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Postado em 8 February 2007 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

Os nerds hardcore como eu, do tipo que passa tardes inteiras pesquisando artigos sobre videogames na Wikipédia gringa (a wiki em português, sendo a merda elitista e mal gerenciada que é, dificilmente terá um bom artigo sobre qualquer coisa de relevância gamer), deve saber que os geeks dos dias atuais devem MUITO à Nintendo. Em 1983, o mercado de videogames passou por momentos de grandes apuros, não muito diferente de um rapaz que, durante um encontro romântico com sua amada, percebe subitamente que cagou-se nas calças.

Havia muitos consoles diferentes no mercado nos anos oitenta (conte aí: Atari 2600, Atari 5200, Bally Astrocade, Colecovision, Coleco Gemini, Emerson Arcadia 2001, Fairchild Channel F System II, Magnavox Odyssey2, Mattel Intellivision), o que confundia a cabeça do consumidor comum (“porra, meu videocassete da marca X funcionará pra todo o sempre, e toca qualquer tipo de fitas. Por que demônios então lançam um console diferente a cada 15 minutos, cada um com suas mídias e jogos exclusivos?”). Como em todo mercado novo e ainda não devidamente explorado – sem contar o fator “concorrência brutalmente numerosa” -, muitas empresas entraram no mercado sem camisinha até os bagos, e queriam lançar produtos o mais rápido possível, e talvez até mesmo impossivelmente através de métodos de viagem no tempo que os permitissem lançar jogos antes que os programadores dos consoles rivais nascessem. Minha mãe já dizia que a pressa é inimiga da perfeição (estou tirando a expressão do seu contexto devido*, mas enfim), e a indústria gamística dos early 80s aprenderam essa lição de forma dolorosa**. Muitos jogos eram lançados sem nenhum tipo de quality control. O ET do Atari 2600 era tão notoriamente ruim que muitos analistas o apontam como o culpado da destruição da Atari. Também pudera, o jogo foi programado em CINCO SEMANAS e não passou por nenhum tipo de testes de público nem nada do tipo. Nego praticamente empurrou o jogo pra linha de fabricação assim que verificaram com 80% de certeza que o o cartucho não faria o console explodir imediatamente após ser ligado.


Lembra no filme quando o ET parecia um feto com duas semanas de desenvolvimento e estava sendo perseguido por um guarda florestal entre dois algarismos romanos? Nem eu.

Atari pagou algo em torno de trinta quadribilhões de dólares pra Warner pelos direitos da franquia E.T. pra produzir um jogo baseado no filme, e o fez da forma mais porca e desastrada possível pra empurrar o jogo pras lojas a tempo que alguém ainda desse a mínima pra obra prima do Spielberg. O resultado foi essa porcaria que você vê na imagem acima – um jogo absolutamente abismal que levou a empresa à ruína e que quase matou o meu hobby favorito.O que dizer então da versão do Atari de PacMan? Mais uma vez, a mentalidade prematura da empresa videogamística apresentou um produto asqueroso pro público.

Nos anos oitenta, PacMan era praticamente um fenômeno cultural. Nos EUA, os arcades do jogo eram uma espécie de buraco negro que sugava uma multitude de moedas que estivessem nos bolsos de qualquer adolescente passando nas redondezas. Com o advento dos consoles, a idéia de trazer grandes sucessos dos arcades parecia uma idéia que não tinha jamais como dar errado. E a Atari resolveu trazer PacMan pro seu console, apostando alto no sucesso e na fanbase que o jogo já tinha ao redor do mundo. E neguim foi às lojas tendo em mente este jogo…


…e, ao ligar seus consoles em casa, deu de cara com isso:

Eu nunca tive um Atari. No entanto, meu tio tinha um, que ele comprou primariamente por causa dos sobrinhos, e eu tive o DESPRIVILÉGIO de perder aproximadamente 10 minutos da minha vida jogando esta belezura aí. Na verdade eu joguei a parada por uns 30 segundos; o resto do tempo foi dedicado a imaginar o que passava pela cabeça dos programadores da Atari quando eles resolveram que o jogo estava no ponto de ser lançado. Eles realmente achavam que a gente não notaria a diferença…?Então, por essas e outras houve o grande crash de 1983. Empresas foram vendidas, desfeitas, foram à falência, os consoles se tornaram esquecidos e muitos passaram a ver o passa-tempo da videogamagem como uma modinha passageira, assim como Pogoballs, Pense Bems, calças boca-de-sino e dobrar a pontinha da página pra marcar o “lugar” no livro.

E a Nintendo apareceu, pondo todas as fichas no passatempo praticamente morto e lançando o seu FAMICOM, ou FAMILY COMPUTER, melhor conhecido no mundo Ocidental como o fabuloso, sensacional, delicioso e impressionante NINTENDO ENTERTAINMENT SYSTEM, ou NES praqueles mais chegados a siglas. Muitos deveriam ter pensado “ah, de novo essa porra de joguim que liga na TV e o caralho?” até ver Super Mario Brothers ou Legend of Zelda ou Punch Out ou Metroid ou Metal Gear pela primeira vez. E a indústria de games floresceu novamente no que os especialistas no assunto*** como a Segunda Era dos videogames.

Blá blá blá, o Nintendinho foi o artefato místico que permitiu a minha formação como nerd aficcionado por entretenimento eletrônico, o culpado pelo atraso da perda da minha virgindade em pelo menos quatro anos, aquilo que moldou a pessoa que sou hoje. Estou neste exato momento usando uma camiseta com estampa que faz alusão à Nintendo (aquela que já postei aqui uma vez), então vocês sabem que o negócio foi pra valer.


Mas PUTA QUE VOS PARIRAM, o que diabos eles estavam pensando quando modelaram esse controle? Eles estavam almejando ganhar o Prêmio Nobel de Design Menos Ergonômico do Século? O controle do Nintendinho só não era mais desconfortável que um tijolo porque era mais leve.*Pra que esperar meia hora pra que um bolo esfrie se você pode arrancar nacos ainda quentinhos e enfiar na boca sem nem pensar duas vezes? Se isso não vale o sacrifício de uma sofrida dor de barriga, nada mais vale.

**Eu também. Mas um bolo de chocolate quentinho, conforme supracitado, valia a pena.

***Apenas super nerds podem honestamente se considerar “especialistas no assunto”.

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Categorias: Games

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. wilker says:

    legal, mas pq será q ninguém comentou sobre esse assunto?

  2. Abra Fanta says:

    Porque esse não é o post original, e sim um backupado do blog antigo, talvez?