Se você passear por fóruns, comentários de blog, chats do Yahoo Live, imageboards ou qualquer outro lugar em que internautas são dados os privilégio de se comunicar, três expressões amplamente usadas vão rapidamente saltar à sua atenção:
“Faggot”, “nigger” e “(internet:) serious business”.
Faggot significa “viado”, nigger é uma versão extra-ofensiva de “crioulo” (e simultaneamente uma das poucas palavras que têm o poder mágico de produzir uma bala ou faca dentro do seu corpo quando pronunciada em certas áreas nos Estados Unidos), e internet: serious business se refere ao hábito de dar muita importância a eventos ocorridos no meio virtual.
Além do fato de que a onipresença de termos pejorativos na internet (já vi vídeos no youtube com 4 páginas de comentários repletas de nada além de “faggot!!111″, em diversos níveis de erros de soletragem) explica bastante sobre a natureza humana, a frequência e descaso com os quais internautas jogam esses termos uns contra os outros me deixou bastante pensativo outro dia.
Bom, pensativo em relação à última expressão, não às duas primeiras. Pessoas estiveram se chamando de faggot e nigger muito antes do advento da internet, o xingamento não deriva diretamente de interações virtuais e sequer requer que os alvos sejam realmente homossexuais ou afrodescententes. Portanto, nigger e faggot são interjeições usadas casualmente e sua única conexão com a internet é o fato de que ela mudou o significado dos termos.
Por exempo, embora nigger originalmente significasse “ei, suas organelas pigmentativas são mais ativas que as minhas, portanto me considero superior a você“, na internet ela significa “discordo de sua opinião e sua inabilidade de articular um argumento coerente me dá direito de considero-lo merecedor de escárnio“.
Já faggot era usado como uma forma mais curta de dizer “minha religião e a sociedade em que vivemos reprovam sua preferência sexual, e acredito que você deveria ter vergonha de si mesmo“.
No pós-internet, a palavra passou a significar “discordo tanto da sua opinião que não perderei meu tempo tentando refuta-la; ao invés disso insinuarei que você tem uma notável afeição por pirocas enrijecidas e CDs da Cher“.
O que estou tentando dizer é que nigger e faggot são termos pre-existentes que foram banalizados e semanticamente reformados pela internet. Internet serious business, por outro lado, é uma expressão que nasceu justamente pra descrever um fenômeno social oriundo das interações virtuais. Tanto o termo quanto o seu significado são mais interessante, na minha opinião.
Xeu enfiar uma tangente aqui – o que define “loucura”?
Bom, eu sou arrogante demais pra aceitar a definição de um dicionário, então criarei a minha própria: loucura seria definida como agir de forma incompatível com o ambiente em sua volta. Essa definição serviria pra qualificar o comportamento de pessoas que se entretém conversando sozinhas em salas vazias, ou pessoas que defecam numa via publica movimentada em plena vista dos transeuntes.
Note que o simples fato de conversar ou cagar não é o que categoriza loucura; tais ações, quando removidas do seu contexto, é que qualificam insanidade. Eu poderia extrapolar a minha própria definição e dizer que loucura é agir da mesma forma independente de onde você esteja. Ou seja, quer você esteja sentado numa privada ou dentro do coletivo, você abaixa as calças e caga de qualquer forma.
Você deve estar vendo onde estou tentando chegar. Pessoas que sofrem de seriousbusinite aguda são geralmente as pessoas que agem na internet da mesma forma que agiriam no mundo real. Pra essas pessoas, ambos ambientes são equivalentes e, portanto, requerem ações e reações equivalentes. Eles não conseguem enxergar a linha que separa o mundo virtual do mundo real, pra eles um é uma extensão do outro, e carrega a mesma relevância.
Notei ultimamente um exemplo sensacional dessa minha teoriazinha.
Outro dia eu estava perambulando pelo orkut a esmo quando percebi que tinha recebido um scrap de alguém cujo perfil eu havia visitado aleatoriamente no dia anterior. O scrap, que trazia alguns termos impublicáveis, exigia que eu me identificasse e explicasse o que estava fazendo “fuçando” o perfil do autor. Tal revolta resultante do que o sujeito chamou (de forma hilariamente inadequada) de “invasão de privacidade” não é um fenômeno isolado; aparentemente existem milhares de usuários que respondem a visitas não-requisitadas da mesma maneira.
A reação indignada do sujeito faria sentido se eu tivesse invadido a casa do cara durante à noite, revirado seus pertences, espiado o conteúdo de suas gavetas e em seguida vandalizado a parede da sala dele com auxílio de uma lata de spray e um stencil com a imagem de um membro reprodutor masculino em estado de ereção.
Mas não. Tudo que eu fiz foi clicar no thumbnail de uma foto que o cara colocou publicamente na internet e chegando no perfil dele no orkut, que ele colocou voluntariamente na internet com o único motivo, eu sou obrigado a concluir, de torna-lo visível a estranhos. Imediatamente senti vontade de pergunta-lo se ele está surpreso que material que ele disponibilizou voluntariamente na internet está sendo acessado por desconhecidos, mas fui tomado de compaixão pelo sujeito: afinal, ele é louco.
Ao invés de adaptar seu comportamento ao ambiente ao seu redor e esboçar reações condizentes com o meio que o cerca, o sujeito sente raiva e uma irresistível necessidade de tirar satisfação, ambas reações indistinguíveis daquelas experimentadas por alguém que teve sua própria casa invadida.
Em outras palavras, este sujeito acha que mora na internet.
E eu percebi num estalo que esse é o problema com pessoas que levam a internet a sério – eles acham que a internet é a casa deles, e que interações virtuais têm a mesma importância daquelas que acontecem longe dos modems. É daí que vêm as intermináveis histórias de provocações virtuais que terminaram em visitas ao tribunal local, ou de agressões físicas desencadeadas por comentários feitos no éter internético.
ISSO é levar a internet a sério; isso é considerar internet “serious business”. O que vejo ao redor da web ultimamente é um fenômeno parecido com a reforma semântica do faggot e nigger – pessoas usando a expressão sem sequer saber o que ela significa, transformando em nada além de um termo vazio que eles acreditam se tratar de um porrete virtual com o qual podem bater em qualquer desafeto. É como o usuário “Talento”, do Fórum HardMOB, que insistiu retardadamente durante uma discussão qualquer que “nerd” significa “pessoa sem noção que ri das desgraças alheias”. Sério, vou até passar o link deste post pra ele, pra que ele possa se explicar e nos deleite na sua maluquice.
“Serious business” é o mais novo coringa das discussões na internet. Saque-o do bolso e a autoridade do termo vence a discussão sozinha, mesmo que o termo esteja sendo usado num contexto completamente diferente.
O problema de apelar pro “serious business” indiscriminadamente é porque as definições de “levar a internet a sério” são cada vez mais flexíveis pra acomodar o ponto de vista do usuário do termo.
Um exemplo prático – frequentemente vejo em fóruns alguém tentando nocautear virtualmente o outro debatedor dizendo algo como “você se importa tanto com a internet que ainda está ainda me respondendo” ou algo com esse valor, e fecha a frase enfiando as duas palavrinhas mágicas. O problema com esse cenário é que, por se dar ao trabalho de responder o oponente, o maluco que apelou pro termo se encaixa na mesma definição que ele deu pro adversário.
Se você for considerar um debate internético como pre-requisito suficiente pra usar o termo, que tipo de interações online você não consideraria “levar a internet a sério”?
Quando você usa uma ofensa de definição tão genérica que ela se aplica até mesmo a você, sua tentativa foi um fracasso total. É como um irmão chamar o outro de filho da puta.
A finada Tina nos deu a cartilha perfeita com a qual analisar que nível de atenção dada a internet é acima do normal. Pra quem não se lembra dos melhores momentos das grandes confusões geradas pela mulher, em dada ocasião ela ofereceu PAGAR um certo blogueiro famoso pra que este se pronunciasse positivamente sobre ela (isso pra não mencionar as diversas ocasiões em que ela me mandou dinheiro na clara tentativa de angariar minha simpatia), e em outra ela fez uma ligação internacional pra reclamar com meu pai que eu estava conduzindo, e isso sao palavras dela, “um grupo de cyber terroristas misoginistas que têm aversão a mulheres idosas”.
Isso pra não mencionar as diversas vezes que ela tentou, futilmente, mover uma ação judicial contra mim simplesmente porque alguém que ela acreditava ser leitor do HBD estava chamando-a de “velha coroca” nos comentários dela. Se isso não é loucura, nada mais deve ser.
Acho que estou tentando dizer aqui é que é meio irritante quando várias pessoas resolvem papagaiar um termo cujo significado eles não conhecem e o aplicam a um contexto no qual ele não se encaixa.
Tá brigando na internet e tá com vontade de aloprar o sujeito? Chame-o de nigger, chame-o de faggot. Tais palavras já perderam o significado delas na internet há muito tempo mesmo.
Mas deixem o “serious business” pra ser usado pra quem sabe o que tá falando.





Kid, tem que por acento no caso do ‘torna-lo’, é torná-lo, assim como esquecê-lo, avisá-lo, chamá-lo e blábláblá.
Sempre tem esse detalhe em falta nos textos.
…Sim, e daí?
Soja nesta porra. OP burro é burro.
Also: regras 1 & 2.
[...] A questão é, como diz o título, da ordem das palavras, em específico, de uma palavra e de uma regra que as pessoas estúpidas acabaram por usar em qualquer contexto e fizeram com que perdesse sua força [exemplos são câncer, esquizofrênico e internet: serious business]. [...]
83!111111111
@izzynobre http://bit.ly/4EeJsc