Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 3 August 2004 Escrito por Izzy Nobre 4 Comentários

Caralho, nunca mais faço isso na minha vida.


Uma viagem longa pra cacete. Fonte: MapQuest.


Nunca mais MESMO.

27 horas, DIRETO. Meu pai não queria parar em hotel, porque ele teria que estar de volta na terça-feira de manhã para trabalhar e não podia desperdiçar nenhum minuto.

O velho tava apostando que dava pra ir até Pompano Beach, cidade onde meu irmão está morando, com apenas um tanque de gasolina. Lá por volta de Atlanta, ele percebeu que não dava. Isso quase custou a viagem inteira.

Comi em praticamente todos os McDonalds do caminho até lá embaixo. Isso não pode ser saudável.

Cheguei na Flórida acabadíssimo, o que obviamente não me impediu de pular na cadeira do PC do Trunks e dar uma averiguada na rede mundial. Depois que já tinha lido todos emails e comentários, brigado no Orkut, jogado uma partida de CounterStrike, respondido ameaças de morte em fóruns e jogado um pouco de Tony Hawk 3 no PS2, fui falar com meu irmão, porque eu tava com muita saudade do moleque.

No dia seguinte uma velha amiga de infância, a Stephany, veio nos visitar. Ela mora nos EUA há uns 7 anos, acho. Na primeira vez que fui pra lá, fiquei hospedado na casa dela e quase enlouqueci a menina.

(E lá vão vocês pensar em maldade…)

Ficamos conversando bobagens dos velhos tempos quando todos íamos para a mesma igreja em Fortaleza (foi assim que nossos pais se conheceram), e depois fomos pra piscina e tiramos fotos – que ninguém verá.

Na Flórida, você se sente em casa. Clima aconchegante, gente falando português em todo canto, lojas com letreiros escritos na língua-mãe – ou ao menos com bandeiras brasileiras penduradas nas vitrines -, sirenes de carros de polícia soando a todo momento… era quase como estar de volta do País da Putaria.

(Vamos, patriotas ufanistas! Me xinguem! Não deixem ninguém chamar o Brasil de “País da Putaria“, pois todo mundo sabe que isso está muito longe da verdade, não é?)

Só passei umas 15 horas na Flórida. Quando voltamos da piscina, já tava tudo dentro do carro pra viagem de volta. Despedi-me da cambada e pulei pra dentro do carro para as próximas 27 horas de confinamento. E ouvindo country music durante quase toda a viagem, o que foi o pior. Malditas pilhas alcalinas que deixaram meu mp3 player na mão, e meus ouvidos na merda.

Mas o MELHOR da viagem foi quando chegamos à fronteira Estados Unidos-Canadá, em Buffalo (cidade onde foi rodado o filme Todo Poderoso, a propósito). A fiscal da imigração perguntou de onde estávamos vindo. Meu pai, inocentemente, respondeu “Flórida!” A fiscal, que era muito bonita, perguntou quantos dias passamos lá. “Só um” foi a resposta. Ela nos olhou com um rosto intrigado.

– Vocês foram de carro até a Flórida pra passar só UM dia?

– Ahn… qual a sua nacionalidade, senhor?

– Brasileiro!

A mulher levantou uma sobrancelha. Puxou o rádio da cintura, séria, e falou umas coisas em código numérico. Latinos, indo de carro pra Flórida – por que não ir de avião? – e passando só um dia? Poderíamos ter escrito “traficantes” na testa e talvez seria menos suspeito.

Fecharam a cancela na nossa frente e a fiscal indicou um lugar onde deveríamos parar o carro. Cinco policiais se aproximaram, cercando o veículo. Pediram para saírmos do carro e começaram a vistoriar tudo, até minha sacola de cuecas sujas. Observávamos tudo de uma calçada a uns três ou quatro metros de distância.

Em um momento, dei um passo para a frente para amarrar o cadarço. O policial que estava mais perto notou minha semi-aproximação e rapidamente levou a mão ao coldre da arma, sobressaltado. Ele entendeu qual era minha intenção e, visto que amarrar o cardaço ainda não é um crime, o miserável voltou a vasculhar o carro do meu pai – que se tornará meu assim que eu tirar minha carteira semana que vem, mas não contem pra ele.

Não acharam nada além de roupas sujas, pacotes de donuts e muitas caixinhas de hamburger do McD’s. Voltaram para dentro do prédio da imigração, confabulando. Notei que todos os outros carros que eram levados para a vistoria eram apenas checados superficialmente. Fomos os únicos que tiveram até as bagagens reviradas. E eu tava achando muita graça daquilo tudo.

Os policiais voltaram com um sexto, que trazia um molho de chaves na mão. Ele passou por nós em direção a uma picape que estava estacionada ali perto. Um cachorro enorme saltou de dentro do carro, e eu achei que seríamos condenados à morte por dentadas ali no ato, por ter ido pra Flórida de carro e sermos latinos.

O cachorro cheirou meu carro inteiro, e nada. Os policiais estavam frustrados. Sabem aquele conhecido texto sobre uma velha que passa todo dia na fronteira com uma lambreta e um saco de areia, e o fiscal SABE que ela está contrabandeando algo, mas não tem como provar? Poisé, eu estava presenciando a versão canadense do popular conto de Stanislaw Ponte Preta. E ela foi muito mais engraçada. A frustração dos policiais, que podiam jurar que estávamos levando drogas naquele carro, era impagável.

O cachorro não achou nada, naturalmente. Os fiscais foram obrigados a nos entregar as chaves e desejar boa viagem. Arrancamos de lá antes que alguém tivesse a brilhante idéia de chamar o Esquadrão Anti-Bombas.

E foi isso.

Lembrem-me de nunca mais atravessar um país de carro.

Pior que essa não foi a primeira vez.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

4 Comentários \o/

  1. pedro5453 says:

    primeroooooooooooooooooooooooo!

  2. megapanka says:

    Segundasooooooo

  3. Milhouse says:

    Escrito por Kid em Aug 3, 2004

    TENSO

  4. Fábio F. says:

    Esse post valeu meu domingo