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8 jogos que provam o potencial gamístico do iPhone

Postado em 12 junho 2009 Escrito por Izzy Nobre 91 Comentários

Dizer que eu sou fanático por videogames seria uma redundância do caralho. Quando não estou jogando, estou escrevendo ou batendo papo sobre joguinhos. A maioria dos meus bookmarks é composta de sites de notícias sobre jogos, e o único evento anual de importância no meu calendário é a E3. Tenho todos os consoles da geração atual (de mesa e portáteis), e todos os periféricos disponíveis pra cada um deles – volante, guitarras, bateria, encaixe pra controle do wii no formato de pistola, tapete de dança, câmera, add-on com teclado QWERTY pra bater papo na Xbox Live, headset blutooth, o caralho a quatro. Eu sou o tipo de pessoa que sai em público vestido da seguinte maneira:

Sem dúvida a imagem de um nerd gamista foi a primeira coisa que veio à sua cabeça quando você viu o layout deste blog pela primeira vez e tentou imaginar quem seria seu autor. Meu comprometimento com videogames é profundo e essencialmente define quem eu sou.

Então. Qualquer pessoa suporia que eu teria me animado quando ouvi pela primeira vez a notícia de que meu smartphone favorito viraria uma plataforma de jogos. Mas ao invés disso, eu torci o nariz num ângulo de noventa graus.

Como a maioria dos gamers hardcore, a premissa do iPhone como plataforma séria de jogos soava como um salto impossível. Talvez soe como uma excelente forma de marketear o aparelho (“é um celular, é um ipod, é um tocador de vídeo, é uma ferramenta de acesso à internet, é um VIDEOGUEIME!!!11″), mas a experiência real seria completamente escrota.

Minha lógica era que talvez isso funcione pra joguinhos completamente casuais e sem propósito, daqueles que se baseiam inteiramente em dar tapinhas na tela, mas que apelo isso terá pro nerd de verdade? Não, obrigado. Meu PSP e meu DS mandaram um abraço. Nenhum gamer de verdade se convencerá com isso.

Há alguns motivos que sustentavam aquela opinião; o primeiro e mais óbvio destes sendo a falta de botões. Nos bons e velhos tempos dos Palms, muitos joguinhos tentaram input por intermédio de botões virtuais na tela, e a experiência podia ser descrita como “comer cereal usando mijo ao invés de leite, e cocô ao invés do cereal”. O hardware simplesmente não se presta a esse tipo de função. Nada funcionava como devia. Era no máááximo legal pra mostrar pros amigos, mas você jamais gastaria seu tempo jogando aquilo.

Quando eu tinha um iPod touch jailbroken (noobs, leiam “destravado”), havia vários joguinhos e emuladores não-oficiais que tentavam contornar a limitação do hardware apelando pros botões na tela. Desnecessário dizer que essa alternativa era absurdamente tosca e, novamente, só servia pra se exibir pros amigos. “Seu mp3 player roda Super Mario World? HAHA, I didn’t think so“. No seu âmago você sabia que se seus amiguinhos jogassem a parada por mais de 5 minutos veriam que se tratava apenas de efeitos especiais, smoke and mirrors. A falta de botões impedia gameplay de susbtância.

O outro problema aparentemente insuperável é o modelo de distribuição do iPhone/iPod touch. Como o aparelho não tem mídia física, todo e qualquer jogo chegará a ele por intermédio de uma conexão com a internet e, mais desgraçadamente, do iTunes. Na minha cabeça, essas duas limitações capavam completamente qualquer potencial que o iPhone almejasse ter como plataforma de jogos.

O público em geral é tanto alheio a mudanças, quanto preferidor de mídia física. Nove entre dez internautas te dirão que entre gastar dinheiro com um DVD e gastar a mesma quantia com um download legal do filme, eles preferem imensamente comprar o DVD. E mesmo em casos em que o download é um pouco mais barato, o pessoal prefere comprar o DVD. Ter o bem material em mãos confere uma sensação muito mais tangente de posse do que ser dono de um monte de códigos virtuais invisíveis atrelados a uma conta na AppStore ou no Steam, e por isso eu suspeitava que ninguém ia apostar na idéia de pagar por software sem caixa ou manual.

Sem contar no controle draconiano que a Apple sempre exerceu sobre suas plataformas. Game developers, que já têm que se sujeitar aos caprichos dos publishers, teriam OUTRO middleman pra agradar antes que seus jogos chegassem às massas. Um middleman, diga-se de passagem, que em sua única experiência no mundo dos jogos fracassou miseravelmente.

Ou seja, você tem um aparelho com hardware não-favorável, que usa um método de distribuição de mídia que os usuários em geral parecem não preferir, sendo gerenciado por uma empresa com experiência negativa no mercado de jogos. Se isso não é uma receita pra uma espetacular fracasso, nada mais é.

E guess what?

Eu estava retumbantemente errado. E nunca me senti tão satisfeito por isso.

Controles virtuais não são um formato perfeito de input de comandos, isso é bastante óbvio. Entretanto, a experiência com os controles virtuais da maioria dos jogos da AppStore são brutalmente superiores àquela atingida com PDAs, ou mesmo com apps não-oficiais no próprio iPhone. O que é bastante previsível, se você considerar que de um lado você tem software developers sendo PAGOS por um trabalho que eles levam a sério, enquanto do outro você tem adolescentes hackers que programam no tempo livre quando não estão fornicando pré-maritalmente ou fumando maconha.

E com a internet permeando cada vez mais a nossa existência (antes se limitava aos computadores, agora nossos consoles e celulares estão online 24/7), a distribuição digital acaba quebrando esse paradigma de que a posse tangível é superior à posse virtual.

Um paralelo curioso da mudança do status quo entre tangível versus virtual foram as câmeras digitais. Quando meu pai me apresentou à nossa primeira câmera digital (era uma Kodak com tela de uma polegada, 2 megapixels – com settings que ofereciam resolução na casa dos KILOpixels -, e um cartão CF de 64mb), eu achei um gadget legal, mas não muito prático. Afinal, eu teria que ficar imprimindo todas as fotos pra poder mostrar pros meus amigos? Que negócio mais sem propósito.

A penetração da internet (e, mais especificamente, nossa afinidade por sites de relacionamento social e métodos eletrônicos de comunicação) virou aquela situação completamente pelo avesso – hoje, pra usar uma câmera de filme você teria que digitalizar todas as fotos físicas (que, após todo esse trabalho, serviriam apenas pra coletar poeira em algum canto da sua casa). Se antes o que importava era o físico, hoje é o eletrônico que interessa.

E não demorará muito pra que isso se extenda a outras mídias, como jogos.

Não dá mais pra negar – a Apple acertou muito em cheio com o iPhone. Eles conseguiram garantir uma fatia IMENSA do mercado a despeito de vender um celular com hardware inferior e, não satisfeitos, decidiram repetir o feito, mas dessa vez com o olho nos games. Hardwaremente falando o iPhone fica bem abaixo do DS e PSP (justamente pela aparentemente intransponível barreira da falta de botões físicos), mas ele tem vendido mais software que os dois competidores juntos.

Vocês acham que é coincidência que ambos os novos DSi e o PSPGo! anunciem proeminentemente a capacidade de baixar jogos? Como disse Neil Young, ex-executivo da Electronic Arts que se demitiu pra fundar a ngmoco, uma conceituada empresa de produção de jogos pro iPhone, “A Apple treinou 30 milhões de pessoas a baixarem jogos em qualquer lugar que elas estejam“. Ele acredita que isso é tão significante pro mundo dos games quando a introdução do Atari VCS, do Game Boy ou da Xbox Live.

Aqui estão 8 jogos pro iPhone ou iPod touch que foram capazes de convencer até mesmo o mais ferrenho oponente: eu.


Bom, essa screenshot não carece de nenhuma introdução. É Sonic, meu amigo, na porra do seu celular/mp3 player. Muitos de vocês provavelmente me vêem como um fanboy da Nintendo (eu dei motivos, admito), e em meu âmago talvez eu seja mesmo. Mas não há como negar que a Sega acertou muito em cheio com Sonic. Este porco-espinho azul ainda é uma das franquias mais reconhecidas da história dos games, e os primeiros jogos eram verdadeiras obras primas.


Warfare Incorporated é um jogo de estratégia em tempo real bastante parecido com Command and Conquer, que veio da época dourada dos Palms. Tive Warfare Inc em todos os meus PDAs, e eu adorava o jogo.

Nem preciso dizer que com uma interface multitouch, o jogo tem um gameplay incrivelmente mais fluído, sem contar que update anunciado do jogo trará multiplayer via 3G. É isso aí, RTS online portátil. Definitivamente vivemos no futuro.


Alien Abuse (conhecido apenas como Abuse na época dos joguinhos shareware de PC) é um shooter 2D que foi o primeiro a implementar um esquema de controle que dependia simultaneamente do teclado e do mouse. É engraçado pensar que esse método que virou padrão absoluto foi recebido com muuuuito desgosto na época. A maior crítica que tinham contra Abuse era o controle.

Eu nunca imaginei que um jogo de gameplay tão brutalmente veloz fosse viável numa plataforma como o iPhone, mas aqiu estou eu no level 11 e adorando cada segundo. Com o círculo da esquerda você move o bonequim, com o da direita você mira. Um terceiro círculo executa saltos. Funciona MUITO bem. Não acredita em mim? Vejaí.

Se você duvida que um jogo hardcore possa funciona no iPhone, recomendo com força que você veja esse vídeo.

Ah, quase esqueci – o jogo oferece multiplayer online também.


Orions: Legend of the Wizards é um jogo que mistura cardgame a la Magic the Gathering com estratégia de gerenciamento tipo Heroes of Might and Magic pra criar algo deliciosamente inovador e viciante. Já falei bastante desse jogo aqui, então não vou chover no molhado. Só vou adicionar que foi jogando horas e horas de Orions em casa (eu nunca jogo games portáteis em casa) que eu percebi que ver o iPhone como um console não era tão sem fundamento quanto eu pensava. Joguei umas 30 horas dessa merda, e nem zerei todos os modos ainda.


Peggle é o joguinho casual que tá sendo a grande sensação entre o povo não-gamer, ou ao menos era o que eu sempre havia lido sobre o jogo. Nunca me interessei em Peggle, novamente por causa do meu posicionamento de gamer hardcore arrogante que pensa que esses joguinhos são pra vovó.

Ledo engano. Por trás da aparência miguxinha, Peggle é um jogo extremamente viciante e recompensador. É muito difícil largar o celular quando começo a jogar essa merda.


Sim City. Mais precisamente, é um port de Sim City 3000.

Sinceramente, preciso dizer mais alguma coisa?


Tiki Towers é um joguinho bastante carismático e diferente – nele, tu tem que construir pontes/torres com bambus e côcos, pra permitir que o grupo de macaquinhos chegue do ponto A ao ponto B. A física é realística, e suas estruturas balançam, caem e quebram como aconteceria no mundo real. Você às vezes tem que jogar o mesmo mapa vinte vezes, até bolar um design estrutural que aguente o malemolejo dos símios. Há bastante unlockables, o que garante replay value.


Myst é outro clássico absoluto que dispensa qualquer apresentação. Rezemos pra que o iPhone traga de volta o finado estilo point and click adventure.

Tem outros jogos de alto calibre que eu não mencionarei porque não são exatamente meu estilo (Sims 3, Real Racing, Need for Speed, Cooking Mama, Metal Gear Solid Touch, Tiger Woods PGA Tour, Doom Resurrection, Terminator Salvation, Katamari Damacy, etc), mas eles servem pra provar meu ponto de que o iPhone e o seu irmão mais novo iPod touch causaram uma forte impressão na indústria gamer. Qualquer pessoa que pensava como eu, que essa imagem de console era nada além de empáfia marketeira precisa sinceramente ler reviews, ver os vídeos de gameplay e reconsiderar.

No final das contas, é bastante improvável que os jogos do iPhone ou do iPod touch sejam o motivo da preferência pelo aparelho. Eu estaria sendo completamente surrealista se dissesse que alguém vai comprar um iPod touch só pra jogar Sonic ou Peggle.

Acontece que a opção extra desses joguinhos certamente faz a escolha pender pro lado dos iGadgets, e ao mesmo passo de que a aceitação do iPhone/iPod touch aumenta por causa disso, também aumenta o interesse de softhouses de capitalizar em cima da base instalada.

É um círculo lógico que resultará apenas em uma coisa – mais jogos excelentes pra mim e pra você.

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Categorias: Games, Tech Toys

91 Comentários \o/

  1. Patrícia disse:

    @webmotiva http://tinyurl.com/mxe94d – interessante, sobre o assunto, do ponto de vista gamer.

  2. WebMotiva disse:

    RT @patie_: http://tinyurl.com/mxe94d – interessante, sobre o assunto, do ponto de vista gamer.

  3. Henrique disse:

    Olá, acima há um comentário falando que há uma diferença entre os processadores do Itouch e do Iphone, basicamente sim, o Iphone 3g usa o mesmo processador e memória RAM do iTouch 1g, o Iphone 3GS usa o mesmo processador e memória RAM do iTouch 2g(ambos mais rápidos e melhores).

    Senão me engano é isto.

  4. Andre Kenji disse:

    Se fosse apenas com games, OK, mas muitos podcasts gratuitos a Apple deixa os brasileiros de fora. Tipo, os podcasts da CNN.

    Aliás, eu tenho um Ipod Touch. Compensa porque eu sou newsjunkie e há farta oferta de conteúdo nesse sentido. É algo que não tem preço acompanhar o CBS Evening News de manhã no ônibus.

    Para pessoas normais monoglotas, não sei se compensa.

  5. Edmar disse:

    váo todos tomar no cu carai eu baixo um monte e nada funciona

  6. Goim(SteamFanBoy) disse:

    Que raiva do steam eim rapaz. Você deveria ter suposto que o venda digital seria mais gratificante que a material. Principalmente pela praticidade e pela hora em que seus amigos perguntam para você: “Tem quantos jogos no Steam?” nesses momentos meus olhos enchem de alegria e repondo saudosamente 53( Isso mesmo 53 O.o(Pelomenos era isso a ultimo vez que contei)). Agora pense aqui comigo amigo( rimou ) imagine eu com 53 caixas de jogos na minha casa. Já pensou nisso? EU ia ter que começar a doar meus jogos pra eu consiguir espaço na minha gavetinha que não cabe mal 10. (Bem assim mesmo se quiser me add no steam add ai goim03@yahoo.com.br).

  7. [...] a indústria de jogos para celulares está ganhando é burrice. Só observar o fenômeno do Iphone (o qual recomendo um excelente artigo sobre jogos do Iphone no blog: “Hoje é um Bom Dia”…) que vende jogos a 1 ou 2 [...]

  8. Só pra constar: todas as suas imagens sumiram. :P