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Postado em 15 February 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

Estudei em um Colégio Adventista na sétima e oitava séries. Além de o colégio ser uma porcaria, tínhamos um motivo extra para odia-lo (além daquele uniforme ridiculamente escroto), uma terrível desgraça que nos acometia toda quarta-feira: as “aulas” de capela.

Era simples. Na esperança de nos catequizar, a coordenação do colégio mandava todo mundo para o segundo andar, onde ficava o templo da igreja. Lá, eramos obrigados a entoar cânticos e bater um papinho com uma divindade que na época eu não reconhecia. Então o coordenador do colégio – que também era pastor, vejam só – mandava-nos sentar, e começava a contar historinhas bíblicas com lições de moral no fim. O Cara de Pizza – esse era o apelido que inventamos para o indivíduo, e deixarei que a imaginação de vocês descubra o motivo – era um TREMENDO canastrão. Ao contar as historinhas bíblicas, a falta de empatia dele provocava bocejos na platéia. Não tinha como levar a sério aquele cara.

Eu, que sempre tive muita boa vontade para com as pessoas, era o primeiro a aloprar as historinhas que ele contava. Nós criávamos nossas próprias versões dos famosos contos bíblicos.

Era uma chatice só, e durava 50 minutos.

Eu e meus amigos costumávamos fugir para a biblioteca, que ficava no mesmo corredor. Quase sempre éramos pegos, e quase sempre eles enfiavam a gente de volta na tal capela. E deixavam uma freira – ou seja lá como se chamam as “irmãs” adventistas – na porta da saída, pra ninguém fugir.

O pessoal mais velho, aqueles que já estavam no primeiro ou segundo ano científico, também era obrigado a suportar a tortura de 50 minutos. Porém, diferentes dos pivetes, os alunos maiores é que impunham moral nos professores, e não o contrário. A turminha deles firava as costas pro “pastor”, contava piadas, jogava cartas, fazia uma rodinha de pagode… E se não me engano, havia um deles, o Flávio, que era um exímio imitador do Cara de Pizza. O talento dele nos divertia muito durante a “aula de capela”.

Então, pra evitar aquela babaquice toda, eu e minha turminha fugíamos para a biblioteca. Quase sempre as irmãs pegavam a gente, diziam que íamos arder nos Quintos dos Infernos, e nos jogavam de volta pra capela.

Lembro-me de uma ocasião quando alguém derrubou uma das estantes de metal da biblioteca, provocando um efeito dominó igual aqueles que você vê nos filmes e pensa que é mentira. Um dos fugitivos da capela – que não era da minha turma, então rimos muito do infeliz – foi pego entre duas estantes. Ele ficou preso entre as ferragens e soterrado pelos livros. A consternação foi grande, todo mundo correu do templo para a biblioteca pra saber o que diabos tinha acontecido.

Menos o Cara de Pizza. Ele continuou lá, lendo a bílbia.

[ Update ] Por curiosidade, coloquei “Colégio Adventista de Fortaleza” no Google e achei isso:

COLÉGIO ADVENTISTA DE FORTALEZA

Dirª. Régina Maria Lima Marinho

Av. da Universidade, 2083 –Benfica

60.020-180; Fortaleza, CE

Fone: 85. 252-1208

E-mail: caff@sec.secrel.com.br

Vou ligar pra Dona Régina e perguntar se o Cara de Pizza ainda lê bíblias nas aulas de capela.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. Henrique says:

    Cara, talvez você não saiba. Mas você é um completo idiota.