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Postado em 11 February 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

Não vale a pena ser sincero.

Não digo baseado nas minhas prórias experiências em dizer para as pessoas exatamente o que eu tenho em mente. Por mais que eu tenha me fodido fazendo isso (e acreditem, eu me fodi fazendo isso), não a isto que estou me referindo. Bem, também, mas apenas num nível subliminar. Vocês nem vão perceber.

Deixem pra lá.

Estou me referindo àquelas “revelações” que a gente faz às vezes, em momentos de descontração. Aquelas mancadas que você se arrepende de ter dito, segundos após ter dito. Aquela gafe que deixa tensão no ar.

2001. Terceiro ano científico. Certa feita, estávamos na sala de aula quando um jovem nos brindou com uma filosofia pessoal. Um pensamento que nunca devia ter sido compartilhado entre “amigos” de colegial. Digo “amigos“, porque as pessoas que conheci no meu tempo de colégio eram verdadeiros sanguessugas malditos do quinto círculo infernal. Apenas dois ou três se salvam, até porque recentemente vim descobrir que uma delas também não valia nada.

Esse rapaz pronunciou-se de uma forma terrivelmente perigosa naquele dia. Foi algo que ele certamente não diria se tivesse pensado um pouquinho mais e tivesse se dado conta que uma sala de aula é um campo minado – passos errados não têm perdão. Engraçadinhos aguardam qualquer deslize para usar mão de táticas de duplo-sentido, transformando uma afirmação inocente em uma declaração pública de homossexualidade. Trocadilhos são armas baixas, mas não há ética entre esses covardes. Coitado do pobre Éder. Esse é um erro que ele nunca mais cometerá.

– Sabe o que eu tava pensando aqui?

As pessoas chatas nunca esperam os outros dizerem “O quê?“. Talvez porque elas têm consciência da sua chatice e sabem que seus interlocutores não estão interessados em ouvir. Quando pessoas interessantes dizem “Sabe o que eu tava pensando aqui?“, todo mundo faz questão de saber o que é que ele tava pensando lá. Essa fala antecede grandes revelações, pérolas de sabedoria. Já os chatos não. Eles dizem isso quando ninguém tem nada melhor pra falar.

E o pobre Éder, desconhecendo seu destino, continou.

– Dar a bunda deve ser algo muito bom.

Silêncio total no ambiente. Não acreditávamos no que estávamos ouvindo! O cara tava admitindo sua pederastia de peito aberto? Antes que pudéssemos zoar, ele então fez questão de explicar o porquê dessa conclusão:

– Nunca ouvi falar de ex-viado. Se eles não desistiram, é porque logicamente dar a bunda deve bom.

Infelizmente, naquela época nós não nos importávamos com discursos sobre lógica. Se ele soubesse que esse momento de sinceridade lhe custaria sua vida social naquele ano (ainda estávamos em Abril), o coitado não teria saído de casa naquele dia. Foi zoado até o final do ano letivo – e até mesmo depois, porque os caras que fizeram recuperação com ele ainda não tinham esquecido. Acho que até hoje ninguém esqueceu.

E é por isso que digo que sinceridade é um desvio de personalidade. Mintamos todos!

E AGORA eu tou me referinfo às vezes que me fodi tentando ser sincero.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. Robson says:

    Isso. Mintamos todos!