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Postado em 4 December 2004 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

[ Update ] Fama pouca é bobagem. Tou na lista dos procurados no Orkut! E criaram até boatos sobre minha morte!

Meu objetivo na vida foi atingido – ser reconhecido (e perseguido) por ser baderneiro é coisa pra poucos. Posso morrer em paz sabendo que causei comoção e trouxe a discórdia entre os mortais, e como se isso não fosse o bastante, obtive até reconhecimento. Falem bem ou mal, mas falem de mim. Haha!

…..

(Tenho uma amiga mórmon, mas como tenho certeza que ela não lê meu diarinho, não haverá problema algum em postar esse texto. Mas se ela por um acaso resolver visitar meu blog logo hoje, peço desculpas antecipadamente. Ou não.)



Veja esse pobre coitado. O que faz um cara desses sair de sua pacata cidadezinha norte-americana para se enfiar numa favelinha que parece locação do filme Cidade de Deus?

E quem aí nunca foi atormentado por um mórmon? Mentira, você foi sim. Outro dia mesmo na rua vi uma dupla de missionários perseguindo uma mulher. Ela, ao perceber a interceptação, jogou sua bolsa e celular ao chão e correu desesperada pela rua abaixo. Os mórmons partiram numa corrida desabalada em seu encalço. A mulher chegou num beco sem saída. Sem outra solução, tentou escalar o muro e tentar a sorte do outro lado. Os mórmons não a viram pular a parede, então deram meia volta e começaram a procurar por outra vítima.

Mas o que ela não sabia é que uma imensa lata de lixo a esperava do outro lado, repleta até a borda com pregos enferrujados, cacos de vidro, agulhas descartáveis e travesseiros. Seria bom se os travesseiros não estivessem concentrados no fundo da lata.

Mas conheço muitos que não tiveram a mesma sorte e foram obrigados a ouvir a pregação dos caras (e ainda ter que fingir interesse).

Minha família foi perseguida por uma dupla de “elders“, como eles mesmos se chamam, tão logo que pisou em solo canadense. Acho que essa é uma estratégia deles: ficar de tocaia nos aeroportos. Turistas e imigrantes estão sempre mais desorientados que padre cego em creche, então nada melhor que apresenta-los a um conceito de divindade onipotente que os guiará até o Outro Mundo. Como os mórmons geralmente falam mais de um idioma, é mais fácil se aproximar de estrangeiros desesperados porque perderam as malas.

Os caras insistiam em pregar a palavra mais do que o Raul insiste em falar errado. A boa educação prevaleceu e meu pai acabou dando a eles o número do telefone do hotel que havíamos reservado. O arrependimento não demorou a bater as portas – juntamente com a dupla de “elders” (que, a propósito, significa “ancião” em inglês e “irmão” em mormonês).

Eles apareceram numa noite pra conversar com a gente. Com uma voz um tanto quanto condescendente (que me irritava pra caralho. Eu lá sou criança, porra?) e um portunhol simplesmente hilariante, a dupla começou a nos catequizar.

Eles nos apresentaram toda a teoria da crença mórmon: eles acreditam que uma família hebraica (de que a Bíblia misteriosamente não fala) saiu do Oriente Médio através do Oceano Atlântico (num barquinho de madeira do tamanho de um jetski) e se estabeleceu na América do Norte. Mais precisamente (e TINHA QUE SER), nos Estados Unidos da América do Norte.

Pausa para os risos.


Riram? Isso não é tudo, economizem um pouco de fôlego. Eles acreditam que Jesus, aquele cara que ficou super famoso após ter ressuscitado na Cesaréia, deu um pulinho lá na América (de primeira classe, no mínimo, porque o cara é uma estrela mundial) pra abençoar a galera. E que os índios estadunidenses são descendentes diretos dos hebreus “americanos”. E que toda essa história estava escrita em placas de ouro que ninguém NUNCA viu, além do cara que inventou toda a lorota e seus parentes próximos.

Acho que se eles tivessem dito que Jesus foi pra América numa mobilete, levando Moisés na garupa, teria ficado menos ridículo. Pelo menos a história só dependeria das habilidade sobrenaturais do Salvador como piloto – se ele já andou sobre águas, passar de mobilete não deve ser mais difícil. Qual será a próxima? O Messias chegando no Brasil de paraquedas?

Isso me fez desenvolver uma teoria, que está sujeita ao teste do tempo. E a teoria é: “Não importa quão sem noção seja a mentira, alguém há de acreditar nela“. Sabe aquela vagabunda da sua faculdade que jura que jamais deu pra quantidade de homens que a turma contabiliza desde o primeiro período? Então, um dia essa menina arruma um namorado – que é alguém que acreditou nela. E a teoria é comprovada.

Como nenhuma grande piada está completa sem o gran finale, veja só: milhares de pessoas acreditaram piamente na história. Não apenas acreditaram, como também comprometeram suas vidas em divulga-la ao redor do mundo com livrinhos chinfrins e panfletinhos com os dizeres “Jesus está voltando“. Olhe pela janela da sua casa num domingo de manhã e você verá que não minto (mas não deixe eles te verem, ou então se dirigirão até sua casa e não te deixarão em paz até que você aceite uma cópia da revista doutrinária deles.

E eu que me orgulhava de ter “matado” a dona Arlinda. Ainda sou um amador nesse negócio de enganar os outros com mentiras mirabolantes.

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)