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Postado em 23 November 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário



jack frost diz:

odeio ser acordado

jack frost diz:

ele vai vir colocar o hd dele aqui

Super_Kid diz:

com qual finalidade?

jack frost diz:

deixar aqui no feriado

Super_Kid diz:

feriado?!

Super_Kid diz:

porra, OUTRO FERIADO?

jack frost diz:

são joão!

Mas que coisa! Parece que TODO DIA o pessoal tá se preparando pra um feriado aí no Brasil. Já foram uns cinco meses de feriados seguidos desde que comecei a contar, intercalados com uns dois ou três dias esporádicos de trabalho. Todo fim de semana tem gente se preparando pra um “feriadão”. E o que é pior, comemorar feriado no Brasil significa sair para praia suja pra comer frango e farofa com a família barulhenta, ouvindo música ruim. Que puta desperdício de energia ociosa.

Os feriados banalizaram a desocupação. Isso ofende os vagabundos profissionais, nós que dedicamos anos da nossa vida estudando a arte de não fazer porra nenhuma com muito estilo, desenvoltura e samba no pé.

E depois tem gente que não entende (ou diz não entender, dando uma de sonso) por que o Brasil não vai pra frente. Um país com centenas de feriados por semana não produz tanto quanto um que tem alguns poucos por ano, como o Canadá. Simples assim. Some a vadiagem (não confudir com viadagem, que é um problema mais grave) com problemas administrativos e temos o Brazil, país abençoado pelos bancos internacionais e bonito nos cartões postais.

Aqui fora, a chegada de um feriado de um mísero dia é aguardada por MESES. Neguim faz planos pro tal dia de folga como se fosse seu último dia na face da terra e que portanto tem que ser aproveitado ao máximo. E eles não passam o dia ouvindo forró, axé ou pagode numa praia lotada, comendo sanduíche natural com gosto de peido e gritando pros filhos ficarem apenas na “parte rasinha”.

Mas o problema não é esse.

Acontece que as pessoas perderam a noção da vagabundice-arte! Com tantos feriados por dia, a magia se perdeu. Virou algo banal. Além disso, atualmente está acontecendo um tal de “resgate de valores morais das datas comemorativas ou o raio que o parta“, o que é simplesmente uma forma bonita de dizer “já que tu vai passar o dia de papo pro ar, ao menos entenda o motivo que causou esse dia e faça de conta que você se importa um pouquinho“.

Eu sou contra esse negócio. Feriados não foram criados para fazer-nos lembrar de histórias gloriosas do passado. Eles foram feitos para que tenhamos tempo de zerar aquele videogame emprestado ou como desculpa para ir pra praia mesmo que esteja chovendo. Portanto, enumerei algumas datas comemorativas cujos “significados históricos” desmistifiquei:

Páscoa – A fuga dos hebreus do Egito

Você é judeu? Não? Então pare de comemorar a libertação de um povo que você só conhece por piadas. A maioria de vocês aí tira onda de judeus até dizer chega. Por que então honrar uma tradição que é baseada num ritual siônico? Páscoa na verdade significa procurar em mercearias baratas o melhor custo/benefício em ovos de chocolates e comprar aqueles que cuja função preço/tamanho não tendam à sua falência.

Tiradentes – O herói da Inconfidência Mineira

Mané herói! Esse safado não fez absolutamente nada pelo Brasil. Ele se juntava com uns malandros, falavam mal da Coroa Portuguesa e depois saiam pra tomar umazinhas no bar do Seu Joaquim. Tomar cachaça com os amigos e falar mal do Poder Público é esporte nacional, não é nenhum ato de bravura. Até eu que não bebo conseguiria.

Numa dessas noitadas o nosso “herói” ficou devendo uma birita pra um outro maluquinho, e este ficou tão puto que resolveu xisnovear todo mundo pra coroa portuguesa. Mas eram todos importantes, ricos, de famílias influentes. Não se pode esquartejar alguém que tá sempre nas colunas sociais, não pega muito bem pro carrasco. Já pensou os filhinhos do algoz sendo zoados na escola por causa disso?! Quê que é isso, não pode. Então resolveram pegar o MAIS POBRE E FODIDO do grupo de peraltinhas e tomaram-no como bode expiatório. Enforcaram-no em praça pública, como se fosse um grande evento social. Um espetáculo, dizem que teve até fogo de artifício e show de heavy metal melódico.

Achando que ele ainda não estava morto o bastante, os caras espacaram o defunto, picotaram-no, jogaram sal na casa dele, mijaram em cima de seu cachoro e amararram os pedacinhos de seu heróico cadáver num foguetinho de São João rumo à lua.

Saudemos o herói que não fez nada e morreu de forma mais humilhante que peidar na mesa do jantar na casa da namorada.

Dia do Trabalho

Olha só, essa é boa. No dia do Trabalho, todo mundo enforca o serviço. Ironia ou o quê? Isso é o equivalente a espancar alguém no dia do seu próprio aniversário, com a vantagem que ninguém vai preso por agressão corporal. A ironia não pára por aí. Feriados são comemorados por vagabundos, só que todos sabem que vagabundos NÃO TRABALHAM. Como então comemorar esse dia?

Com essa fica provado que, além de desocupado, o cara que inventou os feriados também tinha um puta senso de humor.

Declaração da Independência

Seguindo a regra dos feriados non-sense, decidiu-se criar um pra comemorar algo que sequer aconteceu.

Dia de Finados – Uma homenagem aos que se foram

Estavam faltando alguns espaços vagos no calendário, e eles precisavam ser preenchidos com mais feriados. Mas as idéias estavam acabando, e a partir daí a coisa começou a virar putaria mesmo. O resultado disso foi a criação de um feriado para aqueles que sequer o podem celebrar. Com essa o inventor do dia dos vagabundos provou que não era um comediante qualquer, ele também tinha uma veia pro humor negro.

Natal – O nascimento de Jesus

Nascimento de Jesus porra nenhuma. Nunca se chegou a um consenso sobre a data de nascimento do Cristo. Muita gente sequer acredita que ele nasceu, pra começo de conversa. Além disso, a grande maioria de vocês não sabe nada sobre a história do “Salvador”, e aqueles que sabem não dão a mínima de qualquer forma. O Natal significa ir pra casa da avó comer peru comprado uma hora antes, conhecer o namorado feio da prima gostosa, ver o priminho menor quebrando o presente minutos após abrir o embrulho e dar “lembrancinhas” fuleiras e baratas praqueles parentes que você nem gosta muito, e acabar não recebendo nada deles – eles também não gostam de você, mas são mais espertos e não gastaram dinheiro.

Parem de deturpar o verdadeiro sentido dos feriados com essas lorotas e vão vadear de verdade.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. medaaaaaa says:

    sai neuróooootico!
    viva pra você, se isso você suportar!