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Projeto Abandonware

Postado em 6 maio 2010 Escrito por Izzy Nobre 72 Comentários

Oi amigos! Tudo bom?

Então, como suas senhorias já sabem, há algumas semanas minha loja foi assaltada e meu netbookzim, surrupiado por sujeitos mal encarados. Uma tristeza, mas o laptop já era velhinho e eu pensava em fazer um upgrade de qualquer forma.

Antes que você me pergunte: não, não considerei o iPad, por dois motivos – preciso do netbook pra faculdade, e digitar trabalhos escolares num teclado virtual exigiria paciência em níveis míticos possuídos apenas pelo herói bíblico Jó.

E o segundo motivo é o título desde texto: os preciosos abandonwares.

ibm pc

Meu pai tinha um IBM XT idêntico a esse aí

Como expliquei em outras ocasiões, meu pai trabalhou com computadores durante toda a minha infância – ainda trabalha, na verdade – e por isso entrei em contato com joguinhos eletrônicos bem cedo. Como resultado, tenho muitas doces memórias daqueles clássicos joguinhos da antiguidade.

Como muitos vocês, sem dúvida. Em verdade em verdade vos digo, esta era minha pastinha de jogos no netbook roubado:

Clique para ver grandão

Como você pode ver, aquele netbook tinha essencialmente valor sentimental – ele era uma espécie de arcade portátil de velharias clássicas. Tudo instaladinho bonito, com os devidos patches e fixes e macumbas necessárias pra que rodem em hardware e sistemas operacionais atuais.

ISSO, acima de tudo, era o que me aborrecia sobre o roubo. Nem me chateei tanto em relação ao valor do netbook, já que era velhinho e que eu suspeitava que meu patrão me presentearia com um laptop novo.

E de fato isso aconteceu. No dia seguinte o chefe me ligou pra dizer que sentia muito pelo incidente, que estava feliz que eu estava bem e tudo mais, e em seguida começou a fazer perguntas sobre o computador roubado. Que marca era, quanto havia custado, essas coisas.

De posse das informações ele falou “ahhhh… tá certo, tava só curioso mesmo, abraço!” e desligou. No dia seguinte minha gerente me aparece com um netbook novinho debaixo do braço.

Então. De posse do novo computador (tem um quê de MacBook esse troço – teclado chiclet, trackpad multitouch, tela de vidro glossy – ou tou viajando fortemente?), bastava reconstruir minha idolatrada coleção de velharias gamísticas.

Dei início ao Projeto Abandonware.

Primeiro, cacei os instaladores que eu já tinha espalhados pelos meus quatro HDs – mas não eram muitos. Por causa da conexão ultra rápida, adquiri o mal hábito de rodar arquivos direto do browser ao invés de salva-los. Ou seja, no caso de uma formatação ou coisa parecida, sempre tenho que caçar os instaladores tudo de novo.

Depois, fui aos sites de distribuição digital comprar os jogos que eu não tinha. Na verdade jogos que eu já tinha, mas queria comprar de forma legítima. No GOG.com catei Settlers 2 e Commandos (com o excelente pacote de expansão), e no Steam comprei Aliens vs Predator e Commandos 2.

E era isso. Muitos dos meus joguinhos favoritos infelizmente não são vendidos em lugar algum (Blizzard, tá regulando Warcraft 2 POR QUE?!?!), e tive que apelar à informalidade dos sites de abandonware. Não posso dizer que me sinto culpado de verdade, porque afinal de contas eu já havia comprado muitos desses jogos no passado, e sem dúvida compraria de novo se tivesse uma forma como.

Alguém no tuíter me recomendou o absolutamente excelente GamesWin.com.br, que tem TUDO QUANDO É JOGO QUE VOCÊ POSSA IMAGINAR. Sério, o acervo dos caras é algo de embasbacar. Tenho vontade de salvar o site inteiro num HD portátil e colocar num cofre, pra posteridade.

Catei uma cacetada de joguinhos no site, títulos que se encaixam perfeitamente no sentido do termo “abandonware” – eles foram literalmente abandonados pelos fabricantes, muitos deles que sequer existem mais.

Finalmente, saí caçando jogos clássicos que se tornaram freeware há algum tempo, como é o caso de Command and Conquer, Red Alert, GTA 1 e 2, Death Rally, e alguns outros. Google os termos com a adição de “freeware” e saia baixando tudo com felicidade.

Uma vez de posse de dúzias de arquivos zipados, toquei a instalar todos os joguinhos. Algumas horas mais tarde, tava tudo bonitinho numa pasta chamada “Games” no meu desktop.

Muito bom
Contém: pura felicidade

Agora, a parte mais delicada – alguns (muitos, na verdade) desses jogos não são inteiramente compatíveis com sistemas operacionais recentes. A cada atualização do Windows ele se torna menos amigável com programas que foram desenvolvidos pro ambiente DOS, e muitos work-arounds se tornam necessários pra fazer os jogos rodarem.

Por exemplo: o Windows 7 não tem um comando de prompt, e por causa disso aplicativos de DOS falham logo de cara, assim que pedem pra rodar em tela cheia.

A solução mais comum é o DOSBox, uma virtualização do MS-DOS que permite que você rode os joguinhos da forma que eles funcionavam originalmente, longos comandos de prompt e tudo.

Só que é uma solução meio tosca na real. Sempre que inicializado, o DOSBox pede que você “monte” um diretório pra servir como HD virtual; em seguida você navega pelo diretório pra rodar o joguinho em questão.

Ou seja – pra rodar Settlers 2, eu abro o DOSBox, digito “mount c c:settlers2″, depois “c”, e finalmente “s2g.exe”. Ter que fazer isso pra cada jogo – o que implica memorizar todos os diretórios e executáveis – é BASTANTE chato.

Meu amigo @tplayer achou uma solução tão elegante quanto eficiente – um scriptzim que adiciona a opção “Run on DOSBox” ao menu do clique direito (há um arquivo Read Me junto com o troço, obedeça-o). Basta clicar no aplicativo, selecionar essa opção e pronto.

Isso resolve o problema dos joguinhos de DOS. E os jogos de Windows 95/98 que são incompatíveis com o Windows Vista/7?

Age of Empires 2 é um bom exemplo. O jogo não reage bem quando rodado ao mesmo tempo que o Aero, e por isso as cores ficam completamente bizarras.

O Google me falou que uma solução pra isso é dar um ctrl alt del e fechar o Explorer.exe, matando o Aero no processo. Aí você roda o jogo tranquilo e, quando tiver matado todos os Persas, basta rodar o Explorer novamente.

Mas é outra solução inconveniente. Felizmente, a solução é bastante simples – basta criar um arquivinho batch que feche o Explorer automaticamente quando você rodar o jogo, e o rode novamente quando o jogo for fechado.

Basta criar um arquivo de texto na mesma pasta do executável do jogo com essas linhas aí (claro, substituindo o “empires2.exe” pelo executável do jogo em questão), salvar como NomeDoJogo.bat, pronto – ao executar o batch, o Explorer será finalizado e o jogo rodará em seguida.

Ao fechar o jogo, o Explorer volta à ativa. E isso mata o problema das cores psicodélicas em todos os jogos que testei.

Pra ficar tudo bonitinho, crio um atalho pra esse batch na minha nova pasta de jogos, e aplico o ícone do jogo ao atalho. Fica lindão, confira:

Clique forte

E pronto – todos os joguinhos estão rodando perfeitamente. Claro que todo o processo de baixar os jogos, instalar, aplicar os patches, criar os batches e tudo mais deu um bom trabalho, mas olhe pra essa screenshot e me duvido que você terá coragem de dizer que não valeu a pena.

Pra todos os outros problemas com joguinhos, o Modo de Compatibilidade quebra um galhão.

E no próximo post, descreverei cada joguinho nessa screenshot, com imagens e tudo mais. Pra uma prévia do que está por vir, veja esse set no meu Flickr.

A propósito, digitei este texto inteiro no meu netbook novo – mais um motivo pelo qual o iPad definitivamente não se adequaria ao tipo de uso que eu dou a um computador portátil.

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Categorias: Games, Tutorialzinho

72 Comentários \o/

  1. Robson disse:

    Kid, c ja jogou a trilogia Star Control.

    cara, a historia eh MUITO do caralho. vc deveria jogar pelo menos ate o 2.

    na gameswin.org tem os 3 q eu acabei de ver, mas pra variar o 3 ta ripado, sem som, como em qualquer outro site de abandonware q eu o tenha achado. se interessar, eu tenho ele full aki, com todos os sons de dialogo. sao 600 megas, e eu rodo ele no dosbox aki no meu win 7.

  2. Diego C. disse:

    Kid, como tu fez pra rodar o afterlife no windows 7 ? To apanhando aqui.

  3. Roger disse:

    Marcel, eu rodo Didi normalmente no Windows 7. Qual as configurações da tua máquina e qual o erro que dá quando vc tenta rodá-lo?

  4. Marcel disse:

    Core II duo com 4Gb de RAM e placa de video de 1Gb, quando eu clico aparece a msg “este prgrama tem problemas de compatibilidade conhecidos” e mais nada

  5. Marlio disse:

    OI Kid, aqui seu velho amigo dinossaurico Marlio. O seu blog eh o unico que sigo, a cada mes, por ai , dou uma visitadinha.
    Sua historia eh parecida com a minha, vista do lado oposto. Devo ter a idade do seu pai, e vc deve ter a idade do meu filho, que tambem desde crianca, como vc, comecou a conhecer os jogos em pc.
    Bem antes de pc, na verdade, ja num computador muito antigo lancado no brasil chamado TK95. Um processador z80A com 48 KB de memoria, uau!!! Os jogos tinham que ser carregados de uma fita.
    Jurassic times.
    Fiquei contente em saber que vc ta seguindo uma faculdade. Antes que eu tenha que ler seus 300 posts pra descobrir, me diz ai, que facul voce ta fazendo?
    Saudacoes de Amsterdam, agora pode me xingar de velho a vontade, fiz 50 anos esse ano.

  6. bugrilhos disse:

    Pow! Faltou o Transport Tycoon Deluxe!! Como você pode esquecer?!?!?

  7. Dennis disse:

    post de utilidade publica :) muito bom!

  8. Kid disse:

    Oi Marlio!

    Tou fazendo um curso profissionalizante legal (manja paralegal? Então!), e usarei o diploma pra aplicar pra law school.

  9. Edu disse:

    Eu também me amarro em abandonwares e tava tomando uma surra pra fazer alguns jogos funcionar no Win7. Valeu pelas dicas.

  10. Underleaf disse:

    Caralho, demais esse site com jogos antigos, Te amo =*