Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 7 March 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Voltando a série “por que o Kid não acredita em Deus”, a pedido de um leitor santo-andreano.

2) Por que, se Deus existe, ele QUIS que o homem pecasse.

É chocante, né? Certamente não é isso que te ensinaram na escola dominical.

Mas vamos pensar um pouco.

Deus pôs a árvore no jardim. Deus sabia que o homem comeria?

Bem, se não sabia, ele não é onisciente. Então acho que ele sabia.

Deus sabia o que ia acontecer. Ele queria que isso acontesse?

Se dizemos “não”, então estaremos admitindo que coisas acontecem sem que Deus queira. E também estaremos admitindo que Deus é burro, afinal, se ele não queria que acontecesse, por que ele colocaria? Afinal, ele sabia que colocar a árvore lá acarretaria nisso. Se eu não quero que alguém se mate, eu não darei uma arma para ela, pois isso dará àquela pessoa a OPÇÃO de se matar. Pra que dar essa opção, se você não quer que ela faça isso? Talvez, porque há alguma regra dizendo que Deus tinha que nos dar…?

Logo, ele queria que o homem comesse a maçã. Não faz sentido dizer que ele não queria, se foi ele que pôs a árvore lá. Se ele pôs a árvore contra sua própria vontade, isso significa que alguma vontade SUPERIOR, ou LEI superior obrigou Deus a pôr aquela árvore lá. Existe algum outro deus ou leis que regem o comportamento de Deus!?

Como não existe nada acima de Deus, isso significa que Deus queria que o pecado entrasse neste mundo. Ele nos levou a fazer algo, e nos pune por isso.

Se Deus colocou a árvore no jardim não querendo que o homem comesse dela, só há duas possibilidades: ou ele era OBRIGADO a pôr aquela árvore, contra sua vontade – o que implica em regras que Deus segue. Talvez um deus superior, a quem Deus presta contas? – ou então ele era simplesmente burro. Será que ele não sabia que pôr aquela árvore ia resultar no que ele não queria?

(O que abre uma questão-gêmea: se Deus não queria condenar o homem, por que criou o inferno? Ele seguiu ordens, ou é apenas burro?)

Alguém diz “não, bobinho, foi pra dar ao homem o direito de escolha!

Os cristãos gostam de se apegar a esse “detalhe”, indiferente ao fato de que a bíblia não dá muitos indícios de que existe livre arbítrio. Existe, no entanto, passagens que mostram justamente o contrário. Há milhares de passagens bíblicas que falam sobre os “escolhidos”. Aqueles a quem Deus escolheu para salvar. Ou seja, se Deus não te escolheu, foi mal.

Mas, voltando ao lance de “dar ao homem o direito de escolha“. Alguém poderia me esclarecer um negócio? Pra quê dar alguém algo prejudicial a ela? É mais ou menos como oferecer dois pratos de comida a alguém, um deles envenenado; e depois culpar a vítima por ter escolhido o que estava envenenado. E isentar a culpa daquele que ofereceu o veneno.

Pra que dar ao homem o direito de escolha, se isso implicaria mais tarde em um mundo onde a humanidade sofre? E olhe que ainda tem a questão do inferno. Pra quê dar essa escolha ao homem? Deus por acaso queria que seus filho escolhessem o “caminho errado”? Não? Então voltamos ao dilema: ou Deus seguiu ordens alheias à Sua vontade (que deveria ser suprema), ou ele é apenas burro, e faz coisas apenas para se contrariar.

Então, me parece que Deus nos faz cometer erros para que ele possa nos castigar depois. Alguém refuta?

Parece estranho? Não, não é. O Deus de amor e misericórdia que vocês ouvem falar por aí NÃO É o Deus dessa bíblia que você tem nas mãos. Esse Deus foi inventado para que vocês o aceitassem mais facilmente (mais especificamente por Paulo. Depois explico). O Deus que há na sua bíblia, na verdade, trata humanos com peões em um tabuleiro, como brinquedos:

Ezequiel 14:9
“Se o profeta for enganado e falar alguma coisa, fui eu, o SENHOR, que enganei esse profeta; estenderei a mão contra ele e o eliminarei do meio do meu povo de Israel.”

Imagine essa situação. Deus fala algo pra você e manda você dizer ao povo. Você não pode supor que o que Deus falou é mentira, afinal, ele é Deus! Mas ele sabia que estava te enganando, e então te pune pelo engano que ele mesmo colocou em você. Afinal, haveria alguma forma de esse profeta escapar da punição? Se ele se recusasse a mandar a mensagem de Deus – ou se atrevesse a pensar que Deus estava mentindo para ele -, ele estaria pecando. Mas se ele manda a mensagem divina, Deus o pune pelo “engano”.

Aí podemos ter uma idéia do joguinho sádico de Deus. Pena que trechos como esse não são lidos em igrejas; os pastores não são tão burros.

Ainda acham que eu estou inventando? Que estou “tirando passagens do contexto”, a desculpa favorita dos cristãos? Vamos ler mais.

Êxodo 10:20
O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os filhos de Israel.

Êxodo 10:27
O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não os quis deixar ir.

Êxodo 11:10
E Moisés e Arão fizeram todas estas maravilhas diante de Faraó; mas o SENHOR endureceu o coração de Faraó, que não deixou ir os filhos de Israel da sua terra.

As passagens acima são referentes à história bíblica das Dez Pragas. Segundo os cristãos, Deus puniu o povo egípcio (como bode expiatório, já que eles não tinham NADA A VER com a decisão do seu líder) porque o Faraó era um cara teimoso. Encasquetou com a idéia de ficar com os escravos hebreus, pronto: não iam-nos deixar ir embora.

Analisando com mais cuidado, fica claro que o Faraó não deixou o povo ir porque Deus o influenciou a isso. Mas… se Deus queria libertar o povo, pra quê “endureceu o coração” do Faraó para que ele não os libertassem?! Pra piorar a situação: qual era a culpa do povo, se a decisão de seu líder estava sendo manipulada pelo próprio Deus que os castigou? Me parece que os egípcios tavam fodidos de qualquer jeito.

Mas no fim, Deus resolveu deixar o Faraó tomar a decisão sozinho. Este acabou liberando os hebreus, não sem antes que esses safados levassem todo o ouro do Egito. Aí…

Êxodo 14:8
Porque o Senhor endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, e este perseguiu os filhos de Israel; pois os filhos de Israel saíam afoitamente.

Ou seja: Deus fez o Faraó perseguir os israelitas. E todos sabem o final dessa história. Moisés abriu o Mar Vermelho e a judeuzada passou correndo. Os egípcios pensaram “ah, também podemos fazer isso!” e acabarem se fodendo na mão de Jeová, que fechou o mar em cima deles.

É como se Deus estivesse entediado após ter libertado os judeus e então pensou com seus botões “Hmmm… bem que eu poderia fazer os egípcios perseguirem meu povo! Seria engraçado.” Aí os egípcios, seguindo os desígnios do Criador, foram atrás dos hebreus. Afinal, o que Deus quer, acontece. Segundos depois Jeová, que deve ter Alzheimer, disse “Epa, caralho! Pra onde vocês tão indo? Vão recapturar meu povo? Tão loucos? Tomem essa!” E mata os coitados.

Por algo que eles fizeram a mando dele.

A conclusão que eu quero chegar aqui pode ser resumida facilmente na frase livre arbítrio é o caralho. O argumento de que Deus pôs a árvore no Jardim do Éden para nos dar uma escolha é facilmente contradito, mostrando trechos que mostram claramente que Deus manipula os homens. Ademais, desde quando dar o direito de uma má escolha é algo bom?

Daqui a dois anos, posto o resto das minhas confabulações anti-cristãs.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)