Probloggers, esse seres mitológicos da fauna internética brasileira, não são exatamente gente a quem tenho em alta estima. Mas não por “ganharem dinheiro com o meu hobby”, como eles arrogantemente descrevem sua falta de uma ocupação real (até porque, seguindo os mesmos critérios, o moço que vende pipa na praia também ganha dinheiro com o meu hobby).
Isso não é o que me incomoda. Afinal, contanto que não seja ilegal, não há forma “indigna” de ganhar dinheiro, e digo isso com sinceridade. Se seu “trabalho” se resume a traduzir notícias que você capturou de sites gringos mais cedo e jogar umas piadinhas aqui e ali, e se isso te rende algumas cortesias e convites pra eventos sociais (eu prefiro ser convidado pra festas por que sou bem querido pela organização da coisa, e não como troca de favores, mas tudo bem), e você se sente profissionalmente realizado, quem sou eu pra apontar que você é um fracasso em forma de pessoa que, à beira da meia idade, ainda mora de favor com a mãe, e emula os trejeitos de um personagem fictício da TV pra não ter o trabalho de desenvolver uma personalidade (amadurecimento emocional é um negócio muito complicado)? Eu não seria tão arrogante.
Não, não é isso que me incomoda nos probloggers. Deixem-nos ganhar seu pouco dinheirinho como puderem, e exibirem orgulhosamente os “regalos de periferia” que os homens por trás da máquina os dão de vez em quando. Se não fosse por essas gentilezas, como essa gente sairia de casa, ou apareceria em eventos sociais pra ficar tirando fotos de mulheres que eles jamais pegarão ou reportar o evento pros amigos no twitter durante toda a duração da coisa?
O que me causa incômodo, entretanto, é algo que apesar de eu não poder dizer que é exclusivo deles, posso culpa-los por ter elevado o desvio de personalidade a um estilo de vida – se pintar como algo que não são.
Nada é mais patético e deprimente do que alguém que, por ignorância ou qualquer outro motivo, tem uma noção completamente errada sobre si mesmo, totalmente divergente da forma como o mundo em geral a vê. Essa dissonância cognitiva é, quando eu paro pra pensar, perfeitamente normal pro tipo de gente que vai tão longe pra simular as características de um personagem de televisão que até mesmo agregam a imagem daquele à sua persona virtual (causando grande decepções nos admiradores que um dia acabam esbarrando com sua foto real, diga-se de passagem). Como diria meu grande avô, que me ensinou a jogar futebol de botão aliás, “cê acha que isso é bonito, rapaz?”.
Mas então. Apesar de se verem como médicos televisivos conhecidos por sua arrogância e sociopatia (o que leva alguém a pensar – se você vai se definir com as características de outra pessoa, e já que você não está se limitando a pessoas que existam, por que não escolher alguém que não seja um douchebag completo?), probloggers também têm esse hábito de se verem como grandes formadores de opinião.
Isso faz sentido se o termo “formadores” mudou de definição ontem e agora significa “vendedores”.

O texto acima é um anúncio publicitário veiculada no blog de uma renomada personalidade do meio blogueiro. A mesma personalidade que, poucos meses atrás, tomou as dores de alguém e declarou um boicote contra a marca que agora o paga trocados pra engolir as próprias palavras.

Boicote – YOU ARE DOING IT WRONG
Me atrevo a apostar meus testículos que, apesar de provar por si mesmos que sua capacidade de “formar opiniões” não tem qualquer tipo de escrúpulos ou integridade, esse tipo de gente seguirá se vendo como jornalistas do século XXI, e sem dúvida devem ter até orgulho do que se resumiu a vender a própria opinião.
Imagino o choque psicológico que esse tipo de gente terá se um dia se tocarem que não formam opinião coisa nenhuma, e a única razão pela qual são sondados pra esse tipo de anúncio é porque eles são o lowest bidder. Consigo perfeitamente imaginar essas ações publicitárias em blogs sendo feitas quando a agência promovendo a empresa já usou quase todo o caixa em métodos reais de propaganda (aka “algo que não se resume a um diário virtual na internet”) e sobrou um troquinho. “Joga esse resto aí na mão de algum blogueiro, Almeida, e vamo fechar isso aqui que o cliente quer ver um resultado da ação”.
Será engraçado quando essa bolha estourar. Vamos ver como essa turma se gabará por receber convites pra festinha quando estiverem ocupadas embelezando o currículo com exageros em relação à sua experiência “jornalística”.





Simplesmente tudo que eu queria dizer e não tive Capacidade!!! AHAZOU!!! e ainda Ri! beijos
hauhauha não sei o que me faz rir mais: se os problogers que se acham ou o autor desse post que claramente demonstrou uma ponta (ou duas, três) de inveja dessa laia.
lol
Ah, o que importa mesmo é que minha bicileta é azul e eu compro pão nela todo dia. E fodam-se vocês.
[...] Segundo, o material postado aqui é essencialmente autoral. Não é minha intenção criar discussões polêmicas sobre pseudo-celebridades. Pensando nisso, não acredito que receba comentários muito extensos. Perceba então que os 310px [...]