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Postado em 9 June 2004 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Estava eu jogando CS e coçando a bunda (sou muito ágil, consigo coçar a bunda e dar dois headshots ao mesmo tempo). A fome apertou, e a preguiça de preparar uma refeição balanceada e saudável me obrigou a procurar por alimentos alternativos e de conteúdo nutricional duvidoso (como por exemplo, Nissen Miojo. Meu avô sempre me disse que aquilo não tem valor nutricional nenhum).

Fui à cozinha e preparei uma formidável taça de sorvete napolitano com cobertura de morango, chocolate, sucrilhos de Nescau (fica bom no sorvete), cookies, marshmellows e mais algumas coisas doces que catei na geladeira. Voltei para continuar jogando Cáunterstráique (minha coordenação motora é tão funcional que eu sou capaz de comer sorvete e dar dois headshots, enquanto coçando a bunda).

Quando eu estava quase no topo da escada que leva ao piso superior, Bud, o cachorro enviado por Lúcifer à Terra, passa correndo entre minhas pernas. O canino demoníaco e sua presepada provocaram meu desequilíbrio, e eu fui abaixo como um saco sujo de batatas – em tempo, eu estava mesmo precisando tomar um banho.

Por mais que eu tenha agarrado a taça heroicamente (nem fodendo eu desceria lá pra fazer outra), o imprevisto aconteceu! Algo inimaginável, totalmente fora de cogitações, a situação para a qual planos alternativos não são feitos:

O sorvete “deslizou” pra fora da taça e caiu no carpete sujo da escada, bem no cantinho onde um degrau encontra o outro.

O local mais empoeirado do universo conhecido.

Depois de mandar o cachorro a três metros de distância – impulsionado por um vigoroso chute nas costelas -, fui avaliar o prejuízo. Sem lavar as mãos ou tomar qualquer outra medida de higiene (o que não fazia mais diferença àquela altura do campeonato), catei a bolona de sorvete e a recoloquei na taça. Mesmo à luz baixa, dava pra notar pelinhos de cachorro e outros materiais estranhos à massa congelada. E não era possível distinguir as bolinhas do sucrilhos de nescau de bolinhas de merda canina. Sabe como é, o Bud tá com aquele agradável hábito de sair cagando por toda a maldita casa. Nunca se sabe.

(Aliás, meu cachorro é o único na face da Terra – ok ok, é o único que eu conheci – que é capaz de mijar andando, ou até mesmo CORRENDO. Não raro encontro rastros de mijo que dão a volta na cama, descem a escada, passam por baixo da mesa da sala e finalmente, levam até a porta da frente, a qual Bud arranha desesperadamente na tentativa de sair de casa para urinar do lado de fora. Mas aí já era mermão, tu já mijou a casa todinha e vai levar um bicudo entre a quinta e sexta costela.)

E eu comecei a pensar: se eu fosse um canadense endinheirado e fresco pra caralho, o que eu faria em relação ao sorvetim?

Jogaria tudo no lixo, sairia pra jogar hockey e, no caminho de volta, passaria no Dairy Queen e compraria um Super Duper Supreme Chocolate Fudge Bowl, que é quase do tamanho de uma moeda de um real e custa dezenas delas.

Honrando a cultura do meu país – “Aproveite até onde der, meu filho” -, peguei a colher e comecei a raspar a área do sorvete que tocou o carpete pútrido. Foi um lindo momento patriótico. Consegui até mesmo imaginar uma fileira de soldados perante a bandeira tupiniquim, ao sol do meio dia, se abaixando e recolhendo sorvete caído para honrar a tradição nacional de mesquinharia, de catar moedinhas de dez centavos do chão, de assoprar o bombom que escorregou e dizer que “o que não mata, engorda”. Tudo pra economizar algum dinheirinho. No meu caso, além evitar o desperdício, eu também estava evitando a fadiga. Não tava afim de descer e preparar outra taça, claro.

Preguiça – assim como resolver problemas de formas, ahn, “alternativas” – é outro atributo tipicamente brasileiro.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)