Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 12 July 2004 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

Ah, e tinha a vida universitária…

Lembro-me, com uma ponta de melancolia, do tempo quando eu fazia faculdade aí no País da Putaria. Eu gostava daquela rotina: sair cedo de casa, caminhar (derretendo ao sol maranhense) até a parada de ônibus (sempre lotado) e aguentar suvacos (fedorentos) até a chegada no campus (totalmente esculhambado, como manda o script de faculdade pública). Um período da minha vida quando eu me questionei sobre a importância de um curso superior, do uso de desodorantes e sobre quem eu deveria ter torturado numa existência passada para merecer esse suplício na atual.

Lembro do meu desespero quando terminei o segundo grau científico. Durante os três anos do ensino médio eu joguei bolas de papel molhado no teto do banheiro, briguei, fui suspenso, processado, escrevi um conto de ficção científica, viajei para os Estados Unidos e fui para uma boate pela primeira vez na vida, mas não estudei uma vez sequer. Eu, um vagabundo de marca maior, nunca esperava entrar em uma faculdade pública. Particular talvez, ao custo de muita reza e alguns litros de sangue de virgens. A palavra “vestibular” provocava calafrios na espinha e ataques de diarréia. A cobrança paterna era cruel. Na mesma época, Chaves foi cancelado da grade televisiva pela primeira vez. Foi um período horrível, meus amiguinhos.

Sabe-se lá como, eu passei na primeira tentativa. Oitavo colocado geral para Bacharelado em Física na Federal, o que me rendeu fama de nerd CDF entre a galera da rua. Obviamente a baixa concorrência do curso (que no ano era menor que 15 candidatos por vaga) me deu um empurrãozinho. Não lembro de ter estudado uma vez sequer durante todo meu segundo grau (e “meu segundo grau” neste contexto significando “minha vida inteira“) e, por isso, a forma como eu consegui resolver as provas objetivas de Matemática e Física é um segredo miraculoso que contarei apenas aos meus netinhos, no meu leito de morte.

Até minha entrada na faculdade, o mundo universitário era uma incógnita para mim. Eu não fazia a mínima idéia do que eu tinha que fazer lá dentro. Então, um amigo me explicou que eu deveria me matricular nas disciplinas que eu queria cursar. Achei genial. A possibilidade de optar por NÃO estudar uma determinda disciplina foi muito atraente – à primeira vista, ao menos. Lá pelo terceiro período percebi que algumas cadeiras, como “Introdução à Física” ou “Cálculo Diferencial”, tinham uma certa importância no meu currículo. Ou melhor, era IMPORTANTE que elas ESTIVESSEM no meu currículo. O que não aconteceu.

Sim, minha passagem pela instituição de ensino público foi uma lástima. Estudar sempre me interessou tanto quanto enfiar pregos tortos atrás dos meus joelhos; dessa forma, passei me arrastando nas poucas cadeiras que consegui terminar. Algumas vezes eu sequer assistia as aulas, preferindo ir para o laboratório de informática acessar internet. Aliás, dizer isso é como falar que o saldo de mortes nas Guerras Mundiais foram “algumas” pessoas.

A verdade é que eu eu praticamente MORAVA no laboratório de informática.

Em restrospecto, não consigo pensar em um motivo sequer pelo qual eu ia para a faculdade. Além de gastar dinheiro diariamente com passagem de ônibus e aprender a importância de higiene pessoal quando se usa transportes coletivos diariamente, as idas à universidade não me renderam muita experiência de vida. Deve haver uma forma menos traumatizante de aprender a contar troco e que o uso de sabonete embaixo dos braços durante os banhos é algo sagrado.

Mas o legal era o “intercâmbio cultural” entre os estudantes de diferentes cursos. Sabe como é, aquele amigo que faz Direito, que tem uma amiga que cursa Odonto, e tem um primo que acabou de passar pra Engenharia Elétrica cujo vizinho tenta Medicina há mais de dez anos, sem sucesso. A diversidade de interesses torna as conversas extremamente bizarras, acreditem em mim. Foi bastante legal porque, pela primeira vez na minha vida, me senti no meio de pessoas inteligentes – coisa que se tornou uma utopia após o advento da internet.

(A rede mundial espalhou os retardados por todos os cantos, o que acabou com a minha fé na humanidade e destruiu nossa chance de encontrar vida inteligente na Terra.)

E nisso, acabei entrando em contato com dois cursos bastante peculiares. Mas isso é assunto para outro post, porque esse aqui já tá grande demais.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. adryano says:

    “Calor maranhense” em que cidade você morava moço??