Quem me conhece sabe que se tem um comportamento internético que me aborrece é essa onda de levar o meio virtual a sério.
Levar a internet a sério não é nada novo; qualquer pessoa que tenha participado de uma BBS no comecinho dos anos 90 deve lembrar o quanto era fácil ver gente perdendo as estribeiras por causa de um comentário maldoso de um estranho qualquer. Foi apenas recentemente, com a mainstreamização da internet e a facilidade de identificar internautas no mundo real, que as coisas começaram a descambar pra um nível mais tangível.
Começou com a idéia de processar alguém por causa de uma opinião proferida no meio virtual. Lembram do Japa de Lantejoulas? Pra quem não tá afim de ler o texto, o negócio foi mais ou menos assim: O maluco (que ainda se encontra no orkut, e que ainda mantém aquele site fan clube dedicado a ele mesmo) foi ofendido/ameaçado por algum fanfarrão internético, e resolveu levar a ofensa às últimas consequências -o sujeito processou o cara.
Eu o critiquei por mobilizar o sistema judiciário como único propósito de extrair vingança pessoal, ele se ouriçou, eu ri um pouco mais quando ele percebeu que não poderia fazer o mesmo comigo, e ficou por isso mesmo.
Se eu já achava aquele cara um retardado, imagina minha estupefação quando a Tina apareceu. Enquanto o japinha apenas se injuriava contra as galhofas internéticas, cuspia ameaças de processo e se auto-ostracizava nas profundezas da internet pra nunca mais retornar, a Tina tentava fazer amizades com as mesmas pessoas que ela hostilizava com suas ameaças jurídicas e insistia em se tornar popular.
Numa demonstração impressionante de falta de amor próprio, ela brigou comigo por MESES pelo direito de acessar um fórum em que ninguém gostava dela.
E perseguiu ativamente até mesmo familiares dos foristas que fizeram gracinhas com a cara dela. Meus pais por exemplo receberam mais de uma ligação da véia, porque internautas adolescentes a xingavam no meu fórum.
A moral da história é que pra algumas pessoas, nada é mais importante e merecedor de proteção do que o ego delas. E blogueiros são provavelmente os maiores ególatras do mundo atual (não excluo minha parte da culpa).
O caso a qual me refiro não chegou às últimas consequências; até onde sei, ninguém fala sobre processar ninguém. Mas a confusão generalizada resultante a uma simples crítica (que nem era TÃO ofensiva assim, vá lá!) de um blogueiro aí me lembra das reações afetadas do Japinha e da Tina.
A história é a seguinte. O BlueBus, um site horrível de notícias/fofocas (acho que é isso, não tive paciência pra ler o bastante do negócio pra classifica-lo melhor), reportou a ação recente da Coca Cola de enviar geladeirinhas USB como parte do esforço publicitário da nova bebida da empresa. A notícia, a primeira vista idônea, parece ter sido escrita de forma provocar sutilmente a turminha de blogueiros que vez ou outra ganha pra escrever os tais “posts patrocinados”. O autor do site chamou-os, em duas ocasiões distintas, de “blogueiros de aluguel”.
Não é preciso um diploma do Jep Propulsion Laboratory da NASA pra entender que o motivo da chacota foi justamente provocar os pro-bloggers, que INEVITAVELMENTE escreveriam posts/twits revoltados se defendendo da acusação (como se “blog de aluguel” fosse aquele tipo de calúnia tão contundente que exige réplica imediata). Polêmica é a forma mais fácil de obter visibilidade, e o BlueBus atingiu exatamente aquilo que tinha como alvo – o frágil ego do blogueiro brasileiro.
Hoje de manhã no twitter não se falava em outra coisa a não ser o tal dramalhão BlueBus versus blogosfera. Como nunca tinha ouvido falar do site, resolvi me informar, e agora que sei o que aconteceu, preferia nem saber.
A blogosfera está em polvorosa. Além do apedrejamento público do Blue Bus, a essa altura já existem dezenas de posts sobre o caso, alguns de gente que eu admiro, outros de gente que eu não conheço, mas cujo site eu já havia visitado, e alguns de gente que eu nunca vi mais gorda.
Não consigo acreditar que sou o único que não vê o propósito em tamanha confusão. É como assistir briga de primário; por mais que um lado realmente tenha razão acima do outro, os “argumentos” de ambos os lados (“mimimi vocês são vendidos”, “mimimi INVEJA!”) fazem você desejar que ambos apenas parem coma gritaria, dêem as costas uns pros outros e voltem a se ignorar. Alguns se sentem tão ofendidos por serem chamados de “blogs de aluguel” e escrevem longas explicações vaticinando o conceito “serious business” de suas participações na internet.
Acho que o que me deixa mais surpreso com a confusão toda é – como é que alguém consegue se ofender TANTO por alguma coisa postada em um site como o BlueBus? A acidez das réplicas contra o site fazem parecer que o negócio é uma espécie de grande autoridade internética, cujas críticas devem ser respondidas imediatamente e com muita verbosidade, caso contrário se firmará como verdade absoluta diante os olhos públicos.
À primeira vista eu teria concluído que é um site escrito por uma criança de 15 anos que aprendeu HTML ontem. Por que tanta importância é dada pro que o autor do BlueBus pensa ou deixa de pensar de vocês?
O ego de vocês não é tão frágil assim, vai. Quando foi que esse negócio de blogar passou a se levar tão a sério?
Depois nego não entende por que eu prefiro me manter longe desse negócio de bloguismo corporativismo. Tenho problemas demais pra me preocupar nessa vida, não preciso adicionar “revolta diante uma provocação na internet” à lista.





*se você ou o que você vende
Esse comentário do Kid foi um PostBônus
Quem não deve não se revolta com uma besteira dessa, ou seja, quem ficou puto com o comentário foi pq teve o blog comprado mesmo. OWNED. LOL.
Discutir na internet é igual competir nas olimpíadas para excepcionais: Voce pode até ganhar, mas continua sendo um retardado
kkkkk… bando de crianças hehe… acho muito massa essas briguinhas na internet, tem é que incentivar, botar lenha na fogueira pra mostrar o quao ridiculos sao tais blogs…
Decepcionante… blogosfera humm… sei sei… bando de trouxa que so se aparecer.
BlueBus: Vocês são blogueiros de aluguel.
Blogueiros: Veja bem, nós aceitamos dinheiro em troca de posts publicitários, isso é muito diferente de aluguel.
Acho essa guerrinha de pro-bloggers ahn, imbecil. Sei lá, eu já saí do primário faz uns anos, né? Aliás, quando li a história da geladeira, achei que pelo menos fosse uma geladeira – uma parada que custa uns 2 barão. Quando descobri que é uma coisica onde mal cabe uma garrafinha de bebida… Pô… neguinho brigou tanto por ISSO? Ah, que tédio! Quero o tempo da pornografia de volta!
Primeiroooooooooooooo