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Chega dessa palhaçada: Vou finalmente zerar Pokemon (com ajuda da minha esposa!)

Postado em 25 February 2014 Escrito por Izzy Nobre 13 Comentários

Pokémon_box_art_-_Red_Version

Tenho uma relação curiosa com a série Pokemon.

Entrei em contato com a franquia em 1999, por causa do desenho homônimo no programa da Eliana. Aliás, é inclusive justíssimo assistirmos juntos o tema de abertura da primeira temporada em português, para extração pavloviana máxima das lembranças infantis da época:

Desceram lagriminhas aqui. É meio triste que a última década morando aqui me deixou mais familiarizado com os temas gringos desses desenhos clássicos de infância…

Em 1999 eu estava com 14 anos, prestes a completar 15, ou seja: beirando o limiar da aceitabilidade de assistir desenhos animados. Entretanto, algo bem inesperado me cativou no desenho.

Eu tinha um amigo de escola chamado Luciano. Cursamos a 7a série juntos, em 1997. Foi o único ano em que estudamos juntos, mas éramos ambos nerds usuários de mIRC e ICQ, então quando fui pra outra escola no meio da oitava série pudemos manter contato por anos.

Ele era “O” amigo nerd gamer; ao contrário de hoje, naquela época eram pouquíssimos os caras que curtiam e se aprofundavam em games, que tornavam dos games o assunto principal dos assuntos com os amigos e tal. Então, ele era o meu broder dos games.

(Não só dos games, mas de nerdices e tecnologia em geral — jogávamos online naquela discadona 56kbps desgraçada madrugadas afora, discutiamos ficção científica, esse tipo de coisa. Uma pena ter perdido contato com o cara; a última vez que o vi foi em 2009, quando fui ao Brasil)

E o Luciano estava empolgadaço com Pokemon. Acontece que o desenho é baseado no favorito joguinho de Game Boy dele (e o Game Boy foi desde sempre um grande sonho de consumo meu), e por isso o desenho tinha algo inédito naquele tipo de mídia até então: basicamente, tudo que acontecia no jogo era representado no desenho animado. Os personagens, os cenários, os monstrinhos, os golpes que eles utilizavam, onde eram tipicamente encontrados, as estratégias… o desenho era uma representação animada bem fiel do jogo.

(Com ressalvas, claro — só em Pokemon Yellow, que veio depois pra unificar mais as características do jogo com as do desenho, o negócio ficou uma xerox exata)

Por causa disso, eu fiquei super empolgado em acompanhar a série. Mas tinha um problema: eu não tinha Game Boy pra acompanhar o jogo junto com o desenho, que era justamente o mais bacana. E foi aí que fui apresentado aos emuladores.

emulador

E graças a eles pude jogar o Pokemon Red, enquanto assistia o desenho todo dia, e discutia sobre na escola com a molecada. Era MUITO bacana viver a aventura no joguinho, e ve-la reproduzida em gráficos e cores melhores que os míseros 8bits do Game Boy permitiam. “OLHA UM CHARMANDER EU TENHO UM CHARMANDER TAMBÉM!!! AHH ENTÃO É ASSIM QUE É DENTRO DO CENTRO POKEMON?!”

Poucos meses depois, fui pros EUA com meus pais. Foi justo na época do lançamento do primeiro filme da franquia, Dezembro de 1999, e o Burger King estava dando em seu “McLanche Feliz” bonequinhos baseados na série. Eram MUITOS (JAMAIS vi tamanha variedade em brinquedinhos promocionais de restaurantes de fast food), e além de disponibilizar os bonecos, o restaurante teve uma sacada de gênio: toda terça feira, a molecada era convocada a ir ao Burger King mais próximo trocar seus bonequinhos — e esse espírito de escambo de bichinhos era justamente a mola motriz por trás do sucesso da série.

Manja o comercial:

Estando no epicentro da febre pokemonística, eu me entreguei completamente. Peregrinei todos os Burger Kings possíveis durante o mês que passei lá; voltei pro Brasil com uma mochila ABARROTADA desses brinquedinhos (e perdi tudo). Meus favoritos eram um Cloyster Shellder que disparava água…

cloyster

Esse.

…um Togepi de pelúcia (e eu comprei 2, pra poder dar um pra minha namorada da época, a Daniele)…

togepi

Esse.

…e um chaveiro do Geodude.

geodude

Esse.

E apesar de toda essa devoção pela série… eu NUNCA ZEREI NENHUM POKEMON.

Nenhum. Joguei quase todos, e nunca cheguei nem na metade do jogo. E meu déficit de atenção é tamanho que chega a ser surpreendente que eu tive qualquer progresso num RPG eletrônico, gênero que eu nunca gostei.

Anos passaram-se, e eu venho mantendo uma tradição semi-anual — começar um jogo de Pokemon FireRed (como tantos outros oldfags, só aceito os 151 originais) e nunca terminar. Comecei um no PSP, no Mac, no Game Boy Micro, no iPhone, no iPad, e até hoje nunca zerei. Comprei Pokemons mais recentes, também (o Diamond E o Pearl pro DS, e o Y pro 3DS) e meu índice de zeramento continuou, bem, no zero. Na primeira vinda do GBA4iOS eu estava jogando no iPhone a sério, com finalidade de zerar, mas aí a Apple puxou o tapete por baixo de nós, bloqueou o joguinho, perdi meu save e desempolguei.

gb

Até o Pokemon originalzão, no console originalzão, eu tenho! Meu ex-chefe comprou pra mim numa loja de penhores. Tive pena de deletar o save que veio com o cartucho. Ou seja, não sou tão noob a ponto de pegar e treinar um Spearow.

Passaram-se alguns meses.

Por causa do atual fenômeno do TwitchPlaysPokemon, que estou documentando aqui com compromisso jornalístico, fiquei com vontade de retornar a este game que foi tão presente na minha infância/adolescência, mas que eu paradoxalmente nunca terminei. Peguei o PSP, que estava acumulando poeira aqui, e carreguei um jogo salvo que é provavelmente o maior progresso que fiz no FireRed: a Ilha Cinnabar.

poke psp

Tá com pouco ruído essa foto

E aí eu parei e pensei: peraí, por que não jogar Pokemon “DIREITO”? Ou seja: no console apropriado pra isso, com um(a) parceiro(a) com quem eu possa competir, trocar bichinhos, conversar sobre o plot, etc…?

Ora bolas. Eu tenho inúmeros portáteis da Nintendo aqui em casa, e várias cópias dos jogos.

dss

E sou casado com uma garota que também cresceu jogando Pokemon e adora o jogo e a franquia tanto quanto eu — talvez até mais que eu. Ela zerou o jogo quando o tinha em seu GameBoy, assistiu todos os filmes, assistiu todas as séries, jogava o card game, etc.

Bastou falar “amor, tive uma idéia: ambos adoramos Pokemon mas nunca jogamos juntos. Por que não zerar juntos essa porra então?

E pronto. Alguns momentos depois…

dss2

E essa é nossa nova atividade de casal: estamos jogando Pokemon Diamond e Pearl juntos. Há algo meio charmoso em pegar um console e um jogo de 7 anos atrás (no caso, o DS Lite e os pokemons) e joga-lo alegremente enquanto ignoro todos os outros jogos mais atuais a meu redor. E jogando justamente com a minha melhor amiga.

E vou te dizer, nada dá um fôlego renovado no relacionamento (estamos juntos há quase dez anos, afinal de contas!) que ter um hobby em comum. Recomendo não só pela nerdice gamer, mas como uma terapia de casais mesmo. Quando você acha que já fizeram tudo que tinham de fazer juntos, e já conversaram de tudo que tinha pra conversar, agora estamos nos encontrando no PokeCenter pra descer a porrada um no outro e debatendo estratégias.

Aliás, mal começamos a jogar (literalmente ontem) e essa porra já domina todas as nossas conversas.

Photo 2-25-2014, 8 14 58 PM

Quem sabe agora, jogando “sério” — no console correto, tendo alguém com quem competir e trocar pokemons e pela primeira vez realmente capturar todos — eu finalmente zero essa porra…?

Ah, e já levei uma surra dela na nossa primeira batalha. Comecei bem.

(Em minha defesa, ela tá com o starter de água e eu, com o de fogo. Dê um desconto! Hoje quando ela chegar do trabalho será a revanche)

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Categorias: Games

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

13 Comentários \o/

  1. Rafael Jack says:

    cara é muito legal ver esse entrosamento que você tem com a Bebba, realmente vocês formam um casal perfeito, gostam das mesmas coisas, isso é muito bom…pra quem estava triste no começo quando foi pro Canadá até que agora você pode agradecer pela vida bacana que tem, parabéns cara!!!

  2. Lucky says:

    Engraçado isso. Eu zerei TODOS os jogos do canon principal da franquia, tenho pelo menos uma cópia (e meios originais pra jogar) de cada um deles e só fui ter parceria pra jogar quando um amigo e eu zeramos o X e Y ao mesmo tempo no ano passado. Aproveite a jornada.

  3. Diz que prefere os 151 e vai jogar Pokémon Diamond.
    Ê Izzo!
    Vc zera pokémon quando vc aceita uma das seguintes condições:
    Vencer a Elite Four,o Campeão e capturar os lendários mais fortes do jogo. Fechando a história do jogo(A condição mais comum).
    Completar a Pokedéx(Ultra difícil).
    Após isso o jogo só acaba quando vc quiser.
    Meu jogo mais longo foi uma Pokémon Crystal com 400 e poucas horas de jogo.
    Gotta Catch’em all!

  4. Douglas says:

    “I got the D you got the P”

    Bebba wins.

  5. Atosfm says:

    Pô Izzy, depois não reclama da sua fama de locadora de loser. Tu se auto proclama “O fã” de Pokemon e não se dá ao trabalho de zerar nenhum jogo da franquia. Pelo menos isso resultou em uma interessante terapia de casal.

  6. Jana says:

    Igual The Elder Scroll, tenho todos, tenho manuais, um monte de coisa impressa, um mapa pôster de cyrodil e um de morrowind. E nunca zerei nenhum!

    Eu abro o jogo, passo o chargen, abro o console e fico brincando com comandos, additem todas armaduras, armas, roupas, ficar experimentando igual roupinhas pra Barbie!!

    Daí começo a dar spawn em bichos, tento criar um companion que nunca fica perfeito. Fico com raiva e saio matando tudo que se mexe, depois de botar stats e attributos altos.

    Já tentei também jogar outros RPGs, os Zeldas principalmente, mas simplesmente não resisto brincar com cheats e tentar equilibrar o que vale a pena do que vai “estragar” muito a jogabilidade.

  7. Spuma says:

    Aaah, Pokémon… acho que foi um dos jogos mais importantes da minha infância, porque foi justamente através dele que eu aprendi inglês. Infelizmente eu nunca tive (e ainda não tenho, pra falar a verdade) sequer um amigo que compartilhasse a paixão que eu tenho pelo jogo. Resultado: nunca tive um Alakazam/Gengar/Machamp para me gabar enquanto socava repetidamente o time da Agatha, aquela velha escrota.

  8. @engdavirocha says:

    Easy Nobre mesmo….

    Vai zerar CONTRA 3 mocinha….

  9. […] E desta forma, o hivemind chegou OFICIALMENTE mais longe no jogo do que eu jamais cheguei. Em minha defesa: há 4 dias estava saindo da Ilha Cinnabar e indo em direçao ao oitavo ginásio também, mas dei pause no meu FireRed em prol de zerar Pokemon Diamond com minha esposa. […]

  10. Renato says:

    Eu jogava com a minha filha. Temos puzzle até hoje. Nas viagens brincávamos de mímica de adivinhar pokemon -- os mais fáceis eram jynx e pincir

  11. […] que a parada gera essa reação porque eu já comentei, em diferentes ocasiões, minha dificuldade em zerar Pokemon. É inexplicável, já que é um joguinho pra crianças […]

  12. Mateus says:

    E aí, zerou?

  13. Lia says:

    cara, só uma coisa a dizer: QUE MASSA! definitivamente uma das coisas que farei em minha vida a dois! hahahaha