Há quase dez anos, no dia 11 de setembro de 2001, eu estava no colégio MENG, em São Luís. Era o fim do dia escolar e eu esperava minha mãe no portão da escola.
Reconheci a Parati verde-escura dos meus pais e fui em direção ao carro. Mal entro no veículo (deliciosamente recepcionado por aquela atmosfera gélida do ar condicionado, um alívio num lugar quente como o Maranhão) e minha mãe já diz de supetão: “bateu um avião numa das Torres Gêmeas”.
Fomos pra casa voando, porque ambos queríamos muito ver a cobertura jornalística sobre o que aconteceu — como era diferente o mundo pré-internet móvel!
Lembro de no caminho ter me chateado com o fato de que tivemos a chance de conhecer os icônicos prédios em 1999, quando viajei aos EUA pela primeira vez com minha família, mas as longas filas pra subir ao observatório nos fizeram desistir da idéia.
Cheguei em casa bem a tempo de ver isto:
Por mais distantes que pudéssemos estar (tanto geográfica quanto culturalmente) do acontecido, acho que os atentados de 11 de setembro chocaram o mundo inteiro — exceto, claro, alguns poucos (muitos?) que celebraram o ataque em países islâmicos. Lembra aqueles primeiros dias após o atentado quando o nome do Osama bin Laden ainda não era tão familiar?
Quase dez anos depois, após duas campanhas infrutíferas no Oriente Médio, o responsável pelos ataques foi localizado e morto por soldados americanos. E olha lá, justo no Paquistão — um país supostamente aliado aos EUA na “Guerra ao Terror”, mas que vem há anos dando a parecer que não era assim tão amigo de Washington quando a Casa Branca gostaria que fosse. E agora algumas perguntas inconveniente terão de ser respondidas por Islamabad.
Eu não queria ser o embaixador americano no Paquistão (ou vice versa, o embaixador paquistanês nos EUA) neste momento. Enfim.
Eu estava no trabalho quando vi no tuíter a multidão noticiando a morte do líder da al Qaeda. Noticiar a morte prematura de nomes famosos é brincadeira velha no tuíter, então fechei o app e fui pro site da CNN. Lá estava, em letras graúdas no fundo amarelo: “BREAKING NEWS, OSAMA BIN LADEN IS DEAD”
Pouco a pouco as piadinhas deram lugar as opiniões sérias. E pra uma boa parte de brasileiros, o veredito é “os EUA não deveriam ter matado o terrorista“.
Artigos como este lideram o discurso. O papo é aquele que a gente sempre ouve, uma leve variação da ladainha dos direitos humanos. Os Estados Unidos não tinham o direito de “assassinar” o sujeito que liderou a campanha terrorista que matou milhares de inocentes e mudou irreversivelmente todo o estilo de vida de um país.
O fato de que o contexto cultural do 9/11 é completamente alienígena pra nós brasileiros. Nunca estivemos numa situação em que um estrangeiro organizou e ordenou um ataque que resultou na morte de milhares de nossos conterrâneos. Por isso, talvez, seja mais fácil para nós avaliar a situação sem o efeito de circunstâncias emocionais.
Curiosamente, o mesmo não acontece quando ficamos sabendo de um caso de crime relativamente trivial mas que aconteceu mais próximo de nós. O povo brasileiro em geral — sim eu SEI que estou generalizando, poupe seus dedos — se regozija quando ouve histórias de bandido tomando porrada ou sendo morto por populares antes de ser levado ao julgamento a que todos, supostamente, temos direito.
Procure QUALQUER vídeo de linchamento de ladrãozinho trivial no youtube. Qualquer um. Pra facilitar sua vida deixo aqui este, este, e este exemplo.
Não se limite aos que eu linkei, saia procurando outros aí. Eu aposto que o comentário com mais votos positivos no vídeo é um que aplaude a violência aplicada no marginal. “Se fosse eu batia mais”, “tinham que ter matado”, “vagabundo tem mais é que apanhar mesmo!”.
E é natural. A população brasileira em geral se sente à mercê da bandidagem; ao ver de muitos, matar vagabundo ali no flagra é uma forma de garantir que o sujeito jamais poderá voltar a engrossar os números da bandidagem (além de, alegariam alguns, livrar o estado da onerosa tarefa de julgar e encarcerar o indivíduo numa Instituição de Treinamento Criminal).
É por causa desse zeitgeist brasileiro que figuras como Alborghetti se tornam célebres. Num país com criminalidade mais baixa, um sujeito caricato como o apresentador talvez jamais teria conquistado cargo público com esse papo meio extremista de torrar bandido na grelha. Entretanto, o Alborga falava o que muitos de nós queríamos ouvir (ou falávamos entre si na sala de aula e no escritório).
O meu ponto é que é muito conveniente julgar o assassinato do terrorista saudita — e a celebração americana que resultou com a notícia — completamente de fora do contexto cultural. O sujeito matou quase 3 mil americanos e arrastou os EUA pra uma guerra inacabável em dois fronts diferentes; saber que o pivô central da história bateu as botas serve como catarse pra muita gente.
Até porque o nosso povo parece muitas vezes disposto a aplaudir barbárie contra gente que fez muito menos. Este sujeito, por exemplo, roubou um celular. Por este crime, a nossa gente o matou — e muitos outros deram “Like” no vídeo, e fizeram comentários aplaudindo a ação que consistiu de um assassinato em plena luz do dia, em via pública, de um sujeito desarmado e em desvantagem numérica.
Meu ponto é que é fácil criticar o assassinato de um terrorista e simultaneamente manter a opinião de que “bandido tem mais é que se foder mesmo” quando um alvejou milhares de gringos anônimos, e o outro roubou o celular pré-pago da sua avó que custou 50 reais.
(E nem vamos entrar no mérito da histórica antipatia brasileira contra norte-americanos. É compreensível; sempre tive a teoria de que os autores dos nossos livros de história foram os mesmos estudantes espancados pelo DOPS no auge do golpe militar apoiado pelos Estados Unidos. E de fato, nunca tive um professor de história que não fosse extremamente crítico dos EUA)
E sobre as fotos?
O corpo do Osama mal tinha começado a ser mordiscado por peixinhos (pros totais desinformados, o cadáver foi sepultado no mar) quando os conspiracionistas começaram com o coro “mas cadê as provas? Cadê o corpo, cadê as fotos?”
O que nego não atenta é que ações militares de uma superpotência mundial (e seus resultados) não são disponibilizadas para o escrutínio do João Ninguém de Piracicaba-SP meras HORAS após a tal operação. Muitas perguntas precisam ser feitas e respondidas antes que o público geral tenha acesso ao que aconteceu — e às vezes, o público acaba nunca tendo acesso.
No momento, a Casa Branca está num impasse. O único resultado prático de publicar fotos de um corpo de um muçulmano saraivado de balas é irritar as sensibilidades do povo islâmico, a quem o tratamento dado a cadáveres é uma preocupação cultural seríssima. As ações dos EUA no Oriente Médio dependem completamente da boa vontade dos regimes locais, e não é em bom tom provocar desnecessariamente os novos governos democráticos que começam a emergir na região.
O próprio sepultamento no mar foi um resultado de tal dilema — as normas muçulmanas regem um ritual bastante específico de sepultamento, que deve ser efetuado 24 horas após a morte. Sendo a operação extremamente secreta (nem o próprio Paquistão sabia que os comandos americanos estavam prestes a invadir o complexo onde Osama se escondia), não havia a quem entregar o corpo.
E ainda há o risco de que o defunto e/ou seu local de sepulcro servisse pra militantes como um local sagrado de peregrinação, e é melhor não dar esse luxo aos caras.
Resumindo: as mãos dos caras estavam atadas pelo sigilo da operação e o limite de tempo que eles tinham pra se livrar do corpo. Foi o jeito jogar no mar.
Fotos e vídeos do procedimento SEM DÚVIDA foram feitos, e é bastante provável que a Casa Branca ceda à pressão popular e libere os vídeos um dia. Acontece que não há absolutamente nenhum ganho nisso, e a Administração Obama sabe disso.
Analise comigo: a NASA desenvolveu publicamente foguetes e módulos orbitais. O lançamento da Apollo 11 foi registrado ao vivo. A viagem até a Lua foi acompanhada por astrônomos amadores ao redor do mundo. O pouso na superfície lunar foi, também, televisionado ao vivo. Fotos e vídeos foram feitos. Amostras do terreno foram trazidas de volta.
E tudo isso acontecendo sob a vigilância quase orwelliana da União Soviética, que muito se interessaria em expôr a linha de chegada da corrida espacial como uma fraude.
E ainda assim há quem hoje não acredite que o homem foi a lua. A parada aconteceu ao vivo, diante do mundo inteiro, e isso não é suficiente pra quem se dispõe quase dogmaticamente a jamais acreditar na “história oficial”.
Pra pobres coitados com complexos messiânciso estilo “eu sei a verdade mas ninguém me ouve!!!”, nenhuma foto do Osama bin Laden com buracos de bala na órbita ocular será suficiente.
Irritar aliados muçulmanos a troco de nada — isso seria o resultado de disponibilizar as imagens do ícone do terrorismo mundial.






Pearl Harbor: 2400 mortos;
Hiroshima + Nagasaki: 140.000 + 80.000 mortos.
Tem que ver isso aí.
O post ficou bem legal Kid. Não vejo pq duvidar que o causador do estopim está morto.
Do mesmo jeito que já ouvi falarem idiotamente que ele estava morto fazia era tempo e só agora levaram a publico por qualquer motivo de provocação ou coisa do gênero.
O caso é que essas não serão nem as primeiras nem as ultimas teorias de quem quer duvidar, quer inventar teoria de caos e etc. É fato que essas dicussões não vão levar a nada, simplesmente. E seu post podia se resumir e calar a boca de todo mundo já na parte q diz q se fosse no Brasil, se fossem nossos conterrâneos ali e tudo mais q foi desencadeado, tava todo mundo feliz e dando festinha pq por pouca m* todo mundo já ta querendo tortura e enforcamento em praça pública
Mas hipocrisia é uma coisa que não morre enquanto existir humanidade.
Eu já não aguento mais, todo mundo tem uma teória conspiratória, tudo hoje é fake por definição até que se prove o contrário.
Pegaram o cara, mataram, jogaram no mar, pronto, só isso.
No geral a culpa da guerra toda é dos EUA, defender a ‘paz mundial’ por meio de um país que mata e explora milhares de pessoas no mundo todo é utópico.
No WTC foram 4 mil, no Iraque mais de 200 mil.
Chamar o Bin Laden de ‘terrorista’ é como chamar o Zumbi de terrorista.
Um cara que lutou pelo povo dele, que era humilhado, morto e escravizado por estrangeiros filhos da puta.
Estão na Líbia pelos direitos humanos, mas e em Cuba ?
Iraque ?
Egito ?
Estavam lá pra que ?
Abraço!
Piracicaba-sp EH NOIS
Assassinos, vamos matar todos eles. http://www.malvados.com.br/tirinha1500.jpg
Caro Kid, deixe pra tv o papel de expor mentiras sobre o que aconteceu em 11 de setembro. ABS
Nem se houvesse um atentado desses no Brasil o povo faria alguma coisa. Basta ver como é com a política no país. Existem dezenas de faladores, comunicadores que passam vários minutos “redatando” sobre a política. Alguém faz alguma coisa? Ninguém faz.
Eu, particularmente, sei que não vou fazer e por isso não falo. Fiz apenas uma analogia das situações!
Essa visão sobre os acontecimentos é muito particular. Não acredito que ele, o Osama, orquestrou aquele atentado gigantesco. Os EUA fedem a guerra. Fazem de tudo para criar uma. Fazem de tudo para fazer um político ficar mais 4 ou 5 anos no poder. Não duvido que o 11/09 foi planejado pelo próprio governo americano, e isso é evidenciado em modos ocultistas, como em filmes e desenhos. E o homem ter ido a Lua, é tão falso quanto o 11/09.
[...] Pelo que tou vendo, todo mundo tá fazendo posts sobre o que eles estavam fazendo no dia do atentado (que por causa da minha “vida canadense”, estou mais acostumado a reconhecer como 9/11 do que como 11/9), então o assunto é manjado — até porque já falei sobre isso em outro post. [...]
Queria muito lembrar o nome do documentário que eu assisti há uns meses atrás, de vários cientistas, engenheiros e outros profissionais afirmando que as provas dos atentados contra Bin Laden são bem fajutas, após várias análises de fotos, vídeos, depoimentos de testemunhas visuais, análises de acordo com leis da física, juntando com informações passadas pela mídia, enfim… os mesmos afirmaram que PODE SIM ter sido algo armado.
Qual a sua base para AFIRMAR que Osama Bin Laden matou não sei qntos mil americanos?
Um suposto vídeo dele assumindo a autoria dos ataques? No qual ele escreve com uma mão que nem é a mão que ele escreve?
Se não me engano, no documentário fala que ele no vídeo usa anel, o que é algo proibido pela religião.
Certas coisas precisamos ter um embasamento sólido sobre o fato antes de afirma-las.
Até hoje me pergunto.. atentado terrorista ou conspiração? Motivos suficientes para fazer uma conspiração desse tamanho os EUA tinham.
Acho que a resposta, nunca vamos saber.
Não adianta deixar a mídia nos levar, pois a mídia não é imparcial, as notícias da mídia que condenam Osama, são manipuladas pelo governo americano.
Do mesmo jeito que as notícias que falam que foi conspiração, não são totalmente imparciais, e podem vir da esquerda.
Enfim, acho que a resposta do que REALMENTE aconteceu, nunca vamos saber.
Mais um intelectualóide destilando antiamericanismo e tentando provar que o homem não foi a lua…
Era época de provas bimestrais. Uma ou duas aulas + duas provas = cabou