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Postado em 7 December 2004 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

O blog da Sarcástica – que agora por algum motivo inexplicável agora exige senha para abrir – já trazia há algum tempo a inscrição “Copie o que quiser, mas não se atreva a ganhar dinheiro com isso”. Ou alguma coisa assim. Eu copiaria a frase com mais fidelidade se eu pudesse entrar no site dela. Tira essa porra de senha daí, Shá.

Mas então. Apesar de ser ocasional vítima de gente sem criatividade e/ou vergonha na cara, jamais imaginei que alguém se ATREVERIA a ganhar dinheiro com um texto meu. Plágio pra preencher espaço num diarinho sem graça ainda vai, mas lucrar com essas putarias que posto aqui?! Venhamos e convenhamos, ao contrário do que meus “fãs” pensam, eu não escrevo TÃO bem assim. E pra falar a verdade, ultimamente sequer tenho me esforçado – como se não desse pra perceber. Se eu achasse que fosse possível tirar dinheiro dos meus escritos eu já estaria cobrando vocês a muito tempo. E sem dúvida estaria produzindo textos de maior qualidade.

Mas como essa internet não se cansa de me fazer dizer “puta que pariu, eu não acredito nisso“…


Clique para ver com os próprios olhos que a terra há de comer


O tal Luiz Henrique, cujo website eu já havia visitado há anos – literalmente – atrás, postou no seu espaço virtual o meu texto sobre meu celulá de pleiboi.

Plágio é um negócio interessante. Na primeira vez, a sensação é de inconformação – o fato de que alguém pegou algo que VOCÊ fez e tomou crédito por isso é tão revoltante quanto apanhar de irmão menor. Você deseja matar o plagiador com requintes de crueldade, e depois matar mais um pouco só pra ter certeza. Na segunda vez, você se revolta de novo, mas com intensidade um tanto quanto menor. Ao invés de fazer uma macumba pro plagiador, como da primeira vez, você apenas manda um e-mail desaforado. Nas terceiras, quartas, quintas e sextas vezes, um post no blog pra expor o farsante é suficiente; os impropérios dos leitores revoltados são sua vingança. Exceto, é claro, que o cara tenha copiado não apenas um, dois ou três textos, mas praticamente sua vida inteira, virando um clone virtual. Nesse caso, chutar a bagaça do indivíduo não é suficiente; você tem que tomar o site dele à força, arrancar o escalpo, erguer o tufo de cabelo no ar e dar um grito de batalha.

Voltemos ao caso mais recente. Entrando no tal site, você verá que o tal Luiz copiou meu texto sobre minha luta contra meu então recém-adquirido celular Motorola (apelidado carinhosamente “Cocôrola” por clientes não muitos satisfeitos com a qualidade do aparelho). O motivo que o levou a reproduzir esse texto em seu site, eu desconheço: o post sequer é engraçado.

E não se trata de um plágio safado filho da puta convencional, pois o sujeito não tomou crédito pelo texto. Meu mal afamado nick e meu endereço se encontram logo abaixo do post copiado. Qual o problema então, se o cara não tentou levar crédito pela autoria do post?

Simples. Patrocínio.

Eu não ganho nada pra escrever pra vocês. Nem um centavo. Há mais ou menos três anos solto textos pela internet afora, e jamais recebi um centavo sequer para isso. Já recebi propostas para tal, mas acabei recusando por saber que, no momento que escrever se tornasse uma obrigação ao invés de passatempo, eu ia perder a vontade de escrever. Além disso, ter alguém pagando pra você escrever significa menos liberdade. Pessoas que recebem por propaganda têm que se censurar; se eles vão escrever algo ofensivo, têm que olhar por cima dos ombros pra ter certeza de que não vão chatear ninguém.

Em suma, o único motivo pelo qual continuo atualizando esse site de graça é porque 1) eu tenho muito tempo livre, 2) eu gosto de (tentar) divertir os outros, e 3) ninguém me diz o que eu posso falar ou não. Perguntem aos meus pais.

Claro, há pessoas que ganham trocados com os próprios escritos. Tenho que admirar alguém que consegue, escrevendo, fazer os outros tirarem dinheiro do bolso. Nego aí não abre a carteira nem pra ajudar a família, que dirá pra ler o que eu tenho a dizer. Qualquer pessoa que seja tão bom autor a ponto de conseguir se sustentar com o hobby merece meu respeito. Mas claro, são poucos aqueles que conseguem dinheiro com a própria criatividade.

E há, claro, os que não conseguem mas tentam assim mesmo. É o caso do rapaz Luiz Henrique. Ele não tentou se fazer passar por autor do meu texto – e admiro isso – mas ele está fazendo algo que nem EU MESMO faço: ele está comercializando minhas criações. Está, indiretamente, cobrando por algo que eu fiz de graça.

Como você pode ter percebido, ele tem em seu site uma cacetada de banners. Não é difícil encontrar os banners, uma vez que eles se encontram em toda a extensão da página.

Pois bem. Os mantenedores desses banners pagam donos de websites pelo espaço de propaganda, geralmente porque as tais páginas geram um tráfego do caralho e como eles querem empurrar coisas que você não precisa comprar, então precisam de toda sorte possível. Até em blogs eles apostam, veja você. Empresas megamilionárias como o Google investindo dinheiro numa putaria que foi “inventada” por adolescentes que queriam contar pros amigos como foi seu dia; negócio de doido.

O cara que aceita enfeitar sua página com banners de patrocinadores tem que se comprometer em manter o nível de visitas. Afinal, se ninguém tá vendo a propaganda – ou clicando nos banners -, não faz sentido pagar por ela. Então é necessário postar coisas interessantes pra chamar a atenção do povo.

Há três opções para ser um sucesso de público: você pode postar fotos de mulheres peladas – que são todas basicamente a mesma coisa, só muda o cenário a cada edição da Playboy -, copiar textos alheios (dando crédito ou não) ou escrevendo o próprio material. Como todos sabemos, esse último não é algo que se vê muito por aí.

E o que aconteceu é que o cara se aproveitou de um texto meu pra preencher um espaço comercial. Num plágio convencional, o que acontece é que o pilantra quer dar uma de bom escritor pros amigos. Não que isso seja mais aceitável, mas é menos sacana do que querer ganhar dinheiro com o mesmo ato.

Como eu falei antes, não foi plágio. Não tou chateado com o cara. O que ele fez não foi igual ao que meus outros plagiadores fizeram. Mas não tem como aceitar o fato de que alguém está usando minhas gracinhas num site pago – algo que nem eu mesmo faço, e olha que estou falando das minhas próprias criações. Ok, ele me citou. E daí? Eu ganho três, quatro visitas, enquanto ele ganha dinheiro com algo que eu escrevi? Ah, não. Pera lá, pô.

A única coisa que tenho a dizer pro tal Luiz é: ô meu filho, você acha que é justo ganhar dinheiro com um site que é na verdade atualizado por outras pessoas?

Quando ver um texto meu na caixa de e-mail de amigos (e ter que convencer os amigos de que o texto era meu) já parecia ser o fim da picada, algo totalmente imprevisto acontece, me mostrando que era apenas a ponta do ferrão estava me incomodando antes.

Ainda acabo registrando essa porra de blog inteiro. Não vou ganhar nem um centavo com isso, mas ao menos posso dar uns sustos quando alguém decidir usar textos meus.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. Issue says:

    plágio é um problema…