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Perdi mais um cabaço da vida adulta: primeiro cartão de crédito estourado!

Postado em 6 November 2011 Escrito por Izzy Nobre 5 Comentários

Nossa senhora, eu não acredito que permiti que uma desgraça dessa aconteça totalmente de bobeira. Por um lado me sinto ainda mais adulto — se foder em relação a dinheiro é um pré-requerimento para maioridade plena, né? — mas por outro tudo que eu consigo pensar é SEU ANIMAL INVERTEBRADO COMO É QUE TU FAZ UMA MERDA DESSA COMPLETAMENTE À TOA.

Senta que lá vem história.

Como os senhores sabem, comprei um carro novo — um belíssimo Toyota Camry (2007, visto que sou pobre) pra substituir aquela caixa dágua de amianto com rodas que eu dirigia antes. Pois bem.

Na hora de fechar a transação, a concessionária ofereceu um plano de garantia estendida por um preço que achei que valia a pena. O valor da tal garantia estendida (que cobre QUALQUER problema em QUALQUER componente do carro por 5 anos) fez sentido.

Pensei “melhor comprar essa merda que chorar quando a repimboca da parafuseta do carro explodir, algo que, com a minha sorte, é capaz de acontecer quando eu entrar no carro pela primeira vez”. Decidi que tal garantia valia a pena.

Na decisão de como pagar a garantia estendida, titubeei: jogo isso no Visa ou no Master Card? Qual tem maior limite mesmo? Nem faço a menor idéia, evito usar cartão de crédito porque aquilo ali é uma lâmina com a qual sua vida financeira corta os próprios pulsos e então morre uma morte indigna, a ser encontrado pelos familiares com as calças cagadas.

Pensei “acho que é melhor jogar no Master Card, sei lá.” Burro que sou, nem verifiquei antes nem nada. Passei o cartão porra-louquissimamente.

Você já sabe pra onde essa história está indo.

Como eu esperava, a transação foi aprovada, apanhei meus papéis e fui-me embora no carrim “novo”.

Passa-se uma semana inteira e nenhum pio da galera do Master Card. Gosto de imagina-los fazendo natação numa caixa-forte igual a do tio Patinhas, lotada do meu e do seu dinheiro. Talvez por isso não me ligaram, estavam ocupados jogando waterpolo. Ou, no caso, dinheiropolo.

Nesta bela madrugada eu vejo um joguinho de iPhone que atiça meus interesses — joguinho de zumbi, cheio de armas bacanas com a quais é possível explodir os mortos vivos. Ou seja, uma excelente alternativa a uma noite de sono.

Vou lá mequetrefemente comprar o jogo e sou saudado com esta seguinte janelinha de erro:

“Eis aqui as forças malignas de Satanás mais uma vez atrapalhando minha vida”, imaginei. Tentei comprar de novo o joguinho e nada. Ok, temos um problema aqui.

Logo na iTunes Store no computador e YOUR METHOD OF PAYMENT IS INVALID. Meu amigo, meus músculos esfinctorais contraíram-se de tal forma que quando terminar de redigir este texto precisarei chamar paramédicos para me separar da cadeira do computador.

Meu primeiro pensamento: FUI HACKEADO. Meu segundo pensamento: PUTA QUE PARIU FUI HACKEADO. Decido então ligar pro Master Card, e aí a cagada é explicada para mim.

Digamos que o limite do meu Master Card é X (que eu até hoje não sabia, nunca me informei de limite dos meus cartões, porque nunca nem cheguei perto deles). E imagine que o valor daquela garantia lá é Y. Acontece que X + Y = X + $200 dólares.

Entendeu a equaçãozinha? Pagar a garantia do carro fez o balanço do cartão passar do limite por $200. Por algum motivo inexplicável, a transação foi aprovada na concessionária, invés de ser recusada e a maquininha emitir aquele completamente humilhante recibo com os dizeres “INSUFFICIENT FUNDS” — que sempre causa o cliente a fingir surpresa e dizer que “deve estar havendo algum problema com a sua máquina, eu sei que tem dinheiro nesse cartão, passe novamente por favor”. Isso acontece lá na minha loja todo dia.

O vacilo maior dessa situação se deve por dois motivos — o primeiro é que, agora que eu verifiquei as coisas direitinho, o limite do Visa é 4 vezes o limite do Master Card, daria pra pagar umas doze garantias do carro na porra do outro cartão e eu não sabia. E o segundo é que eu poderia ter pago a porra da garantia a vista, mas pensei muquiranamente “foda-se vou botar essa merda no cartão, esse plástico existe é pra isso mesmo!”

Neste momento já suando frio corro pro online banking e jogo algumas centenas de dólares no cartão pra aliviar o balanço. Pronto, crise desativada.

Mas eu continuava agoniado: e agora? Vão cancelar minha conta? Vão pegar o arquivinho intitulado “Crédito do Sr Israel Nobre” e jogar dentro de um moedor de cana? Vão mandar a polícia aqui em casa? Meu deus que terror, na minha cabeça a qualquer momento executivos da Mastercard Incorporated vão derrubar a porta do meu apartamento, amarrar meus braços e pernas em motocicletas em direções opostas igual fizeram com o Ben em Full Throttle.

Procurei pra caralho a screenshot deste momento no jogo, mas pelo jeito nenhum ser vivo jamais tiro foto daquela parte do jogo porque eu não achei.

São 1 da manhã no Canadá. Vou correndo pro quarto, onde a patroa dorme o milésimo sono, sonhando com iglus ou focas ou sei lá com o que canadenses sonham. Quando eu me tornar cidadão canadense descobrirei.

Acorda menina, acorda” eu digo chacoalhando os braços dela vigorosamente.

Ela abre um olho só, depois o outro, de uma forma descoordenada que me lembrou um marionete.

“O que?” ela pergunta, ao mesmo tempo que limpa a baba ressecada na bochecha com as costas da mão. Meu deus que menina linda.

“Fudeu geral, vamos fazer nossas malas e atear fogo nesse apartamento porque os homens tão vindo aí”

E aí explico a ela a situação. Ela analisa o problema por 2 ou 3 segundos (talvez quatro) e então dá o conciso prognóstico:

“O MasterCard que se foda, eu vou dormir” tendo dito isso, dá um peidinho, vira pro outro lado e volta a sonhar com os iglus.

Fico lá em pé no quarto por um minuto. Aí apago a luminária e volto aqui pro escritório.

Meu deus, o que diabos faço agora? Ok, já paguei o cartão, o balanço retornou a um valor inferior ao limite, mas ainda estou apreensivo. Não é possível que a galera dessa instituição permita que uma cagada dessas passe em branco.

E enquanto a piromba magnânima da prestigiosa instituição financeira não chega aqui em meu domicílio, resolvi apelar pro último recurso que tenho em mãos quando acontecem essas situações que fodem minha vida:

Compartilhar com vocês.

Agora me contem as SUAS historias de se foder com cartão de credito!

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Categorias: Eu só me fodo

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

5 Comentários \o/

  1. Alexandre says:

    Relaxa Izzy, Esse bloqueio é assim mesmo, eles colocam esse limite justamente para não acontecer essa parada de ter que derrubar a sua porta e te desmembrar. Vc paga uma multa se passar algum tempo com esse limite estourado, e a dor de cabeça (Vulgo Juros Exorbitantes e um possível nome “Sujo” ocorre depois de 3 meses =P

    ps: Qdo aconteceu cmg, foi na faculdade. Eu estava com comprando coisas que nem um louco e retirei o saldo e tava la X, ai eu falei.. blz… eu quero muito comprar isso. Mal sabia eu que quando o D acompanha o X (“XD”) significa que é -X… resultado =P levei alguns meses me fodendo para pagar os Juros e recuperar meu querido dinheirinho =P

  2. Leonardo says:

    Estourei o cartão certa vez, liguei pro banco pra resolver a divida da fatura, ate que a atendente me diz. “Senhor é melhor parcelar essa divida da fatura”. Eu Fiz isso…
    Concluindo, tive de pagar as parcelas com uma taxa de 5% a mais por parcela e ainda, tive de pagar as outras faturas….
    No fim paguei meu cartão umas 3x. pelas taxas.

  3. Jorge says:

    A parte mais engraçada da vida é quanto você tem 19 anos de idade, nenhuma fonte de renda, e sua mãe resolve tomar posse do seu cartão de crédito pra usar no mercado e para pagar contas. Até ai tudo bem, salvo o fato de que ela consegue cumprir a façanha de estourar o limite e esquecer de pagar a dívida do cartão que não é dela. Como um bom universitário que sou, cursando Eng. Florestal, passei quatro meses preenchendo uma infinidade de tubetes com terra processada, numa estufa de calor infernal, para quitar a dívida usando dinheiro da bolsa. Bem, a parte legal da história é que ela se sentiu mal, e por remorso, comprou um notebook novo pra mim mês passado hahahahaha

  4. Kid, já li vários textos teus, inclusive os livros, mas esse é um dos melhores! Hahahaha, me segurei pra não rir LOUKAMENTY no trabalho.

  5. Niguno says:

    hahaehehahae muito bom o texto, ri demais aqui.