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Postado em 4 October 2004 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Pessoas que frequentam mIRC são muito estranhas. Eu não sou lá de estabelecer padrões de conduta em lugar algum, mas a presença de um nível mínimo de inteligência seria apreciado; eu diria até “indispensável”. Se ao menos impedissem pessoas com síndrome de down de acessar o bate-papo, eu já me daria por satisfeito e sairia pulando contente.

Quando comecei a usar mIRC, eu cometi vários vacilos também. Mas claro, erram erros movidos por pura inocência/inexperiência, e não por defeitos cogênitos no cérebro. Eu, por exemplo, tentei uma vez colocar uma @ meu nick achando que isso me tornaria um OP. Parem de rir, vocês todos tentaram também. TODOS. Quem disser que não tentou é porque foi burro demais para ter ao menos essa idéia. Ou então tá mentindo mesmo.

E parecia brilhante na hora, não é mesmo? Em outra ocasião, fiz confusão num canal e achava que se eu saísse correndo de lá antes do OP me banir, ele nada poderia fazer contra mim. Inocência e falta de conhecimento do ambiente.

Enfim, coisinhas que todo mundo já fez, ou ainda vai fazer. Bobagens até perdoáveis, que nos causam risadas anos depois. Mas tem uns negócios que vejo aí que me dão vontade de jogar meu computador pela janela em forma de protesto silencioso.

Tou cansado de ver neguinho perguntando se “alguém quer teclar” no mIRC. Essa pergunta é o equivalente internético de chegar num McDonalds e perguntar, em voz alta no meio do restaurante, se alguém quer comer. Porra, isso só perde em nível de burrice para tomar sorvete pela testa, achar que aquela sua ex-namorada era virgem e votar no Maluf. As pessoas que cometem essa jumentice são um desafio à neurologia: Como um ser humano consegue abandonar todo o raciocínio ao ponto de chegar no mIRC e perguntar se alguém quer teclar, mas ainda mantendo intelecto suficiente para conseguir estabelecer uma comunicação coerente?

Alguns caras tentam especificar um pouco, elaborando perfis complexos como “alguma loira, que meça entre 1,60 e 1,80, que more no bairro tal, que goste de U2 e tenha a tatuagem de uma rosa vermelha no ombro quer teclar?“. Por que perguntar o “quer teclar?“? Se tiver alguém lá que preencha essas exigências, ela está no mirc justamente pra bater papo. Deve haver alguma explicação pra essa mania de perguntar se usuários de mIRC querem teclar, mas eu desconheço.

Será que é tão difícil compreender que um programa de bate-papo serve pra, pasmem, bater papo? Qualquer um que esteja lá está fazendo justamente isso (ou trocando fotos de putaria, mas ele teve que teclar antes para ganhar acesso aos arquivos). Ao invés de apenas clicar em cima do nome de alguém e começar um papinho sem graça – porque quem “quer teclar” sempre aparece com as conversas mais desinteressantes do mundo -, o cara me faz uma pergunta retardada na frente de todo mundo.

Tem também os scripts. Oh, os scripts. Uma comodidade que caiu nas mãos do Mal.

Por mais surpreendente que possa soar, logo no começo os scripts tinham utilidade. A função de um script era encurtar certos comandos e oferecer algumas funções extras ao mIRC. Aí alguém achou que podia estragar um pouco mais o nosso mundo e demonstrou todo seu descaso para com a humanidade, criando algo chamando autocolor.



(Alguém que, diga-se de passagem, merecia ser atropelado por um caminhão de lixo.)

Enquanto eu escrevia esse post, entrei no mIRC para poder relembrar tudo que me dá raiva nesse negócio. Em menos de 30 segundos, minha visão foi permanentemente avariada por combinações exdrúxulas esdrúxulas de azul com vermelho, verde limão e azul e ou, no caso dessa menina acima, uma cor de baitola e outra de viado. A qualidade se perdeu quando fui salvar a imagem, mas a união das duas cores no programa era quase fosforecente fosforescente. Imprimi a imagem para mostrar pra um amigo, e o papel brilhava no escuro. Decidi que não queria ter minhas córneas queimadas por causa da falta de bom senso de garotas de 13 anos. Na esperança de recuperar minha visão (e diante a impossibilidade de abrir a cabeça dessas gurias com uma enxada torta e dar uma olhadinha pra descobrir o que tem lá dentro), fechei o programa.

Mas o post ainda tava na metade, então respirei fundo, rezei uma Ave Maria e meia, e abri o programa de novo.

Aí dei de cara com uma enorme lista de mp3 que os usuários ficam mandando pro canal de dois em dois segundos. Ao invés de conversar, os caras ficam competindo quem consegue mandar mais notificações automáticas de mp3.

Tenho algumas poucas esperanças na vida. Uma delas é ter um futuro que não envolva percorrer a cidade agarrado à traseira de um caminhão de lixo, usando um macacão amarelo; a outra é que programadores “criativos” encontrem uma morte trágica entre as mandíbulas de tubarões brancos. Sério, pra que se dar ao trabalho de programar algo como isso? A mp3 que você está ouvindo é algo que me interessa tanto quanto as flutuações do câmbio da bolsa de valores da Guatemala, senão menos. E aposto que a galera acha o mesmo. E daí que você está ouvindo, no último volume, o mais recente lançamento daquela conhecida banda de forró? Isso não é algo bonito pra sair mostrando por aí, coisa que você saberia se tivesse aquilo que chamam aí de “bom senso”. Pelo amor das criancinhas, desliguem essa baitolagem, minha gente.

E falando em baitolagem, maldito o dia em que os viados descobriram que podem procurar parceiros em canais de IRC. Nada contra homossexuais (contanto que eles vão dar a rabiola bem longe de mim, e que mantenham uma diplomática distância de três quilômetros e meio). O problema é que eu dispenso ter que ler as fantasias sexuais de frustrados baitolas enrustidos de 30 anos que não têm coragem de ir procurar bofes em bares gays na sua cidade. Eu poderia viver sem ter que ler coisas como “algum garoto sarado de 18 anos quer enfiar uma caixa de som no meu cuzinho e gozar na minha cara com muito carinho e sem viadagem?“.

Sim, no mIRC a nova moda agora é ser gay, mas “sem viadagem“. Dê a bunda o quanto lhe aprouver, mas não demonstre perobice. O cara manda algo do tipo “algum gatinho malhado que more na Gávea tá afim de vir aqui em casa enfiar uma beterraba no meu cu” e arremata a mensagem com um “mas sem viadagem?” Escolha, meu amigo. Ou você pede pra te comerem, ou você pára com a viadagem. Não dá pra desassociar o ato de uma piroca adentrando seu ser e a pederastia. São dois conceitos inalienáveis, como “brasileiro” e “safadeza“.

O cara ignora esse detalhe e oferece o próprio furico, embora negando a baitolice enfaticamente. Quem o viadinho pensa que está enganando? A si mesmo? Até parece que os caras vão chegar lá, farão o serviço e no fim, baterão uns nas costas dos outros dizendo “Falô Pedrão, te vejo amanhã na pelada do bairro. A gostosa da Ritinha vai estar lá. Não esquece a cervejinha“.

Não posso esquecer daqueles caras que só falam em MAIÚSCULAS, como se estivesse gritando com suas putas. Acho que no começo eles faziam isso segurando o Shift mesmo; então descobriram que, com um mero toque no Caps Lock, poderiam soar como idiotas com menos esforço. Há muito tempo atrás eu também escrevia em maiúsculas, mas então decidi que coisas como não parecer um completo paspalho têm valor para mim.

Ah, IRC cansou mesmo. Muito colorido e pederasta pro meu gosto. O negócio é meter balas nos outros em Soldat. Sem viadagem.

O que é soldat? Aguarde o próximo post.

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)