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Postado em 25 July 2004 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários


Porra de microafinação!


Meu ex-baixista aparece no MSN depois de anos sem conectar. Puxo um pvt com ele, e o cara logo de pronto já vai dizendo que “tá puto”. Eu, educadamente, pergunto o porquê de sua putice.

Ele está puto COMIGO, porque a guitarra que ele me emprestou há algum tempo teve sua ponte de microafinação fodida. Xeu explicar.

Num belo dia eu estava tocando, e duas tarraxas simplesmente CAÍRAM do instrumento. Eu sequer encostei nelas; estava fazendo uma animada interpretação de One, do Metallica (acabei de aprender os solos) e ouvi quando uma duas cordas (as duas mais finas) se afrouxaram subitamente. Percebi o que tinha acontecido: As tarraxas simplesmente soltaram-se. As ranhuras que as seguravam estavam gastas.

Só há duas formas para estuprar uma ranhura: ou você arranca a tarraxa com um alicate (a peça é praticamente um parafuso, aquilo não sai com facilidade), ou você aperta DEMAIS quando for afinar, fazendo com que as ranhuras se desgastarem. Só um imbecil sem o menor tino musical faria qualquer uma das duas coisas. Sabe como é, ainda não tenho fama o suficiente para sair estourando guitarras por aí.

Ele me perguntou sobre as tarraxas que faltavam no equipamento, então entendi que ele não saca muuuuito do equipamento. Expliquei para ele que as peças não ficam mais no lugar. Não adianta. As ranhuras já eram. Agora, só trocando a ponte inteira. Isso serviu para deixa-lo mais puto, porque ele pensava que as peças apenas tinham “caído” e que não haviam havia danos no instrumento.

E aí vem a parte legal: segundo ele, a guitarra não tinha defeito nenhum quando foi passada à minha pessoa. Estava perfeita. Era quase nova.

Porra, vamos lá, ein? Qual a diferença entre “quase nova” e “caindo aos pedaços“? “Quase nova” é apenas um eufemismo para “velha pra caralho, tava aí no canto da parede pegando poeira há quatro anos“. Você não chama uma guitarra NOVA de “quase nova“. Você não chama nada que esteja em boas condições de “quase novo“. O “quase” alopra toda a sentença, é o que divide de um equipamento que acabou de sair da loja de um que foi encontrado no meio da rua, coberto de cocô de cachorro e panfletos de vereadores.

Ao qualificar a guitarrola como “quase nova“, o cara entregou o ouro. O negócio devia ser velho como o tempo, e ele deu a sorte de ter outra pessoa quebrando-o. Assim, ele pode cobrar satisfações e ficar puto. É sempre legal ficar puto com alguém.

Ofereci-me para pagar o prejuízo prontamente, claro. Tudo bem que o negócio deveria estar nas últimas mas, de qualquer forma, foi danificado enquanto estava sob meus cuidados. Independente de que a guitarra estava quase se desintegrando, era minha responsabilidade. Falei para que ele procurasse o preço de uma ponte nova, e fica por minha conta (leia-se “do meu pai, outro que vai ficar puto com a história“)

Mas o cara continuava revoltado, vai entender. Ganhar uma microafinação nova não deixa mais as pessoas alegres.

E lá se vão minha economias para comprar uma Les Paul…

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)