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Postado em 22 March 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

O jogo desta semana (ou mês, sei lá quando atualizarei essa seção novamente) foi uma grande sensação na minha escola no meu tempo de colegial. Infelizmente para nós, jamais aprendemos ou nos importamos em pronunciar seu nome corretamente, e este game ficou marcado nas nossas infâncias com “O jogo do hotel”. A culpa do jogo não é o fato de que ele é totalmente em japonês, mas sim que ele foi lançado antes da chegada dessa modinha fedorenta de “otakus”, gente que decora os roteiros de animes, usa smiles como ^^ e que daria a bunda para um oriental apenas para ter um pouco de japonês em si. Assim sendo, como ninguém dava a mínima pro idioma nipônico, ficamos sem saber do que diabos se tratava o jogo, e tivemos que usar a imaginação pra teorizar sobre o que se tratava a história.

Syodai Nekketsu Kouha Kunio kun, conforme descobri há uns dois dias atrás, conta a história de dois moleques de colegial que mataram aula pra ir curtir na cidade. Obviamente, a merda pega no ventilador e nossos heróis se vêem às voltas como todo tipo de gente estranha, com habilidades fantásticas como cair no chão e desaparecer após levar dois murros. Obviamente, na época não sabíamos de nada disso. Então, pra nós, eles não eram moleques colegiais e sim OS CARAS DE BRANCO.

(E como se trata de um jogo de 2 players, essa resenha teve a participação ilustre de Trunks, como CARA DE AZUL.)


Conforme você pode ver no screenshot acima, há um bando de caras de branco. Meu personagem está entre eles, mas são todos japoneses e estão usando as mesmas roupas (que poderiam ser uniformes colegiais, o que corroboram o que li na internet sobre o jogo), não há forma de diferenciar um do outro. Legendas aparecem na parte inferior da tela, que ajudam bastante caso você saiba ler japonês, ou que serão ignoradas caso contrário.

Os caras entram no trem e me deixam sozinho no que parece ser a menor estação de metrô do mundo.


Trunks, o cara de azul, aparece magicamente na aventura. Há alguma explicação em japonês para o fato de porque ele apareceu, então novamente tive que usar minha imaginação para elucidar esse mistério. Sem mais essa nem aquela, somos interpelados pelos CARAS DE VERDE, o que nos permite pela primeira vez testar o complexo sistema de luta do jogo, que consiste em andar pra perto do oponente e apertar Y até que ele caia ou diga algo em japonês e saia de cena.

Os caras de verde não ofereceram muita dificuldade; antes que me desse conta já havia chutado suas bagaças japonesas e prossegui no joguinho.


…e aí chegamos na parte que explica o pseudônimo do jogo. Muita gente não tinha paciência com o idioma oriental e desistia rápido do jogo. A única coisa que se absorveu do game é que parte dele se passa num hotel, logo o jogo foi rebatizado com o nome alternativo de “Jogo do Hotel”. Lição de história à parte, voltemos à resenha.

O Cara de Branco está deitado numa cama que parece tão confortável quanto um tijolo. Sem mais nem essa, entram no quatro Cara de Azul e Caras de Branco números 2 e 3.


Algum de nós fala alguma coisa. Algum outro responde alguma outra coisa. Após esse revelador diálogo, o jogo continua.

Eu e Trunks passamos a explorar os outros quatros no mesmo andar, apenas pra descobrir que eles são tão fedorentos quanto o nosso: além das duas camas e uma porta, não há nada digno de comentário. Tudo bem, quartos de hotel são tudo igual mesmo. Mas custava ter ao menos usado uma textura diferente pras camas, ou colocado-as em posições diferentes?


Como você pode ver nesse shot, estou equipado com um útil pedaço de pau, encontrado em um dos quartos. Algo totalmente normal, pois como todos sabem há muitos pedaços de pau espalhados em pontos aleatórios de hotéis reais.

Perceba também que o life de Trunks está sensivelmente menor. Isso aconteceu quando eu estava testando os botões de ataque e ele estava – por muito azar, coitado – no meio da trajetória do pedaço de pau, que foi inadvertidamente arremessado quando apertei o Y. Novamente aí, podemos ver o quanto esse jogo é realista: ser atingido por um pedaço de pau, essa arma formidável, quase o matou.

Após praguejar em várias direções, Trunks se acalmou e decidimos pegar o elevador e explorar outros arredores.


Felizmente os números do elevador são legíveis, o que permitiu se movimentar baseado em uma decisão real ao invés de puro acaso na hora de escolher as opções. Infelizmente, é o único caso em que isso acontece no jogo inteiro.


Chegamos ao terceiro andar. Encontramos dois sujeitos de azul, um deles já se posicionando de forma suspeita atrás de Trunks. Alguém (o mais foda é que não dá pra saber nem quem está falando) fala alguma e, a julgar pelo ponto de exclamação, posso pensar que foi um xingamento. Antes que percebamos, já estávamos trocando sopapos e pauladas.


A imagem mostra que Trunks foi facilmente subjugado pelo oponente de azul, que é visto caminhando em cima da cara do meu pobre irmão. Algo que, estranhamente, tirou menos life do que a paulada que eu dei nele previamente. Isso deu um outro sentido à expressão “quem precisa de inimigos quando seu irmão tem um pedaço de pau e não sabe qual botão o arremessa“.

Após levar mais algumas caminhadas na face, Trunks morre – o que no jogo significa que seu bonequinho desapareceu.


Após o trágico falecimento/desaparecimento do meu irmão, a raiva toma conta do meu bonequinho de branco, e então espanco os inimigos.

Após mandar os oponentes pro limbo dos inimigos que desaparecem após suas derrotas, voltei pra explorar os outros quartos, na tentativa de encontrar alguma coisa mais útil que um pedaço de pau.


Achei em cima da cama esta pedra, que por um erro de gráfico se assemelha muito com um convencional travesseiro. Caso eu esteja enganado e se trate realmente de um travesseiro, é o travesseiro mais pesado do mundo, que requer dois braços arqueados em cima da cabeça para levantar, e que pode ser inclusive utilizado como arma (e como descobri no futuro, causando mais danos que o pedaço de pau.

Escondendo-me atrás da segurança que um travesseiro de trinta quilos confere ao seu portador, sai do quarto em busca de mais pessoas aleatórias para espancar.


E as vítimas não custaram a aparecer. Perceba a barrinha de life azul, logo abaixo da minha própria. Essa barrinha corresponde ao life da garota em minha frente. Esse estrago que quase a matou foi provocado por um único arremesso do travesseiro, e um murro na cara.

Mas o jogo virou rapidamente. As vítimas se organizaram – uma delas até se armou com um pedaço de pau que ela mesmo produziu através de artes mágicas – e vieram ao meu encalço. sabendo que não poderia c
onter a massa, fiz o que qualquer um faria:


Roubei a mala de uma das meninas e dei no pé rapidim.

Mas a menina jogou o pedaço de pau na minha cabeça, o que me despachou deste mundo pro outro.


Ou melhor, do corredor pro quarto. Acompanhando a temática realista do jogo, você nunca morre. Você desmaia e acorda no seu quarto. Com isso Trunks, que tinha “morrido” fazia tempo, pôde se reunir a mim. Armados com travesseiros e paus, retomamos a jornada em busca de uma conclusão sobre o que diabo esse jogo se trata.

O que não foi nada fácil. Em um certo momento do jogo, Trunks é interpelado por um sujeito, que faz uma pergunta crucial para o andamento do jogo:


Tirando os raros momentos em que o jogo tenta fazer de conta que há uma história rolando no pano de fundo, o jogo é porradaria pura. Nada de pegar um item e levar pro outro lado ou cumprir missões. Só porrada.


Enfim. Syodai Nekketsu Kouha Kunio kun é um jogo bacaninha, a despeito dos gráficos simples, da completa falta de realismo e da história imcompreensível. Eu ia pôr a ROM aqui, mas aí foderia minha banda, então se virem e procurem no Google.

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)