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Postado em 21 October 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

Sim, a mulher que quase derrubou a câmera digital. Com essa, estou ganhando a disputa de quem deu o susto mais encabuloso no grounds – é como chamamos o lugar onde as estações ficam, “the grounds“. Há o ground e a Lynde House, a casa mal assombrada.

Enfim, a mulher e a câmera digital.

Estava eu completamente imóvel no meu posto, quando ouvi passos vindo da entrada da clareira. Fiquei ainda mais imóvel, se é que isso é possível, esperando as próximas vítimas entrarem no meu alcance de sustos, que dá mais ou menos uns três metros.

Eram duas crianças; uma fantasiada de abelha e a outra, bem, a outra tinha um pano branco na cabeça e um papel higiênico na mão. Após refletir sobre o que eu estava vendo, decidi que estava fantasiada de noiva cagona, mas não tenho certeza. Atrás das crianças, vinha sua mãe.

A senhora que acompanhava a abelha e a noiva cagona trazia nas mãos uma câmera digital, e não tirava os olhos dela. Tudo bem que tecnologia moderna é algo surpreendente, mas tive a impressão que, se as crianças morressem ali na frente dela, a mulher continuaria fitando a câmera.

Quando os guris chegaram mais perto de mim, notei que eram muito novinhas, e fiquei puto. A gerência nos deu a ordem de não aterrorizar demais os pivetes mais novos, porque eles choram e gritam e se cagam e correm pela recepção como se sua vida dependesse disso, e isso é ruim pros negócios. Então, nas palavras do Owen (o cara que me contratou), “apenas façam eles perceber que você está lá“.

Então tá, né. Quando os guris se aproximaram de mim, se perguntando se eu era real ou apenas mais um manequim, fiz um movimento brusco com os braços, como se fosse agarra-los – mas não fiz um som sequer. Os guris me encararam por dois segundos que pareceram uma eternidade. Eu continuei olhando para eles, sem saber o que fazer. “Chorem, seus merdas!” desejei com todas minhas forças. Os pequenos canadenses continuavam olhando pra mim e piscando.

Houve uma breve longa espera. Como que atendendo minhas ondas mentais, os dois pivetes abriram o berreiro, largaram a sacolinha de doces no chão e correram em direção à mãe, que vinha lá atrás. Sorri satisfeito, mas o susto não terminou aí.

Alguns segundos depois o grupo inteiro apareceu no meu campo de visão. A desgraçada ainda olhava pra câmera, e os guris puxavam sua calça e apontavam pra mim, gritando “He is real! He is real!“. O curioso é que os canadenses pronunciam “Israel” como “Is real“, então a impressão que dava era que os moleques me conheciam. Por pouco não tirei a máscara e disse “Aê malucada, sou eu mesmo! Tudo beleza, seus porras?

Mas então, voltando à historinha. As crianças estavam assustadíssimas, enquanto sua mãe continuava brincando com a câmera digital. Acho que eles estava apanhando pro equipamento, tentando talvez apagar uma foto. Tecnologia digital e velhos são duas coisas que não combinam de jeito nenhum. Você já viu um velho tentando comprar uma impressora? Eu já.

Então a mulher tirou os olhos da câmera pela primeira vez e me encarou fixamente. Prendi a respiração e fechei os olhos.

Ele é só uma estátua, pessoal! Olha que machado legal ele tem!

Minhas primeiras impressões estavam corretas: ela não viu quando assustei os guris. Logo, ela não sabia que por trás dessa máscara de macaquinho estava um brasileiro que a daria motivos para ter pesadelos pelo resto da sua pobre existência canadense.

A mulher mirou sua Cybershots em mim e tirou uma fotografia. Em seguida, olhou no visor de cristal líquido. Satisfeita com o resultado, desligou o aparelho e direcionou-o ao bolso. Então, ela decidiu dar uma última olhada em minha direção. Era a deixa.

Pulei da plataforma agilmente em direção à velha fotógrafa, agitando o machado e gritando feito um maluco. A mulé deu um salto pra trás, largando a câmera. Sabe quando você perde o equilíbrio de algo nas mãos e tenta desesperadamente agarra-lo de novo, como se sua vida dependesse disso? Você tem idéia de o quanto isso é engraçado?

Gritando palavrões, a mulher tentava se recompôr e segurar sua preciosa câmera digital. As crianças, que não deviam ter uma memória lá muito boa, gritaram de novo e se esconderam atrás da mãe. Lembro nitidamente de ver a noiva cagona puxando a calça da velha com muita força, e revelando algo que eu preferia morrer sem ver: a velha usava uma calcinha de alça fina, daquelas estilo fio dental.

Argh, eles não me pagam o suficiente pra ver um negócio desses.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. Camilo says:

    pqp , tédio puro hoje no trampo,
    e agora gargalhando com textos velhos bagarai

    tu a u cara sr is real