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Postado em 16 September 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário



Eu simplesmente não entendo DragonBall Z. Eu sou incapaz de compreender como esse programa passou tanto tempo no ar – em mais de uma emissora – se tornando sucesso absoluto entre guris por todo o país apesar de não fazer nenhum sentido que seja, e como os criadores dessa porcaria têm a moral de sair de casa sem que transeuntes joguem coisas pesadas neles.

Pelas poucas vezes que assisti, saquei que o desenho não vai muito além de personagens desproporcionais com trezentos quilos de músculos voando de um lado pro outro, atirando bolas mágicas de energia colorida, cada uma explodindo uma área do tamanho de Goiânia mas que, no entanto, não provocam nem mesmo um arranhão na pessoa em que ela foi atirada.


Não vai machucar ninguém, desista.


Sim, não posso me esquecer dos berros. Em DragonBall Z ninguém fala, a comunição é estabelecida na base da gritaria. Até pra sussurar aqueles putos abrem o berreiro.

A linha nessa porra de desenho é provavelmente a coisa mais previsível jamais imaginada pela mente humana, com exceção do filme Titanic (“nossa senhora, um filme sobre o mais famoso naufrágio na história, como será que acabará isso?”):

Há um personagem com nome perigosamente pornográfico para crianças de 13 anos saírem gritando pela escola: Goku. Ele é todo fodão e tal. Aliás, ele não apenas é fodão, mas ele é o mais fodão DO UNIVERSO. Exagero é a palavra-chave nesse lixo, então dizer que o cara é o melhor lutador do país ou do mundo não é suficiente. Tem que ser DO UNIVERSO.

Apesar de ele ser o cara mais forte do cosmo (portanto tornando a competição injusta para qualquer um que esteja dirigindo qualquer coisa menos agressiva que um tanque de guerra americano), os criadores enfiam pela nossa goela a mesma história todos os episódios: Alguém mais forte que o rapaz Goku chega, chuta as bagaças de todo mundo (“todo mundo” aqui tem significado literal. Ele tem que matar TODAS AS PESSOAS DO MUNDO) e, se possível, explode o planeta no final.

De onde o cara mais forte apareceu, considerando que o Goku era supostamente o cara mais forte do plano existencial, eu sinceramente não sei. Provavelmente surgiu de algum desses lugares inventados ou inexistentes, como Tangamandápio, Suriname ou uma comunidade legal no Orkut.

Essa é toda a premissa do desenho: Caras mais fortes chegando e chutando bagaças. É que nem no seu tempo do primário, com exceção que você não voava.

Opa, ia esquecendo: O padrão do “cara mais forte” nunca muda. Alguns dos perfis de inimigos mostrados na série foram:

a) Um alien

Eles são sempre malvados.

b) Um robô

Bando de filho da puta que estão sempre apenas esperando para dominar geral.

c) Um, tcharã, ROBÔ ALIEN.

Nossa, me diz se isso não é criativo pra caralho. Além de lançar mão dos maiores clichês da história do cinema, eles uniram os dois produzindo um fantástico novo estereotipo.

d) O filho de um personagem que veio, olha só que original, DO FUTURO.

Porra, os caras já colocaram ETs e andróides no negócio. Se o objetivo é fazer o mínimo sentido possível, por que não ir até o fim? Adicionando viagens temporais no desenho, seus criadores asseguraram-se de passar longe de qualquer coisa que se assemelhe a coerência.

Se bem que, num desenho com bolas roxas de energia espiritual e super macacos gigantes espaciais, viagem no tempo parece algo trivial.

E não podemos esquecer, é claro, da clássica reviravolta “inimigo-que-vira-amigo”. Não me levem a mal, é até um tema interessante, quando não acontece quarenta vezes por episódio. Se torna muito óbvio (assim como o resto do desenho): se o Goku tá chutando a bagaça de alguém no episódio de hoje, é bem provável que amanhã eles estarão treinando juntos para salvar a Terra do terceiro “cara mais forte”, que aparecerá ainda nessa semana. Aí aparece o cara ainda forte da semana, um robô samurai bissexual mutante mãe solteira atriz e modelo de Netuno, e tenta destruir a Terra de novo. Semana que vem ele tá treinando junto com os outros dois.

Sem contar que eles mostram a história da forma mais lenta possível, talvez (CERTAMENTE) para encher linguiça. De meia hora (a duração um capítulo de DBZ), 3 minutos são utilizados para explicar qual bunda o Goku e sua gangue está chutando (ou quem está chutando as suas). O resto é preenchido com explosões atômicas e gritos, que servem para distrair os espectadores da falta de lógica de tudo aquilo. Demora um ano para os personagens do desenho conseguirem matar alguém; é impressionante. Talvez se eles não lutassem com o cara por apenas 40 segundos e passassem o resto do capítulo gritando entre si, dizendo que será impossível derrotá-lo, os resultados seriam mais alentadores. É irritante demais. Sabe quantos personagens de Dragon Ball são necessários pra trocar uma lâmpada? Só um, mas demora três episódios.

E eu tenho uma teoria que explica esse estranho fenômeno dos inimigos virando caras legais: Perceba que a essa altura do campeonato, a população da Terra já foi morta (e ressuscitada) umas quinze vezes. Os caras maus estão cansados dessa putaria. Eles percebem que não tem sentido tentar destruir um planeta de habitantes imortais e com tão poderosos defensores. Qual o propósito de matar gente que não pára de voltar à vida? Acho que é por isso que metade dos bandidos que aparecem no desenho se tornam mocinhos.

– Ah, foda-se esta porra. Esses terráqueos não morrem, caralho. Vamos jogar videogames e esperar o próximo panaca destruidor de planetas chegar. Passa o sorvete aí.

Os caras maus se tornam bons apenas porque não têm nada melhor pra fazer. Não é incrível? Os criadores do desenho abandonaram qualquer esperança de dar sentido a essa porcaria e nem se preocupam mais em dar motivações aos personagens.

Formidável.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. Camilo says:

    _|_

    suspeito que o izzy nobre assistia pokemom e saylor moon ( eh assim que se escreve? )