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Postado em 13 March 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Outro dia percebi que, a despeito da fortuna incrível que estou ganhando de presente do Google, mais cedo ou mais tarde – preferencialmente mais tarde, se a opção “beeeem mais tarde” não estiver disponível – eu terei que arrumar um outro emprego.

Aliás, um emprego não: uma carreira. Chegou a hora de decidir o que farei pro resto da vida. Para garantir uma boa escolha e maximizar minha renda potencial, tenho que estar atento às tendências profissionais e às demandas do mercado (ou às carteiras que estejam dando sopa, caso você seja do tipo que desiste rápido).

Após quase três minutos de pesquisa, cheguei a uma conclusão arquimediana:


Mas é claro.

Burrice alheia é a melhor área a que alguém pode se dedicar. Existente desde os tempos primordios até os dias atuais, é um ramo que oferece inúmeras oportunidades de carreiras. E você não precisa se preocupar em se tornar um profissional defasado: a burrice humana é um recurso renovável e jamais acabará, garantindo seu pão até o dia em que as estrelas apagarem ou Jesus voltar armado com metralhadores pra matar os pecadores, o que vier primeiro.

Então, bolei este pequeno guia de carreiras para aqueles que, assim como eu, perceberam que a burrice humana é sem dúvida um fator importante, e que deve ser considerado na sua escolha profissional.

Chaveiro
Quem nunca perdeu uma chave? Mentira, você já perdeu sim. Nenhum ser humano está imune da aflição de bater com as mãos nos bolsos e descobrir, horrorizado, que deixou as chaves na mesa do McDonald’s, ou na cabeceira da cama redonda do motel. É pensando nessa habilidade natural do homem de perder as chaves que surgiram os chaveiros – gente pronta a fazer uma cópia da chave que você encontrará uma semana depois, entre as almofadas do sofá, o último lugar onde você pensou em procurar.
Habilidades requeridas: Colocar uma chave no molde e não rir da cara do imbecil que perdeu a original.
Variações: O cara que tira segunda via de documentos.

Astrólogo
A teoria da seleção natural prega que a sobrevivência pertence aos mais aptos a se adaptarem ao meio, ou seja, os mais espertos. Há uma contradição para cada regra, e as pessoas que acreditam em horóscopo são o antagonista da teoria evolucionista. Apesar do avanço científico, que há séculos vem dissipando as superstições da geral, ainda existem pessoas que insistem em acreditar que, se perderam o emprego, a namorada ou a virgindade do cu para um negão suspeito num beco escuro às duas da manhã, é culpa de alguma rocha gigante que rodopia ao redor do Sol. Como se isso já não fosse uma ofensa ao intelecto de qualquer um que não precise de cuidados especiais, os simpatizantes de babaquices astrológicas aceitam qualquer sugestão lida em revistas de horóscopo, a despeito do fato de que elas são EXTREMAMENTE AMPLAS e se encaixariam no perfil de qualquer pessoa, independente do signo.
Habilidades requeridas: Encarar uma mão/mapa astral/baralho de tarô/búzios por alguns minutos sem liberar uma expressão de “não faço a menor idéia do que isso significa mas vou usar o poder da sugestão nesse otário”
Variações: Ciganos e médiuns de toda espécie.

Pastor Evangélico
Cansado de pedir às pessoas que te dêem dinheiro e ouvir um “vai trabalhar, vagabundo“? A solução é simples: bote uma bíblia embaixo do braço e diga que foi Deus quem mandou! Nove entre dez pessoas têm muito medo de ir pro inferno, e um pastor esperto sabe usar essa característica da população supersticiosa em seu favor. Aliás, a regra não se limita aos dízimos; qualquer coisa que você pronunciar, por mais incoerente e nitidamente absurda que seja, passará incólume pelo juri popular da sua congregação se você arrematar a sentença com um “…e isso é a vontade de Deus, irmãos!” Aleluia.
Habilidades requeridas: Ler a bíblia e arquitetar interpretações que digam que Deus precisa de dinheiro.
Variações: Pastor da Assembléia de Deus, pastor da Presbiteriana, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, pastor da Pentecostal.

Escritor de Auto-Ajuda
Autores especializados em livros de auto-ajuda são um pilar da nossa sociedade. Como poderíamos viver sem livros mal escritos repletos de analogias e metáforas pedantes e mal-empregadas, que visam ensinar você a fazer algo que já deveria ser capaz caso não fosse um fracasso retumbante no sentido mais amplo que a palavra permite? Perceba que temos um combo aqui: livros de auto-ajuda são direcionados a um público-alvo muito especial, o dos burros E fracassados (o que muitas vezes é uma redundância). Se você quer garantir seu sucesso neste ramo, escrever livros de auto-ajuda é uma ótima pedida. Ainda que você não obtenha sucesso, não se desespere: você já sabe onde arrumar apoio psicológico e força para sair da merda. E não se preocupe em não saber escrever direito: as pessoas que comprarão seus livros estarão tão preocupadas com seus próprios problemas que não notarão sua falta de proficiência com a língua portuguesa.
Habilidades requeridas: Conhecer muitas fábulas de animais que se meteram em situações complicadas e se salvaram por trabalhar em equipe/acreditar em si mesmo/não desistir.
Variações: Escritor de blogs com banners do Google.

Operador de Telemarketing
Se há algo pior que acreditar que Deus pediu seu dinheiro através de um pastor, ou que duas linhas na sua mão significam que você terá sorte no amor, ou que você pode fazer qualquer coisa que acreditar que pode, é a fé de que algo pode ser vendido pelo telefone. Ao longo de minha vida, bati o telefone na cara de operadores de telemarketing mais do que o suficiente para perceber que, não importa o que você está vendendo telefonicamente, ninguém em sua mente sã e em condição financeira abaixo do nível em que se limpa a bunda com cédulas de dez reais compraria. A lógica é simplíssima: se você precisa LIGAR pras pessoas e pedir que elas comprem, a probabilidade é que elas sequer sabem que o que você está vendendo existe. Diferente dos supra-citados, é um ramo que explora a burrice não dos clientes, mas do seu empregador. Mas cuidado: um dia seu chefe pode perceber que esteve apenas gastando dinheiro com salários e contas telefônicas, e quando este dia chegar (e eu tenho fé que todo ser humano um dia abandona seu estágio de burrice animalesca), você precisará ler este manual novamente.
Habilidades requeridas: Fazer de conta que o que você está vendendo é algo que as pessoas deveriam realmente adquirir, a despeito de seu preço exorbitante e inerente inutilidade.
Variações: Praticamente qualquer tipo de vendedor.

E é isso. Escolham a área que melhor se adequa ao seu gosto de fazer os outros de otários e se divirtam espalhando currículos por aí.

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)