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Postado em 4 November 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

[ Update ] Sim, hoje é meu aniversário. Obrigado a todos que escreveram comentários ou scraps no Orkut. Eu queria poder responder um por um, mas tou numa correria aqui em casa, e a eterna preguiça me impede. Valeu, cambada.

E aguardem o post sobre meu primeiro dia na escola.

…..

E o negócio de assustar guris acabou. Foi divertido no começo, mas lá pelos últimos dias eu não aguentava mais ver pivetes gritando na minha frente. Minha vontade era de sair chutando todos que eu via pela minha frente. Infelizmente, a política do Cullens Gardens não permite que os funcionários arrebentem os clientes na porrada. Inventaram a desculpa de que “é ruim pra publicidade do restaurante“.

Esqueci de mencionar que, em um dos dias de labuta, tive a chance de abandonar a roupa de macaco e trabalhar com a turma, na casa mal assombrada. Segue uma foto com descrições dos meus coleguinhas de trabalho:



Hm, as setas explicam tudo. Não preciso bolar nenhuma piadinha pra descrever a fotografia.

Sem contar a surpresinha que eu tive algumas vezes que fui verificar o guestbook do restaurante:





No campo que perguntava “você jantou no nosso restaurante?“, ambos conterrâneos responderam que não. E o motivo? “É muito caro“, assinaram ao lado.

Porra, os caras viajam dez mil quilômetros – muito provavelmente de avião, algo não muito barato – para um país de primeiro mundo pra chegar aqui e dizer que não jantaram porque é muito caro? Brasileiro é uma desgraça mesmo, puta que pariu. Que me lembre, eles eram os únicos na lista que não comeram no lugar por mesquinharia. Os demais assinantes do guestbook alegaram falta de tempo ou que não estavam com fome – o que não é necessariamente verdade, mas ao menos salva da humilhação de ser conhecidos como muquiranas internacionais.

Mas enfim. Os quinze dias que passei usando um disfarce de símio foram cansativos, embora incrivelmente divertidos. Dentre tudo que aconteceu nessas duas semanas, nada se compara a uma triste cena que tive o prazer de não apenas presenciar, mas instigar.

Lá estava eu, paradinho no meu cantinho, esperando a próxima leva de crianças passar. Um grupo grande se aproximou. Travei as pernas na plataforma de madeira, pra ficar completamente imóvel, e diminui o ritmo da respiração. Com o rabo do olho, vi o pessoal se aproximando.

Era um grupo regido por uma proporção razoável de criança/adulto. Liderando a turba, caminhava um garotinho de não mais de 4 anos, que usava uma fantasia de abóbora. Era um barato a fantasia do moleque: arames davam a forma arredondada ao corpo da fantasia, que era basicamente uma esfera de pano alaranjado. Na cabeça, um chapeuzinho verde, que deveria representar o talo da leguminosa. O garoto caminhava saltitante pela trilha, sem saber o que o futuro lhe reservava. Coitado.

Então, a pequena abóbora saltitante parou na minha frente. Senti nas pernas os reflexo de pular em direção à criança e assusta-la bonitamente, mas todas as outras estavam muito atrás. A porra do guri-abobora saia correndo desembestado pela trilha, deixando seus companheiros – cujos disfarces eu ainda não conhecia – pra trás. Seria melhor esperar todos alcançarem o pivete e assim, assustar todos ao mesmo tempo. Pacientemente, esperei.

Em pouco tempo, a abóbora anã ambulante foi alcançada pelos outros diabinhos. E digo diabinhos no sentido literal do título, porque os moleques estavam usando justamente fantasias de príncipes da malevolidade. Logo atrás dos enviados das profundezas infernais, seus progenitores – visivelmente cansados de andar com as criaturas satânicas pra cima e pra baixo na trilha. Então, uma vez que todos os diabinhos – e a abóbora – estavam no alcance de minhas ondas assustadoras, era hora do show.

É tudo uma questão de timing: você não pode assustar os guris no momento que eles olham pra vocês. Assim que eles olham pra qualquer coisa num passeio como esse, a suposição comum é de que tudo ali é “de verdade” e está apenas esperando o momento de pular em cima deles. O lance é esperar uns dois ou três segundos em completa imobilidade, para fazer-los ter “certeza” de que você é apenas um boneco numa fantasia. Então, naquele momento mágico quando os pivetes estão se perguntando – geralmente em voz alta mesmo – “será que ele é de verdade?“, você pula de sua estase e berra agressivamente em sua direção, fazendo as crianças cagarem-se involuntariamente e seus pais pagarem terapia (também involuntariamente, porque é caro pra cacete) pros traumatizados, pelos anos a seguir.

Então, eu já tinha esperado o bastante, e era hora de pular. Dei um berro gutural e agitei meus braços em direção aos pequeninos. A maioria deu um pulo pra trás, alguns soltaram as sacolinhas de doces no chão e correram em direção aos pais, e os mais velhos tentaram futilmente fingir que não tinham se assustado. Voltei à posição original e ouvi as costumeiras risadas dos pais. Após ver os próprios filhos tomando o susto de suas vidas, os caras caiam na gargalhada, e ficavam desafiando os moleques a apertarem minha mão. Vou te contar, que negócio sádico essa tal de paternidade.

Mas enfim. Percebi que, por algum motivo, o grupo não continuara a caminhada ao longo da trilha. Eles olhavam pra baixo, rindo desesperadamente como se estivesse vendo a coisa mais engraçada do mundo. Um dos adultos puxou uma câmera digital e tirou várias fotos. As mães, por sua vez, davam uma risada que era um misto de “olha que bonitinho/putaqueopariu, esse aí se fodeu!

A máscara não me permitia um ângulo muito amplo de visão, então abaixei a cabeça inteira pra ver o motivo de tantas risadas.

A abóbora estava estatelada no chão. Do jeito que ela tinha caído, estava parecendo mais uma tartagura do que um ser humano, com perninhas e bracinhos se agitando freneticamente. Em questão de segundos a criança começou a chorar. Os pais, ainda em êxtase, tiravam milhões de fotos com suas câmeras digitais. A pobre tartaruguinha laranja se levantou e correu em direção à mãe. Percebi que a pobre criancinha tinha aterrissado justo numa poça de água.

A mãe, num ato estranho, se afastou da criança que corria em sua direção. Ela parecia enojada; e preocupada com as próprias calças, que haviam sido tocadas pela abóbora chorona. A mãe bateu a perna da calça insistentemente, e então cheirou a mão. Depois, pegou um lencinho do bolso e passou na área que havia sido tocada pela pobre criança.

Então percebi que a poça no chão não era água. A abóbora tinha se mijado!

Os pais se manifestaram de forma dividida; alguns compartilhavam gargalhadas daquelas que fazem você perder o fôlego, enquanto a outra metade se compadecia pela pobre criança.

A cena era tétrica. O moleque chorava como um condenado e ameaçava tirar as calças recém-urinadas, ainda quentinhas. A sua suposta mãe tentava se livrar dos respingos de xixi que manchavam sua calça. Uns adultos tinham compaixão da pobre alma mijada, outros riam, e as crianças que acompanhavam a caravana riam mais ainda.

Não aguentei. Mesmo sabendo que não podia me mexer – pra tentar pegar os próximos que vinham descendo a trilha -, enterrei o rosto nas mãos e comecei a rir, e alto. Ao verem minha reação, os adultos que já estavam rindo riram mais alto ainda. E eu não conseguia nem sentir pena da porra do guri que se mijou.

Mas enfim, o trabalho acabou. Tou esperando a grana, e pensando no que devo gasta-la. Idéias?

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. Boy30 says:

    From viewing the list, one can clearly see that Palin has consulted a wide and diverse array of sources for various media too. ,