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Postado em 7 August 2004 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Interrompemos o post diarinho sobre as velhas canadenses para um outro post diarinho sobre outra coisa igualmente irrelevante. Porém, este post diarinho terá fotos alternando as colunas direita e esquerda, uma tendência altamente modernética.



Fui ontem pro Uprising Tour, um evento de skate patrocinado pela empresa do Tony Hawk. A compania do famoso skatista patrocina uma turma de moleques profissionais que ficam passeando pelos EUA e Canadá exibindo suas habilidades no tal evento. Vieram pra Oshawa e, como é de grátis, eu tinha que ir.

Tudo combinado. A gótica e umas amigas apareceram buzinando aqui em casa. Fomos pro tal do Donovan Skate Park, local onde o negócio aconteceria. Ele fica próximo ao colégio onde minha patroa estuda.

Tinha um palco pra bandas – algumas muito boas, outras nem tanto -, comida, distribuição de camisetas, CDs e outros badulaques. Guris gritando e correndo, gente tirando fotos e pedindo autógrafos pros skatistas, aquela festa.

Fui no banheiro por dois segundos. Quando voltei, as meninas estavam em polvorosa: segundo elas, um dos skatistas participantes do evento era brasileiro!

Tinha que confirmar isso. Sentei bem rente ao skatepark e fiquei aguardando o anúncio dos skatistas. Tinha um maluquinho da Finlândia, outro da Rússia, um do Paquistão… Eu nem sabia que a roda já tinha chegado no Paquistão, que dirá skates.

De repente o apresentador do evento se atrapalhou em anunciar a cidade natal de um dos competidores, e de pronto eu saquei que aquele era o meu compatriota. Segundo o cara, o skatista era oriundo da cidade de CâreeteeBAAH, com ênfase no BAAH.

Câreeteebah é o meu ovo, filho da puta!” disse eu, para mim mesmo, embora tenha sido ouvido pelos que estavam mais próximos. A gótica perguntou se eu tinha falado alguma coisa, mas eu nem me dei ao trabalho de traduzir. Por falar nisso, há um tempo aí a coitada queria aprender português. Vou ver o que ensino pra ela.

Então, o tal menino de Câreeteebah desceu a rampa. Quando vi o cinto verde-e-amarelo que ele usava, não tive dúvidas. Era brasileiro mermo!

As meninas praticamente imploravam pra que eu gritasse alguma coisa em português pro moleque. Elas adoram me ver falando português, sei lá porque. Juntando uma coragem que não sei de onde surgiu – sempre fui MUITO, mas MUITO tímido, especialmente quando estou em lugares com muita gente -, me levantei, pus as mãos em forma de concha em redor da boca e berrei como um fã de Senhor dos Anéis quando percebeu que Glorfindel não estava nos filmes da série:

“DETONA ESSES MERDAS, MALUCO!”

Cinquenta cabeças canadenses se viraram em minha direção. O maluco fez uma manobra qualquer, parou o skate e deu uma olhada em volta. Não me viu na multidão e continuou fazendo as presepadas em cima do negócio. As meninas ficaram me perguntando o que eu tinha falado, mas eu nem respondi: puxando a gótica pelo braço, me dirigi aos fundos do skatepark. Os skatistas subiam para tomar água ou qualquer outra coisa, e davam um tempinho lá antes de retornar às manobras.

De longe dava pra ver que o moleque parecia meio nervoso, talvez por estar cercado de gente falando outra língua. Segundo o apresentador do evento, ele não falava inglês direito. Lembro que quando logo eu cheguei aqui, mesmo falando inglês fluente, me sentia extremamente desconfortável quando estava cercado por pessoas que não falavam português.

No caminho, aproveitei para enfatizar pra Becca algo que eu já tinha falado antes, quando fomos ao Wonderland: tem brasileiro EM TODO LUGAR DO MUNDO. É impossível não encontrar brasileiros onde você vá. Aposto que não tinha nenhum finlandês, russo ou paquistanês na platéia. Eu disse pra ela que, no dia que houver um atentado terrorista no Azerbaijão ou em qualquer outro país que a maioria das pessoas conhece a existência, morrerão brasileiros lá.

Cheguei no moleque.

Na cara de pau, fui logo falando: “Hey, are you brazilian?”

O moleque, meio sem graça: “Yeah, why?”

Sorri e estendi a mão: “Beleza, moleque?

Ele abriu um sorrizão. Conversamos algumas bobagens por alguns intantes, apresentei a patroa e voltei ao meu lugar. No fim do evento, quando fomos pegar uns posters no stand de autógrafos, o moleque puxou conversa de novo. Ficamos tirando onda com a cara dos canadenses infelizes, que não faziam idéia de porque estávamos rindo.

“Olhaí cara”, disse o skatista, “tou ensinando esses viados a falarem português

“Ih, é mesmo?

“É sim, olha. Hey Brad, tell him that phrase I told you the other day”

E o outro skatista, sem saber o que estava falando:

Chupa meu pinto, minha mãe é puta…?

E eu rindo na cara do coitado.

O brasileiro autografou o meu poster com a dedicatória “Um abraço para …“. As meninas perguntaram o que ele tinha escrito.

O foda é que abraçar homens – especialmente se for alguém que você nem sequer conhece direito – é um costume tipicamente brasileiro. Abraço aqui é um gesto mais afetuoso, geralmente dedicado a parentes, amigos muito próximos (e ainda assim é estranho) ou namoradas. Se eu dissesse que o maluco me desejou um “hug”, elas iam pensar que nós brasileiros somos todos viadinhos alegres que saem por aí se abraçando em competições de skate, e isso eu não poderia permitir.

Então, disse que “Um abraço para …” significava “To my buddy …

Porque a gente não pode deixar os brasileiros ficarem com fama de viado no exterior. Ah, não podemos mesmo. Falem o que quiser, menos isso.

[ Update ] Parem de choramingar, ô caralho. O Conselho de Amigo foi atualizado, pronto.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)