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Postado em 23 August 2004 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Meu pai me liga de Toronto. Feliz da vida, ele me informa que comprou duas latinhas de guaraná Antártica num mercado brasileiro.

Não pude deixar de exprimir um “CARALHO, QUE FODA!” Faz uns nove meses que não tomo guaraná. É complicado morar aqui, para mim, já que eu odeio Coca-Cola e detesto Pepsi com igual intensidade. Com exceção de Sprite (que não é lá essas coisas), os outros refrigerante gringos são INTRAGÁVEIS, e quem já esteve por estas bandas sabe que não minto. Em geral são todos uma merda, e o tal do Dr. Pepper em particular é uma piada de mal gosto da indústria americana de refrigerantes.

Costumamos comprar bastante refrigerante, por dois motivos distintos. O primeiro é que refrigerante aqui é muito barato: comprando a caixa, cada latinha sai por menos de trinta centavos. E algum animal vai dizer “Mas Kid, 30 centavos de dolar dá quase um real…“.

É, mas você se esquece que o salário mínimo aqui é 2000 dólares. Aqui se tira trinta centavos de dois mil dólares para comprar a mesma coisa que custa um real de trezentos. Deu pra perceber a diferença?

Explico isso porque me irrita muito quando alguns conhecidos – e onde há “conhecidos“, substitua por “imbecis” – ficam transformando dolar em real, para tentar comparar os preços.

Por exemplo:

“Comprei um mp3player por 100 dolares.”

“Porra, isso dá 300 reais, que CARO.”

Não se compara poder aquisito pela taxa de câmbio, e sim pela renda per capita. Caso contrário, o Japão seria um país muito fodido, pois o yene vale mixaria comparado ao dolar.

E a segunda é que moro sozinho com meu pai, e somos dois preguiçosos. Fazer suco dá muito trabalho e isso é contra a nossa religião, então é mais fácil comprar a caixa com 24 latinhas de Sprite.

A última vez que bebi um bom guaraná brazuca foi em novembro, num aeroporto de Sampa cujo nome esqueci. Reguei um hamburger goela abaixo com a saborosa bebida produzida com a fruta tropical que os canadenses não conhecem ou sequer conseguem pronunciar. A tentativa da minha namorada de falar “guaraná” causou em mim uma incontrolável explosão de risadas, que a deixou envergonhada e a fez prometer que nunca mais tenta falar português na minha frente.

Tomei um guaraná “alternativo” quando estive em Toronto no comecinho do ano. Embora o rótulo da garrafa dissesse “guaraná” e trouxesse uma bandeira brasileira na forma de um coração – muito gay, sim -, aquilo tinha gosto de qualquer coisa, menos guaraná. Tomei um refrigerante similar em New York no Natal, era igualmente intragável. Uma afronta ao meu paladar refrigerântico treinado em anos de festinhas de aniversário (para as quais eu nunca levava presente algum).

O problema é que essas latinhas serão tratadas como especiarias aqui em casa- são bastante apreciadas, porém caras e precisamos viajar para compra-las. Vou misturar com água e açucar pra ver se essas latinhas duram uns dois meses.

Coitada da gótica, não vou dividir meu refrigerante com ela. E eu já tinha feito a maior propaganda do guaraná que ela não consegue pronunciar…

Porra, tomara que ele chegue logo com essas latinhas.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)