas uma ferramenta de diagnóstico, imagine os preços de tratamentos nos Estados Unidos.</p><p
style="text-align: left;">Isso são apenas algumas das lorotas que o sujeito tece lá no site. Existe várias outras, mas eu não tenho paciência de expor as mentiras uma por uma. O texto é muito cansativo de ler; é alarmista ao extremo sem citar dados concretos ou fonte alguma que seja.</p><p
style="text-align: left;">Parece muito, aliás, com aqueles emails que a gente recebia nos anos 90 alertando das agulhas infectadas com HIV escondidas na areia da praia, ou da &#8220;carne de minhoca&#8221; que o McDonalds usava pra fazer seus hamburgers. Sensacionalismo quase cartunesco de tão exagerado.</p><p
style="text-align: left;">Pra mim, a mentira que revelou todo o embuste que é esse site foi o seguinte trecho, que ele postou nos comentários como resposta a um leitor:</p><blockquote><p>Do mesmo modo que você, eu também conheço muitos brasileiros (particularmente, quase fui um deles &#8211; só não fui porque voltei a tempo ao Brasil &#8211; a tempo de rasgar o meu cartão de residência permanente e passaporte canadense) e estrangeiros, de um modo geral, que tiveram as vidas destruídas no Canadá e pelo Canadá.</p></blockquote><p>Há dois detalhes sobre a frase acima que, na minha opinião, deixam claro que você deveria desconsiderar todas as outras histórias sem nomes ou fontes que o cara conta no site.</p><p>Em primeiro lugar, o PR Card. O PR card é o equivalente canadense ao green card, e ele é assim:</p><p
style="text-align: center;"><img
class="aligncenter" style="border: 1px solid #000000;" title="PR card" src="http://i.imgur.com/HCdxw.jpg" alt="" width="400" height="260" /></p><p>O cartão tem diversas <em>security features &#8212; </em>holografia, impressões em auto relevo, etc &#8212; e tem a aparência e formato de um cartão de crédito. Ele é inclusive feito do mesmo tipo de plástico duro de um cartão de crédito.</p><p>E assim como um cartão de crédito, não se &#8220;rasga&#8221; um PR card. Você teria que quebra-lo à força, ou corta-lo com uma tesoura.</p><p>A alegação de que alguém &#8220;rasgou&#8221; o PR card soa estranha pra qualquer pessoa que conheça a natureza do cartão. Mas isso por si só não prova que o cara mentiu (embora sugira que ele nunca viu o green card canadense). A parte definitivamente mentirosa da história é que seria impossível destruir um PR card e um passaporte canadense uma vez que <strong>é impossível ter ambos</strong>.</p><p>Quando você finaliza o processo de cidadania (ou seja, algo que acontece muuuuuuuito antes de você sequer solicitar um passaporte canadense), o departamento de imigração pede o seu PR card de volta. É impossível ter ambos um passaporte canadense e um PR card.</p><p>Esse pequeno detalhe me convenceu que a história do sujeito está repleta de furos. Alguém que fosse de fato familiarizado com o processo de naturalização canadense não cometeria essa gafe.</p><p>Há outros detalhes suspeitos na história do cara. Note que ele não explica de maneira objetiva o que lhe aconteceu no Canadá; ele só fala que foi uma experiência péssima, que passou fome, e que decidiu voltar ao Brasil. Mas o que exatamente aconteceu? Por que ele não arrumou emprego algum? Como seria possível aplicar (e ser aprovado) no processo de cidadania estando desempregado?</p><p>Ele jamais comenta sobre o período de tempo que passou no Canadá, também. Acontece que pra ser cidadão canadense, o mínimo de tempo que você precisaria passar no país é 4 anos &#8212; o governo exige que você seja residente permanente por 3 anos antes de requerir status de cidadão, e o processo de cidadania demora por volta de um ano.</p><p>O sujeito teria passado quatro anos desempregado&#8230;? Além disso, ele comenta que no Canadá você tem que &#8220;vender o almoço pra comprar a janta&#8221; (além de dizer com todas as letras que passou fome), e no entanto relata que foi assaltado várias vezes, e os meliantes levaram &#8220;jóias e eletrônicos&#8221;. O cara não tinha dinheiro pra almoçar, mas tinha cordão de ouro e iPod, é isso?</p><p>O meu colega <a
href="http://www.twitter.com/Gridlockd" target="_blank">@Gridlockd</a>, que mora em Toronto e é de Fortaleza, acho no texto indícios do que veio a se tornar a teoria mais provável: este sujeito não era cidadão como alega (a gafe sobre o PR card provou isso incontestavelmente), mas sim, entou imigrar como refugiado.</p><p>A saber: existem 3 categorias de imigração. Os &#8220;skilled workers&#8221;, ou seja, trabalhadores qualificados que imigram e não têm dificuldade em achar empregos em seu ramo, os &#8220;sponsorship&#8221;, que são pessoas que moram aqui legalmente e querem trazer familiares de outros países, e os refugiados &#8212; gente que mora em paises completamente devastados por guerra e criminalidade e essencialmente imploram para que o Canadá os receba.</p><p>E como os entendidos de imigração sabem, imigração por refúgio é a mais &#8220;fácil&#8221;. Antes mesmo do caso ser julgado &#8212; e ele geralmente é julgado muito mais rápido que as demais categorias de imigração &#8211;, o imigrante já recebe seu número de segurança social, pode trabalhar, pode pedir ajuda financeira do governo, etc.</p><p>O Brasil, apesar de todos os seus problemas, não entra nos critérios canadenses pra país de refugiados. Apesar disso, por ignorância ou por querer se aproveitar do &#8220;método mais fácil&#8221;, muitos brasileiros aplicam pra cidadania através de refúgio &#8212; eu conheço vários pessoalmente, diga-se de passagem. A comunidade de imigrantes sempre tem em seu meio vários casos de refúgio que não deu certo.</p><p>Eles chegam, são acolhidos pelo governo, pulam pra &#8220;frente da fila&#8221; dos outros imigrantes&#8230;</p><p>&#8230;e alguns meses depois seu caso é julgado e inevitavelmente negado. Os benefícios são cortados e o sujeito é convidado a se retirar do país.</p><p>Tendo isso em mente é fácil agora entender por que o discurso do cara soa tão rancoroso e histriônico. Esse papo de &#8220;o Canadá me traiu&#8221; parece bem adequado a alguém que, a primeira instância, recebeu tudo de mão beijada, e depois se viu sem os benefícios.</p><p>No meio do texto ele até cita a questão dos refugiados, e fala com visível mágoa a respeito da condição dos cubanos &#8212; uma nacionalidade que o Canadá aceita como refugiada.</p><p>Ser um refugiado negado é a única explicação pro cara 1) não compreender o bastante sobre a naturalização pra mandar o vexame sobre PR card e passaporte, 2) ser &#8220;altamente qualificado&#8221; (como ele se define) e não arrumar emprego algum, a ponto de passar fome, e 3) ter uma profunda mágoa do Canadá, país que ele acredita te-lo &#8220;traído&#8221;.</p><p>Não tenho a menor dúvida. O autor desse texto é ignorante ou mentiroso (levando em conta as contradições e informações erradas que ele veicula no post), e pelo que tudo indica tentou imigrar da &#8220;maneira mais fácil&#8221;.</p><p>E desse tipo de gente o Canadá não precisa. Não é a toa que sentiu falta do Brasil, um país onde o &#8220;jeitinho&#8221; tende a funcionar melhor que as vias apropriadas.</p><p><strong>[ Update ]</strong> Ah, quase esqueci! Aqui há uma <a
href="http://www.ifitweremyhome.com/compare/CA/US" target="_blank">comparação interessante entre o Canadá e os EUA</a>. Atenção pros pontos &#8220;health care&#8221;, &#8220;class divide&#8221;, e &#8220;chance of being unemployed&#8221;.</p><p>QED.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/essa-internerd/a-suposta-farsa-da-imigracao-canadense/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>116</slash:comments> </item> <item><title>Minha opinião sobre a morte do Osama</title><link>http://hbdia.com/essa-internerd/minha-opiniao-sobre-a-morte-do-osama/</link> <comments>http://hbdia.com/essa-internerd/minha-opiniao-sobre-a-morte-do-osama/#comments</comments> <pubDate>Tue, 03 May 2011 21:27:37 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Essa internerd...]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=3168</guid> <description><![CDATA[Há quase dez anos, no dia 11 de setembro de 2001, eu estava no colégio MENG, em São Luís. Era o fim do dia escolar e eu esperava minha mãe no portão da escola. Reconheci a Parati verde-escura dos meus pais e fui em direção ao carro. Mal entro no veículo (deliciosamente recepcionado por aquela...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Há quase dez anos, no dia 11 de setembro de 2001, eu estava no colégio MENG, em São Luís. Era o fim do dia escolar e eu esperava minha mãe no portão da escola.</p><p>Reconheci a Parati verde-escura dos meus pais e fui em direção ao carro. Mal entro no veículo (deliciosamente recepcionado por aquela atmosfera gélida do ar condicionado, um alívio num lugar quente como o Maranhão) e minha mãe já diz de supetão: &#8220;bateu um avião numa das Torres Gêmeas&#8221;.</p><p>Fomos pra casa voando, porque ambos queríamos muito ver a cobertura jornalística sobre o que aconteceu &#8212; como era diferente o mundo pré-internet móvel!</p><p>Lembro de no caminho ter me chateado com o fato de que tivemos a chance de conhecer os icônicos prédios em 1999, quando viajei aos EUA pela primeira vez com minha família, mas as longas filas pra subir ao observatório nos fizeram desistir da idéia.</p><p>Cheguei em casa bem a tempo de ver isto:</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2011/05/wtc.gif"><img
class="aligncenter size-full wp-image-3170" style="border: 1px solid #000000;" title="wtc" src="http://img.hbdia.com/2011/05/wtc.gif" alt="" width="312" height="350" /></a></p><p>Por mais distantes que pudéssemos estar (tanto geográfica quanto culturalmente) do acontecido, acho que os atentados de 11 de setembro chocaram o mundo inteiro &#8212; exceto, claro, alguns poucos (muitos?) que <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=q-9JpRytCx0" target="_blank">celebraram o ataque em países islâmicos</a>. Lembra aqueles primeiros dias após o atentado quando o nome do Osama bin Laden ainda não era tão familiar?</p><p>Quase dez anos depois, após duas campanhas infrutíferas no Oriente Médio, o responsável pelos ataques foi localizado e morto por soldados americanos. E olha lá, justo no Paquistão &#8212; um país supostamente aliado aos EUA na &#8220;Guerra ao Terror&#8221;, mas que vem há anos dando a parecer que não era assim tão amigo de Washington quando a Casa Branca gostaria que fosse. E agora algumas perguntas inconveniente <a
href="http://www.bloomberg.com/news/2011-05-03/bin-laden-death-prompts-review-of-pakistan-aid-afghan-mission.html" target="_blank">terão de ser respondidas por Islamabad</a>.</p><p>Eu não queria ser o embaixador americano no Paquistão (ou vice versa, o embaixador paquistanês nos EUA) neste momento. Enfim.</p><p>Eu estava no trabalho quando vi no tuíter a multidão noticiando a morte do líder da al Qaeda. Noticiar a morte prematura de nomes famosos é brincadeira velha no tuíter, então fechei o app e fui pro site da CNN. Lá estava, em letras graúdas no fundo amarelo: &#8220;BREAKING NEWS, OSAMA BIN LADEN IS DEAD&#8221;</p><p>Pouco a pouco as piadinhas deram lugar as opiniões sérias. E pra uma boa parte de brasileiros, o veredito é &#8220;<em>os EUA não deveriam ter matado o terrorista</em>&#8220;.</p><p>Artigos como <a
href="http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2011/05/03/o-assassinato-de-osama-e-a-morte-de-obama/" target="_blank">este</a> lideram o discurso. O papo é aquele que a gente sempre ouve, uma leve variação da ladainha dos direitos humanos. Os Estados Unidos não tinham o direito de &#8220;assassinar&#8221; o sujeito que liderou a campanha terrorista que matou milhares de inocentes e mudou irreversivelmente todo o estilo de vida de um país.</p><p>O fato de que o contexto cultural do 9/11 é completamente alienígena pra nós brasileiros. Nunca estivemos numa situação em que um estrangeiro organizou e ordenou um ataque que resultou na morte de milhares de nossos conterrâneos. Por isso, talvez, seja mais fácil para nós avaliar a situação sem o efeito de circunstâncias emocionais.</p><p>Curiosamente, o mesmo não acontece quando ficamos sabendo de um caso de crime relativamente trivial mas que aconteceu mais próximo de nós. O povo brasileiro em geral &#8212; sim eu SEI que estou generalizando, poupe seus dedos &#8212; se regozija quando ouve histórias de bandido tomando porrada ou sendo morto por populares antes de ser levado ao julgamento a que todos, supostamente, temos direito.</p><p>Procure <strong>QUALQUER</strong> vídeo de linchamento de ladrãozinho trivial no youtube. Qualquer um. Pra facilitar sua vida deixo aqui <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=VbtX4woNToo&amp;feature=related" target="_blank">este</a>, <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=VbtX4woNToo&amp;feature=related" target="_blank">este</a>, e <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=O2EZL7Ubgzs&amp;feature=related" target="_blank">este</a> exemplo.</p><p>Não se  limite aos que eu linkei, saia procurando outros aí. Eu aposto que o comentário com mais votos positivos no vídeo é um que aplaude a violência aplicada no marginal. &#8220;Se fosse eu batia mais&#8221;, &#8220;tinham que ter matado&#8221;, &#8220;vagabundo tem mais é que apanhar mesmo!&#8221;.</p><p>E é natural. A população brasileira em geral se sente à mercê da bandidagem; ao ver de muitos, matar vagabundo ali no flagra é uma forma de garantir que o sujeito jamais poderá voltar a engrossar os números da bandidagem (além de, alegariam alguns, livrar o estado da onerosa tarefa de julgar e encarcerar o indivíduo numa Instituição de Treinamento Criminal).</p><p>É por causa desse zeitgeist brasileiro que figuras como Alborghetti se tornam célebres. Num país com criminalidade mais baixa, um sujeito caricato como o apresentador talvez jamais teria conquistado cargo público com esse papo meio extremista de torrar bandido na grelha. Entretanto, o Alborga falava o que muitos de nós queríamos ouvir (ou falávamos entre si na sala de aula e no escritório).</p><p>O meu ponto é que é muito conveniente julgar o assassinato do terrorista saudita &#8212; <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=ge0nUfUzR6k" target="_blank">e a celebração americana que resultou com a notícia</a> &#8212; completamente de fora do contexto cultural. O sujeito matou quase 3 mil americanos e arrastou os EUA pra uma guerra inacabável em dois fronts diferentes; saber que o pivô central da história bateu as botas serve como catarse pra muita gente.</p><p>Até porque o nosso povo parece muitas vezes disposto a aplaudir barbárie contra gente que fez muito menos. Este sujeito, por exemplo, <a
href="http://www.youtube.com/watch?v=-cxjUJGwMWg&amp;feature=related" target="_blank">roubou um celular</a>. Por este crime, a nossa gente o matou &#8212; e muitos outros deram &#8220;Like&#8221; no vídeo, e fizeram comentários aplaudindo a ação que consistiu de um assassinato em plena luz do dia, em via pública, de um sujeito desarmado e em desvantagem numérica.</p><p>Meu ponto é que é fácil criticar o assassinato de um terrorista e simultaneamente manter a opinião de que &#8220;bandido tem mais é que se foder mesmo&#8221; quando um alvejou milhares de gringos anônimos, e o outro roubou o celular pré-pago da sua avó que custou 50 reais.</p><p>(E nem vamos entrar no mérito da histórica antipatia brasileira contra norte-americanos. É compreensível; sempre tive a teoria de que os autores dos nossos livros de história foram os mesmos estudantes espancados pelo DOPS no auge do golpe militar apoiado pelos Estados Unidos. E de fato, nunca tive um professor de história que não fosse extremamente crítico dos EUA)</p><p
style="text-align: center;"><strong>E sobre as fotos? </strong></p><p>O corpo do Osama mal tinha começado a ser mordiscado por peixinhos (pros totais desinformados, o cadáver foi sepultado no mar) quando os conspiracionistas começaram com o coro &#8220;mas cadê as provas? Cadê o corpo, cadê as fotos?&#8221;</p><p>O que nego não atenta é que ações militares de uma superpotência mundial (e seus resultados) não são disponibilizadas para o escrutínio do João Ninguém de Piracicaba-SP meras <strong>HORAS</strong> após a tal operação. Muitas perguntas precisam ser feitas e respondidas antes que o público geral tenha acesso ao que aconteceu &#8212; e às vezes, o público acaba nunca tendo acesso.</p><p>No momento, a Casa Branca está num impasse. O único resultado prático de publicar fotos de um corpo de um muçulmano saraivado de balas é irritar as sensibilidades do povo islâmico, a quem o tratamento dado a cadáveres é uma preocupação cultural seríssima. As ações dos EUA no Oriente Médio dependem completamente da boa vontade dos regimes locais, e não é em bom tom provocar desnecessariamente os novos governos democráticos que começam a emergir na região.</p><p>O próprio sepultamento no mar foi um resultado de tal dilema &#8212; as normas muçulmanas regem um ritual bastante específico de sepultamento, que deve ser efetuado 24 horas após a morte. Sendo a operação extremamente secreta (nem o próprio Paquistão sabia que os comandos americanos estavam prestes a invadir o complexo onde Osama se escondia), não havia a quem entregar o corpo.</p><p>E ainda há o risco de que o defunto e/ou seu local de sepulcro servisse pra militantes como um local sagrado de peregrinação, e é melhor não dar esse luxo aos caras.</p><p>Resumindo: as mãos dos caras estavam atadas pelo sigilo da operação e o limite de tempo que eles tinham pra se livrar do corpo. Foi o jeito jogar no mar.</p><p>Fotos e vídeos do procedimento <strong>SEM DÚVIDA</strong> foram feitos, e é bastante provável que a Casa Branca ceda à pressão popular e libere os vídeos um dia. Acontece que não há absolutamente nenhum ganho nisso, e a Administração Obama sabe disso.</p><p>Analise comigo: a NASA desenvolveu publicamente foguetes e módulos orbitais. O lançamento da Apollo 11 foi registrado ao vivo. A viagem até a Lua foi acompanhada por astrônomos amadores ao redor do mundo. O pouso na superfície lunar foi, também, televisionado ao vivo. Fotos e vídeos foram feitos. Amostras do terreno foram trazidas de volta.</p><p>E tudo isso acontecendo sob a vigilância quase <em>orwelliana </em>da União Soviética, que muito se interessaria em expôr a linha de chegada da corrida espacial como uma fraude.</p><p>E ainda assim há quem hoje não acredite que o homem foi a lua. A parada aconteceu ao vivo, diante do mundo inteiro, e isso não é suficiente pra quem se dispõe quase dogmaticamente a jamais acreditar na &#8220;história oficial&#8221;.</p><p>Pra pobres coitados com complexos messiânciso estilo &#8220;eu sei a verdade mas ninguém me ouve!!!&#8221;, nenhuma foto do Osama bin Laden com buracos de bala na órbita ocular será suficiente.</p><p>Irritar aliados muçulmanos a troco de nada &#8212; isso seria o resultado de disponibilizar as imagens do ícone do terrorismo mundial.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/essa-internerd/minha-opiniao-sobre-a-morte-do-osama/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>170</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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