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Postado em 24 September 2004 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

E aí o Trunks manda um joguinho pra mim. Ele estava empolgadíssimo. Ele me disse que era o melhor jogo que ele já tinha jogado na vida.

Levantei uma sobrancelha. Meu gosto por jogos costuma ser bem diferente do que meu irmão tem. Eu geralmente gosto de jogos interessantes, desafiadores, onde você possa resolver seus problemas descarregando munição no rosto de alguém. Ele, por sua vez, gosta de jogos chatos.

Mas, como eu não estava fazendo nada mesmo©, aceitei o envio do game. E foi assim que conheci System Shock 2, o melhor jogo que você vai pôr as mãos em toda sua vida. E se você pensa diferente, você está errado.


A capinha do jogo e tal


O primeiro desafio foi entender que porra de estilo de jogo era esse. System Shock combina elementos de tiro em primeira pessoa, adventure e RPG. Explicando em outras palavras, você enche o cu de inimigos com balas, desvenda mistérios espalhados convenientemente pelos cantos do mapa e ganha pontos de experiência, ficando mais forte a cada fase. É claro que os inimigos também ficam mais fortes a cada mapa, gerando uma interessante corrida evolutiva e muita frustração quando você percebe que continua na mesma, não importa quantos pontos gaste em Força.

A história é convincente, embora meio clichezada. Você estava na viagem inaugural da primeira nave espacial mais rápida que a luz. Mas, como sempre, algo tem que dar errado, senão não teria jogo. Você acorda com barulhos de explosão. Há sangue em todo canto, até no teto. Você se pergunta como o sangue chegou no teto. A única arma que você tem no começo do jogo é um ineficiente chave inglesa (leia-se “um pedaço de ferro completamente inútil e que não oferece nenhuma ameaça pros bichões“), que garante que você morrerá umas 3 vezes até pegar o jeito no game. Espere até pegar uma pistolinha e aí sim o negócio começa de verdade. Até lá, conforme-se em sacudir o pedaço de ferro pra todo lado na esperança de que os ETs se assustem e fujam correndo.

O que não acontece. Falo por experiência própria.

O ponto alto do jogo é a experiência imersiva. Já joguei trocentos títulos diferentes, vários deles considerados “os fodões”, mas NENHUM chega perto de System Shock no quesito envolvimento com a história. Não sei como esses caras conseguiram isso, mas você se sentem realmente dentro daquela nave, lutando com os ETs que querem comer seu fígado. A música é reativa: durante a exploração da nave, a música é suave, calma, o que aumenta sua tensão. Você pensa “esses putos colocaram essa musiquinha bunda pra me fazer relaxar, para então arrancar meus olhos quando eu menos esperar!

Durante um tiroteio com os bichos feios, a música de tensão muda pra um tecno pesado. E depois, de volta para a música calma. É foda demais, amiguinhos. Parece um filme: quando a música mudar, você já sabe que o chumbo vai comer.

Ao longo do jogo, você recolhe diários digitais dos tripulantes mortos. Pressionando uma tecla, você ouve a narração dos diários, com as vozes originais dos seus donos, explicando certos detalhes sobre o ambiente e o que aconteceu. A atuação é fenomenal, você sente o desespero dos manés que a essa altura já viraram comida de alien faz tempo. Há histórias paralelas que se desenvolvem a cada novo diário achado. A mais memorável era a da menina do laboratório químico que tava dando a bunda pra um outro cientista e decidiu dar um basta na putaria, quebrando o coraçãozinho de seu colega de trabalho.

E os sustos! Em todos os sites onde li sobre o jogo, os autores diziam que a experiência de jogar System Shock era literalmente assustadora. A sugestão dada pelos caras é que você jogasse num quarto escuro com fones de ouvido. A promessa é de pulos da cadeira e calças mijadas. O jogo é espantosamente imersivo; mas eu achei que havia um certo exagero nas descrições dos caras. Quando o primeiro fantasma apareceu e minha cueca tornou-se ligeiramente mais úmida que antes, eu percebi que estava errado.

O troço é apavorante mesmo. Em um momento você está dando cliques por aqui e ali para explorar os objetos deixados no chão – ninguém nunca guarda nada nesses jogos, é tudo espalhado pelo chão – e sem mais nem essa, um fantasma se materializa na sua frente, falando sozinho. Ele não sabe que está morto, e reclama que uma das máquinas da nave está com defeito. Segundos depois, a imagem desvanece e o cara some pra sempre.

Não pense que todos os sustos serão provocados por fantasminhas inofensivos. Há ameaças reais escondidas na nave, que decidem aparecer quando você menos espera, ou quando você estiver recarregando a sua arma, ou quando você não tiver uma arma. Ou seja, eles aparecem pra te foder mesmo. Nas primeiras fases, os inimigos são os próprios astronautas, infectados por algum tipo de hospedeiro a-là Alien – O Oitavo Passageiro, ou então os robôs de segurança da nave (lembra dos robozões de Matrix Revolutions?), que entraram em pane e agora vão atirar em qualquer coisa que aparecer na frente deles (leia-se “você“).

A inteligência artificial do jogo é bastante desafiadora. Existem, por exemplo, câmeras espalhadas por cada centímetro da nave. Desative ou destrua as câmeras rápido, ou elas disparam a porra de um alarme (de almoço) que atrai todos os ETs num raio de cinquenta quilômetros pra onde você está (pra te comer, mas não é no sentido bíblico da palavra. O que, entretanto, aumentaria o público homossexual do jogo).

E caso isso aconteça quando acontecer, acredite em mim, você se fodeu.

Uma das coisas que me incomodou no jogo é o PLOC PLOC PLOC dos passos do personagem. Parece que o cara tá usando tigelas de cereal matinal viradas pra baixo como sapatos. Eu estava com a esperança de que eu pudesse talvez comprar os tênis de algum dos ETs, ou então arrancar meus pés e substitui-los com travesseiros, mas não tive essa sorte. Tive que aguentar as passadas irritantes de forma heróica.

E falando em passadas, prepare-se: você terá que andar bastante. Os puzzles no jogo são complexos; mas não aquele tipo de complexo que é tão difícil que você sente vontade de arremessar a caixa do CD pra cima e acertá-la com um tiro. Alguns enigmas no jogo exigem que você retorne DUAS FASES INTEIRAS para ativar um mecanismo cuja chave você foi encontrar lá na frente. E então um caminho alternativo aparece, levando-o para um setor que você não poderia alcançar de outra forma.

Enfim, o jogo é foda demais. Há muito para se falar sobre a jogabilidade, que é de longe a melhor que já vi num game. Mas agora eu tou com fome e tem alguém batendo aqui na porta.

Ah, sim: você pode baixar o jogo aqui. Para baixar o jogo, você precisa digitar um código. O tal código aparecerá numa imagenzinha de confirmação, logo acima da área onde você deve digitá-lo.

Tou explicando porque mandei esse link pra várias pessoas e, impressionantemente, ninguém conseguiu entender o procedimento para baixar o jogo. Vão lá e não me decepcionem.

[ Update ] Último post da semana. Tou indo hoje à noite pra uma festa em Toronto e não sei nem quando volto. Vamos ver se algo impressionante e merecedor de um post acontece.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)